Éramos Seis (1994)

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Éramos Seis
Informação geral
Formato Telenovela
Criador(es) Adaptação do romance homônimo de Maria José Dupré, escrito por Sílvio de Abreu e Rubens Edwald Filho.
País de origem Brasil Brasil
Idioma original Português
Produção
Diretor(es) Henrique Martins e Del Rangel
Elenco Irene Ravache
Othon Bastos
Denise Fraga
Nathália Timberg
Osmar Prado
Marcos Caruso
Tarcísio Filho
Cláudio Fontana
Luciana Braga
Jandira Martini
Marco Ricca
Jandir Ferrari
Ney Latorraca e grande elenco.
Tema de abertura Valsinha, Chico Buarque e Vinícius de Moraes
Exibição
Emissora de
televisão original
Brasil SBT
Transmissão original 9 de maio de 19945 de dezembro de 1994
Cronologia
Último
Último
As Pupilas do Senhor Reitor
Próximo
Próximo

Éramos Seis é uma telenovela brasileira produzida pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e exibida de 9 de maio a 5 de dezembro de 1994, em dois horários, às 19h45 e 21h45, em 180 capítulos, sendo sucedida por As Pupilas do Senhor Reitor.[1]

É uma adaptação do romance homônimo de Maria José Dupré, sendo a quarta versão para a televisão desta obra,[2] foi escrita por Sílvio de Abreu e Rubens Edwald Filho e dirigida por Henrique Martins e Del Rangel, com direção geral de Nilton Travesso.[3] Regravação da novela homônima produzida pela Rede Tupi e levada ao ar em 1977.[1]

Éramos Seis foi considerada pela imprensa como uma produção séria da emissora, Esther Hamburger disse na Folha de São Paulo que a novela fez um "sucesso discreto",[4] Telmo Martino de O Globo disse que a novela ficou "com a fama de um pequeno sucesso",[5] enquanto Nilson Xavier do Teledramaturgia disse que foi "um grande sucesso para o SBT".[1] Em termos de Ibope, ela foi superando a meta de 10 pontos da emissora,[6] chegando a dar mais de 20 pontos de audiência, em horário nobre, batendo de frente com a Rede Globo,[1] e vencendo a 35ª edição da premiação do Troféu Imprensa de melhor novela,[7] sendo até hoje a única telenovela do SBT a vencer o Troféu Imprensa.

O SBT reprisou a trama, entre 22 de janeiro e 22 de maio de 2001, às 18h,[8] substituindo o programa Disney Club e sendo substituída por O Direito de Nascer.[2] Em 2010, o SBT cogitou uma segunda reprise, às 22h, substituíndo A História de Ana Raio e Zé Trovão.[9] Em 2012, o SBT cogitou fazer outro remake da obra.[10]

Produção[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Roteiro[editar | editar código-fonte]

Cquote1.svg Esta é uma novela que não terminou! Riso e pranto prosseguem, criando em nós o velho hábito de sonhar. A Avenida Angélica de ontem, transforma-se num rio que leva para o mar da noite a graça de um tempo que pede para ser eterno. Outras Lolas e outros Júlios virão, oferecendo à paisagem angustiada a rosa de seu amor. Entre personagens povoados de poesia, o personagem maior é São Paulo - o glório São Paulo de 32, no sentir de Guimarães Rosa. Éramos seis e hoje somos tantos a pedir que aconteça em nossas vidas o suave milagre dos dias de outrora! Cquote2.svg
Texto de Paulo Bomfim que encerrou o último capítulo da novela.[1]

Em 1993, o SBT parou de comprar telenovelas da Televisa e começou a investir em folhetins brasileiros.[11] Logo, em 1994, Sílvio de Abreu e Rubens Ewald Filho adaptaram Éramos Seis de um romance homônimo de Maria José Dupré.[12] [13] [14] Anteriormente, Sílvio de Abreu e Rubens Ewald Filho já haviam adaptado a mesma obra na telenovela homônima da Rede Tupi em 1977. Este remake do SBT é a quarta versão da história de Dona Lola que chegava à televisão brasileira. A primeira versão foi em 1958 na Rede Record, ainda na fase de dois capítulos por semana e ao vivo, protagonizada por Gessy Fonseca e Gilberto Chagas. Cleyde Yáconis e Silvio Rocha protagonizaram a segunda versão de 1967, já diária, na Rede Tupi. E Nicette Bruno e Gianfrancesco Guarnieri, dez anos depois, a terceira versão também na Tupi.[1]

Elenco[editar | editar código-fonte]

Irene Ravache interpreta Lola, a atriz estava ausente das telenovelas desde Sassaricando de 1988.[1] Chica Lopes interpretou neste remake a mesma personagem que havia vivido na versão de 1977, Durvalina, a empregada de Dona Lola.[1] Jussara Freire e Paulo Figueiredo também estiveram nas duas novelas, mas fazendo pares românticos diferentes: Olga e Zeca em 1977, e Clotilde e Almeida em 1994.[1] Também Lia de Aguiar, que em 1994 foi Dona Marlene, mãe de Júlio, na primeira versão fez uma rápida aparição como a Madre Superiora do asilo onde Lola termina seus dias.[1] No início da telenovela, o nome da atriz mirim Paula Cidade foi creditada como Paulo Cidade, mas logo foi corrigido.[1] Éramos Seis foi a primeira novela da então top model Ana Paula Arósio,[15] e Otaviano Costa e também a estreia numa novela de Caio Blat e Wagner Santisteban, pré-adolescentes na época.[1]

Produção[editar | editar código-fonte]

Éramos Seis foi orçada em US$ 5,5 milhões,[16] em 170 capítulos,[17] sendo que cada um terá um orçamento de US$ 35 mil,[17] quase o mesmo que a Globo gasta numa novela de porte médio,[17] e foi a primeira produção do SBT na Via Anhangüera, no futuro CDT da Anhangüera que ainda estava em construção, onde foram gravadas as externas na cidade cenográfica especialmente construída - num investimento de mais de 2 milhões de dólares - ,e que tinha também, alguns ambientes reproduzindo o que havia de cenário nos estúdios no bairro do Sumaré, da antiga Rede Tupi que foram reformados pelo SBT para gravar a novela.[1] Ao final de cada capítulo, ao invés de exibir as cenas do próximo, como era costume, aparecia um personagem da novela falando com o público, olhando diretamente para a câmera e falava de seus problemas na história. A protagonista Dona Lola, por exemplo, falava do marido, dos filhos, da vida dura, coisas como "Eu poderia não me preocupar, mas eu me preocupo. É minha filha... E agora se envolveu com esse tal Felício... Eu só espero que não aconteça o que eu mais temo, que é ver a minha filha, a minha Isabel, sofrendo". A Rede Tupi já apresentara esse mesmo recurso em Vitória Bonelli, em 1972.[1] Em 5 de dezembro de 1994, após o último capítulo de Éramos Seis, foi exibido pelo SBT um especial reunindo o elenco de Éramos Seis com o elenco de As Pupilas do Senhor Reitor, sua substituta no horário. Apresentado ao vivo por Hebe Camargo, o programa foi transmitido diretamente do Palácio das Convenções do Anhembi Parque, em São Paulo.[1]

Exibição[editar | editar código-fonte]

Prevista para ser lançada em 2 de maio de 1994,[17] o SBT adiou em uma semana a estreia de Éramos Seis, por causa da morte do piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna. No horário inicialmente anunciado para a estreia, Irene Ravache deu um depoimento dizendo que a novela não poderia ir ao ar num momento tão triste para a população brasileira.[1] Exibida em dois horários a partir de sua estreia em 9 de maio de 1994, Éramos Seis começava imediatamente após a apresentação da novela das sete horas na Rede Globo, A Viagem, às 19h45 e reprisada logo após a novela das oito, Fera Ferida. Era uma estratégia do SBT que permitia aos telespectadores assistir às novelas da emissora concorrente para depois trocar de canal e acompanhar Éramos Seis.[1] Em 31 de maio, um sábado, das 14h40 às 18h, o SBT reprisou os capítulos daquela semana da novela.[18] Em Portugal, a trama foi vendida para a TVI.[19]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Audiência[editar | editar código-fonte]

A estreia de Éramos Seis registrou audiência média de 11 pontos na Grande São Paulo das 19h50 às 20h35, os números são do Ibope e indicam que 437.690 domicílios sintonizaram a estreia. No mesmo horário, a Rede Globo, com o São Paulo Já e o Jornal Nacional, alcançou média de 52,5 pontos (2.088.975 residências) na Grande São Paulo durante a novela do SBT. Antes, a emissora de Silvio Santos vinha registrando médias de 15 pontos (596.850 domicílios) entre 19h50 e 20h35. No mesmo horário, a Globo costumava atingir médias de 45 pontos (1.790.550 residências).[20]

Éramos Seis foi uma novela de sucesso,[21] atingindo pico de 22 pontos de audiência no Ibope (880 mil domícilios).[22] As médias ficaram em 16 pontos (640 mil domicílios) na primeira vez que a novela ia ao ar e 13 pontos (520 mil domicílios) na segunda edição.[22]

Trama[editar | editar código-fonte]

O cotidiano da vida de Dona Lola, ao lado do marido Júlio e dos quatro filhos (Carlos, Alfredo, Isabel e Julinho) desde quando estes eram pequenos até a idade adulta, quando Dona Lola termina seus dias sozinha numa casa para idosos.

A história transcorre todos os fatos marcantes de sua vida: a dura luta para criar os filhos; a morte do marido; a morte de Carlos, o filho mais velho, vítima na Revolução de 1932; os problemas com Alfredo, metido com movimentos políticos e badernas; a união precoce de Isabel com um homem bem mais velho e casado; o casamento de Julinho com uma moça da sociedade que culmina com a ida de Dona Lola para um asilo.

Entre tanto sofrimento, alguns momentos leves, como a amizade de Lola com a vizinha Genu, casada com Virgulino, e os passeios à casa de sua mãe, Dona Maria, no interior, onde moram suas duas irmãs, Clotilde e Olga, e sua tia doente, Candoca. A espevitada Olga, se casa com o farmacêutico Zeca e juntos dão início a uma grande prole. Clotilde se apaixona por Almeida, um amigo de Júlio, mas não consegue romper com os padrões morais da sociedade quando tem de decidir no morar com ele que é desquitado/divorciado.

A História apresenta algumas diferenças em relação ao livro de onde foi adaptada. Pelo critério da produção e Direção foram inclusos alguns personagem inexistentes como o Marido e o Filho de Dona Genú (que no livro era viúva e tinha 2 filhas e 1 genro), a Namorada de Carlos que não existia, Sr. Almeida não é citado no livro e muito menos namora a irmã de Lola Clotilde (Essa personagem é sempre solteira) e o Vendeiro Seu Alonso e sua Esposa que também não eram personagens do Livro. As Filhas de Tia Emilia eram bem mais velhas e uma delas morre no início do livro.

A ordem em que as coisas acontecem também teve alteração na adaptação para a TV. No Livro o Filho mais velho, Carlos, morre no fim da história da mesma doença do Pai (Úlcera) e nada tem a ver com a versão apresentada em que ele morre vitimado por um tiro na Revolução de 32 quase no começo da história. Não há o namoro de Julinho e de Isabel com seus vizinhos nem o de Carlos com Carmecita (personagem inventada). A Revolução mostrada na novela em que Alfredo e Lucio lutam na verdade foi vivida no livro pelo personagem Carlos e, Alfredo após esta fase já tinha fugido de casa para se alistar na Marinha Norte-Americana. A Mãe de Lola morre bem antes de Júlio, a personagem Tia Candoca quase não existe e TIa Emilia não tem a proximidade mostrada na versão televisiva.

Elenco

Denise Fraga como a encrenqueira Olga.
Othon Bastos como o protagonista Júlio.
Marcos Caruso como o divertido Virgulino.
Nathália Timberg era a tia Emília.
em ordem da abertura
Ator Personagem
Irene Ravache Dona Lola
Othon Bastos Júlio Abílio de Lemos

com

ator personagem
Luciana Braga Maria Isabel
Tarcísio Filho Alfredo
Jandir Ferrari Carlos
Angelina Muniz Karime
Antônio Petrin Assad
Maria Estela Layla
Luciene Adami Maria Laura
Marco Ricca Felício
Paulo Figueiredo Almeida
Bete Coelho Adelaide
Mayara Magri Justina
Flávia Monteiro Lili
João Vitti Lúcio
Umberto Magnani Alonso
Nina de Pádua Pepa
Yara Lins Dona Maria
Wilma de Aguiar Tia Candoca
Lia de Aguiar Dona Marlene
Chica Lopes Durvalina
Maria Aparecida Baxter Madre Bulhões
Clarisse Abujamra Dora Falcão
Rosi Campos Paulette
Cláudia Mello Benedita
Paulo Hesse Higino
Régis Monteiro Doutor Azevedo
Nelson Baskerville Marcos
Eduardo Silva Raio Negro
Rosaly Papadopol Marta
Homero Kossac Mr. Hilton
Chris Couto Zulmira
Philipe Levy Gusmões
Apresentando
Ator Personagem
Eliete Cigarini Carmencita
Ariel Moshe Sr. Flores
Ana Paula Arósio Amanda
Roberto Arduim José Aranha
Otaviano Costa Tavinho
E as Crianças
Ator Personagem
Caio Blat Carlos (menino)
Wagner Santisteban Alfredo (menino)
Rafael Pardo Julinho
Carolina Vasconcelos Maria Isabel (menina)
Julia Ianina Carmencita (menina)
Roberto Lima Lúcio (menino)
Paula Ciudad Lili (menina)
Carolina Gregório Maria Laura (menina)
Wellington Rodrigues Raio Negro (menino)
Atores convidados
Ator Personagem
Ney Latorraca Seu Sorriso
Osmar Prado Zeca
Atrizes convidadas
Ator Personagem
Denise Fraga Olga
Jussara Freire Clotilde
Elizângela Marion
Participação Esepecial
Ator Personagem
Nathalia Timberg Tia Emília
Jandira Martini como Dona Genu
Marcos Caruso como Virgulino

Prêmios[editar | editar código-fonte]

APCA (1995)[editar | editar código-fonte]

  • Melhor novela
  • Melhor atriz - Irene Ravache
  • Melhor ator coadjuvante - Tarcísio Filho

Troféu Imprensa (1995)[editar | editar código-fonte]

  • Melhor novela
  • Melhor atriz - Irene Ravache

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q Nilson Xavier. Éramos Seis - Bastidores Teledramaturgia. Página visitada em 27 de julho de 2014.
  2. a b Daniel Castro (11 de janeiro de 2001). Com "Éramos Seis", SBT ensaia volta de novelas Folha de São Paulo. UOL. Página visitada em 27 de julho de 2014.
  3. Nilson Xavier. Éramos Seis Teledramaturgia. Página visitada em 27 de julho de 2014.
  4. Esther Hamburger (5 de dezembro de 1994). 'Éramos Seis' termina com sucesso discreto Folha de São Paulo. UOL. Página visitada em 27 de julho de 2014.
  5. Martino, Telmo. (7 de dezembro de 1994). "O paraíso do anonimato recuperado". O Globo. Página visitada em 26 de dezembro de 2013.
  6. Apolinário, Sônia. (20 de fevereiro de 1994). "Investimento visa a dez pontos de audiência". O Globo. Página visitada em 26 de dezembro de 2013.
  7. (6 de dezembro de 1994) "Novela supera expectativa de audiência". Folha de S. Paulo. Página visitada em 26 de dezembro de 2013.
  8. SBT reprisa "Éramos Seis" com Irene Ravache a partir de hoje Folha de São Paulo. UOL (22 de janeiro de 2001). Página visitada em 27 de julho de 2014.
  9. SBT estuda reprisar "Éramos Seis" no horário nobre Folha de São Paulo. UOL (2 de agosto de 2010). Página visitada em 27 de julho de 2014.
  10. Keila Jimenez (29 de março de 2012). 'Éramos Seis' pode ganhar remake no SBT Folha de São Paulo. UOL. Página visitada em 27 de julho de 2014.
  11. Santos Reis, Arthur. (24 de dezembro de 2013). "O fim do ciclo mexicano". Jornal do Brasil. Página visitada em 26 de dezembro de 2013.
  12. Schwartsman, Annette. (28 de novembro de 1993). "Osmar Prado vira Hitler e assina contrato com SBT". Folha de S. Paulo. Página visitada em 26 de dezembro de 2013.
  13. Blecher, Nelson. (13 de dezembro de 1993). "Vice-líder, SBT parte para a produção de novelas". Folha de S. Paulo. Página visitada em 26 de dezembro de 2013.
  14. Tavares, Helena. (4 de dezembro de 1993). "Novela da Tupi é a novidade do SBT". Jornal do Brasil. Página visitada em 26 de dezembro de 2013.
  15. Annette Schwartsman (5 de junho de 1994). Modelo ganha papel em "Éramos Seis" Folha de São Paulo. UOL. Página visitada em 27 de julho de 2014.
  16. Annette Schwartsman (1 de maio de 1994). SBT quer alcançar 20 pontos de Ibope com "Éramos Seis" Folha de São Paulo. UOL. Página visitada em 27 de julho de 2014.
  17. a b c d Armando Antenore (28 de fevereiro de 1994). SBT faz pesquisa para enfrentar a Globo Folha de São Paulo. UOL. Página visitada em 27 de julho de 2014.
  18. SBT exibe resumo de `Éramos Seis' Folha de São Paulo. UOL (21 de maio de 1994). Página visitada em 27 de julho de 2014.
  19. Armando Antenore (10 de agosto de 1994). SBT vende 'Éramos Seis' para Portugal Folha de São Paulo. UOL. Página visitada em 27 de julho de 2014.
  20. `Éramos Seis' registra média de 11 pontos Folha de São Paulo. UOL (10 de maio de 1994). Página visitada em 27 de julho de 2014.
  21. Desculpe a nossa falha Folha de São Paulo. UOL (25 de dezembro de 1994). Página visitada em 27 de julho de 2014.
  22. a b Novela supera expectativa de audiência Folha de São Paulo. UOL (6 de dezembro de 1994). Página visitada em 27 de julho de 2014.