A Sonata a Kreutzer

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A Sonata a Kreutzer é um curto romance de Liev Tolstói publicado em 1889. Apesar de conter uma narrativa, a obra é focada em um diálogo que ocorre durante uma viagem de trem, abordando o casamento e as relações entre homem e mulher, com uma visão bastante pessimista.

Temas abordados e citações[editar | editar código-fonte]

A epígrafe do livro é o versículo Mateus 5:13: "Eu, porém, vos digo: todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso já cometeu adultério com ela em seu coração". Durante o decorrer do livro, que consiste basicamente num monólogo do protagonista junto ao narrador, o versículo não somente é citado, como surpreendentemente estendido: "As palavras no evangelho no sentido de que todo aquele que atenta numa mulher para cobiça-la, já cometeu adultério com ela, não se refere apenas às mulheres alheias, mas, precisamente e sobretudo, a própria esposa".

O romance é basicamente um diálogo no trem, entre um protagonista uxoricida e o narrador, mas que poderia se encaixar muito bem como um monólogo, dado que o narrador pouco interfere no discurso. Por diversas vezes o protagonista reforça a idéia de que a mulher deve manter-se incorruptível, "considerar a condição de virgem como a mais elevada", mesmo que isso culmine com a extinção da raça humana, fato considerado pelo narrador como inevitável, tanto pelos estudos religioso quanto pelos científicos. É um relato amargo sobre como os relacionamentos entre homem e mulher vão desmoronando: brigas, traições e intolerância. "Mas, em nossos dias, o matrimônio não passa de um embuste". Descreve com desenvoltura o desgaste dos relacionamentos no decorrer do tempo: "Surgiam choques e expressões de ódio por causa do café, da toalha de mesa, do fiacre, de uma jogada no uíste, tudo assuntos que não podiam ter nenhuma importância, quer para um quer para o outro. Em mim, pelo menos, fervia frequentemente um ódio terrível a ela! Olhava às vezes como ela servia o chá, balançava a perna ou levava a colher à boca, como absorvia o líquido, fazendo ruído e odiava-a justamente por isto, como se fosse a pior das ações".

Chega a classificar todo homem como devasso e toda mulher como prostituta: "Assim como aquelas (as prostitutas) aplicam todos os seus recursos para atrair os homens, fazem estas também. Nenhuma diferença. Numa distinção rigorosa, deve-se apenas dizer que as prostituas a curto prazo são geralmente desprezadas, e as prostitutas a prazo longo, respeitadas". O sexo é classificado como um dos principais motivos da degradação humana, e colocado como repugnante, algumas vezes aparece ao lado de adjetivos fortes, como em "relação suína".

Tolstoi coloca aqui todas as situações de atrito de um casal, assim como muitos pensamentos que alguns classificariam como imorais.