Êxodo rural

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Êxodo rural é o termo pelo qual se designa o abandono do campo por seus habitantes, que, em busca de melhores condições de vida, se transferem de regiões consideradas de menos condições de sustentabilidade a outras, podendo ocorrer de áreas rurais para centros urbanos. Este fenômeno se deu em grandes proporções no Brasil na segunda metade do século XX e foi sempre acompanhado pela miséria de milhões de retirantes, e sua morte aos milhares, de fome, de sede e de doenças ligadas à subnutrição.

Os conflitos recentes na África e noutras regiões do mundo são outra causa do êxodo rural, fazendo com que milhões de pessoas engrossem o exército de desempregados e marginais nas grandes cidades. Ainda outra causa são os desastres naturais, como ciclones e secas, que deixam as populações rurais sem meios de subsistência e as empurram, muitas vezes de forma permanente para as cidades.

Estes fenômenos estão ligados à falta de políticas de desenvolvimento das zonas rurais, tais como a construção de infraestruturas básicas - estradas, escolas e hospitais.

O êxodo rural no Brasil[editar | editar código-fonte]

O início da colonização[editar | editar código-fonte]

Logo após o início de sua colonização, a economia brasileira era baseada no extrativismo e na monocultura. O primeiro ciclo foi o da cultura da cana de açúcar, iniciado em 1532; o plantio foi seguido de um grande desmatamento da área de mata atlântica na região nordeste, cujo clima é extremamente variável há milênios, ora com secas imensas, ora com grande índice pluviométrico. Em função disso, o desmatamento só veio a aumentar as variações climáticas, agravando os fenômenos da chuva.

Engenhos de cana de açúcar, as sementes de café e a borracha[editar | editar código-fonte]

Em 1628, existiam em pleno funcionamento cerca de 235 engenhos no Nordeste, empregando milhares de pessoas que operavam no plantio, cultura, queima, corte, colheita, transporte e esmagamento do vegetal. No Sul, em 1727, Francisco de Mello Palheta traz as primeiras sementes de café ao país, que, em futuro não muito distante, seriam aclimatadas e plantadas em grande quantidade, tendo seu ciclo e causando o êxodo de massas humanas e grande desenvolvimento. Na mesma época, já na região Norte, na Amazônia, o francês Charles Marie de La Condamine, em 1735, descobriu a borracha, no início uma curiosidade, em seguida, sua comercialização e exportação teria um aumento significativo. Pela sua característica de produção, a borracha exigia quantidade substancial de pessoas em seu processamento, desde a retirada da seiva da seringueira, até o produto pronto para exportação, também gerando a seu tempo a locomoção de retirantes para o trabalho na produção.

A expansão do café[editar | editar código-fonte]

No ano de 1821, após grande expansão, a cultura do café responde por 18% do total das exportações brasileiras, seguindo em ritmo acelerado por dez anos, quando, em 1831, atingia a marca de 50% de toda a produção agrícola do país. O ciclo do café segue seu rumo, em 1871 a colheita do produto atinge a cifra de cinco milhões de sacas.

A seca e o início do grande êxodo rural no Nordeste[editar | editar código-fonte]

Enquanto isso, no Nordeste, em 1879, uma grande seca assola toda a região. Com ela, morrem cerca de duzentas e vinte mil pessoas, de fome, de sede e de doenças trazidas pela miséria e desnutrição. Praticamente todo o gado e toda a agricultura são extintos, forçando um grande êxodo rural, que chegou a provavelmente um milhão de retirantes ao ano, portanto, naquela época, a produção de cana de açúcar quase se extinguiu totalmente.

A chegada dos retirantes em São Paulo e a desnutrição[editar | editar código-fonte]

O êxodo seguiu em direção ao Sul na década de 30; chegando em São Paulo; os nordestinos foram buscar trabalho nos cafezais, porém, não eram bem-vindos, pois, com a chegada dos imigrantes italianos e espanhóis, muito mais robustos e saudáveis, os fazendeiros preferiram os europeus aos nordestinos para o trabalho nos cafezais.

Os nordestinos estavam extremamente desnutridos, doentes e miseráveis, morriam às centenas, sem condições para o trabalho pesado, pois sua caminhada do Nordeste ao Sul, por milhares de quilômetros, foi feita em sua maioria a pé, sem água, sem comida e em condições sub-humanas, exaurindo suas forças.

A mudança de sentido do fluxo migratório[editar | editar código-fonte]

O fluxo migratório mudou de sentido, portanto o êxodo da massa populacional foi se direcionando aos poucos para a região amazônica, onde os retirantes se tornaram seringueiros, iniciando largo ciclo extrativista. Avançando cada vez mais em direção à mata, em sentido Oeste, acabaram por invadir lenta, constante e gradualmente o território pertencente à Bolívia, tomando posse da área onde hoje encontra-se o estado do Acre.

A riqueza de Manaus e sua decadência[editar | editar código-fonte]

Em 1880, Manaus torna-se líder mundial na exportação de borracha. Em 1904, são oitenta mil toneladas as exportações do produto ao ano, já dois anos depois, em 1906, cai a exportação violentamente, gerando miséria, fome e morte novamente, agora por doenças como a malária, a diarreia pelo consumo de água infectada, entre outras enfermidades tropicais; começa o êxodo rural naquela região, e toda a zona de influência, em direção ao Sul, agora avançando pela região central. No Norte, a extração do látex ficou quase que completamente abandonada, Manaus se transforma em cidade fantasma.

A construção de Brasília e o êxodo para o planalto central[editar | editar código-fonte]

Em 1957 começa a construção de Brasília, e novamente se inicia mais uma onda de êxodos rurais de diversos pontos do Brasil, para o planalto central, desta vez, o fluxo se dirige das áreas rurais de diversos pontos, sua partida não mais é de uma única macro região, portanto, não só do Nordeste, e do Norte, vieram sulistas da região do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, além de mineiros, paulistas e cariocas, em grande quantidade, dentre outros.

A industrialização e o "empobrecimento"[editar | editar código-fonte]

Com a industrialização na década de cinquenta, houve outra onda de migração, desta vez da área rural para as grandes cidades, de diversos pontos do Brasil. Novamente a região Nordeste colabora com mais uma onda humana. As indústrias necessitavam de mão de obra específica, os retirantes não tinham qualificação para o aproveitamento como operários, iniciando uma aceleração da miséria, da criminalidade, da prostituição e da promiscuidade nas periferias das grandes cidades, já inchadas pelo excesso populacional. O aproveitamento se deu muitas vezes em subempregos, nos serviços domésticos e de construção civil, os trabalhadores migrantes se sujeitavam a condições de quase escravidão, daí a necessidade de implantação de um salário mínimo que resultasse nas mínimas condições de sobrevivência.

O êxodo rural na época da ditadura[editar | editar código-fonte]

Já na década de sessenta, logo após ao golpe militar de 1964, houve novamente um grande movimento de massa populacional devido à propaganda institucional, que propalava o crescimento do Brasil, e a erradicação da pobreza. A partir dos grandes centros, com urbanização acelerada e a construção civil, oferecendo oportunidades de emprego cada vez maiores à mão de obra não especializada e analfabeta, os migrantes tiveram melhoras salariais e de condições de vida. Em função desta melhora, começaram a mandar dinheiro para as regiões de onde vieram, chamando a atenção dos parentes, amigos e vizinhos, que se encontravam ainda vivendo em condições precárias nas áreas rurais. Isto ocasionou uma aceleração do êxodo rural, causando ainda mais inchaço nos grandes centros, aumentando ainda mais os problemas ocasionados pela miséria na periferia das grandes cidades.

Atualmente[editar | editar código-fonte]

Atualmente, o êxodo rural encontra-se em processo de extinção no Brasil.O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) prevê que no máximo em dez anos, 2015/2020 ocorra o fim do êxodo rural no Brasil, com parcela esmagadora da população brasileira vivendo em cidades (mais de 90% da população absoluta).

Ver também[editar | editar código-fonte]