Abaíra

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Município de Abaíra
"Cidade da Cachaça"
Bandeira desconhecida
Brasão desconhecido
Bandeira desconhecida Brasão desconhecido
Hino
Fundação 22 de fevereiro de 1962
Gentílico abairense
Localização
Localização de Abaíra
Localização de Abaíra na Bahia
Abaíra está localizado em: Brasil
Abaíra
Localização de Abaíra no Brasil
13° 15' 00" S 41° 39' 50" O13° 15' 00" S 41° 39' 50" O
Unidade federativa  Bahia
Mesorregião Centro-Sul Baiano IBGE/2008[1]
Microrregião Seabra IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Piatã - BA 148 - 24 Km e Jussiape - BA 148 - 42 Km
Distância até a capital 592 km
Características geográficas
Área 578,359 km² [2]
População 8 324 hab. IBGE/2010[3]
Densidade 14,39 hab./km²
Altitude 600 m
Clima tropical sub-úmido do tipo seco
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,603 médio PNUD/2010[4]
PIB R$ 26 148,040 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 2 954,25 IBGE/2008[5]
Página oficial

Abaíra é um município do estado da Bahia, no Brasil. Sua população estimada em 2004 era de 12 729 habitantes, sendo que 4 458 deles moram na sede do município.

É um pequeno município localizado no centro da Chapada Diamantina. Foi nomeado "cidade da cachaça", por ser uma grande produtora da aguardente Abaíra, que é feita em associações de toda a região. A cada dois anos, acontece o Festival da Cachaça Abaíra, que atrai inúmeras pessoas de todas as regiões do país e que faz com que a cidade se torne a cada ano mais conhecida.

A economia do município sobrevive basicamente do comércio da cachaça. Na praça principal, podem ser vistos monumentos ligados à cachaça de Abaíra.

Topônimo[editar | editar código-fonte]

"Abaíra" é um termo originário da língua tupi antiga: significa "abundância de mel", pela junção de abá (abundância) e a'yra (mel).[6]

História[editar | editar código-fonte]

Através da história do Brasil, tomamos conhecimento de que o que evidenciava a fundação de uma cidade no período colonial era um marco simbólico, como a implantação de um pelourinho para castigar escravos e criminosos ou a celebração de uma missa.

Em Abaíra, o único testemunho que prova sua origem é a Igreja Matriz datada de 1879, hoje bastante descaracterizada de sua arquitetura inicial.

No final do século XIX, o cidadão José Joaquim de Azevedo, morador do Curralinho, recebeu, de herança, uma fazenda, onde passou a residir. Tal fazenda era chamada “Capoeira de Cana”, devido à grande quantidade de cana ali existente. José Joaquim de Azevedo, vendo a necessidade daqueles que o procuravam, achou-se na obrigação de abrir um comércio de gêneros alimentícios para atender aos mineradores que se deslocavam do Bom Jesus do Rio de Contas para Mucugê e também o pessoal dos arredores. Com o passar do tempo, tornou-se um hábito aos domingos as pessoas procurarem a “Venda” para tomar uma boa cachaça que ali era fabricada. Foi por isso que José Joaquim de Azevedo recebeu o apelido de “Zé da Venda”.

Com o passar dos tempos, muitos daqueles frequentadores da “venda” e mesmo os que passavam em busca de minérios, ficaram desejosos de se estabelecerem na cidade. Zé da Venda começou, então, a doar terras para que eles construíssem ao redor da igreja. Assim, foi crescendo um povoado com o nome de “Venda” num lugar conhecido como Capoeira de Cana.

Zé da Venda era um homem muito religioso e, com o crescimento dos frequentadores da venda, sentiu a necessidade de construir uma igreja. No início, os atos religiosos eram celebrados numa palhoça, até que a igreja ficasse pronta. Não esquecendo que, naquela época, se sepultavam os mortos junto à igreja, sob a proteção do Senhor, conforme era na tradição dos colonizadores portugueses.

Zé da Venda mandou construir uma igreja, que logo ficou pronta no ano de 1879. Ele mandou buscar uma imagem para ser a padroeira da cidade. No dia da chegada da imagem, organizou uma festa que aconteceu no dia 2 de fevereiro de 1879. Para esta festa, foram convidados várias pessoas de outras localidades. A recepção da padroeira Nossa Senhora da Saúde ocorreu num lugar chamado Gajé.

Todos esses acontecimentos tiveram, como principal patrocinador, Zé da Venda. Foi realizada a 1ª missa pelo padre da cidade de Bom Jesus do Rio de Contas, atual Piatã, o reverendíssimo padre José de Souza Barbosa, conhecido como padre Souza.

A igreja foi construída um pouco virada para o lado esquerdo. Isto é, com a frente virada para a casa de Zé da venda, de onde, caso adoecesse, poderia assistir à missa de sua janela. Ele era possuidor de muitos escravos, os quais ajudaram na construção da igreja.

José Joaquim de Azevedo se apaixonou por uma jovem de nome Ana Vitória que morava próximo dali. Todavia, essa jovem gostava de um moço que residia num lugar denominado Fernando, chamado Antônio Precasso, moço que viajava com tropa e gostava de tocar violão. E com ela se casou, tendo três filhos: Antônia Amélia, Augusta e Maria Etelemina.

Zé da Venda, por sua vez, contraiu matrimônio com Maria Rosa, com quem teve um filho de nome Antônio Vitorino Azevedo. Este seu filho casou-se com Melânia Rosa de Oliveira e ambos tiveram três filhos: Agripino Augusto de Azevedo, Simpliciana Azevedo e Agemiro Azevedo. O último faleceu aos oito anos de idade. Já os outros Agripino e Simpliciana foram criados por seu avô paterno, Zé da Venda.

Quis o destino que o seu sonho realizasse. Zé da Venda ficou viúvo e Precasso também faleceu depois de ter contraído uma febre em uma de suas viagens com tropa, deixando Ana Vitória viúva com três filhos. Então Zé da venda desposou sua amada Ana Vitória.

Com a igreja construída e a expansão do povoado, foi criado o distrito de Tabocas, devido à grande quantidade de uma espécie de bambu que existia às margens do rio Taboquinha.

Pela lei municipal nº 35 de 24 de abril de 1916 do município que hoje é Piatã, foi aprovado, assim como pela lei estadual de 9 de agosto de 1916, que o distrito de Tabocas tivesse seu nome alterado para Abaíra. Esse nome foi tirado de uma obra do romancista Lindolfo Rocha dos termos da língua tupi que havia neste livro: Aba: Abundância + Íra: Mel = Abaíra: Abundância de Mel (tal etimologia, no entanto, é contestada pelo dicionário de tupi de Eduardo de Almeida Navarro).

Abaíra pertenceu a Piatã até o dia 22 de fevereiro de 1962, quando foi desmembrada e emancipada pela lei nº 1 622 de 22 de fevereiro de 1962.

Desde a emancipação, teve oito prefeitos, entre os quais João Hipólito Rodrigues (já falecido), que foi eleito por três vezes. Também os prefeitos:

  • José Prado Novais Filho
  • Eumar Pereira
  • Carlito Costa
  • Anatalino José de Azevedo
  • Amaury de Brito Oliveira
  • Edmundo Oliveira
  • Edval Luz Silva
  • João Hipólito Rodrigues Filho (atual prefeito 2009-2012)

Cultura[editar | editar código-fonte]

Em 7 de setembro de 1913, foi fundada a banda “Sociedade Philarmônica Lira Esperança do Arraial de Tabocas”, tendo, como fundadores, o professor Sebastião de Carvalho (1º Maestro), Zeferino Mendes de Azevedo, Damásio José Pereira, Delfino L de Azevedo, Pedro José de Brito, Antônio M Costa, Minervino A. Costa, Agripino Augusto de Azevedo, José de Oliveira Alves, Zifirino Azevedo, Maurício R de Novais, Joaquim José Boto, Balduíno Souza e Antônio Novais. Sua diretoria era composta pelo presidente Antônio Costa, o vice-presidente José de Oliveira Abreu, o tesoureiro Zifirino Mendes Azevedo e o maestro Sebastião de Carvalho.

Em 28 de abril de 1957, foi reformulado o estatuto, passando a banda a se chamar “Sociedade Lítero Musical Lira Abairense da Vila de Abaíra, e sua diretoria passou para Wilson Cardoso de Oliveira como presidente, Waltez Oliveira como vice e, como tesoureiro, Carlito Costa, com a colaboração do sócio benemérito Francisco Rocha Filho.

Podemos citar, entre as festas folclóricas, o pau-de-fitas, uma dança que era apresentada nas festas tradicionais. Também o bumba meu boi, dança folclórica que animava as festas. Também havia as “pastorinhas”, que eram as mocinhas que saíam às ruas cantando “reis” e visitando as casas, especialmente as que tinham presépios.

E há ainda as festas tradicionais, que são bastante animadas: no dia 2 de fevereiro, os abairenses comemoram o dia da nossa padroeira, Nossa Senhora da Saúde, festa que acontece desde a chegada da imagem nesta cidade. Nessa festa, os rapazes se vestiam com caretas e pegavam verduras na feira para o leilão que acontecia na véspera da festa. Já as moças se vestiam de ciganas oito dias antes da festa e iam para as ruas conseguir mantimentos para o almoço das pessoas que vinham de fora.

Algumas moças laçavam os rapazes e os levavam para um cercado: de lá, eles só saíam quando doavam dinheiro que servia para custear os festejos. No dia da festa, saíam, às ruas, as vendedoras de ingressos para angariar dinheiro para os festejos. Esses ingressos eram uns cravos ou uma rosas feitas de papel crepom. As moças laçavam os rapazes, estes pagavam e recebiam o ingresso, que era colocado na lapela. Vale lembrar que só entrava no baile da sociedade quem tivesse o ingresso.

Durante toda a semana da festa, havia quermesse e brincadeiras nas ruas, como: corrida de saco, corrida de jegue, quebra pote, pau-de-fitas, pau-de-sebo, bumba meu boi e outras.

Nos festejos juninos, também tinha uma animação incrível. O famoso forró de doutor Rocha atraía várias pessoas da região. Elas se divertiam ao som da sanfona e comiam muita canjica, bebiam quentão ao lado da famosa fogueira de pé-de-pau, soltando fogos e assistindo ao espetáculo das espadas (que ele trazia de fora). Também havia o forró de São Pedro, na casa de Mãe de Pia (parteira). Essa era uma festa muito animada, na qual as pessoas se divertiam muito.

Havia outras festividades, como o carnaval e a micareta. Atualmente, as festas em destaque são: Festa da Padroeira Nossa Senhora da Saúde (ultimamente organizada pela própria igreja), Festa de São Pedro, e a principal festa, organizada de dois em dois anos: o Festival da Cachaça, que traz uma grande quantidade de pessoas de outras regiões.

Economia[editar | editar código-fonte]

Centrada basicamente na produção de cachaça. Hoje, ela se divide entre o comércio, a cachaça e outra pequenas agriculturas de subsistência. Mas, vale a pena salientar que a principal produção agrícola é mesmo a cana-de-açúcar para a produção de cachaça. Por este motivo, desde 1987, em anos alternados, festeja-se essa cultura. É considerada a melhor cachaça da região. Na agricultura, destacam-se os principais produtos: cana-de-açúcar, mandioca, café, cebola e banana. Na pecuária, os principais rebanhos são o bovino, muares e suínos.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Situado na microrregião da Chapada Diamantina Meridional, com uma área de 620 quilômetros quadrados em uma região de rochas cristalinas, um relevo bastante montanhoso com cotas que variam entre 600 e 1 500 metros de altitude.

Relevo[editar | editar código-fonte]

Serras que se destacam no município de Abaíra: Itobira, Barbado (com 2 033 metros de altura, é o maior pico do Nordeste do Brasil), Pastinho, Estiva, Tromba, Santana, Bonito e Teixeira.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

A rede hidrográfica corresponde à bacia do Rio de Contas, destacando-se o Rio Água Suja e os riachos Lameirão ou Bonito e Taboquinhas.

Limites[editar | editar código-fonte]

Abaíra faz limites: ao norte, com os municípios de Piatã e Mucugê; ao sul, com Jussiape e Ibicoara; a leste, com Mucugê; e, a oeste, com Rio do Pires.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima de Abaíra é tropical subúmido do tipo seco. Caracteriza-se por uma estação chuvosa de novembro a março e outra bastante seca de abril a outubro.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A vegetação é bastante variada em virtude do relevo acentuado, predominando a caatinga, interrompida por formações de cerrado, conhecidos como gerais ou carrascos. Em certos trechos, a vegetação se adensa com características de florestas, surgindo a mata-cipó.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 25 de agosto de 2013.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  6. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 541.