Équidna-de-focinho-curto
| Equidna-de-focinho-curto |
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Equidna no Zoológico de Melbourne.
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| Classificação científica | ||||||||||||||||
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| Tachyglossus aculeatus (Shaw, 1792) |
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| Sinónimos | ||||||||||||||||
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Sinonímia do gênero
Echidna Cuvier, 1798 [preoc.]
Acanthonotus Goldfuss, 1809 [preoc.] Echinopus G. Fischer, 1814 Syphomia Rafinesque, 1815 Sinonímia da espécie
Echidna novaehollandiae Lacépède, 1799
Ornythorhynchus hystrix Home, 1802 Echidna breviaculeata Tiedermann, 1808 Echidna longiaculeata Tiedemann, 1808 Acanthonotus myrmecophagus Goldfuss, 1809 Platypus longirostra Perry, 1810 Echidna australiensis Lesson, 1827 Ornithorhynchus eracinius Mudie, 1829 Echidna australis Lesson, 1836 Echidna corealis Krefft, 1872 Echidna orientalis Krefft, 1872 Echidna typicus Thomas, 1885 Tachyglossus ineptus Thomas, 1906 Echidna hobartensis Kowarzik, 1909 Echidna sydneiensis Kowarzik, 1909 |
A equidna-de-focinho-curto (nome científico: Tachyglossus aculeatus, do grego: tachy, rápido + glossus, língua; e do latim: aculeo, espinho + atus, portador) é um mamífero monotremado da família Tachyglossidae. É a única espécie descrita para o gênero Tachyglossus, podendo ser encontrada através de toda a Austrália, Tasmânia e em partes da ilha de Nova Guiné. Outros vernáculos para a espécie incluem equidna-de-bico-curto e equidna-ouriço, e antigamente também era chamada de tamanduá-espinhoso. Essa equidna é politípica, com cinco subespécies.
Animal de hábitos diurnos e/ou noturnos, está adaptado para escavar formigueiros e o solo a procura de formigas e cupins, devido as potentes garras presentes tanto nos membros dianteiros quanto traseiros. É a menor das espécies de equidnas conhecidas. Diferencia-se do gênero Zaglossus por diversas características físicas, entre elas o tamanhos dos membros, do focinho e quantidade de espinhos; hábitos alimentares e comportamentais. Apresenta o corpo coberto por espinhos, que podem medir até seis centímetros de comprimento. Ovípara, a fêmea bota um único ovo, numa espécie de bolsa que se desenvolve no abdômen na época de acasalamento, onde incuba por aproximadamente vinte e sete dias. Os filhotes nascem cegos e pelados, e com um ano já são independentes.
É uma espécie pouco ameaçada de extinção, sendo encontrada em vários ecossistemas. Se adaptou bem a colonização da Austrália, podendo ser encontrada em áreas agrícolas e pastagens. A população é estável, tendo poucos fatores de risco. Representa um dos ícones da Austrália, aparecendo no verso da moeda de cinco centavos do dólar australiano, e como mascote em eventos e competições.
Índice |
[editar] Nomenclatura e taxonomia
A equidna-de-focinho-curto foi descrita por George Shaw em 1792 com o nome de Myrmecophaga aculeata.[2] Shaw usou o mesmo gênero do tamanduá sul-americano, Myrmecophaga, para a espécie encontrada na Austrália.[3] Em 1802, Everard Home reconheceu a relação entre o ornitorrinco e a nova espécie, renomeando-a para Ornithorhynchus hystrix.[4] Posteriormente foi renomeada para Echidna hystrix, e mais tarde com o reconhecimento da prioridade do nome de Shaw, para Echidna aculeata. O gênero Echidna proposto por Frédéric Cuvier estava pré-ocupado pelo Echidna criado por Johann Reinhold Forster em 1788. Georg August Goldfuss, em 1809, substituiu o Echidna para Acanthonotus,[5] entretanto, este nome também já estava pré-ocupado pelo Acanthonotus criado por Marcus Elieser Bloch em 1797. Em 1811, Johann Karl Wilhelm Illiger substituiu o Echidna por Tachyglossus, renomeando a espécie para Tachyglossus aculeatus.[6] Johann Fischer von Waldheim em 1814 e Constantine Samuel Rafinesque em 1815 também criaram substituições, Echinopus e Syphomia respectivamente, para o gênero pré-ocupado criado por Cuvier.[7][8]
Cinco subespécies são reconhecidas,[9][10] cada qual numa diferente localização geográfica. As subespécies também variam na quantidade, amplitude e largura dos espinhos, e no tamanho das garras escavadoras dos membros posteriores.
- Tachyglossus aculeatus aculeatus (Shaw, 1792) - encontrada no sudeste de Nova Gales do Sul e Vitória;
- Tachyglossus aculeatus acanthion Collett, 1884 - ocorre nas regiões áridas e semiáridas da Austrália, assim como na região tropical do norte;
- Tachyglossus aculeatus setosus (É. Geoffroy St.-Hilaire, 1803) - ocorre na Tasmânia e algumas ilhas do estreito de Bass;
- Tachyglossus aculeatus multiaculeatus (Rothschild, 1905) - endêmica da Ilha Kangaroo;
- Tachyglossus aculeatus lawesii (Ramsay, 1877) - presente na Nova Guiné, e segundo alguns pesquisadores, na florestas tropicais do noroeste de Queensland.
[editar] Distribuição geográfica e habitat
A equidna-de-focinho-curto é encontrada na Austrália incluindo diversas ilhas adjacentes, entre elas a Ilha Kangaroo, Tasmânia, Ilha King, Grupo Furneaux; e no sudoeste da ilha de Nova Guiné (Indonésia e Papua-Nova Guiné), como também uma população isolada no vale de Markham (Papua-Nova Guiné).
Habita variados ambientes, podendo ser encontrada tanto em desertos, savanas, florestas e áreas montanhosas. Também ocorre em áreas agrícolas. Em altitude é encontrada do nível do mar até até os 1.675 metros.[1]
[editar] Características
| Ficha técnica[11] | |
| Comprimento |
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| Cauda |
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| Peso |
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| Tamanho de ninhada |
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| Período de incubação |
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| Desmame |
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| Maturidade sexual | |
| Longevidade |
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Como o ornitorrinco, o corpo da equidna é comprimido dorsoventralmente.[11] O dorso é arqueado, e a barriga plana ou côncava. A cabeça é pequena e parece emergir do corpo sem nenhuma indicação de pescoço. A cauda é curta, grossa e glabra na superfície ventral. O focinho longo e fino é cerca de metade do tamanho da cabeça, sendo quase reto ou então curvado ligeiramente para cima. Cada pata possui cinco dígitos, com garras largas, rígidas e retas, adaptadas para escavar. Ambos os sexos apresentam um esporão nos membros traseiros, oco e sem produção de veneno, ao contrário do Ornithorhynchus anatinus.[12] Os olhos são pequenos e situados próximos a base do focinho, possibilitando um campo de visão mais voltado a frente, que as laterais. Não tem orelhas externas. Os machos não apresentam escroto, e os testículos são internos. Não possui dentes e a língua é comprida e pegajosa.[13]
O dorso das equidnas é coberto por espinhos grandes, ocos e finos, chegando a medir cerca de seis centímetros de comprimento.[11] Eles são geralmente amarelos, com as extremidades pretas, mas alguns são totalmente amarelados. Abaixo dos espinhos, as equidnas apresentam uma pelagem negra a marrom-escura. O ventre apresentam uma pelagem compostas por pêlos grossos. Na subespécie da Tasmânia, os pêlos cobrem quase que completamente os espinhos, que são pequenos.
O crânio do gênero Tachyglossus é caracterizado por um focinho alongado e arredondado e uma caixa craniana abaulada lateralmente. O palato se estende para trás ao nível das orelhas, e o meato acústico externo é direcionado ventralmente. A mandíbula é reduzida e com os processos coronóides e angular pobremente desenvolvidos. Internamente, a mais proeminente característica são os turbinados. Eles se estendem posteriormente no crânio, ficando sob a superfície das cavidades olfatória e cerebral da caixa craniana.[13]
[editar] Ecologia e comportamento
Vive muito, já foi assinalado o caso de uma equidna que viveu 50 anos em cativeiro. O seu único inimigo é o homem. Os indígenas apreciam muito sua carne. A vocalização do equidna consiste num grunhido surdo que produz quando está inquieto.
[editar] Dieta e hábitos alimentares
Come insetos e vermes, mas sobretudo formigas e cupins, que descobre com seu focinho, tão sensível, que serve mais como órgão tátil do que olfativo. Para comer, o equidna procede da mesma maneira que os tamanduás, isto é, serve-se da longa língua pegajosa, retirando-a, junto com alimento, uma certa quantidade de areia, de poeira, de resto de mata e, às vezes, um pouco de ervas, que lhe facilita a trituração.
[editar] Reprodução
Na época de reprodução aparece no ventre da fêmea uma dobra de pele em forma de crescente, que forma uma bolsa suficientemente grande. Esta bolsa recebe o ovo à saída da cloaca, o qual, sempre único, fica protegido por uma casca membranosa e mole. Sua incubação dura de 7 a 10 dias, na bolsa. O recém-nascido, inteiramente nu, fica na bolsa até que seu pêlo tenha se formado. A mãe coloca-o em um refúgio seguro, onde vai periodicamente aleitá-lo.
[editar] Conservação
A equidna-de-focinho-curto é classificada pela IUCN (2008) como uma espécie pouco preocupante[1].
[editar] Aspectos culturais
A equidna-de-focinho-curto é retrata na cultura animista dos aborígenes australianos, incluindo sua arte visual e narrações. A espécie representou um totem para alguns grupos, incluindo o povo Noongar da Austrália Ocidental. Muitos povos apresentam mitos sobre a equidna; um mito explica que ela foi criada quando um grupo de jovens homens famintos estavam caçando a noite e encontraram um vombate. Eles arremessaram suas lanças no animal, mas perderam seu sinal na escuridão. O vombate adaptou as lanças para sua própria defesa e se tornou uma equidna.[14]
Sua imagem foi usada por Millie, um dos três mascotes escolhidos para os Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, junto com um ornitorrinco e um kookaburra.[15] Na numismática a équidna figura numa das faces da moeda de cinco centavos do dólar australiano desde 1966,[16] em 1992, apareceu numa moeda comemorativa cujo valor foi de 200 dólares,[17] e em 2008, numa série de moedas comemorativas com estampa colorida, aparece na versão de um dólar.[18] Na filatelia, já apareceu em diversos selos, entre eles numa séria de seis animais nativos da Austrália lançada em 1974, postada no selo de 25 centavos; em 1987 aparece no selo de 37 centavos e em 1992 no de 35 centavos.[19]
[editar] Ver também
Referências
- ↑ a b c APLIN, K.; DICKMAN, C.; SALAS, L.; HELGEN, K. 2008. Tachyglossus aculeatus. In: IUCN 2008. 2008 IUCN Red List of Threatened Species. <www.iucnredlist.org>. Acessado em 12 de novembro de 2008.
- ↑ Shaw, G. 1792. Myrmecophaga aculeata. The Porcupine Ant-eater. The Naturalists' Miscellany: containing accurate and elegant coloured figures of the most curious and beautiful productions of nature; with descriptions in Latin and English in the Linnaean manner. To which are added descriptions more at large, and calculated for general information. No. 36. London : F.P. Nodder & Co. Vol. 3.
- ↑ Augee, M. L., Gooden, B. A. and Musser, A. 2006. Echidna : extraordinary egg-laying mammal. Collingwood, Victoria, CSIRO Publishing.
- ↑ HOME, E. 1802. Description of the anatomy of the Ornithorhynchus hystrix. Philosophical Transactions of the Royal Society of London 92: 348-364
- ↑ Goldfuss, G.A. 1809. Vergleichende Naturbeschreibung der Säugethiere. Erlangen : Waltherschen Kunst-und Buchhandlung xxi 315-41 pls
- ↑ Illiger, J.C.W. 1811. Prodromus Systematis Mammalium et Avium, additis terminis zoographicis utriusque classis, eorumque versione Germanica. Berolini : Sumptibus C. Salfeld xvii 301 pp.
- ↑ Fischer, G. 1814. Zoognosia Tabulis Synopticis Illustrata. Volumen tertium. Quadrupedum reliquorum, Cetorum et Monotrymatum descriptionem continens. Mosquae : Vsevolozsky xxiv 734 pp.
- ↑ Rafinesque, C.S. 1815. Analyse de la nature, ou tableau de l'univers et des corps organises. Palerme : Privately Published 224 pp.
- ↑ GROVES, C. P. Order Monotremata. In: WILSON, D. E.; REEDER, D. M. (Eds.). Mammal Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference. 3. ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2005. v. 1, p. 1-2.
- ↑ GRIFFITHS, M. Tachyglossidae. In WALTON, D. W.; RICHARDSON, B. J. (eds.). Fauna of Australia. Canberra, 1989. 1.227 p.
- ↑ a b c NOVAK, R. M. Walker’s Mammals of the World. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1999.
- ↑ FAHEY, B. (1999). Tachyglossus aculeatus (em Inglês). Animal Diversity Web. Página visitada em 28/11/2008.
- ↑ a b MACRINI, T. (2002). Tachyglossus aculeatus, Short-nosed Echidna (em Inglês). Digital Morphology. Página visitada em 28/11/2008.
- ↑ ROBINSON, R. Aboriginal Myths and Legends. Melbourne: Sun Books: 1966.
- ↑ Olympic.org. Ollie, Syd and Millie - Sydney 2000 (em Inglês). Página visitada em 26-11-2008.
- ↑ Royal Australian Mint. How Coin Designs Are Selected (em Inglês). Página visitada em 08/12/2008.
- ↑ Australian Stamp & Coin (5-12-2007). 1992 Echidna TWO HUNDRED DOLLARS (em Inglês). Página visitada em 08/12/2008.
- ↑ Australian Government - Royal Australian Mint (2008). 2008 Proof and Mint Sets & Baby Proof and Mint Sets. (em Inglês). Prospect Stamps and Coins are Official Distributors for the Royal Australian Mint Coins. Página visitada em 08/12/2008.
- ↑ Australian Stamp & Coin. Echidna in stamps (1974, 1987, e 1992) (em Inglês). Página visitada em 08/12/2008.
[editar] Ligações externas