Academia Militar das Agulhas Negras

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Academia Militar das Agulhas Negras
Aman entrada.JPG
Portão Monumental
País Brasil
Corporação Exército Brasileiro
Subordinação Diretoria de Formação e Aperfeiçoamento
Missão Ensino militar
Sigla AMAN
Criação 1811
Insígnias
Brasão
da AMAN
AMAM.JPG
Comando
Comandante General-de-brigada Júlio César de Arruda
Contato
Sede Resende
Bairro Centro
Endereço Rodovia Presidente Dutra, Km 306
Internet Página oficial

A Academia Militar das Agulhas Negras é uma Unidade do Exército Brasileiro localizada em Resende, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

É a única escola formadora de oficiais das Armas de Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia e Comunicações, do Quadro de Material Bélico e do Serviço de Intendência do Exército Brasileiro. Os oficiais das Armas e de Material Bélico são chamados de combatentes e são os únicos que podem chegar ao posto de general-de-exército, o mais alto da carreira militar em tempos de paz. Em estado de guerra, o posto mais alto é de marechal.

Para ingressar na academia, é necessário fazer, antes, o curso da Escola Preparatória de Cadetes do Exército. Os alunos oriundos da EsPCEx possuem entre 17 e 22 anos de idade.

Índice

[editar] História

[editar] Antecedentes

No final do século XVIII, a rainha D. Maria I de Portugal instituiu, em Lisboa, a Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho (1790), autorizando a implantação, dois anos mais tarde, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Estado do Brasil, de uma instituição nos mesmos moldes, a "Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho".

Diante da transferência da corte portuguesa para o Brasil (1808-1821), a instituição foi sucedida pela Academia Real Militar do Rio de Janeiro, criada pelo Príncipe-regente em 1810. Seu primeiro comandante foi o Tenente-General Carlos Napion, atual patrono do Quadro de Material Bélico do Exército Brasileiro.

Após a proclamação da independência do Brasil (1822), a Academia passou a ser denominada de "Imperial Academia Militar". Em 1832, o seu nome mudou uma vez mais, para "Academia Militar da Corte". Em 1840, passou a denominar-se Escola Militar, e a partir de 1858, "Escola Central", sendo transferida para as dependências do Forte da Praia Vermelha.

Os engenheiros formados na Escola Central eram civis e militares, pelo fato de ser a única escola de Engenharia no país. Em 1874, a Escola Central transitou para a Secretaria do Império passando a formar exclusivamente engenheiros civis, enquanto que a formação dos oficiais de Engenharia e de Artilharia continuou a ser realizada na Escola Militar da Praia Vermelha até 1904, quando foi transferida para o Realengo. Os oficiais de Infantaria e de Cavalaria passaram a partir de então a ser formados na Escola de Guerra, em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul.

Em 1913, objetivando unificar todas as escolas de Guerra e de Aplicação, foi criada a Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, que formou os oficiais do Exército Brasileiro por quase quarenta anos. Atualmente, as dependências de Realengo abrigam o Grupamento de Unidades-Escola/9ª Brigada de Infantaria Motorizada.

Diante da necessidade de aperfeiçoar a formação de oficiais para um exército que crescia e se operacionalizava, foi criada em Resende, em 1 de janeiro de 1944, a "Escola Militar de Rezende". Em 1951, a instituição passou a denominar-se Academia Militar das Agulhas Negras, tendo, como idealizador, o marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque.

[editar] A Academia Militar das Agulhas Negras hoje

A Academia Militar das Agulhas Negras, atualmente, ocupa uma área total de 67 km². Possui vários conjuntos construídos, destacando-se o Conjunto Principal (CP1/CP2) - que abriga dois pátios de formaturas, o Pátio Tenente Moura (PTM) e o Pátio Marechal Mascarenhas de Moraes (P3M), além do Estado-Maior, refeitórios e do Teatro Acadêmico (TA), a Seção de Educação Física, a Seção de Equitação, o Polígono de Tiro e os Parques de Instrução. O Conjunto Principal sofreu uma ampliação em 1988, dentro do projeto FT/90, de autoria do Ministro do Exército de então, General Leônidas Pires Gonçalves, que dobrou as suas dimensões, principalmente em relação a refeitórios e alojamentos de cadetes. O atual comandante é o General Júlio César de Arruda, desde abril de 2011.

A academia utiliza o sistema de internato, onde o aluno só sai nos finais de semana e férias.

O Portão Monumental constitui-se num cartão postal da Academia, contra a Serra da Mantiqueira, onde está localizado o Pico das Agulhas Negras, com uma altitude de 2 792 metros acima do nível do mar.

A Academia Militar das Agulhas Negras possui, em apoio às suas atividades, um Batalhão de Comando e Serviços (BCSv), organizado da seguinte forma:

  • Companhia de Comando
  • Companhia de Serviços
  • Companhia de Polícia do Exército
  • Companhia de Guardas
  • Companhia de Fuzileiros e
  • duas Companhias Auxiliares do Corpo de Cadetes.

Em efetivo é o maior Batalhão do Exército Brasileiro.

[editar] Estrutura

Cadetes da academia durante cerimônia de entrega do espadim aos novos formandos.

O Corpo de Cadetes é constituído por um comandante, um subcomandante, um Estado-Maior e pelos Cursos e Seções, compostos por oficiais e cadetes com as diversas missões e características peculiares a cada um.

Aos cursos, cabe formar os futuros oficiais nas diversas Armas, Serviço de Intendência e Quadro de Material Bélico:

As 5 seções do Corpo de Cadetes complementam a formação militar do cadete, atuando no desenvolvimento de atributos das áreas cognitiva, psicomotora e afetiva:

  • Seção de Educação Física (SEF), responsável por planejar, conduzir e orientar o Treinamento Físico Militar,
  • Seção de Equitação, responsável pelas instruções de Equitação,
  • Seção de Instrução Especial (SIEsp), destinada à condução dos estágios de instrução especial,
  • Seção de Tiro, responsável pelas instruções de tiro de fuzil e de pistola, e
  • Seção de Doutrina e Liderança (SDL), cuja missão é aperfeiçoar a capacidade de liderança dos cadetes.

[editar] O Ensino

Na academia, são desenvolvidas as atividades pertinentes ao Ensino Profissional do militar oficial de carreira, de acordo com os seguintes períodos:

[editar] 1º ano

Durante seu 1º ano na Academia, o cadete frequenta o Curso Básico (C Bas). O ensino é voltado para a tática individual e a formação do combatente básico, estimulando a dedicação, a persistência e a liderança – atributos considerados indispensáveis para a eficiência do militar, em especial do oficial do Exército.

O currículo dos cadetes do Curso Básico abrange as seguintes disciplinas:

Durante a solenidade de entrega de espadins, que ocorre no primeiro ano, o cadete do Curso Básico, trajando um uniforme histórico, de cor azul-ferrete, e recebe uma réplica em miniatura da espada de Duque de Caxias, que representa "o próprio símbolo da Honra Militar".

[editar] 2º ano

O segundo ano é denominado Curso Avançado (C Avcd), voltando-se para a formação do comandante de pequenas frações, da patrulha (guerrilha e contraguerrilha) e dando continuidade ao ensino das Ciências Militares.

As disciplinas ministradas são:

Ao voltar das férias entre o 2º e 3º Anos, o cadete faz a escolha da Arma, Quadro ou Serviço de sua preferência, sendo classificado de acordo com seu desempenho acadêmico.

[editar] 3º ano

No 3º ano, o cadete é integrado à sua Arma, Quadro ou Serviço, a saber:

As disciplinas ministradas durante este ano são:

[editar] 4º ano

O 4º e último ano apresenta atividades predominantemente militares a fim de concluir a formação do oficial combatente. No currículo é prevista a realização de exercícios conjuntos, que integram as Armas e que são chamados de módulos temáticos, cuja principal finalidade é de permitir ao cadete do quarto ano o exercício das funções de comando nas operações clássicas de ataque e defesa.

Como complementação pedagógica é realizado o Estágio de Preparação Específica (EPE) nos corpos de tropa que permitem um estágio em que o cadete tem a oportunidade de participar do cotidiano de uma Unidade de sua Arma.

No currículo do 4º ano constam disciplinas como:

São realizados, também, intercâmbios com academias militares de nações amigas, a fim de promover o enriquecimento da cultura geral e militar do futuro oficial.

Ao final do 4º ano, o espadim recebido no primeiro é devolvido em solenidade na qual o cadete é declarado aspirante-a-oficial e recebe a espada de oficial do Exército, símbolo do compromisso com a Instituição e com a Pátria.

[editar] O treinamento militar

Na Formação Básica, os objetivos são: ajustar a personalidade do cadete aos princípios que regem a vida militar; assegurar os conhecimentos que o habilitem ao prosseguimento de sua formação de oficial; formar o caráter militar, preparar o combatente básico, obtendo reflexos na execução de técnicas e táticas individuais de combate, obter capacitação física, e desenvolver habilidades técnicas.

A Qualificação tem por objetivo principal a capacitação ao exercício do comando das pequenas frações elementares, nas funções inerentes aos graduados. Consolida-se o aperfeiçoamento das técnicas individuais do combatente, o elevado padrão de ordem unida e o contínuo desenvolvimento da capacidade física. A Qualificação e a Intensificação da Instrução Militar têm por objetivo principal, a habilitação ao exercício de cargos e funções inerentes ao Oficial Subalterno e ao Capitão.

São atividades inerentes ao Corpo de Cadetes: Exercícios no campo, peculiares a cada Curso; Estágios de Instrução Especial; Exercícios Combinados de Armas, Serviço e Quadro; Manobra Escolar (ou Manobrão); Olimpíada Acadêmica; Competições Desportivas com a Escola Naval e a Academia da Força Aérea (NAVAMAER) e o Festival Sul-Americano de Cadetes.

O Corpo de Cadetes tem-se empenhado na busca da dinamização de suas atividades de ensino e na instrução militar, visando a dar ao futuro oficial as condições para enfrentar as exigências do futuro. Como exemplo dessas atividades destacamos: Estágio de Preparação do Instrutor de Treinamento Físico Militar; Estágio de Preparação do Instrutor de Tiro; Projeto Liderança; Projeto Lutas; Projeto Comunicação; Experimentação, pesquisa e trabalho em grupo.

O Treinamento Físico Militar é planejado e conduzido com o objetivo de promover o condicionamento necessário ao desempenho nos exercícios de campanha. A Olimpíada Acadêmica é outra atividade, realizada todos os anos, na qual existe uma confraternização entre os Cursos, motivados pela sadia competição.

As instruções de tiro são ministradas em modernas e funcionais instalações da Seção de Tiro e objetivam o adestramento do futuro oficial permitindo-o desenvolver a habilidade nessa que é uma das mais importantes atividades militares.

A Seção de Instrução Especial (SIEsp) ministra diversos estágios especiais que possibilitam ao cadete enfrentar novas situações com o emprego de técnicas especiais simulando operações reais e contínuas, com pressão psicológica controlada e máxima imitação do combate. No primeiro ano, ocorre o treinamento simulando situações em terreno montanhoso (SIEsp de Montanha), que compreende a escalada do Pico das Agulhas Negras e que, se concluído com aproveitamento, permite que o cadete utilize, para o resto da carreira, o brevê de curso básico de montanha. No segundo ano - Curso Avançado - ocorre a SIEsp de Selva, realizada na área da Academia Militar e que procura imitar situações de áreas de selva. Cada uma das SIEsp premia os mais destacados com distintivo próprio, que traz a figura do Saci-Pererê e que distingue seus agraciados como "o Saci de Montanha" ou o "Saci de Selva".

A prática equestre, conduzida pela Seção de Equitação, tem por principal objetivo estimular a iniciativa, a decisão e a coragem, atributos indispensáveis ao combatente.

Ao término de cada ano letivo, é realizada a Manobra Escolar, apelidada de "Manobrão", exercício no qual as Armas cumprem missões integradas. Essa atividade permite ao cadete oportunidade de desempenhar funções de comando em campanha.

A Academia Militar das Agulhas Negras pode ser considerada como uma grande academia militar, tendo por si só formado diversos militares importantes, como o atual comandante do Exército Brasileiro, general-de-exército Enzo Martins Peri.

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

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