Ébola

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Ébola
Doentes com ébola no Hospital de Gulu
Classificação e recursos externos
CID-10 A98
CID-9 065.8
DiseasesDB 18043
MedlinePlus 001339
MeSH D019142
Star of life caution.svg Aviso médico

A febre hemorrágica ebola (FHE) é uma doença infecciosa grave muito rara, frequentemente fatal, causada pelo vírus ebola. Ao contrário dos relatos de ficção, é apenas moderadamente contagioso.[1] Ele foi identificado pela primeira vez em 1976 no antigo Zaire (atual República Democrática do Congo), perto do rio Ébola, e acabou servindo de nome para o vírus.[2]

História[editar | editar código-fonte]

O ebola foi primeiramente descoberto em 1976[2] por uma equipe comandada por Guido van Der Groen, chefe do laboratório de Microbiologia do Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia, na Bélgica.[1]

Desde a sua descoberta, diferentes estirpes do Ebola causaram epidemias com 50 a 90% de mortalidade na República Democrática do Congo, Gabão, Uganda e Sudão.[3] A segunda epidemia ocorreu em 1979, quando 80% das vítimas morreram. Em maio de 1995, a cidade de Mesengo, a cento e cinquenta quilômetros de Kikwit, no Zaire, foi atingida pelo vírus, que matou mais de cem pessoas. Há suspeitas de casos no Congo e no Sudão. O primeiro desse tipo de vírus apareceu em 1967, foi o Marburg, a partir de células dos rins de macacos verdes de Uganda.

O vírus[editar | editar código-fonte]

Como ler uma caixa taxonómicaVírus Ébola
Ebola virus em.png

Classificação científica
Grupo: V ((-)ssARN)
Ordem: Mononegavirales
Família: Filoviridae
Género: Ebolavirus
Distribuição geográfica
Distribuição da ébola nos mapas C e D.
Distribuição da ébola nos mapas C e D.
Espécies
  • ebolavirus-Zaire (EBO-Z)
  • ebolavirus-Sudão (EBO-S)
  • ebolavirus-Reston (EBO-R)

O ebolavirus é um filovírus (o outro membro desta família é o vírus Marburg), com forma filamentosa, com 14 micrômetros de comprimento e 80 nanômetros de diâmetro. O seu genoma é de RNA fita simples de sentido negativo (é complementar à fita codificante). O genoma é protegido por capsídeo, é envelopado e codifica sete proteínas.[1]

Há três tipos: Ebola–Zaire (EBO–Z), Ebola–Sudão (EBO–S) com mortalidades de 83% e 54% respectivamente. A estirpe Ebola–Reston foi descoberta em 1989 em macacos Macaca fascicularis importados das Filipinas para os Estados Unidos tendo infectado alguns tratadores por via respiratória.[2] O período de incubação do vírus ebola dura de 5 a 7 dias se a transmissão for parenteral e de 6 a 12 dias se a transmissão foi de pessoa a pessoa. O início dos sintomas é súbito com febre alta, calafrios, dor de cabeça, anorexia, náusea, dor abdominal, dor de garganta e prostração profunda. Em alguns casos, entre o quinto e o sétimo dia de doença, aparece exantema de tronco, anunciando manifestações hemorrágicas: conjuntivite hemorrágica, úlceras sangrentas em lábios e boca, sangramento gengival, hematemese (vômito com presença de sangue) e melena (hemorragia intestinal, em que as fezes apresentam sangue). Nas epidemias observadas, todos os casos com forma hemorrágica evoluíram para morte. Nos períodos epidêmicos e de surtos, a taxa de letalidade variou de 50 a 90%.[3] Seu contágio pode ser por via respiratória, ou contato com fluidos corporais de uma pessoa infectada.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

O vírus é denominado pelo nome de um rio na República Democrática do Congo (antigo Zaire), o Rio Ebola, onde tem havido vários casos. Nunca houve casos humanos fora de África, mas já houve casos em macacos importados nos Estados Unidos e Itália. Os casos identificados desde 1976[2] são apenas 1500, dos quais cerca de mil resultaram em morte. Não foi ainda identificado o reservatório animal do vírus.

O ébola, como os outros vírus, adere à célula do hospedeiro, onde entra ou apenas injeta seu material genético, o genoma. Este usa a estrutura da célula para se reproduzir e cada nova cópia do genoma obriga a célula a fazer o invólucro de proteína. Os novos vírus deixam a célula do hospedeiro com capacidade de infectar outras células.

Até há alguns anos o pessoal médico era aconselhado, mais por ignorância e cautela do que por ciência, a usar equipamentos especiais de proteção (como fatos e tendas de vácuo) quando lidava com doentes de ebola. No entanto, hoje se sabe que o vírus Ebola não é realmente altamente contagioso, ao contrário do que diz muita ficção em circulação no ocidente.

Ele é transmitido apenas pelo contato direto, e as populações afetadas são infectadas em alto número devido à cultura de grande parte das aldeias africanas, onde é usual a família lavar o corpo dos mortos manualmente antes do enterro. Já se tem pesquisas feitas de que o Ebola pode ser transmitido pelo ar de porco para porco ou de porco para o ser humano (uma nova variação do vírus), mas o vírus só é contagioso de humano para humano pelo contato direto com secreções e sangue. Hoje o pessoal médico é aconselhado apenas a usar luvas de látex e filtro respiratório.[3]

Devido a isso é praticamente impossível haver uma epidemia em larga escala de ébola nos países ocidentais, pois a higiene bloquearia qualquer expansão de casos. No entanto, o risco para o pessoal médico e laboratorial é considerável, se não forem tomadas regras de higiene.

Paciente infectado com Ebola e duas enfermeiras em Kinshasa,1976

Progressão e sintomas[editar | editar código-fonte]

A infecção pelo vírus ebola produz febre hemorrágica. A incubação pode durar de 2 a 21 dias[4] . O vírus multiplica-se nas células do fígado, baço, pulmão e tecido linfático onde causa danos significativos. A hemolise (destruição) das células endoteliais dos vasos sanguíneos leva às tromboses e depois hemorragias.

Os primeiros sintomas são inespecíficos como febre alta, dores de cabeça, falta de apetite, e conjuntivite (inflamação da mucosa do olho). Alguns dias mais tarde surge diarreia, náuseas e vômitos (por vezes com sangue), seguidos de sintomas de insuficiência hepática, renal e distúrbios cerebrais com alterações do comportamento devido à coagulação intravascular disseminada com enfartes nos órgãos. O estágio final é devido ao esgotamento dos fatores sanguíneos da coagulação, resultando em hemorragias extensas internas, edema generalizado e morte por choque hemorrágico. As fezes são geralmente pretas devido às hemorragias gastrointestinais e poderá haver ou não sangramento do nariz, ânus, boca e olhos. Dependendo da sua estirpe, há casos de hemorragias na derme, ocasionando o sangramento pelos poros do corpo. A morte surge de 1 dia a duas semanas após o inicio dos sintomas.

A taxa de mortalidade da doença e o tempo para o falecimento de uma pessoa, depende da estirpe do vírus e do estado de saúde das populações afetadas. Em geral, o ebola mata suas vítimas em poucos dias, podendo levar até 9 dias, e a mortalidade pode variar de 50% a 90%.

Diagnóstico e tratamento[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é feito pela observação direta do vírus com microscópio eletrônico em amostra sanguínea ou por detecção com imunofluorescência de antigênios.[3]

Não há vacina, cura, nem tratamentos eficazes. Os doentes devem ser postos em quarentena e os familiares devem ser impedidos de ter qualquer forma de contato com o doente, ou mesmo de tocar o corpo após o falecimento. Devem ser administrados cuidados básicos de suporte vital como restabelecimento de eletrólitos e fluidos perdidos, além de possíveis tratamentos paliativos.

Literatura[editar | editar código-fonte]

Esta é uma procura de artigos científicos sobre o ebola. Existem ainda vários livros populares sobre o assunto, quase sempre com base científica, mas romanceados, entre eles:

  • "Zona Quente" (nome original "The Hot Zone") de Richard M. Preston (que serviu de base, embora não de script, para o filme "Outbreak");
  • "Vírus" de Robin Cook;
  • "Ebola" de Willian T. Close

Referências

  1. a b c Neuda Batista Mendes França. Ebola (em português). InfoEscola. Página visitada em 04 de agosto de 2013.
  2. a b c d Fabrício Alves Ferreira. Ébola (em português). R7. Brasil Escola. Página visitada em 04 de agosto de 2013.
  3. a b c d ébola (em português). Porto Editora. Infopédia. Página visitada em 04 de agosto de 2013.
  4. Fact sheet N°103 - World Health Organization (em Ingles)