Índice beta

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Todas as pessoas ou empresas que resolvem variar investimentos têm como principal objetivo diminuir a vulnerabilidade do patrimônio, prevendo o risco a que ele está sujeito de maneira a projetar com segurança seu valor futuro. O que torna arriscado um investimento no mercado de ações é a dispersão de resultados possíveis. A medida habitual desta dispersão é o desvio padrão.

O risco de qualquer ação pode ser dividido em duas partes. Existe o risco único que é inerente a essa ação, e existe o risco de mercado, que deriva das variações do próprio mercado. Os investidores podem eliminar o risco único através da diversificação da carteira de títulos, mas não podem eliminar o risco de mercado.

Existem métodos para explicar o comportamento do preço das ações em relação a um determinado mercado, possibilitando aos investidores avaliarem o impacto de risco sobre o ativo. Entre os métodos disponíveis, temos o CAPM (Capital Asset Pricing Model), que pode ser traduzido como “Remuneração pela espera mais Remuneração pelo risco”.

O CAPM utiliza o índice β - beta - para medir o risco não diversificável. Este índice mede a variação de uma ação em relação a uma carteira de mercado, perfeitamente diversificada. No caso brasileiro, o IBOVESPA é utilizado. O exemplo abaixo avalia o comportamento das ações da Vale do Rio Doce (VALE5), Eletropaulo (ELPL5 e ELPL4) e Telemar (TNLP4) no mercado, a partir do índice beta. O CAPM estabelece que o prémio de risco esperado de cada investimento deve situar-se acima da linha do mercado dos títulos. As carteiras com um beta mais elevado geram rendibilidades mais elevadas.

A contribuição de uma ação para o risco de uma carteira completamente diversificada depende da sua sensibilidade às variações de mercado. Esta sensibilidade é conhecida por beta.Uma ação com um beta de 1,0 tem risco médio de mercado, a rendibilidade desse activo sobe ou desce os mesmos pontos percentuais do mercado.Uma carteira com beta de 0,5 tem risco inferior à média do risco de mercado, a variação de um ponto percentual na rendibilidade do mercado, implica uma variação de meio ponto na rendibilidade desse activo. Ele se torna muito importante para os usuários do modelo CAPM, e tem como vantagem o estudo simultâneo dos impactos da rentabilidade e do risco sobre o valor da ação.

Deve-se utilizar o β para definir o risco sistemático das empresas. Somente este risco, o sistemático, será analisado no presente trabalho, desconsiderando o risco específico, que pode ser eliminado por meio da diversificação.

A idéia inserida no cálculo do CAPM é a de compensar o investidor pelo capital próprio investido no negócio, levando consideração dois elementos: remuneração pela espera e remuneração pelo risco.

Na fórmula do CAPM, temos:

Ki= Rf + βi(Rm-Rf).

Onde:

Rf = prêmio pago ao ativo livre de risco (espera).

Rm-Rf= Prêmio por risco.

β= Medida do risco do ativo em relação à uma carteira padrão.

O coeficiente β é usado para medir o risco não-diversificável, isto é, fatores de mercado que afetam todas as empresas, como guerra, inflação, crises internacionais, etc. Ou seja, quanto o ativo está sujeito às variações não controláveis do mercado e do ambiente. É um índice que mede a relação entre o retorno de um ativo e o retorno do mercado. Desta forma, o prêmio por risco será sempre multiplicado por este coeficiente, exigindo um prêmio maior por risco quanto maior a variação do ativo em relação à carteira de mercado.

O beta da carteira de ações padrão, IBOVESPA, é sempre igual a 1, uma vez que ela é a base para o cálculo comparativo. O beta desta carteira é o beta médio de todos os títulos disponíveis. Desta forma, concluímos:

β=1 Ativo médio.

Sua variação tende a acompanhar perfeitamente o mercado. Quando o IBOVESPA valoriza 5%, o ativo valoriza na mesma proporção.

β<1 Ativo defensivo.

Possui oscilações inferiores ao mercado e no mesmo sentido. Quando o IBOVESPA valoriza 5%, o ativo tende a valorizar menos do que 5%.

β>1 Ativo agressivo.

Possui oscilações maiores do que o mercado e no mesmo sentido. Por exemplo, uma ação com β=2,0 tende a valorizar/desvalorizar o dobro do mercado (IBOVESPA).


Suponha-se que seja necessário fazer a escolha entre três ações que farão parte de um portfólio agressivo de médio prazo (até 1 ano). As ações são: VALE5, TNLP4 e ELPL5. Iremos determinar o risco do ativo a partir do índice beta.

Considere-se, para este exemplo, que o mercado encontra-se em alta, com boas perspectivas para o próximo ano.

Analisando a explicação sobre o índice beta fornecida acima, concluímos que devemos escolher ativos com betas superiores a 1, pois pertencem a ativos que possuem oscilações maiores do que a carteira. Tanto positivamente quanto negativamente.

O próximo passo, muito importante, é observar o período de análise do β. Este deve estar alinhado com a estratégia de investimento, isto é, para um investimento de médio prazo, devemos escolher o β de um período similar.

A tabela abaixo contém betas para diferentes períodos, 60 e 12 meses, das ações escolhidas:

Tabela 1: Índice Beta

   VALE5   TNLP4   ELPL4   ELPL5   IBOV

β - 60m 0,43 0,91 n/d 1,38 1 β - 12m 1,27 1,12 0,69 n/d 1

Dados atualizados em 29 de novembro de 2006 Fontes: www.risktech.com e www.economatica.com

Iremos, assim, escolher o beta para o período de 12 meses, pois buscamos maior rentabilidade do que a carteira, no caso o IBOVESPA.

De acordo com a tabela acima, a melhor alternativa para se obter melhor rendimento no médio prazo, aceitando risco, é a ação da Vale do Rio Doce, VALE5, pois seu β é maior. Para comprovar a escolha acima, vamos recorrer ao modelo CAPM, definindo a taxa de retorno anual adequada ao risco. Considerando:

Taxa de juros livre de risco: 13,25% (SELIC) Taxa de retorno do mercado: 26,58% (IBOV médio últ. 2 anos)

VALE5:

Ki= Rf + βi(Rm-Rf) β (12m)= 1,27 Ki= 0,1325 + 1,27(0,2658 - 0,135) Ki= 29,86%

TNLP4:

Ki= Rf + βi(Rm-Rf) β (12m)= 1,12 Ki= 0,1325 + 1,12(0,2658 - 0,135) Ki= 27,90%

ELPL4:

Ki= Rf + βi(Rm-Rf) β (12m)= 0,69 Ki= 0,1325 + 0,69(0,2658 - 0,135) Ki= 22,28%

Verifica-se que a maior taxa de retorno anual adequada ao risco de se investir nas ações avaliadas é 29,86% na VALE5.

Pode parecer bastante simples o uso do índice beta para a escolha do melhor investimento. No entanto, este uso apresenta algumas desvantagens. O índice não incorpora novas informações a respeito da empresa, como novas dívidas assumidas. Ele é apenas um retrato fiel do passado comparado à carteira perfeitamente variada. Muitos investidores desprezam o uso do β pois o índice pressupõe, por exemplo, que se uma ação teve uma queda brusca no seu valor, ela é mais arriscada do que antes da queda. Estes investidores acreditam que, ao contrário, o ativo desvalorizado representa menos riscos. O índice beta não diz nada sobre o preço pago pela ação em relação aos fluxos de caixa futuros.

Fonte de informação de Betas de ações de empresas brasileiras[editar | editar código-fonte]

Visto que o cálculo do beta pode ser moroso, existem fontes que oferecem betas pré-calculados de ações de empresas brasileiras listadas em bolsa de valores.

Ver também[editar | editar código-fonte]