47 Ursae Majoris

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47 Ursae Majoris
Dados observacionais (J2000)
Constelação Ursa Major
Asc. reta 10h 59m 28,0s[1]
Declinação +40° 25′ 48,9″[1]
Magnitude aparente +5,04[2]
Características
Tipo espectral G1V[2]
Cor (U-B) 0,13
Cor (B-V) 0,61
Astrometria
Velocidade radial +12,6 km/s
Mov. próprio (AR) –317,01 ± 0,22 mas/a[1]
Mov. próprio (DEC) 54,64 ± 0,20 mas/a[1]
Paralaxe 71,11 ± 0,25 mas[1]
Magnitude absoluta 4,29
Detalhes
Massa 1,08[3] M
Raio 1,172 ± 0,111 [4] R
Gravidade superficial 4,377 (log g)[3]
Luminosidade 1.54 L
Temperatura 5 882[3] K
Metalicidade 110% Sol[3]
Rotação ~2,8 km/s[3] (~24 dias)[5]
Idade 6,03 × 109[6] anos
Outras denominações
Gl 407, HR 4277, BD +41°2147, HD 95128, LTT 12934, GCTP 2556.00, SAO 43557, FK5 1282, GC 15087, HIP 53721.[2]
47 Ursae Majoris
Ursa Major constellation map.png

47 Ursae Majoris (também abreviado como 47 UMa) é uma estrela anã amarela similar ao Sol situada na constelação de Ursa Major. Localiza-se a sudeste de ω Ursae Majoris, sudoeste de ψ Ursae Majoris e nordeste de 46 Ursae Majoris.[7] Em 2002 dois planetas extrassolares orbitando em torno dela foram descobertos. A 6 de março de 2010 foi confirmada a existência do terceiro planeta 47 Ursae Majoris d. 47 Ursae Majoris encontra-se entre as cem estrelas parte da missão missão Terrestrial Planet Finder da NASA.[8]

Distância e visibilidade[editar | editar código-fonte]

47 Ursae Majoris encontra-se relativamente próxima ao Sistema Solar: de acordo com medidas astrométricas realizadas pelo satélite Hipparcos, a estrela exibe uma paralaxe de 71,04 milissegundos de arco, o que corresponde a uma distância de 45,9 anos-luz ou 14,1 parsecs.[1] Com uma magnitude aparente de +5,04,[2] é visível a olho nu em boas condições.[9]

Características[editar | editar código-fonte]

Com uma massa similar à massa solar, 47 Ursae Majoris é ligeiramente mais rica em metais que o Sol, contando com cerca de 110% da abundância solar em ferro. De tipo espectral G1V,[2] a sua temperatura efetiva é pouco maior que a do Sol, em torno de 5 882 K.[3] 47 Ursae Majoris tem uma magnitude absoluta de +4,29, o que supõe uma luminosidade visual cerca de 60% maior do que a luminosidade solar. O seu período de rotação, de cerca de 24 dias, é também similar ao do Sol.[5]

Como o Sol, 47 Ursae Majoris encontra-se na sequência principal, convertendo hidrogênio em hélio no seu núcleo mediante fusão nuclear. De acordo à sua atividade cromosférica, a estrela pode ter uma idade de cerca de 6 bilhões de anos, embora modelos de evolução estelar sugerem uma idade superior, de cerca de 8,7 bilhões de anos.[6]

Sistema planetário[editar | editar código-fonte]

47 Ursae Majoris b[editar | editar código-fonte]

Em 1996, Geoffrey Marcy e R. Paul Butler anunciaram a descoberta de um planeta extrassolar orbitando 47 Ursae Majoris. A descoberta foi feita observando a mudança na velocidade radial da estrela, quando se percebeu a gravidade de um planeta ao seu redor. As medidas foram realizadas observando o efeito Doppler no espectro da estrela.[10] O planeta, chamado 47 Ursae Majoris b, foi o primeiro planeta extrassolar de longo período descoberto. Ao contrário da maioria de planetas extrassolares de longo período conhecidos, 47 Ursae Majoris b tem uma órbita muito pouca excêntrica. O planeta tem pelo menos 2,53 vezes a massa de Júpiter e leva 1 078 dias para completar uma volta ao redor de sua estrela. Se estivesse no Sistema Solar, situar-se-ia entre as órbitas de Marte e Júpiter.[11]

Em 2001, medidas astrométricas preliminares realizadas pelo satélite Hipparcos sugerem que a órbita de 47 Ursae Majoris b possui uma inclinação de 63,1º, o que indica uma massa de 2,9 vezes a de Júpiter.[12] Contudo, análises posteriores demonstraram que as observações do satélite Hipparcos não são precisas o bastante para determinar as órbitas de planetas, e portanto, a inclinação e a massa real continuam desconhecidas.[13]

Órbitas dos planetas do sistema de 47 Ursae Majoris.

47 Ursae Majoris c[editar | editar código-fonte]

A descoberta de um segundo planeta, denominado 47 Ursae Majoris c, foi anunciada por Debra Fischer, Geoffrey Marcy e R. Paul Butler em 2002. A descoberta foi realizada usando o mesmo método de velocidade radial usado para detectar o primeiro planeta. De acordo com a equipa de descobridores, o planeta leva 2 594 dias para completar a sua órbita. A configuração das órbitas no sistema é similar à configuração de Júpiter e Saturno no Sistema Solar, com uma razão orbital próxima a 5:2 e uma proporção de massa aproximadamente igual.[14]

Pesquisas posteriores não conseguiram confirmar a existência do segundo planeta, e sugeriu-se que o conjunto de dados usado na sua descoberta não foi suficiente.[15] Análises de conjuntos de dados maiores, abrangendo um período de 6 900 dias, sugere que apesar de ser provável a existência de um segundo planeta, é altamente improvável a existência de um planeta com um período similar a 2500 dias. O modelo que melhor se ajusta aos dados indica que é possível que o planeta tenha um período de 7 586 dias a uma distância de 7,73 UA da estrela. Contudo, os parâmetros orbitais do segundo planeta continuam altamente incertos.[16] Gregory et al. (2010) apresenta um período de 2391+100−70 dias,[11] valor que também é adotado pela Extrasolar Planets Encyclopaedia.[17]

47 Ursae Majoris d[editar | editar código-fonte]

Em 2010, a descoberta de um terceiro planeta, designado 47 Ursae Majoris d, foi feita com o uso do Periodograma Kepler Bayesiano. O uso deste modelo neste sistema planetário permitiu descobrir que é 100 000 vezes mais provável que existam três planetas do que dois planetas. Esta descoberta foi anunciada por Debra Fischer e PC Gregory. Este planeta tem uma massa de 1,64 MJ, um período orbital de 14 002 dias ou 38,33 anos e um semieixo maior de 11,6 UA com uma moderada excentricidade de 0,16.[11]

Possíveis planetas[editar | editar código-fonte]

Simulações sugerem que a parte interna da zona habitável do sistema de 47 Ursae Majoris poderia conter um planeta terrestre com uma órbita estável, embora outras regiões de tal zona sofreriam transtornos pela influência gravitacional de 47 Ursae Majoris b.[18] Contudo, a presença de um planeta gigante a 2,5 UA da estrela poderia ter interferido na formação de um planeta na zona interna, e reduzido a quantidade de água presente nestes planetas internos durante a acreção.[19] Isto provavelmente significa que qualquer planeta terrestre orbitando na zona habitável de 47 Ursae Majoris seja pequeno e seco.

O sistema 47 Ursae Majoris [11]
Planeta Massa Semieixo maior
(UA)
Período orbital
(dias)
Excentricidade
b >2,53 +0,07−0,06 MJ 2,10 ± 0,02 1078 ± 2 0,032 ± 0,014
c >0,540 +0,066−0,073 MJ 3,6 ± 0,1 2391 +100−70 0,098 +0,047−0,096
d >1,64 +0,29−0,48 MJ 11,6 +2,1−2,9 14002 +4018−5095 0,16 +0,09−0,16

Mensagens enviadas a 47 Ursae Majoris[editar | editar código-fonte]

Em 2008, duas mensagens METI foram enviadas para 47 Ursae Majoris. Ambas foram transmitidas do maior radar da Eurásia, o Radar Planetário de 70 metros de Eupatória, na Ucrânia. A primeira mensagem, a Teen Age Message, foi enviada em 3 de setembro de 2001 e chegará a 47 Ursae Majoris em julho de 2047. A segunda mensagem, Cosmic Call 2, foi enviada em 6 de julho de 2003 e chegará a 47 Ursae Majoris em maio de 2049.[20]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f F. van Leeuwen (2007). HIP 53721. Hipparcos, the New Reduction. Página visitada em 8 de dezembro de 2009.
  2. a b c d e SIMBAD query result - 47 UMa. SIMBAD. Página visitada em 2 de abril de 2012.
  3. a b c d e f Butler, R. P. et al. (2006). "Catalog of Nearby Exoplanets". The Astrophysical Journal 646: 505–522. DOI:10.1086/504823. Bibcode2006ApJ...646..523R.
  4. G. T. van Belle, K. von Braun. (2009). "Directly Determined Linear Radii and Effective Temperatures of Exoplanet Host Stars". Astrophysical Journal 694 (2): 1085–1098. DOI:10.1088/0004-637X/694/2/1085. Bibcode2009ApJ...694.1085V.
  5. a b Jim Kaler. 47 Ursae Majoris. Stars. Página visitada em 2 de abril de 2012.
  6. a b C. Saffe; Gómez, M. et al. (2005). "On the Ages of Exoplanet Host Stars". Astronomy and Astrophysics 443 (2): 609–626. DOI:10.1051/0004-6361:20053452. Bibcode2005A&A...443..609S.
  7. 47 Ursae Majoris. Solstation. Página visitada em 2 de abril de 2012.
  8. 72 HIP 53721. TPF-C Top 100. Arquivado do original em 19 de agosto de 2006. Página visitada em 22 de julho de 2006.
  9. The astronomical magnitude scale. International Comet Quarterly. Página visitada em 2 de abril de 2012.
  10. R. P. Butler; Marcy, Geoffrey W.. (1996). "A Planet Orbiting 47 Ursae Majoris". Astrophysical Journal Letters 464 (2): L153–L156. DOI:10.1086/310102. Bibcode1996ApJ...464L.153B.
  11. a b c d P. C. Gregory, D. A. Fischer. (2010). "A Bayesian periodogram finds evidence for three planets in 47 Ursae Majoris". Monthly Notices of the Royal Astronomical Society 403 (2): 731–747. DOI:10.1111/j.1365-2966.2009.16233.x. Bibcode2010MNRAS.403..731G.
  12. I. Han, D. C. Black, G. Gatewood. (2001). "Preliminary Astrometric Masses for Proposed Extrasolar Planetary Companions". Astrophysical Journal Letters 548 (1): L57–L60. DOI:10.1086/318927. Bibcode2001ApJ...548L..57H.
  13. D. Pourbaix, F. Arenou. (2001). "Screening the Hipparcos-based astrometric orbits of sub-stellar objects". Astronomy and Astrophysics 372 (3): 935–944. DOI:10.1051/0004-6361:20010597. Bibcode2001A&A...372..935P.
  14. D. A. Fischer; Marcy, Geoffrey W. et al. (2002). "A Second Planet Orbiting 47 Ursae Majoris". Astrophysical Journal 564 (2): 1028–1034. DOI:10.1086/324336. Bibcode2002ApJ...564.1028F.
  15. D. Naef; Mayor, M. et al. (2004). "The ELODIE survey for northern extra-solar planets. III. Three planetary candidates detected with ELODIE". Astronomy and Astrophysics 414: 351–359. DOI:10.1051/0004-6361:20034091. Bibcode2004A&A...414..351N.
  16. R. A. Wittenmyer, M. Endl, W. D.Cochran. (2007). "Long-Period Objects in the Extrasolar Planetary Systems 47 Ursae Majoris and 14 Herculis". Astrophysical Journal 654 (1): 625–632. DOI:10.1086/509110. Bibcode2007ApJ...654..625W.
  17. Jean Schneider (2011). Notes for Planet 47 Uma c. Extrasolar Planets Encyclopaedia. Página visitada em 31/03/2012.
  18. B. Jones; Underwood, David R. et al. (2005). "Prospects for Habitable "Earths" in Known Exoplanetary Systems". Astrophysical Journal 622 (2): 1091–1101. DOI:10.1086/428108. Bibcode2005ApJ...622.1091J.
  19. S. Raymond. (2006). "The Search for other Earths: limits on the giant planet orbits that allow habitable terrestrial planets to form". Astrophysical Journal Letters 643 (2): L131–134. DOI:10.1086/505596. Bibcode2006ApJ...643L.131R.
  20. А. Л. Зайцев (7 de junho de 2004). Передача и поиски разумных сигналов во Вселенной (em russo). Пленарный доклад на Всероссийской астрономической конференции ВАК-2004 "Горизонты Вселенной", Москва, МГУ.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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