Raul Seixas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Raul Seixas
Raul Seixas
Foto: © Thereza Eugênia
Informação geral
Nome completo Raul Santos Seixas
Também conhecido(a) como Raulzito
Maluco Beleza
Pai do Rock Brasileiro
Nascimento 28 de junho de 1945
Local de nascimento Salvador, BA
 Brasil
Origem Salvador, Bahia
Data de morte 21 de agosto de 1989 (44 anos)
Local de morte São Paulo, SP
 Brasil
Nacionalidade  brasileiro
Gênero(s) Rock and roll, rockabilly, baião, country rock, rock psicodélico, folk, folk rock, MPB, blues[1]
Instrumento(s) Vocal, guitarra elétrica , violão e contrabaixo
Modelos de instrumentos Gibson ES-335 (1973 - 1977);
Guild 1954 (1977 - 1989)
Período em atividade 1963 - 1989 (26 anos)
Gravadora(s) Odeon, CBS Discos, Philips/Phonogram, Warner Music, Eldorado, Som Livre, Copacabana
Afiliação(ões) Os Panteras, Bira, Paulo Coelho, Camisa de Vênus, Marcelo Nova, Edy Star, Míriam Batucada, Jerry Adriani, Sérgio Sampaio, Gileno
Influência(s) Luiz Gonzaga, Elvis Presley, Little Richard, Chuck Berry, The Beatles, John Lennon, Roberto Carlos, Frank Zappa, Led Zeppelin,[2] [3] Bob Dylan, Jerry Lee Lewis[4]

Raul Santos Seixas (Salvador, 28 de junho de 1945São Paulo, 21 de agosto de 1989) foi um cantor e compositor brasileiro, frequentemente considerado um dos pioneiros do rock brasileiro. Também foi produtor musical da CBS durante sua estada no Rio de Janeiro, e por vezes é chamado de "Pai do Rock Brasileiro" e "Maluco Beleza". Sua obra musical é composta por 17 discos lançados em seus 26 anos de carreira e seu estilo musical é tradicionalmente classificado como rock e baião, e de fato conseguiu unir ambos os gêneros em músicas como "Let Me Sing, Let Me Sing"[5] . Seu álbum de estreia, Raulzito e os Panteras (1968), foi produzido quando ele integrava o grupo Os Panteras, mas só ganhou notoriedade crítica e de público com as músicas de Krig-ha, Bandolo! (1973), como "Ouro de Tolo", "Mosca na Sopa", "Metamorfose Ambulante". Raul Seixas adquiriu um estilo musical que o creditou de "contestador e místico", e isso se deve aos ideais que vindicou, como a Sociedade Alternativa apresentada em Gita (1974), influenciado por figuras como o ocultista britânico Aleister Crowley.

Raul se interessava por filosofia (principalmente metafísica e ontologia), psicologia, história, literatura e latim e algumas crenças dessas correntes foram muito aproveitadas em sua obra, que possuía uma recepção boa ou de curiosidade por conta disso.[6] Ele conseguiu gozar de uma audiência relativamente alta durante sua vida, e mesmo nos anos 80 continuou produzindo álbuns que venderam bem, como Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! (1987) e A Panela do Diabo (1989), esse último em parceria com Marcelo Nova, e sua obra musical tem aumentado continuamente de tamanho, na medida em que seus discos (principalmente álbuns póstumos) continuam a ser vendidos, tornando-o um símbolo do rock do país e um dos artistas mais cultuados e queridos entre os fãs nos últimos quarenta anos. Em outubro de 2008, a revista Rolling Stone promoveu a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, cujo resultado colocou Raul Seixas figurando a posição 19ª[7] , encabeçando nomes como Milton Nascimento, Maria Bethânia, Heitor Villa-Lobos e outros. No ano anterior, a mesma revista promoveu a Lista dos Cem Maiores Discos da Música Brasileira, onde dois de seus álbuns apareceram Krig-ha, Bandolo! de 1973 atingiu a 12ª posição e Novo Aeon ficou em 53º lugar ,[8] demonstrando que o vigor musical de Raul Seixas continua a ser considerado importante hoje em dia.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância[editar | editar código-fonte]

"Quando eu era guri, lá na Bahia, música para mim era uma coisa secundária. O que me preocupava mesmo eram os problemas da vida e da morte, o problema do homem, de onde vim, para onde vou (...)"
—Raul Seixas[9]

Raul Santos Seixas nasceu às 8 horas da manhã em 28 de Junho de 1945 numa família de classe média baiana que vivia na Avenida Sete de Setembro, Salvador.[10] Seu pai, Raul Varella Seixas, era engenheiro da estrada de ferro e sua mãe, Maria Eugênia Santos Seixas, se dedicava às atividades domésticas.[10] No próximo mês ele foi registrado no Cartório de Registro Civil de Salvador com o nome do pai e do avô paterno. Em 16 de setembro do mesmo ano, batizaram-no na Igreja Matriz da Boa Viagem.[10] Em 4 de dezembro de 1948, Raul Seixas ganhou um irmão, o único, Plínio Santos Seixas, com quem teria um bom relacionamento durante sua infância.[10] Os estudos de Raul Seixas começaram em 1952, onde frequentou o curso primário estudando com a professora Sônia Bahia.[10] Concluído o curso em 1956, fundou o Club dos Cigarros com alguns amigos.[10] O trágico percurso escolar de Raul Seixas se iniciaria em 1957, quando ele ingressou no ginásio Colégio São Bento, onde foi reprovado na 2ª série por três anos.[11] Um dos motivos da reprovação, segundo alguns biógrafos, é que ele, em vez de ir assistir as aulas, ouvia rock and roll — em seus primórdios — na loja Cantinho da Música.[11] No mesmo ano, em 13 de Julho, Raul Seixas fundou o Elvis Rock Club com o amigo Waldir Serrão.[11] Segundo a jornalista Ana Maria Bahiana, é através de Serrão que Raul Seixas começou a sair de casa e a manter uma vida social mais ampla.[12] Segundo Raul, o encontro com Waldir foi fantástico: "me preparei todo, botei a gola pra cima, botei o topete, engomei o cabelo, e fiquei esperando ele, masclando chiclete".[13] O Elvis Rock Club era como uma gangue, que procurava brigas na rua, fazia arruaça, roubava bugigangas e quebrava vidraças.[12] Embora Raul não gostasse muito disso, "ia na onda, pois o rock (pelo menos a meu ver) tinha toda uma maneira de ser".[12]

Então, a família resolveu matricular Raul num colégio de padres, o Colégio Interno Marista, onde ele alcançou a 3ª série em 1960, mas acabou repetindo o estágio em 1961.[11] Ao que tudo indica, nessa época Raul Seixas começou a se interessar pela leitura.[11] O pai de Raul Seixas amava os livros e possuía uma vasta biblioteca em casa.[14] Tão logo decifrou o mistério das letras, o garoto pôs-se a ler os volumes que encontrava na biblioteca do pai Raul.[14] Sendo assim, as histórias que lia na biblioteca fermentavam sua imaginação e, com os cadernos do colégio, fazia desenhos, criava personagens, enredos, para depois vender ao irmão quatro anos mais novo, que acabava ficando interessado e comprava os esboços.[15] Segundo Raul, um dos personagens principais dessas histórias era um cientista maluco chamado "Mêlo" (algo como "amalucado"), que viajava para diversos lugares imáginarios como o Nada, o Tudo, Vírgula Xis Ao Cubo, Oceanos de Cores.[16] Segundo Raul, Melô era sua "outra parte, a que buscava as respostas, o eu fantástico, viajando fora da lógica em uma maquinazinha em que só cabia um só passageiro... Melô-eu."[16] Plínio ficava horas ouvindo o irmão contar suas histórias, dentro do quarto dos dois, e Raul frequentemente encenava os personagens como um ator.[16] Ambos os irmãos tinham algo em comum: adoravam literatura, mas odiavam a escola.[15] Mais tarde, já maduro, Raul Seixas diria: "Eu era um fracasso na escola. A escola não me dizia nada do que eu queria saber. Tudo o que aprendia era nos livros, em casa ou na rua. Repeti cinco vezes a segunda série do ginásio. Nunca aprendi nada na escola. Minto. Aprendi a odiá-la."[17] De um modo ou de outro, Raul Seixas precisava frequentar a escola vez ou outra. Em uma determinada ocasião, o pai perguntou a Raul como ele ia na escola e pediu seu boletim. Raul mostrou um boletim falsificado, com todas as matérias resultando em um 10.[18] O pai questionava se ele havia estudado, mas Maria Eugênia interrompia, dizendo algo como "Estudou nada, ficou aí ouvindo rock o tempo inteiro, essa porcaria desse béngue-béngue, de élvis préji, de líri ríchi e gritando essas maluquices."[19] Os pais de Raul, como toda a geração da época, estranhavam o rock e ele não era muito bem-vindo entre as famílias.[19]

Anos 1960: Os Panteras[editar | editar código-fonte]

Raulzito e os Panteras (1968), o debute de Raul Seixas.

Embora Raul mantivesse um gosto muito sincero pela música, seu sonho maior era ser escritor como Jorge Amado. Na sua cidade, escutavam Luiz Gonzaga todos os dias, nas praças, nas casas, em todos os estabelecimentos. Enquanto isso, Raul junta-se a cena do Rock que se formava em Salvador. "Em 54/55, ninguém sabia o que era rock. Eu tocava e me atirava no chão imitando Little Richard." [20] Com o passar do tempo, a banda que chegou a ter diversos nomes, como Relampagos do Rock, formadas então pelos irmãos Délcio e Thildo Gama,[21] passa por várias formações e em 1963, passa a se chamar The Panters, banda que agora já se tornara sensação de Salvador. A fama se espalha, e a banda é rebatizada pelo nome Os Panteras, tendo em sua formação definitiva além de Raulzito, os integrantes Mariano Lanat, Eládio Gilbraz e Carleba. Em 1967, Raul Seixas começa um relacionamento com Edith Wisner, filha de um pastor protestante americano. O pai de Edith não aceita o namoro da filha. Em seis meses, completa o segundo grau, faz cursinho pré-vestibular e passa em Direito, Psicologia e Filosofia. Com isso, casa-se com Edith. Logo em seguida, abandona os estudos, volta a reunir os Panteras e aceita o convite de Jerry Adriani para ir para o Rio de Janeiro. [22]

Em 1968, Raulzito e Os Panteras gravam seu primeiro e único Disco, Raulzito e Os Panteras. Assinando contrato com a gravadora EMI-Odeon, após encontrarem Chico Anysio e o rei Roberto Carlos, que os reconheceu nos corredores de uma grande gravadora.[23] O Disco no entanto não teria sucesso de critica nem de público. Eládio Gilbraz, um dos panteras, diria: "De um lado havia a inexperiência de quatro rapazes, recém-chegados da Bahia, falando em qualidade musical, agnosticismo, mudança de conceitos e sonhos. Do outro lado, uma multinacional que só falava em "comercial". Talvez não tenha sido o disco que o grupo imaginara, mas nosso sonho era gravar um disco.[23] A partir daí, Raulzito e Os Panteras passariam sérias dificuldades no Rio de Janeiro. Raul morava em Ipanema, e ia a pé até o centro da cidade para tentar divulgar suas músicas, não obtendo sucesso.[23] Algumas vezes os Panteras recebiam ajuda de Jerry Adriani, tocando como banda de apoio, o que, segundo o próprio Raul, lhe deu muita experiência e lhe ajudou a descobrir como se comunicar, pois suas "músicas eram muito herméticas".[23] Raulzito passaria então fome no Rio de Janeiro [23] (como mais tarde escreveria em Ouro de Tolo).

Anos 1970: Produtor Musical[editar | editar código-fonte]

Raul Seixas estava totalmente abalado pelo fracasso com Os Panteras, e a sua volta a Salvador. Escrevia ele: "Passava o dia inteiro trancado no quarto lendo filosofia, só com uma luz bem fraquinha, o que acabou me estragando a vista [...] Eu comprei uma motocicleta e fazia loucuras pela rua." [24] No entanto a sorte começaria a mudar, um dia, conhece na Bahia um diretor da CBS Discos. Mais tarde ele convidaria Raul para ser produtor da gravadora. Sem pensar duas vezes, ele faz as malas, junto a Edith, e volta para o Rio.[23] Raul volta ao Rio para usar seus enciclopédicos conhecimentos de música como produtor fonográfico. Nos cadernos de composições de Raul começaria a ser alimentada uma revolução.[25] Esta seria a segunda chance de Raul, apostando no talento do amigo, Jerry Adriani convence o então presidente da CBS, Evandro Ribeiro, a dar a Raulzito um emprego de produtor. Raulzito trabalhou anonimamente por um bom tempo.[26]

Raul após ter entrado na CBS, fez grandes aliados e amigos. Ainda em 1968, a dupla Os Jovens e a banda The Sunshines apostaram em suas letras. No entanto, Raul faria um grande amigo e parceiro: Leno, da dupla Leno e Lilian. "Raulzito sempre esteve 20 anos adiante de seu tempo e Leno o compreendia; na verdade, sempre houve uma grande admiração mútua". Diria Arlindo Coutinho, da relações públicas da CBS. Em seu compacto duplo Papel Picado, lançado em 1969, Leno registrou Um Minuto Mais, versão de Raulzito para I Will (nada a ver com a canção de Paul McCartney). Também não se pode esquecer de Mauro Motta, outro grande parceiro de Raul nesta fase.[26] Jerry Adriani decide convocar Raulzito para ser o produtor de seus discos. No álbum de 1969, aproveitou para gravar uma de suas músicas, Tudo Que É Bom Dura Pouco. Naquela mesma época, outros ídolos da Jovem Guarda também apadrinharam Raulzito gravando suas letras como Ed Wilson, Renato e seus Blue Caps, Jerry Adriani, Odair José. O ano de 1970 marcou o início de uma fase muito ativa na carreira de Raulzito, como produtor da CBS. Primeiramente, suas composições passaram a ser gravadas pelos artistas do cast da gravadora. Passou o ano produzindo discos para Tony & Frankye, Osvaldo Nunes, Jerry Adriani, Edy Star e Diana, além de escrever uma quantidade enorme de músicas para os colegas da gravadora.[26] Algumas de muito sucesso, como Doce doce amor (Jerry Adriani), Ainda Queima a Esperança (Diana) e Se ainda existe amor (Balthazar). Raulzito nessa época passa a ter um bom emprego de respeitado produtor, que conseguira lançar suas composições como Hits na voz de outros cantores e produzir grandes artistas. Mas, Raulzito não se conformava apenas com isso, ainda mais quando conheceu o amigo e parceiro Sérgio Sampaio, passando cada vez mais a realimentar os sonhos de quando ainda morava em Salvador, que era ser um cantor. Ao lado de Leno, Raulzito participa do disco Vida e Obra de Johnny McCartney, disco solo de Leno, em que ambos buscam novos caminhos e experimentações. Juntos assinam letras e composições em parcerias. Foi o primeiro Lp gravado em oito canais no Brasil.[26] As letras do disco foram censuradas que acabou não sendo lançado na época.

Outro projeto mal sucedido seria o LP Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10, lançado em 1971, com a parceria de Sérgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy Star, onde Raul Seixas deu inicio a produção de um projeto de ópera-rock, tendo as letras mutiladas pela censura do Regime Militar. O Sociedade Grã Ordem Kavernista era um disco Anarquico, inspirado em Frank Zappa e o então cultuado Disco Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles misturado a elementos brasileiros, como samba, chorinho, baião. Quando lançado, o disco não obteve sucesso de público e nem de crítica. Foi abandonado à própria sorte até mesmo pela gravadora, cujos executivos tanto no Brasil como na matriz, nos Estados Unidos não gostaram do resultado final. Com isso, não houve investimento em divulgação do trabalho nas rádios e programas musicais da época. Muitas lendas cercam esse disco que traz 11 faixas intercaladas por vinhetas. A principal delas diz que Raul, Sérgio, Edy e Míriam gravaram as músicas às escondidas, à noite, sem que ninguém na CBS soubesse e que por esse motivo, Raul Seixas, então um bem-sucedido produtor da gravadora, teria sido demitido. No entanto, segundo Edy Star, único sobrevivente dos quatro artistas, o trabalho foi profissional e feito com o conhecimento da gravadora. E Raul não foi demitido. Tanto que no ano seguinte, em 1972, produziu o compacto Diabo no Corpo, de Míriam Batucada, e o LP de estreia da cantora Diana, na própria CBS. Raul só saiu da gravadora meses depois desse último trabalho, sendo contratado pela RCA Victor.[27] [28]

Anos 1970: Auge e Repercussão Nacional[editar | editar código-fonte]

Krig-ha, Bandolo! (1973), primeiro disco de Raul Seixas com repercussão crítica e de público.

Em 1972, Raul Seixas decide participar do Festival Internacional da Canção, sendo convencido por Sérgio Sampaio. O cantor compõe duas músicas, "Let Me Sing, Let Me Sing", defendida pelo próprio Raul e "Eu Sou Eu e Nicuri é o Diabo", defendida por Lena Rios & Os Lobos. Ambas chegam a final, obtendo sucesso de critica e de público. Rapidamente, Raul foi contratado pela gravadora Philips.[29] Na época, ele também se interessa por um artigo sobre extraterrestres publicado na revista A Pomba e tem o seu primeiro contato com o escritor Paulo Coelho, que mais tarde, se tornaria seu parceiro musical.[30]

No ano de 1973, Raul consegue um grande sucesso com a música "Ouro de Tolo" no álbum Krig-ha, Bandolo!. A música possui uma letra quase autobiográfica, mas que também debocha da Ditadura e do "Milagre Econômico". O mesmo LP, continha outras músicas que se tornaram grandes sucessos, como: "Metamorfose Ambulante", "Mosca na Sopa" e "Al Capone". Raul Seixas finalmente alcança grande repercussão nacional, graças a divulgação da imagem do cantor como ícone popular. Porém, logo a imprensa e os fãs da época, foram aos poucos percebendo que Raul não era apenas um cantor e compositor.

Ainda em 1973, Raul resolve homenagear algumas músicas clássicas do rock americano e brasileiro no disco Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock. Raul foi, no entanto, proibido pela gravadora de assinar seu nome no disco de covers, pois ela achou que o álbum poderia prejudicar as vendas de Krig-ha, Bandolo!. A solução foi creditar o álbum a uma certa banda chamada Rock Generation, com o nome de Raul presente apenas na contracapa, como diretor de produção. O álbum não teve qualquer tipo de divulgação e acabou inicialmente sendo esquecido nas lojas, porém com os sucessos posteriores de Raul, alcançando grandes vendagens, a gravadora Philips acabou por divulgar melhor o trabalho.[31]

No ano de 1974, Raul Seixas e Paulo Coelho criam a Sociedade Alternativa, uma sociedade baseada nos preceitos do bruxo inglês Aleister Crowley, praticamente repetindo o chamado Livro da Lei. O cantor foi levado pelo escritor a conhecer uma ordem filosófica baseada na Lei de Thelema, desenvolvida por Crowley.[32] A Sociedade Alternativa, com sede alugada, papel timbrado e relatórios mensais, chegou a anunciar a aquisição de um terreno em Minas Gerais, para a construção da Cidade das Estrelas, uma comunidade onde a única lei era: “Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei.” Em todos os seus shows, Raul divulgava a Sociedade Alternativa com a música de mesmo nome.[33] A obsessão de Raul Seixas e Paulo Coelho em construir “uma verdadeira civilização thelêmica”, evidentemente, trouxe problemas com a Censura. A letra da música "Como Vovó já Dizia" composta pelos dois, teve de ser mudada. Logo no show de lançamento, a polícia apreendeu o gibi/manifesto "A Fundação de Krig-Ha" e o queimou como material subversivo. A Ditadura, então, através do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) prendeu Raul e Paulo, pensando que a Sociedade Alternativa fosse um movimento armado contra o governo.[34]

""Veio uma ordem de prisão do Exército e me detiveram no Aterro do Flamengo. Me levaram para um lugar que não sei onde era. Imagine a situação: estava nu, com uma carapuça preta. E veio de lá mil barbaridades. Tudo para eu dizer os nomes de quem fazia parte da Sociedade Alternativa, que, segundo eles, era um movimento revolucionário contra o governo. O que não era. Era uma coisa mais espiritual. Preferiria dizer que tinha pacto com o demônio a dizer que tinha parte com a revolução. Então foi isso, me escoltaram até o aeroporto." (...)"
—Raul Seixas sobre o exílio ocorrido em 1974, em uma entrevista publicada na revista Bizz, em março de 1987.[35]

Depois de torturados, Raul e Paulo foram exilados para os Estados Unidos, com suas respectivas esposas, Edith Wisner e Adalgisa Rios. Muitas histórias são contadas sobre a estadia de Raul Seixas nos Estados Unidos, como seu encontro com John Lennon, mas ninguém sabe ao certo se são verdadeiras.[36] No entanto, o LP Gita gravado poucos meses antes faz tanto sucesso, que forçou a Ditadura a trazê-los de volta para o Brasil. O álbum Gita rendeu à Raul um disco de ouro, após vender 600.000 cópias, sendo considerado o LP de maior sucesso de sua carreira. Ainda neste ano, Raul separa-se de Edith, que vai para os Estados Unidos com a filha do casal, Simone.[37]

Em 1975, Raul Seixas casa-se com Glória Vaquer, e grava o LP Novo Aeon, onde compôs junto com Paulo Coelho, uma de suas músicas mais conhecidas, "Tente Outra Vez", que seria creditada juntamente com Marcelo Motta, por quem eram discipulados na Astrum Argentum (AA).[38] O LP, porém, vendeu menos de 60 mil cópias. Ainda em 1975, Raul lê um manifesto e canta a Sociedade Alternativa no documentário Ritmo Alucinante, que foi um festival de rock realizado no Rio de Janeiro, gravado no álbum Hollywood Rock, lançado no mesmo ano. Em 1976, Raul supera a má-vendagem do disco Novo Aeon com o álbum Há Dez Mil Anos Atrás. Neste mesmo ano, nasce sua segunda filha, Scarlet. Chega então ao fim, o seu contrato com a gravadora Philips e sua parceria com Paulo Coelho, embora continuassem amigos (ou inimigos íntimos).[37]

Jay Vaquer, músico e cunhado de Raul na época, coletou material para fazer um novo disco, Raul Rock Seixas, que diziam ser um álbum feito de resto de gravações, mas na verdade a história era outra. Raul escolheu as músicas, e Jay começou a fazer os arranjos. Porém, antes de Raul Seixas e Jay Vaquer terminarem de mixá-lo devido à suas ausências por causa dos shows, a Philips lançou o disco sem avisá-los, sob o selo da Fontana/Phonogram, mixando-o por conta própria. Segundo Jay Vaquer, isso prejudicou o trabalho que ambos haviam planejado anteriormente, destruindo o LP, porque finalmente seu nome estava num LP de Raul como produtor, arranjador, e guitarrista, e seu trabalho foi muito mal representado.[39]

Em 1977, nasce no Brasil uma nova gravadora, a WEA, que se interessa em contratar Raul Seixas. Por volta deste período, intensifica-se a parceria com o amigo Cláudio Roberto, com quem Raul compôs várias de suas canções mais conhecidas. Juntos, realizaram o LP O Dia Em Que A Terra Parou. A crítica não gostou. Foi dito que não mantinha o mesmo nível dos trabalhos anteriores. Mas os fãs se deliciam com “Maluco Beleza”, “Sapato 36” e a faixa-título.[37]

Naquele final de década as coisas começaram a ficar ruins para Raul. A partir do ano de 1978, começa a ter problemas de saúde devido ao alcoolismo lhe causando a perda de 1/3 do pâncreas. Raul passa alguns meses numa fazenda na Bahia, para se recuperar da pancreatite. [40] Ele separe-se de Glória, que, assim como Edith, também voltou aos Estados Unidos, levando a filha Scarlet. Neste ano, conhece Tania Menna Barreto, com quem passa a viver. Lança o LP Mata Virgem que conta com a volta de Paulo Coelho, porém, ambos chegam a conclusão, de que essa parceria já não tinha mais como dar certo. Além disso, a má divugação atrapalhou as vendas do disco e a crítica também não ajudou.[41]

No ano de 1979, Raul separa-se de Tania. Começa então, a depressão de Raul Seixas junto com uma internação para tratar do alcoolismo. Conhece Angela Affonso Costa, a Kika Seixas, sua quarta companheira. Lança seu último LP com a WEA, Por Quem os Sinos Dobram, em parceria com o amigo Oscar Rasmussen e logo após, rescinde o contrato com a gravadora.[42]

Anos 1980: Altos e baixos[editar | editar código-fonte]

Em 1980, assina novamente contrato com a CBS (desta vez como cantor) lançando mais um álbum, Abre-te Sésamo, que contém outros sucessos e têm as faixas "Rock das Aranha" e "Aluga-se" censuradas. Logo depois, o contrato é rescindido. Em 1981, nasce a terceira filha, Vivian, fruto de seu casamento com Kika. Em 1982, faz um show na praia do Gonzaga, em Santos, reunindo mais de 150 mil pessoas. No mesmo ano, Raul apresenta-se bêbado em Caieiras, São Paulo, e é quase linchado pela platéia que não acredita que Raul é o próprio, mas um impostor. Desde 1980, Raul estava sem gravadora e agora também sem perspectiva de um novo contrato. Mergulhado na depressão, Raul afunda-se nas drogas. Porém, em 1983, Raul é convidado para gravar um disco pelo Estúdio Eldorado. Logo depois, Raul é convidado para gravar o especial infantil Plunct, Plact, Zuuum da Rede Globo, onde canta a música "Carimbador Maluco". O álbum Raul Seixas (1983), que continha a canção, dá à Raul mais um disco de ouro. Em 1984, grava o LP "Metrô Linha 743" pela gravadora Som Livre. Mas depois, Raul teve as portas fechadas novamente, devido ao seu consumo excessivo de álcool e constantes internações para desintoxicação. Também em 1984, a Eldorado lança o disco Ao Vivo - Único e Exclusivo.

Em 1985, separa-se de Kika Seixas. Faz um show em 1 de dezembro 1985, no Estádio Lauro Gomes, na cidade de São Caetano do Sul. Só voltaria a pisar no palco no ano de 1988, ao lado de Marcelo Nova. Conseguindo um contrato com a gravadora Copacabana, em 1986 (de propriedade da EMI), grava um disco que foi lançado somente no ano seguinte, devido ao alcoolismo de Raul. O disco Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! faz grande sucesso entre os fãs, chegando a ganhar disco de ouro e estando presente até em programas de televisão, como o Fantástico. Nesta época, conhece Lena Coutinho, que se torna sua companheira. A partir desse ano, estreita relações com Marcelo Nova (fazendo uma participação no disco Duplo Sentido, da banda Camisa de Vênus). Um ano mais tarde, 1988, já separado de Lena, faz seu último álbum solo, A Pedra do Gênesis. A convite de Marcelo Nova, faz alguns shows em Salvador, após três anos sem pisar num palco. No ano de 1989, faz uma turnê com Marcelo Nova, agora parceiro musical, totalizando 50 apresentações pelo Brasil. Durante os shows, Raul mostra-se debilitado. Tanto que só participa de metade do show, a primeira metade é feita somente por Marcelo Nova.

Morte[editar | editar código-fonte]

Universo Alternativo - fantasia sobre o "Profeta" Raul Seixas.

As 50 apresentações pelo Brasil resultaram naquele que seria o último disco lançado em vida por Raul Seixas. O disco foi intitulado de A Panela do Diabo, que foi lançado pela Warner Music Brasil no dia 22 de agosto de 1989. Na manhã do dia 21 de agosto, Raul Seixas foi encontrado morto sobre a cama , por volta das oito horas da manhã em seu apartamento em São Paulo, vítima de uma parada cardíaca: seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite aguda fulminante. O LP A Panela do Diabo vendeu 150.000 cópias, rendendo a Raul um disco de ouro póstumo, entregue à sua família e também a Marcelo Nova, tornando-se assim um dos discos de maior sucesso de sua carreira. Raul foi velado pelo resto do dia no Palácio das Convenções do Anhembi. No dia seguinte seu corpo foi levado por via aérea até Salvador e sepultado às 17 horas, no Cemitério Jardim da Saudade.[43] [44]

Após a morte[editar | editar código-fonte]

Festival em Belo Horizonte, realizado em 2009 em homenagem a Raul Seixas. Dois participantes estão caracterizados segundo a fisionomia de Raul.

Depois de sua morte, Raul permaneceu entre as paradas de sucesso. Foram produzidos vários álbuns póstumos, como O Baú do Raul (1992), Raul Vivo (1993 - Eldorado), Se o Rádio não Toca... (1994 - Eldorado) e Documento (1998). Inúmeras coletâneas também foram lançadas, como Os Grandes Sucessos de Raul Seixas de (1993), a grande maioria sem novidades, mas algumas com músicas inéditas como As Profecias (com uma versão ao vivo de "Rock das Aranhas") de 1991 e Anarkilópolis (com "Cowboy Fora da Lei Nº2") de 2003. Sua penúltima mulher, Kika, já produziu um livro do cantor (O Baú do Raul), baseado em escritos dos diários de Raul Seixas desde os seis anos de idade até a sua morte. Em 2004, o canal a cabo Multishow promoveu um show especial de tributo a Raul, intitulado O Baú do Raul: Uma Homenagem a Raul Seixas. O show, gravado na Fundição Progresso (Rio de Janeiro) e lançado em CD e DVD, contou com artistas como Toni Garrido, CPM 22, Marcelo D2, Gabriel o Pensador, Arnaldo Brandão, Raimundos, Nasi, Caetano Veloso, Pitty e Marcelo Nova (os três últimos baianos, como Raul). Mesmo depois de sua morte, Raul Seixas continua fazendo sucesso entre novas gerações. Vinte anos depois de sua morte, o produtor musical Mazzola, amigo pessoal de Raul, divulgou a canção inédita "Gospel", censurada na década de 1970. A canção foi incluída na trilha sonora da telenovela Viver a Vida, da Rede Globo. Em 2013, o cantor americano Bruce Springsteen cantou Sociedade Alternativa na abertura de seu show no Rock In Rio 2013.

Discografia[editar | editar código-fonte]

Videografia[editar | editar código-fonte]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Homenagens no teatro e televisão[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Paula Carvalho (21 de agosto de 2012). 23 anos sem Raul Seixas Estadão.
  2. Marco Antonio Barbosa (08/06/2001). Raul Seixas ganha relançamento histórico CliqueMusic.
  3. Raul Seixas: "O rock'n'roll morreu em 1959" Editora Abril (07/07/2008).
  4. Elton Frans, Roberto Murcia Moura. Raul Seixas: a história que não foi contada. [S.l.]: Irmãos Vitale, 2000. 62 pp. 9788574070872.
  5. Rodrigo Moreira. Eu quero é botar meu bloco na rua: a biografia de Sérgio Sampaio. [S.l.]: Muiraquitã, 2000. 14 pp. 9788585483838.
  6. Pereira (?), p. 36
  7. http://www.acidezmental.xpg.com.br/100_maiores_artistas_da_mb.html
  8. Rolling Stone, "Os 100 maiores discos da Música Brasileira", Outubro de 2007, edição nº 13, p. 109. Segundo a revista, os critérios eram: "valor artístico intrínseco e importância histórica, ou seja, quanto o álbum influenciou outros artistas".
  9. Bahiana (1975), p.13
  10. a b c d e f Passos (2007), p.63
  11. a b c d e Passos (2007), p. 64
  12. a b c Bahiana (1975), p.18
  13. Bahiana (1975), p.17-18
  14. a b Pereira (?), p.19
  15. a b Pereira (?), p.20
  16. a b c Bahiana (1975), p.13
  17. Celso Fernandes Araújo, "Trívia". Acesso: 2 de Janeiro, 2009
  18. Bahiana (1975), p.15
  19. a b Bahiana (1975), p.16
  20. O baú do Raul Revirado (?), p. 36
  21. Seixas, Raul. O Baú do Raul Revirado (?), p. 25
  22. Seixas, Raul. O baú do Raul Revirado (?), p. 33
  23. a b c d e f Seixas, Raul. O baú do Raul Revirado (?), p. 45
  24. Seixas, Raul. O baú do Raul Revirado (?), p. 48
  25. Seixas, Raul. O baú do Raul Revirado (?), p. 51
  26. a b c d Froes, Marcelo. Internacional Magazine (junho de 1995)
  27. http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,reliquia-de-raul-seixas-em-pacote-de-reedicoes,518577,0.htm
  28. http://www.jayvaquer.com/raul/biografia.html
  29. Elton Frans; Roberto Murcia Moura. Raul Seixas: a história que não foi contada. Irmãos Vitale; 2000. ISBN 978-85-7407-087-2. p. 102.
  30. Sylvio Passos, Toninho Buda, Raul Seixas Martin Claret, Raul Seixas: uma antologia, 1992.
  31. Marco Antonio Barbosa (08/06/2001). Raul Seixas ganha relançamento histórico CliqueMusic.
  32. http://super.abril.com.br/cultura/raul-seixas-verdade-universo-445237.shtml
  33. Paulo Sérgio do Carmo. Culturas da rebeldia: a juventude em questão. Senac; 2000. ISBN 978-85-7359-151-4. p. 114.
  34. http://super.abril.com.br/cultura/raul-seixas-verdade-universo-445237.shtml
  35. Bizz, Março de (1987)
  36. http://www.jayvaquer.com/raul/biografia.html
  37. a b c Sylvio Passos; Toninho Buda; Raul Seixas. Raul Seixas: uma antologia. Martin Claret; 1992. p. 96.
  38. http://super.abril.com.br/cultura/raul-seixas-verdade-universo-445237.shtml
  39. http://jayvaquer.com/raul/contosdorock13.html
  40. http://www.jayvaquer.com/raul/biografia.html
  41. Luciane Alves. Raul Seixas e o sonho da sociedade alternativa. Martin Claret; 1993. p. 40.
  42. ISAAC SOARES DE SOUZA; RAUL SEIXAS. Dossiê Raul Seixas. Universo dos Livros Editora; ISBN 978-85-7930-253-4. p. 72.
  43. Sylvio Passos. Raul Seixas por ele mesmo. Martin Claret; 1990. p. 59.
  44. Raul Seixas (em inglês) no Find a Grave.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Sem nome (1973). O Grito de Guerra, O Pasquim.
  • Sem nome (1987). Uah-bap-lu-bap-hab-béin-bum, Bizz.
  • Almeida, Ricardo Porto de (1980). Aluga-se o Brasil: Tratar com Raul Seixas, Jornal Canja.
  • Bahiana, Ana Maria (1975). Eu em Noites de Sol, "20 Anos de Rock", Release.
  • Bahiana, Ana Maria (1975). O Aprendiz de Feiticeiro, o Demolidor, "A Glória", Revista Rock.
  • Bahiana, Ana Maria (1983). Dez Mil Fãs Exaltados, O Globo.
  • Caramey, Carlos (1975). Eu sou o meu país, Pop Hit Pop.
  • Frans, Elton; Moura, Roberto Murcia (2000). Raul Seixas: a história que não foi contada, Irmãos Vitale. ISBN 8574070874 9788574070872
  • Mauro, André (2007). O Último Anarquista, Martin Claret.
  • Passos, Sylvio (organização e pesquisa; 2007). Raul Seixas por ele mesmo, Martin Claret. ISBN 85-7232-101-2
  • Passos, Sylvio (2007). O tempo de Raul Seixas, Martin Claret.
  • Passos, Sylvio (2007). Raul Seixas: os últimos anos, Martin Claret.
  • Pereira, Fabiana Santos (?). Subjetividade Alternativa: O Discurso na Obra de Raul Seixas e Sua Representação pelo Jornalismo, Universidade Católica de Brasília.
  • Reys, Aloysio (1976). Eu sou um artista, Jornal de Música.
  • Sardenberg, Walterson (1982). Não pertenco a grupo nenhum, Revista Amiga.
  • 1983 - As aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor – Raul Seixas - Shogun Arte, RJ
  • 1992 - Raul Seixas, uma antologia – Sylvio Passos e Toninho Buda - Martin Claret Editores, SP
  • 1992 - O Baú do Raul – Kika Seixas e Tárik de Sousa - Editora Globo, SP
  • 1993 - Eu quero cantar por cantar – Ayrton Mugnaini Jr. – Nova Sampa Editora, SP
  • 1993 - Raul Seixas e o Sonho da Sociedade Alternativa – Luciana Alves - Martin Claret Editores, SP
  • 1994 - Raul Seixas, Musicalmente falando – Thais de Moraes - Nova Sampa Editora, SP
  • 1994 - Raulseixismo – Costa Senna - Nova Sampa Editora, SP
  • 1994 - Raul Seixas Forever – Madiel Figueiredo - Editora Ataniense, SP
  • 1994 - Raul Seixas Rock Book – Kika Seixas - Griphus Editora, RJ
  • 1995 - Raul Rock Seixas – Kika Seixas - Editora Globo, SP
  • 1995 - Raul Seixas, o Metamorfônico – Issac Soares de Sousa - Gráfica e Editora Colleta, Bariri/SP
  • 1995 - Trem das sete – Luciana Alves, Toninho Buda, Drago, Jairo Ferreira, Zelinda Hypólito, Ayrton Mugnaini Jr., Costa Senna - Nova Sampa Editora, SP
  • 1995 - A trajetória de um ídolo – Thildo Gama - Pen Editora, SP
  • 1997 - Raul Seixas, entrevistas e depoimentos – Thildo Gama - Pen Editora, SP
  • 1999 - Triângulo do Diabo – Opus 666 – Jay Vaquer - Girl Press
  • 1999 - A Paixão Segundo Raul Seixas - Toninho Buda - Editora Maya, SP
  • 1999 - Dez Anos Sem Raul Seixas - Tiago Sotero de Sá & Mirella Franco Barrella - Produção Alternativa, SP
  • 1999 - Luar aos Avessos - Angelo Sastre - Scortecci Editora, SP
  • 1999 - Raul Seixas - Biografia - Coleção Gente do Século - Regina Echeverria - Editora Três, SP
  • 2000 - Raul Seixas, a História que não foi contada - Elton Frans - Irmãos Vitale Editores, SP
  • 2002 - Raul Seixas: A Verdade Absoluta - Filosofias, Políticas e Lutas - Mário Lucena - McBel Oficida de Letras, SP
  • 2003 - Raul Seixas - Dez Mil anos à frente - Marco Haurélio - M2Mídia
  • 2004 - Raul Seixas e a modernidade: Uma Viagem na contramão - Sonielson Juvino Silva - Marca de Fantasia, PB
  • 2005 - Raul no Caldeirão - David E. Martins - Catedral das Letras, Petropolis/RJ
  • 2005 - O Baú do Raul Revirado (Incluí CD com raridades) - Silvio Essinger - Ediouro, RJ
  • 2007 - 30 Anos de Rock: Raul Seixas e a cultura brasileira - Dílson César Devides - Editora Corifeu, Rio de Janeiro/RJ
  • 2007 - Vivendo A Sociedade Alternativa: Raul Seixas no seu tempo - Luiz Lima - Terceira Margem, São Paulo/SP
  • 2008 - O Protesto dos Inconscientes - Raul Seixas e a Micropolítica - Juliana Abonizio - ECCO UFMT, Cuiabá/MT
  • 2008 - Krig-ha, Bandolo! Cuidado, Aí Vem Raul Seixas! - Rosana da Câmara Teixeira - 7 Letras FAPERJ, Rio de Janeiro/RJ
  • 2009 - Raul Seixas - Metamorfose Ambulante - Vida, alguma coisa acontece; Morte, alguma coisa pode acontecer - Mário Lucena, Laura Kohan e Igor Zinza - Coordenação: Sylvio Passos, B&A Editora, São Paulo/SP
  • 2009 - O Baú do Raul Revirado (Audio Book/Audiolivro) - Org. Silvio Essinger, Narrado por Tico Santa Cruz e o grupo Voluntários da Pátria, com Nelson Motta, Kika e Vivian Seixas - PlugMe Editora, Rio de Janeiro/RJ
  • 2010 - Novo Aeon - Raul Seixas no Torvelinho de seu tempo - Vitor Cei Santos - Editora Multifoco, Rio de Janeiro/RJ

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Raul Seixas