Álbum conceptual

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Um álbum conceptual (português europeu) ou conceitual (português brasileiro) (concetual (AO 1945: conceptual)[1] é um álbum em que todas as músicas contribuem para o mesmo efeito final ou para uma história única. Normalmente, na música pop, um álbum de um artista ou de um grupo consiste simplesmente numa série de músicas que o artista ou os membros do grupo escreveram ou escolheram para o integrar. Apesar do termo "conceptual" não tem qualquer ligação com o gênero musical "conceptual" , que prioriza os readymades e desafiar qualquer tipo de categorização .

Origens[editar | editar código-fonte]

Little Deuce Coupe dos Beach Boys pode ter sido o primeiro exemplo de um álbum conceptual, o qual apresentava 12 músicas, todas elas sobre a cultura automobilística americana. Passados três anos Frank Zappa & The Mothers of Invention, em Freak Out! criaram uma farsa sobre a música rock como um todo.

O álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles de 1967 é geralmente considerado como tendo sido o primeiro álbum conceptual.

Para a realização deste álbum era suposto que cada membro da banda adoptasse uma personagem de ficção e a canção-título apresentada como o tema da banda imaginária "Lonely Hearts Club Band".

No entanto a maior parte das músicas não têm relação com o tema e os personagens pouco passam para além da apresentação de Ringo como "Billy Shears" na primeira faixa, "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band". Assim, foi muito debatida a questão de o álbum em causa ser ou não um álbum conceptual, tendo essa discussão ajudado a fortalecer o conceito de "álbum conceptual". Certamente, muitas das músicas em Sgt. Pepper são pequenas histórias ("She’s Leaving Home", "A Day in a Life"), enquanto outras são "sketches" de personagens ("When I’m Sixty-four", "Lovely Rita") fazendo deste álbum claramente algo de especial.

Muitos álbuns que podem ser geralmente aceites como álbuns conceptuais incluem S.F. Sorrow dos Pretty Things, que conta a história da vida do personagem epónimo e Days of Future Passed dos Moody Blues, que combina os instrumentos acústicos dos Moody Blues com orquestrações da "London Festival Orchestra" para documentar o dia a dia do homem comum. Ambos os álbuns foram editados no mesmo ano de Sgt. Pepper, 1967

O próprio Sgt. Pepper foi inspirado por um trabalho anterior que pode ter sido o precursor da ideia de álbum conceptual, o abandonado álbum Smile dos Beach Boys, que era principalmente da autoria de Brian Wilson e o seu parceiro para as letras, Van Dyke Parks. Embora o álbum fosse abandonado durante a entrada em espiral nas drogas de Wilson, o essencial do som de Smile foi conhecido através de partes que vieram a ser incluídas em álbuns posteriores, tais como Good Vibrations, "Heroes & Villains", "Cabinissence" e "Surfs Up". Em 2004 Smile finalmente viu a luz do dia numa série de concertos e num álbum a solo de Brian Wilson.

Rock e álbuns conceituais[editar | editar código-fonte]

O álbum conceptual, como um conceito, por vezes confunde-se com uma Opera rock. Álbuns conceptuais são comuns no rock progressivo.

Uma extensão do conceito de "álbum conceptual" pode ser vista numa série de álbuns, onde todos contribuem para um efeito único ou para uma história. Esta era a ideia original para os primeiros quatro álbuns dos King Crimson, todos eles relacionados com os quatro elementos da mitologia ocidental. Estes álbuns são: In the court of The Crimson King relacionado com o elemento Ar, In the wake of Poseidon para o elemento Água, Lizard para o elemento Fogo e Islands para o elemento Terra.

A banda Pink Floyd também produziu uma série de álbuns conceptuais, nos quais se podem incluir: The Dark Side of the Moon, Wish You Were Here, Animals, The Wall e The Final Cut. Outras bandas de progressivo/metal progressivo também fizeram álbuns conceptuais como: "Tales from Topographic Oceans" da Banda Yes; "2112" e "Hemispheres" da banda Rush; "Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory" e "Six Degrees of Inner Turbulence", ambos da banda Dream Theater; "Operation: Mindcrime" da banda Queensrÿche e entre outros.

A banda KISS tem (por incrível que pareça) seu álbum conceitual, com uma sonoridade meio hard rock progressivo, foi injustiçado pelos fãs por ser totalmente diferente do que a banda havia lançado até o momento. Conta a história de um garoto que foi convocado por uma entidade secreta dedicada a combater o mal. O álbum descreve os atos e os sentimentos do garoto no decorrer de sua odisseia. Até hoje se discute se é o melhor ou o pior álbum do KISS.

O Iron Maiden tem seu álbum conceitual, que é Seventh Son of a Seventh Son, no qual é contado a história do Menino Escolhido, o sétimo filho do sétimo filho como diz o nome do álbum.

W.A.S.P. em 1992 tem talvez o melhor album conceptual de sempre,The Crimson Idol senão o mais homogénio, no qual é descrito com muito rigor e muita emoção, a ascensão o estrelato e o final tragico de uma estrela do rock Jonathan.

Seguindo seus passos, a banda Nine Inch Nails fez, nos anos 90, diversos álbuns inspirados em The Wall e contando a história de personagens melancólicos e destrutivos (The Downward Spiral e The Fragile), além de todo um ambiente distópico futurista em Year Zero. Assim como os NIN, o Radiohead também embarcou em algumas temáticas de depressão e alienação social com OK Computer e Kid A.

Atualmente, a banda My Chemical Romance também criou quatro álbuns conceptuais.

Música Pop[editar | editar código-fonte]

Alguns outros exemplos de álbuns conceituais podem ser vistos na música pop, como o disco Hounds of Love de Kate Bush, de 1985. Outros exemplos são os álbuns Ray of Light, de 1998, e American Life, de 2003, da Madonna que são considerados conceituais por muitos críticos. Mais recentemente, o cantor australiano Darren Hayes lançou dois trabalhos conceituais: The Tension and The Spark em 2004 e This Delicate Thing We've Made em 2007 [2] . Em 2011, a cantora Kelly Clarkson lançou um álbum conceitual: Stronger. Em 2012, a cantora de indie pop Marina and the Diamonds, lançou sem álbum Electra Heart, que tem como conceito retratar o 'sonho americano' com elementos da tragédia grega através da personagem-titulo Electra Heart.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

O primeiro álbum conceitual brasileiro é o Searching for the Light da banda carioca de thrash metal Dorsal Atlântica, lançado no Brasil e nos Estados Unidos em 1990. A crítica cunhou o disco, influenciado pelo livro 1984 de George Orwell, de a primeira Thrash Opera do mundo. Este trabalho fez parte de uma trilogia de 3 álbuns conceituais:Searching for the Light (1990), Musical Guide from Stellium (1992) e Alea Jacta Est (1994). Outro dos primeiros álbuns conceituais brasileiros foi criado pela banda brasileira de power metal Angra, intitulado Temple of Shadows: conta a história de um cavaleiro convocado pelo papa para a Primeira Cruzada, chamado Shadow Hunter. O álbum foi considerado excepcional pela crítica especializada, aumentando muito a popularidade do Angra.

A banda brasileira de thrash metal Sepultura também já lançou dois álbuns conceituais. O primeiro foi Dante XXI, que girava em volta da obra "A Divina Comédia". O segundo foi A-Lex que girava em volta do livro "Laranja Mecânica".

Em 2011 o rapper Doncesão lançou o álbum "Bem Vindo ao Circo" no qual o mesmo conta a trajetória e vida dos personagens e integrantes de um circo.

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]