A República
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Nota: Se procura o jornal brasileiro publicado no Rio de Janeiro durante o Segundo Império, veja A República (Rio de Janeiro).
A República (em grego: Πολιτεία, transl. Politeía) é um diálogo socrático escrito por Platão, filósofo grego, no século IV a.C.. Todo o diálogo é narrado, em primeira pessoa, por Sócrates. O tema central da obra é a justiça.
No decorrer da obra é imaginada uma república fictícia (a cidade de Calípole, Kallipolis, que significa "cidade bela") onde são questionados os assuntos da organização social (teoria política, filosofia política).
O diálogo tem uma extensão considerável, articulada pelos tópicos do debate e por elementos dramáticos. Exteriormente, está divido em dez livros, subdividida em capítulos e com a numeração de páginas do humanista Stéphanus da tradição manuscrita e impressa.
[editar] Organização da obra
A organização do diálogo em 12 seções, assinaladas no texto Grego, deve-se a estudiosos da escola alemã, sobretudo Kurt Hildebrandt e também a Francis Cornford e Eric Voegelin, e pode ser assim sumariada:
| Prólogo | ||
|---|---|---|
| I.1 | 327a-328b | Descida ao Pireu. |
| I.2-I.5 | 328b-331d | Céfalo. Justiça segundo os mais velhos. |
| I.6-I.9 | 331e-336a | Polemarco. Justiça segundo a meia idade. |
| I.10-I.24 | 336b-354c | Trasímaco. Justiça segundo os Sofistas. |
| Introdução | ||
| II.1 - II.10 | 357a-369b | Questão: a justiça é preferível à corrupção? |
| Parte I | O Paradigma da Cidade-Estado | |
| 1.II.11-II.16 | 369b-376e. | Origem da cidade |
| 2.II.7-III.18 | 376e-412b. | Educação dos responsáveis |
| 3.III.19-IV.5 | 412b-427c. | Constituição da Cidade-Estado |
| 4.IV.6-IV.19 | 427c-445e. | Justiça na cidade |
| Parte II | A encarnação do Paradigma | |
| 5.V.1-V.16 | 449a-471c | Unidade somática da cidade e dos Gregos |
| 6.V.17-VI.14 | 471c-502c | Governo dos filósofos |
| 7.VI.15-VII.5 | 502c-521c | A ideia do Bem |
| 8.VII.6-VII.18 | 521c-541b | Educação dos filósofos |
| Parte III | O Declínio da Cidade -Estado | |
| 9. VIII.1 -VIII.5 | 543a-550c | Timocracia |
| 10. VIII.6 -VIII.9 | 550c-555b | Oligarquia |
| 11. VIII.10-VIII.13 | 555b-562a | Demagogia |
| 12. VIII.14-IX.3 | 562a-576b | Tirania |
| Conclusão | ||
| IX.4-IX.13 | 576b-592b. | Resposta. Justiça melhor que corrupção |
| Epílogo | ||
| X.1-X.8 | 595a-608b. | Rejeição da arte mimética |
| X.9-X.11 | 608b-612a | Imortalidade da alma |
| X.12 | 612a-613e | Recompensa dos Justos em vida |
| X.13-X.16 | 613e-631d | Julgamento dos mortos |
A ordem da cidade é uma incorporação na realidade histórica da ideia do bem, o agathon. A incorporação deve ser levada a cabo pela pessoa que contemplou o agathon e deixou que a sua consciência fosse ordenada pela visão, o filósofo. Na parte central do diálogo, Platão trata do governo dos filósofos e da visão do Bem, na famosa Alegoria da Caverna.
A parte central é antecedida e seguida pelo debate dos meios que asseguram a substância fisiológica e anímica adequada a uma cidade bem ordenada. A Parte II trata do casamento, da comunidade de bens mulheres e filhos entre os guardiões e das restrições da guerra entre os Gregos. A Parte II,4 trata da educação filosófica dos governantes que irão preservar a ordem na existência.
A Parte II, a incorporação da Paradigma é precedida pela construção genética da ordem justa para a cidade na Parte I; e é seguida pela análise na Parte III das fases do declínio sofrido pela ordem justa após a sua instauração. As três partes em conjunto formam o corpo principal do diálogo com a discussão da ordem justa, a incorporação, a sua génese e o seu declínio.
O conjunto das três partes é enquadrado por uma Introdução e uma Conclusão. O debate da ordem justa surge a propósito da questão sobre se a justiça é melhor que a injustiça ou se o homem injusto terá uma vida mais regalada que a do justo. Após a questão e o debate prolongado sobre a ordem justa, surge a resposta conclusiva de que a justiça é preferível à corrupção.
O corpo principal do diálogo bem como a introdução e conclusão são enquadrados pelo prólogo que constitui um curto diálogo aporético sobre a justiça em que se debatem as opiniões correntes doxai e o epílogo que levanta questões respondidas com o mito da salvação.
A República usa uma argumentação dialética. O pensamento dialético caracteriza-se por apreender a realidade à luz de posições contraditórias, uma das quais acaba por ser compreendida como verdadeira e a outra falsa. A imagem correspondente é a do confronto entre luz, sol, claridade e trevas, escuridão e caverna. A dialéctica ascendente apresenta a ideia por confronto com os pontos de partida empíricos; a dialéctica descendente verifica a corrupção da ideia devido à sua incorporação numa situação empírica. É particularmente interessante notar como as ideias do livro viriam a influenciar os autores posteriores.
[editar] Ligações externas
- A República em grego com tradução