A guerra para acabar com a guerra

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Página de rosto de The War That Will End War por Wells
O presidente Woodrow Wilson, a pessoa com quem a frase é frequentemente associada.

"A guerra para acabar com a guerra", também "a guerra para acabar com todas as guerras",[1] (em inglês: The war to end war) foi um termo usado para a Primeira Guerra Mundial. Originalmente idealista, atualmente é utilizado, principalmente, de uma forma depreciativa.[2]

Origem[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 1914, imediatamente após a eclosão da guerra, o autor britânico e comentarista social, H. G. Wells, publicou diversos artigos em jornais de Londres, que posteriormente surgiram como um livro intitulado The War That Will End War.[3] Wells responsabilizou as Potências Centrais pela vinda da guerra, e argumentou que somente a derrota do militarismo alemão poderia por um fim à guerra. [4] Wells usou a forma mais curta, "a guerra para acabar com a guerra", em In the Fourth Year (1918), onde observou que a frase tinha "entrado em circulação" no segundo semestre de 1914. [5] De fato, se tornou um dos bordões mais comuns da guerra. [4]

Nos anos posteriores, o termo tornou-se associado com Woodrow Wilson, apesar de Wilson utilizar somente uma vez.[6] Juntamente com a frase "tornar o mundo seguro para a democracia", ela encarna convicção de Wilson de que a entrada dos Estados Unidos na guerra era necessária para preservar liberdade humana. [6]

Uso posterior[editar | editar código-fonte]

Mesmo durante a Primeira Guerra Mundial, a frase foi utilizada com um certo grau de ceticismo: David Lloyd George é conhecido por ter dito, "Esta guerra, como a próxima guerra, é uma guerra para acabar com a guerra"[7] Quando se tornou evidente que a guerra não tinha conseguido acabar com a guerra, a frase assumiu um tom mais cínico. O Marechal de Campo Archibald Wavell disse com desânimo na Conferência de Paz de Paris: "Depois da 'guerra para acabar com a guerra', parece que foram muito bem sucedidos em Paris, fazendo a 'paz para acabar com a paz'. " [8] . O próprio Wells utilizou a frase de forma irônica no romance, The Bulpington of Blup (1932).[9] Walter Lippmann escreveu na Newsweek em 1967, "a ilusão é que todas as guerras que estamos lutando são a guerra para acabar com a guerra", embora Richard Nixon, em seu discurso Silent Majority, disse: "Eu não digo que a guerra no Vietnã é a guerra para acabar com as guerras". [2]

Referências

  1. The war to end all wars BBC News 10 de Novembro de 1998
  2. a b Safire, William. Safire's Political Dictionary. [S.l.]: Oxford University Press US, 2008. 792–3 pp. ISBN 978-0-19-534334-2. Visitado em 2010-08-24.
  3. Wagar, W. Warren. H.G. Wells: Traversing Time. [S.l.]: Wesleyan University Press, 2004. p. 147. ISBN 978-0-8195-6725-3. Visitado em 2010-08-24.
  4. a b The Collected Papers of Bertrand Russell. [S.l.]: Routledge, 2003. p. 10. ISBN 978-0-415-10463-0. Visitado em 2010-08-24.
  5. Wells, H. G.. Short Works of Herbert George Wells. [S.l.]: BiblioBazaar, LLC, 2008. 13–14 pp. ISBN 978-1-4375-2652-3. Visitado em 2010-08-24.
  6. a b Jamieson, Kathleen Hall. Eloquence in an Electronic Age: The Transformation of Political Speechmaking. [S.l.]: Oxford University Press US, 1990. p. 99. ISBN 978-0-19-506317-2. Visitado em 2010-08-24.
  7. Stimpson, George William. A Book about American Politics. [S.l.]: Harper, 1952. p. 365. Visitado em 2010-08-24.
  8. Pagden, Anthony. Worlds at War: The 2,500-year Struggle between East and West. [S.l.]: Oxford University Press US, 2008. p. 407. ISBN 978-0-19-923743-2. Visitado em 2010-08-24.
  9. Wells, H. G.. The Bulpington of Blup. [S.l.: s.n.], 1932. 161,163,173 pp. Visitado em 2010-08-24.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]