Ósio de Córdoba

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Ósio de Córdoba (ca. 257 - 359), também conhecido como Hósio ou Óssio, foi um bispo de Córdoba e uma dos mais proeminentes defensores do que se tornou o Catolicismo durante a controvérsia ariana, que dividiu a igreja antiga durante o século IV. Após Lactâncio, ele era o mais próximo conselheiro de Constantino e o guiou muitos de seus discursos públicos, como a "Oração aos Santos", endereçada aos bispos reunidos.[1]

Vida e obras[editar | editar código-fonte]

Ele nasceu provavelmente na Córduba romana, na província da Hispânia, embora uma passagem em Zósimo já foi conjecturada como sendo uma crença do autor de que Ósio seria um egípcio[1] .

Eleito para a de Córdoba antes do final do século III, ele escapou por pouco do martírio durante a perseguição de Maximiano (303 - 305). Em 305 ou 306, ele compareceu ao Sínodo de Elvira (Ilíberis) - seu nome aparecendo em segundo na lista dos presentes - e defendeu seus estritos cânones sobre pontos disciplinares como o tratamento dos que renegaram a sua fé durante as perseguições recentes (traditores) - o que deu margem para o surgimento do Donatismo - e questões sobre o casamento clerical[1] .

Em 313, ele reaparece na corte de Constantino, mencionado explicitamente pelo nome numa comunicação direcionada à Ceciliano de Cartago naquele mesmo ano. Em 323, ele foi o portador e provável autor da carta de Constantino ao bispo Alexandre de Alexandria e Ário, seu diácono, ordenando que eles parassem de perturbar a fé da igreja. Além disso, com o fracasso das negociações no Egito, foi sem dúvida com a ajuda ativa de Ósio que o Primeiro Concílio de Niceia foi convocado em 325. Ele certamente tomou parte nos procedimentos deste concílio, embora a afirmação de que ele o tenha presidido seja duvidosa, assim como a de que ele teria sido o principal autor do Credo de Niceia. Ainda assim, ele influenciou fortemente o eventual julgamento do imperador contra o partido de Ário (heteroousianos)[1] .

Após um período de vida tranquila em sua própria diocese, Ósio presidiu em 343 o infrutífero Sínodo de Sárdica, que se mostrou tão hostil com o arianismo. Dali em diante, ele falou e escreveu em favor de Atanásio de Alexandria - principal defensor dos homoousianos[1] .

Após a morte de Constantino, o prestígio dado à causa ortodoxa (homoousianos) na controvérsia ariana por conta do apoio do venerável Ósio levou os arianos a pressionar o imperador Constâncio II, que o convocou até Mediolano, onde ele se recusou a condenar Atanásio e a estender a comunhão aos arianos. Ele impressionou tanto o imperador que foi autorizado a voltar pra casa apesar da desobediência. Mais pressão ariana levou Constâncio a escrever-lhe uma carta perguntando se ele seria o único a permanecer em sua obstinação. Em resposta, Ósio enviou-lhe uma corajosa carta de protesto contra a interferência do imperador nos assuntos da Igreja (353), preservada por Atanásio,[2] que levou ao exílio de Ósio na cidade de Sirmio em 355. Do exílio, ele escreveu novamente para Constâncio II a sua única composição sobrevivente, uma carta, considerada muito justamente por Tillemont como demonstrando gravidade, dignidade, gentileza, sabedoria, generosidade e, de fato, todas as qualidades de uma grande alma e um grande bispo[1] .

Desta época (353) também há uma carta do Papa Libério para ele[1] .

Lapso no fim da vida[editar | editar código-fonte]

Submetido à contínua pressão dos arianos, o já envelhecido Ósio, que já beirava os cem anos, fraquejou ao assinar a fórmula adotada pelo terceiro Concílio de Sirmio em 357,[3] que incluía a comunhão com os arianos e excluía as condenações à Atanásio. Assim ele obteve autorização para retornar para sua diocese na Hispânia, onde morreu em 359[1] .

Referências

  1. a b c d e f g h Wikisource-logo.svg "Hosius of Cordova" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.
  2. Atanásio de Alexandria. Historia Arianorum: Hosius to Constantius the Emperor sends health in the Lord. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo 44. vol. VI.
  3. Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo 3. vol. IV.