120 Dias de Sodoma

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Translation Latin Alphabet.svg
Este artigo ou secção está a ser traduzido de en:The 120 Days of Sodom (desde agosto de 2010). Ajude e colabore com a tradução.
Rolo do manuscrito I de "Os 120 dias de Sodoma", na Biblioteca Bodmeriana

Os 120 dias de Sodoma, ou Escola de Libertinismo (Les 120 journées de Sodome or l'école du libertinage) - alternativamente A Escola de Licenciosidade - é uma novela escrita pelo nobre francês Donatien Alphonse François, Marquês de Sade, escrita em 1785[1] .

Conteúdo[editar | editar código-fonte]

Ele conta a história de quatro ricos homens libertinos que resolvem experimentar a definitiva gratificação sexual em orgias. Para isso, eles se trancaram por quatro meses num castelo inacessível com um harém de quarenta e seis vítimas, a maioria adolescentes de ambos os sexos, e recrutaram quatro cafetinas para contar a história de suas vidas e suas aventuras. A narrativa das mulheres se torna inspiração para abusos sexuais e tortura das vítimas, que escala gradualmente em intensidade e termina em assassinato.

História[editar | editar código-fonte]

Sade escreveu "120 dias de Sodoma" no espaço de trinta e sete dias em 1785, enquanto estava preso na Bastilha. Tendo pouco material e temendo que o livro fosse confiscado, ele o escreveu numa letra minúscula e um rolo contínuo de papel com doze metros de comprimento. Quando a Bastilha foi atacada e saqueada em 14 de Julho de 1789 durante o início da Revolução Francesa, Sade pensou que o trabalho estaria perdido para sempre e chegou a escrever que "chorou lágrimas de sangue" por sua perda.

Porém, o longo rolo de papel onde o texto estava foi posteriormente encontrado escondido em sua cela, tendo escapado da atenção dos saqueadores.

Após ser encontrado durante a destruição da Bastilha, foi vendido ao marquês de Villeneuve-Trans, cuja família o conservou durante três gerações.

No final do século XIX foi vendido a um psiquiatra de Berlim, Iwan Bloch, que publicou em 1904 uma versão repleta de erros. (que usou um pseudônimo, "Dr. Eugen Dühren" para evitar a controvérsia).

Em 1929, Charles e Marie-Laure de Noailles, ela descendente do marquês de Sade pelo lado materno, adquirem o manuscrito e publicam-no numa edição limitada aos "bibliófilos subscritores" para evitar a censura.

Somente na segunda metade do século XX é que o texto se tornou disponível em edições em inglês e francês.

Em 1982, Nathalie de Noailles (filha de Charles e Marie-Laure de Noailles) confiouo precioso rolo ao seu amigo editor Jean Grouet. Alguns meses depois, quando o editor deveria devolver-lho, o estojo de couro foi encontrado vazio - o manuscrito tinha sido roubado.

Grouet vendeu o rolo por 300 mil francos (cerca de 50 mil euros) ao colecionador suíço de obras eróticas Gérard Nordmann, assim se tendo iniciado uma feroz batalha judicial, entre a família Noailles, à qual o manuscrito foi roubado, e a família Nordmann, que adquiriu o documento "de boa-fé".

O manuscrito original ficou preservado na Biblioteca Bodmeriana, em Coligny, nos arredores de Genebra, na Suíça.

Em 2014 o manuscrito voltou para França em perfeito estado de conservação, e a partir de setembro estará em exposição no Museu de Cartas e Manuscritos, em Paris, uma instituição privada criada por Gérard Lhéritier. O empresário pagou sete milhões de euros pelo manuscrito.[2]

Veja também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Seaver & Wainhouse, Richard & Austryn. "120 Days of Sodom" and other Writings by Marquis de Sade. Eds. e Trad. Austryn Wainhouse e Richard Seaver (em inglês). New York: Grove Press, 1966. .
  2. Original Marquis de Sade scroll returns to Paris.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre 120 Dias de Sodoma

Ligações externas[editar | editar código-fonte]