Ébola

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Ébola
Doentes com ébola no Hospital de Gulu
Classificação e recursos externos
CID-10 A98
CID-9 065.8
DiseasesDB 18043
MedlinePlus 001339
MeSH D019142
Star of life caution.svg Aviso médico

A Febre Hemorrágica Ébola ou Febre Hemorrágica Ebola (FHE) é a doença humana provocada pelos vírus do Ébola. Os sintomas têm início duas a três semanas após a infecção, e manifestam-se através de febre, dores musculares, dores de garganta e dores de cabeça. A estes sintomas sucedem-se náuseas, vómitos e diarreia, a par de insuficiência hepática e renal. Durante esta fase, algumas pessoas começam a ter problemas hemorrágicos.[1]

A propagação da doença em determinada população tem início quando uma pessoa entra em contacto com o sangue ou fluidos corporais de um animal infectado, como os macacos ou morcegos-da-fruta. Pensa-se que os morcegos-da-fruta sejam capazes de transportar a doença sem ser afetados. Após a infecção, a doença é transmissível de pessoa para pessoa, inclusive através do contacto com pessoas mortas em decorrência do vírus. Os homens que sobrevivem à doença continuam a ser capazes de a transmitir por via sexual durante cerca de dois meses. O diagnóstico tem geralmente início com a exclusão de outras doenças com sintomas semelhantes, como a malária, cólera ou outras febres hemorrágicas virais. Para a confirmação do diagnóstico inicial, o sangue é posteriormente analisado para detetar a presença de anticorpos do vírus, de ADN viral ou do próprio vírus.[1]

A prevenção é feita através de medidas que diminuem o risco propagação da doença entre macacos ou porcos infetados e os seres humanos. Isto pode ser conseguido através do rastreio destes animais e, no caso de ser detectada a doença, matando e eliminando de forma apropriada os corpos. Deve-se também cozinhar a carne de forma adequada e é recomendado usar vestuário de proteção quando se manuseia carne. Na proximidade de uma pessoa infetada é recomendado que se lavem as mãos e que seja também usado vestuário de proteção.[1]

Não existe tratamento específico para o vírus. O tratamento envolve a administração de terapia de reidratação oral ou intravenosa. A doença tem uma taxa de mortalidade extremamente elevada – até cerca de 90%. Geralmente ocorre durante surtos em regiões tropicais da África subsariana.[1] Entre 1976, o ano em que foi pela primeira vez identificada, e 2014, o número de casos registados em cada ano foi sempre inferior a 1000.[1] [2] O maior surto registado até 2014 foi o surto de Ébola na África Ocidental de 2014.[2] A doença foi identificada pela primeira vez no Sudão e na República Democrática do Congo. Tem havido esforços no sentido de desenvolver uma vacina, embora, à data de 2014, não esteja ainda disponível.[1]

História[editar | editar código-fonte]

O ebola foi primeiramente descoberto em 1976[3] por uma equipe comandada por Guido van Der Groen, chefe do laboratório de Microbiologia do Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia, na Bélgica.[4]

Desde a sua descoberta, diferentes estirpes do Ebola causaram epidemias com 50 a 90% de mortalidade na República Democrática do Congo, Gabão, Uganda e Sudão.[5] A segunda epidemia ocorreu em 1979, quando 80% das vítimas morreram. Em maio de 1995, a cidade de Mesengo, a cento e cinquenta quilômetros de Kikwit, no Zaire, foi atingida pelo vírus, que matou mais de cem pessoas. Há suspeitas de casos no Congo e no Sudão. O primeiro desse tipo de vírus apareceu em 1967, foi o Marburg, a partir de células dos rins de macacos verdes de Uganda. Foi registrado um novo surto em julho de 2014 na África Ocidental nos países como Serra Leoa, Guiné e Guiné Equatorial. É a primeira vez que um surto aparece na África Ocidental - que esteve sempre na África Central. A OMS vai marcar, em Gana, uma reunião de emergência pra conter a epidemia.

O vírus[editar | editar código-fonte]

Como ler uma caixa taxonómicaVírus Ébola
Ebola virus em.png

Classificação científica
Grupo: V ((-)ssARN)
Ordem: Mononegavirales
Família: Filoviridae
Género: Ebolavirus
Distribuição geográfica
Distribuição da ébola nos mapas C e D.
Distribuição da ébola nos mapas C e D.
Espécies
  • ebolavirus-Zaire (EBO-Z)
  • ebolavirus-Sudão (EBO-S)
  • ebolavirus-Reston (EBO-R)

O ebolavirus é um filovírus (o outro membro desta família é o vírus Marburg), com forma filamentosa, com 14 micrômetros de comprimento e 80 nanômetros de diâmetro. O seu genoma é de RNA fita simples de sentido negativo (é complementar à fita codificante). O genoma é protegido por capsídeo, é envelopado e codifica sete proteínas.[4]

Há três tipos: Ebola–Zaire (EBO–Z), Ebola–Sudão (EBO–S) com mortalidades de 83% e 54% respectivamente. A estirpe Ebola–Reston foi descoberta em 1989 em macacos Macaca fascicularis importados das Filipinas para os Estados Unidos tendo infectado alguns tratadores por via respiratória.[3] O período de incubação do vírus ebola dura de 5 a 7 dias se a transmissão for parenteral e de 6 a 12 dias se a transmissão foi de pessoa a pessoa. O início dos sintomas é súbito com febre alta, calafrios, dor de cabeça, anorexia, náusea, dor abdominal, dor de garganta e prostração profunda. Em alguns casos, entre o quinto e o sétimo dia de doença, aparece exantema de tronco, anunciando manifestações hemorrágicas: conjuntivite hemorrágica, úlceras sangrentas em lábios e boca, sangramento gengival, hematemese (vômito com presença de sangue) e melena (hemorragia intestinal, em que as fezes apresentam sangue). Nas epidemias observadas, todos os casos com forma hemorrágica evoluíram para morte. Nos períodos epidêmicos e de surtos, a taxa de letalidade variou de 50 a 90%.[5] Seu contágio pode ser por via respiratória, ou contato com fluidos corporais de uma pessoa infectada.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

O vírus é denominado pelo nome de um rio na República Democrática do Congo (antigo Zaire), o Rio Ebola, onde tem havido vários casos. Nunca houve casos humanos fora de África, mas já apareceram casos em macacos importados nos Estados Unidos e Itália. Os casos identificados desde 1976[3] são apenas 1500, dos quais cerca de mil resultaram em morte. Não foi ainda identificado o reservatório animal do vírus.

O ébola, como os outros vírus, adere à célula do hospedeiro, onde entra ou apenas injeta seu material genético, o genoma. Este usa a estrutura da célula para se reproduzir e cada nova cópia do genoma obriga a célula a fazer o invólucro de proteína. Os novos vírus deixam a célula do hospedeiro com capacidade de infectar outras células.

O vírus pode ser contraído de humanos e de animais, transmitido principalmente por meio de contato com o sangue, secreções e outros fluídos corporais.[6]

Animais que carregam a doença incluem chimpanzés, gorilas, morcegos frutívoros, macacos, antílopes selvagens e porcos-espinhos, encontrados mortos ou doentes na floresta tropical.[6]

Em algumas culturas das aldeias africanas, onde é usual a família lavar o corpo dos mortos manualmente antes do enterro, as populações afetadas são infectadas em alto número devido à possibilidade de infecção ao se entrar em contato com o falecido.

A transmissão entre humanos por meio de sêmen infectado também pode ocorrer até sete semanas após a recuperação clínica.[6]

Já se tem pesquisas feitas de que o Ebola pode ser transmitido pelo ar de entre porcos ou destes para o ser humano (uma nova variação do vírus).

A equipe médica é aconselhada a usar luvas de látex e filtro respiratório.[5]

Ainda não há tratamento ou vacina para o ébola.

Paciente infectado com Ebola e duas enfermeiras em Kinshasa,1976

Progressão e sintomas[editar | editar código-fonte]

A infecção pelo vírus ébola produz febre hemorrágica. A incubação pode durar de 2 a 21 dias[7] . O vírus multiplica-se nas células do fígado, baço, pulmão e tecido linfático onde causa danos significativos. A lise (destruição) das células endoteliais dos vasos sanguíneos leva às tromboses e depois hemorragias.

Os primeiros sintomas são inespecíficos como febre alta, dores de cabeça, falta de apetite, e conjuntivite (inflamação da mucosa do olho). Alguns dias mais tarde surge diarreia, náuseas e vômitos (por vezes com sangue), seguidos de sintomas de insuficiência hepática, renal e distúrbios cerebrais com alterações do comportamento devido à coagulação intravascular disseminada com enfartes nos órgãos. O estágio final é devido ao esgotamento dos fatores sanguíneos da coagulação, resultando em hemorragias extensas internas, edema generalizado e morte por choque hemorrágico. As fezes são geralmente pretas devido às hemorragias gastrointestinais e poderá haver ou não sangramento do nariz, ânus, boca e olhos. Dependendo da sua estirpe, há casos de hemorragias na derme, ocasionando o sangramento pelos poros do corpo. A morte surge de 1 dia a duas semanas após o inicio dos sintomas.

A taxa de mortalidade da doença e o tempo para o falecimento de uma pessoa dependem da estirpe do vírus e do estado de saúde das populações afetadas. Em geral, o ébola mata suas vítimas em poucos dias, podendo levar até 9 dias, e a mortalidade pode variar de 50% a 90%.

Diagnóstico e tratamento[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é feito pela observação direta do vírus com microscópio eletrônico em amostra sanguínea ou por detecção com imunofluorescência de antigênios.[5]

Não há vacina, cura, nem tratamentos eficazes. Os doentes devem ser postos em quarentena e os familiares devem ser impedidos de ter qualquer forma de contato com o doente, ou mesmo de tocar o corpo após o falecimento. Devem ser administrados cuidados básicos de suporte vital como restabelecimento de eletrólitos e fluidos perdidos, além de possíveis tratamentos paliativos.

Literatura[editar | editar código-fonte]

Esta é uma procura de artigos científicos sobre o ebola. Existem ainda vários livros populares sobre o assunto, quase sempre com base científica, mas romanceados, entre eles:

  • "Zona Quente" (nome original "The Hot Zone") de Richard M. Preston (que serviu de base, embora não de script, para o filme "Outbreak");
  • "Vírus" de Robin Cook;
  • "Ebola" de Willian T. Close

Referências

  1. a b c d e f {{Citar web|título=Ebola virus disease Fact sheet N°103|url=http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs103/en/%7Cautor=[[Organização Mundial de Saúde|acessodata=4 de julho de 2014 |data=Março de 2014}}
  2. a b Ebola Viral Disease Outbreak — West Africa, 2014 (27 de junho de 2014). Página visitada em 4 de julho de 2014.
  3. a b c Fabrício Alves Ferreira. Ébola (em português). R7. Brasil Escola. Página visitada em 04 de agosto de 2013.
  4. a b Neuda Batista Mendes França. Ebola (em português). InfoEscola. Página visitada em 04 de agosto de 2013.
  5. a b c d ébola (em português). Porto Editora. Infopédia. Página visitada em 04 de agosto de 2013.
  6. a b c Médicos Sem Fronteiras (mar. 2013). Ebola. Médicos Sem Fronteiras. Página visitada em 28 jul. 2014.
  7. Fact sheet N°103 - World Health Organization (em inglês)