Jerome Bruner

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Jerome Seymour Bruner (Nova Iorque, 1 de outubro de 1915) é um psicólogo estadunidense, de família polonesa. Professor de psicologia em Harvard e depois em Oxford, escreveu importantes trabalhos sobre educação, liderou o que veio a ser conhecido como Revolução Cognitiva, na década de 1960. Esta introduz novas perspectivas no estudo da mente, superando os postulados colocados até aquela época pelo behaviorismo, que focava apenas nos fenômenos observáveis. Durante o governo dos presidentes Kennedy e Johnson ele chefiou o Comitê de Ciências (Science and Advisory Committee). Atualmente é professor da Escola de Direito da NYU.
Suas publicações mais importantes são Sobre o Conhecimento: Ensaios da mão esquerda (1960) O Processo da Educação (1961), Actos de Significação (1990), A Cultura da Educação (1996).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Graduou-se na Universidade de Duke, Durham (Carolina do Norte), em 1937 e posteriormente em Harvard, Cambridge (Massachusetts), em 1941, obteve o título de doutor em Psicologia e tem sido chamado o pai da Psicologia Cognitiva, pois desafiou os postulados behavioristas da época. Ensinou e fez investigação, também na New School for Social Research.

Possui doutoramentos “honoris causa” pelas Universidades de Yale, Columbia, Sorbonne, Berlim e Roma, entre outras. É membro da Society for Research in Child Development e da American Psychological Association. Possui uma obra muito diversificada e traduzida na área da educação, pedagogia e psicologia.

Psicologia Cognitiva[editar | editar código-fonte]

Jerome Bruner foi um dos pioneiros nos estudos da Psicologia Cognitiva nos Estados Unidos. Bruner inicia seus estudos da sensação e da percepção humanas como parte de um processo ativo e não apenas receptivo. Em 1947 Bruner publicou seu clássico estudo “Valores e Necessidades como Fatores Organizacionais na Percepção” (Value and Need as Organizing Factors in Perception). Nesta investigação crianças ricas e pobres eram solicitadas a avaliar o tamanho de moedas e de discos de madeira. Seus resultados mostram que os valores e a necessidade das crianças ricas e pobres se diferenciavam ao superestimar o tamanho das moedas, comparadas aos discos de madeira do mesmo tamanho (Journal of Abnormal and Social Psychology, 1947, vol. 42, pgs. 33–44)
Outro estudo clássico conduzido por Bruner e Leo Postman mostrava reações mais lentas e menos precisas em relação à cartas de baralho (On the Perception of Incongruity: A Paradigm by Jerome S. Bruner and Leo Postman. Journal of Personality, 18, pp. 206-223. 1949). Estes experimentos apontaram novos rumos para a psicologia, o que obrigou aos pesquisadores não apenas observar a resposta do organismo a estímulos, mas também à suas interpretações internas. Em 1956 Bruner publica ‘’O Estudo do Pensamento’’ (A Study of Thinking) que inicia o estudo da psicologia cognitiva, assim como funda o Centro dos Estudos Cognitivos (Center of Cognitive Studies) em Harvard. Em 1990 ele faz uma série de conferências sobre o assunto, publicadas no livro ‘’Atos de Significação’’ (Acts of Meaning) e nelas ele refuta o modelo computacional como metáfora do estudo da mente, defendendo um entendimento holístico da mente e do sistema cognitivo humanos.

Propostas educacionais[editar | editar código-fonte]

Um aspecto relevante de sua teoria é que o aprendizado é um processo ativo, no qual aprendizes constroem novas idéias, ou conceitos, baseados em seus conhecimentos passados e atuais. O aprendiz constrói hipóteses e toma decisões, contando, para isto, com uma estrutura cognitiva. A (esquemas, modelos mentais) fornece significado e organização para as experiências e permite ao indivíduo "ir além da informação dada".

Psicologia Educacional[editar | editar código-fonte]

Em Harvard Jerome Bruner publicou uma série de trabalhos sobre a avaliação nos sistemas educacionais e as formas em que a educação poderia ser melhorada. Sua visão geral é de que a ‘’educação não deve se concentrar apenas na memorização de fatos. Entre 1964-1996 Bruner procurou desenvolver um currículo completo para o sistema educacional que atendesse as necessidades dos estudantes em três áreas principais que ele chamou de Man: A Course of Study, conhecido pela sigla MACOS ou M.A.C.O.S. Se fundamentava no ensino em espiral ou seja um determinado conceito deveria ser repetidamente ensinado, em diferentes niveis, cada nivel sendo mais complexo que o primeiro. Este processo permitiria a crianca a absorver ideias complexas de maneira mais simples. Bruner pretendia criar um ambiente educacional que se concentrasse (1) no que era exclusivamente humano sobre os seres humanos, (2) em como os seres humanos chegaram no estágio atual e (3) em como os seres humanos poderiam se aprimorar.

Cultivando o possível[editar | editar código-fonte]

Jerome Bruner em Cultivando o Possível - Oxford, 13 de maio de 2007:

Cquote1.svg Eu também tenho uma razão mais profunda, mais teórica, para me preocupar em cultivar o sentido do possível, uma razão que brota da pesquisa sobre a natureza da mente, uma razão que tem crescido constantemente em meio século de meu aprofundamento no crescimento da mente e da sua dependência de cultura. Eu estou cada vez mais convencido de que a mente atinge completamente sua plenitude não apenas na acumulação - no que passamos a conhecer - mas sim no que podemos fazer com o que sabemos, como somos capazes de enquadrar possibilidades além das convenções do presente, para forjar mundos possíveis. (...)

A principal função da cultura para o indivíduo, eu acho, é a de tornar o estranho familiar. Somos guiados a colocar as coisas em seus lugares familiares (...) No entanto, em forma anômala, culturas também fornecem meios para tornar o estranho convencionalmente familiarizado no estranho novamente: "a mão de Deus" ou o espírito de Abraão, em segundo plano. Nenhuma cultura conhecida existe sem fazer ambos - este último através do mito da incerteza provocante, através do narrar contos, através do poder da poesia. Todas as línguas conhecidas, de fato, ainda têm formas gramaticais para indicar o que poderia ser ou não ser possível. É, principalmente, através do uso de ambos - tornando o familiar estranho e o estranho familiar - que nós (e nossa cultura) cultiva o sentido do possível. Jerome Bruner Cultivando o Possível - Oxford, 13 de maio de 2007.

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Obras[editar | editar código-fonte]

português
  • Actos de Significação (Acts of Meaning), 1997. Artmed.
  • Actos de Significado (Acts of Meaning), 2011. Edições 70.
  • Como as Crianças Aprendem a Falar, 2010.
  • A Cultura da Educação, 2001. Artmed. Edicoes 70.
  • Para uma Teoria da Educação, 2011.
  • O Processo da Educação, 1978.
  • Realidade Mental - Mundos Possíveis, 1997. Artmed.
  • Sobre a Teoria da Instrução, 2006. Phorte Editora.
  • Sobre o Conhecimento. Ensaios da mão esquerda, 2008. Phorte Editora.
  • Uma Nova Teoria da Aprendizagem, 1976. Bloch Ed.
inglês

Referências[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]