Azeite de colza

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sementes de colza usada na produção do óleo de Canola

Azeite ou óleo de colza - 1) é o azeite vegetal produzido das sementes da colza, uma planta da família Brassicaceae. O azeite de colza é usado na culinária através de plantas selecionadas e cultivadas especialmente para este fim (ver Canola, abaixo), e 2) em seu estado natural, é um óleo usado na produção do biodiesel e outros fins industriais.

Índice

[editar] Canola

Óleo de colza que não é Canola (i.e. "óleo vegetal alimentício") não deve ser ingerido por causa de sua toxicidade e não deve ser confundido por Canola, visto que este último é oriundo de melhoramento genético convencional da colza, a qual reduziu bastante a sua toxicidade (existe também a canola transgênica, a qual foi geneticamente engenheirada com o propósito de ser resistente ao herbicida glifosato). Canola é uma marca registrada canadense (1978), desenvolvida por dois cientistas canadenses, Baldur Stefansson e Richard Downey, durante 1958 e 1974 e a junta administrativa da Canola no Canada (Canola Council of Canada (em inglês)) diz que o nome Canola não é um acrônimo, mas simplesmente significa "óleo canadense", enquanto óleo de colza que não se encontra dentro dos critérios regulamentares da Canola deve continuar sendo chamado de "azeite de colza."[1] O termo Canola, CANadian Oil, Low Acid, que alguns artigos dizem ser um acrônimo em inglês indicando dizer "azeite canadense de baixo teor ácido" é aplicado a variedades cultivadas de colza. Acrônimo, ou simplesmente "óleo do Canada," o ácido em questão é o ácido erúcico da Canola que está em taxas consideradas saudáveis pelo Governo canadense e, nos EUA, pelo US Food and Drug Administration (FDA, o órgão que administra e regulariza alimentos e drogas)---os dois países com maior consumo deste azeite---, com menos de 2% deste ácido.[2] O óleo também é conhecido como LEAR oil---acrônomo para Low Erucic Acid Rapeseed---("Semente de colza de baixo teor de ácido erúcico (em português)).[3]
Em 1956, os aspectos nutritivos do azeite de colza foram questionados. Nos anos da década de 60, novas variedades de colza surgiram e foram cultivadas por produtores canadenses da NCGA (Northern Canola Growers Association), a associação do Norte do Canada de produtores de colza. O Governo canadense recomendou-os a uma conversão para uma produção de colza de baixo teor ácido e assim, em 1973, iniciou-se a produção com menos de 5% de ácido erúcico nos produtos alimentícios.[4]
Os regulamentos foram ajustados, no início dos anos 80, para que a produção canadense da Canola pudesse entrar no mercado Norte americano, e finalmente o Departamento da Saúde estadunidense (FDA) aprovou o Canola em 1985.[5]

[editar] Valor Nutricional

O grão apresenta em média:

O óleo é composto predominantemente por ácido oléico com teor de 58% comparável ao azeite de oliva e 10% de ácido linolênico, comparável ao encontrado no óleo de soja. Seu teor de ácidos graxos é maior do que o dos óleos de amendoim e dendê e menor do que o dos óleos de soja, girassol, milho e algodão.[6]
O óleo de Canola é considerado um dos óleos mais saudáveis que existe no mercado por causa do baixo conteúdo de gordura saturada e alto (quase 60%) conteúdo de gorduras monoinsaturadas.[7] Ele tem um sabor muito leve e é bom para cozinhar ou como tempero para saladas.[8]
O óleo de Canola contém ácidos graxos, ômega 6 e ômega 3---numa proporção de dois por um---, e perde só para o óleo de linhaça em ômega 3. O óleo de Canola é um dos óleos mais saudáveis para o coração e há registro que ele reduz níveis de colesterol, níveis de Triacilglicerol, e mantém as plaquetas saudáveis. Alguns agricultores britânicos, como Hillfarm Oils[1] e Farrington Oils[2] começaram a produzir azeite de colza por prensagem a frio para óleo de cozinhar e de tempero.

[editar] Biodiesel

O azeite de colza (ou, "óleo de colza"), em estado natural, contém níveis mais altos de ácido erúcico e glucosinolatos que são tóxicos e podem causar queimaduras, bolhas no corpo e lesões nos tecidos internos, podendo até ser fatal.[9] Foi o caso, por exemplo, do azeite envenenado, na Espanha, em 1981, em que introduziram no mercado azeite de colza para usos industriais como se fosse de oliva---morreram 650 pessoas e 20.000 ficaram feridas.[10]
Azeite de colza natural é usado na fabricação de biodiesel para veículos motorizados. O óleo de colza pode ser usado na sua forma pura em motores novos sem causar danos e este é o óleo preferido para a produção de biodiesel na Europa desde 2005, parcialmente porque a colza produz mais óleo por unidade de área de solo comparada com outras fontes de óleo como a soja. Devido ao alto custo do cultivo, prensagem e refinação do óleo de colza, este custa mais caro do que o diesel tradicional. Mas, mesmo assim, este vem sendo oferecido ao público em uma rede de postos com incentivo a preços entre 5 e 10% abaixo do diesel tradicional.[11]
Contudo, pesquisas feitas por especialistas e publicadas na revista Chemistry & Industry, em 2007, e por várias outras fontes, revelam que biodiesel gerado da colza emite a mesma quantia de gases (CO2) que diesel convencional e não faz diferença na redução do aquecimento global. A matéria também diz que se a área de terra usada para plantar colza fosse usada para plantar árvores, o diesel do petróleo iria emitir somente o equivalente de um terço do CO2 emitido por biodiesels.[12]

Plantação de colza na Alemanha

[editar] Precauções

Estudos feitos e mencionados no Scottish Medical Journal ("Jornal médico da Escócia," (em português)) indicam que plantações de colza induzem sintomas adversos, alérgicos e respiratórios, em proporção significativa, em indivíduos que moram nas cidades e vilas nos arredores das plantações e que, do contrário, estariam saudáveis[13] Os sintomas podem resultar da associação com o pólen, ou fungos, causando alergia, febre, conjuntivite e asma, em jovens e idosos asmáticos e naqueles com o sistema imune enfraquecido por causa de uma doença ou um medicamento. O autor sugere que mais pesquisas devem continuar seguramente em plantações estabelecidas a mais do que cinco quilômetros de distância das áreas residenciais e ainda adverte que os riscos dependem do nível de aceitação da comunidade que confronta o problema.[14]

[editar] Outros usos

Óleo de colza natural também pode ser aplicado no uso industrial de:

[editar] Ver também

Referências

  1. Mark Israel. Canola (Online) (em Inglês). Página visitada em 8 de Abril de 2008.
  2. Canadian Canola Industry. Official Definition of Canola (Online) (em Inglês). canola-council.org. Página visitada em 8 de Abril de 2008.
  3. Fallon, sally; Mary G. Enig, PhD (2002). The Great Con-ola (Online) (em Inglês). Weston A. Price Foundation. Página visitada em 9 de Abril de 2008.
  4. Canadian Canola Industry. Canola History (Online) (em Inglês). Northern Canola Growers Association. Página visitada em 8 de Abril de 2008.
  5. Canola - a new oilseed from Canada. Journal of the American Oil Chemists' Society, September 1981:723A-9A.(em inglês)
  6. a b Regitano-d'Arce, Marisa A. B. (25 de fevereiro de 2008). GRÃOS E ÓLEOS VEGETAIS: MATÉRIAS PRIMAS (Online) (em Português). esalq.usp.br. Página visitada em 9 de Abril de 2008.
  7. Canola Council of Canada. Canola Oil: The truth! (Online) (em Inglês). canola-council.org. Página visitada em 9 de Abril de 2008.
  8. Jegtvig, Shereen (23 de outubro de 2007). Your Guide to Nutrition - Canola Oil (Online) (em Inglês). nutrition.about.com. Página visitada em 9 de Abril de 2008.
  9. Armitage (2007). Parliament Publications & Records 1990 (Online) (em Inglês). oilseedrape.org.uk. Página visitada em 9 de Abril de 2008.
  10. Gomes, J. C. C.; M. F. S. Borba (2000). "A moderna crise dos alimentos: oportunidade para a Agricultura Familiar?" (Online) (em Português). Agroecologia - Revista da EMATER/RS. Página visitada em 9 de Abril de 2008.
  11. Almeida Neto, José Adolfo de; Jeferson C. do Nascimento; Luiz A. G. Sampaio; Jorge Chiapetti; Reinaldo S. Gramacho; Cilene N. Souza e Valéria A. Rocha. (2002). "projeto Bio-Combustível: processamento de óleos e gorduras vegetais in natura e residuais em combustíveis tipo diesel" (Online) (em Português). uesc.br. Página visitada em 9 de Abril de 2008.
  12. sciencedaily.com; sci.mond.org (23 de abril de 2007). Biodiesel Won't Drive Down Global Warming (Online) (em Inglês). sciencedaily.com. Página visitada em 8 de Abril de 2008.
  13. Parratt D, Macfarlane Smith WH, Thomson G, Cameron LA, Butcher RD. Scottish Medical Journal. 1995; 40: 074-76.(em inglês)
  14. Armitage; sci.mond.org (2007). Oilseed rape and the precautionary principle (Online) (em Inglês). oilseedrape.org.uk. Página visitada em 8 de Abril de 2008.
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