Agência Brasileira de Inteligência
| Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) | |
|---|---|
Logotipo |
|
Edifício sede, em Brasília. |
|
| Resumo da agência | |
| Formada | 7 de dezembro de 1999 |
| Agências precedentes | Serviço Nacional de Informações (etc.) |
| Sede | Brasília |
| Orçamento anual | R$ 350 milhões (2009)1 |
| Executivos da agência | Wilson Roberto Trezza, Diretor-geral |
| Agência mãe | Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República |
| Sítio oficial | abin.gov.br |
A Agência Brasileira de Inteligência é uma agência de inteligência brasileira, criada em 1999 durante a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso. A agência substituiu o Serviço Nacional de Informações.
Índice |
[editar] Criação
A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), foi criada pela Lei nº 9.883/99 com a atribuição de planejar, executar, coordenar, supervisionar e controlar as atividades de inteligência no país, obedecidas a política e as diretrizes superiormente traçadas na forma da referida lei.2
[editar] Atribuições
Além de planejar, executar, coordenar, supervisionar e controlar as atividades de inteligência, compete à ABIN:
I - planejar e executar ações, inclusive sigilosas, relativas à obtenção e análise de dados para a produção de conhecimentos destinados a assessorar o Presidente da República;
II - planejar e executar a proteção de conhecimentos sensíveis relativos aos interesses e à segurança do Estado e da sociedade;
III - avaliar as ameaças, internas e externas, à ordem constitucional;
IV - promover o desenvolvimento de recursos humanos e da doutrina de inteligência, e realizar estudos e pesquisas para o exercício e aprimoramento da atividade de inteligência.3
[editar] Vinculação e natureza
Apesar de o artigo 3º da Lei nº 9.883/99 afirmar expressamente tratar-se a ABIN de órgão da Presidência da República, dando a entender que a agência vincular-se-ia diretamente à Presidência da República, na verdade, a ABIN integra a estrutura básica do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR), conforme dispõe a Lei nº 10.683/2003.4
Depreende-se, ademais, que, apesar da semelhança com o nome de outros órgãos criados na mesma época, como Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) e Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a ABIN não exerce funções regulatórias e tampouco tem natureza autárquica especial, sendo órgão componente da Administração Pública Direta, no caso, federal.
[editar] Estrutura
Conforme o Decreto nº 6.408/2008, sua estrutura organizacional divide-se da seguinte forma:
I - órgãos de assistência direta e imediata ao Diretor-Geral:
a) Gabinete;
b) Assessoria de Comunicação Social;
c) Assessoria Jurídica;
d) Ouvidoria;
e) Corregedoria-Geral; e
f) Secretaria de Planejamento, Orçamento e Administração:
1. Departamento de Administração e Logística;
2. Departamento de Gestão de Pessoal;
3. Escola de Inteligência; e
4. Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico;
II - órgãos específicos singulares:
a) Departamento de Inteligência Estratégica;
b) Departamento de Contra-Inteligência;
c) Departamento de Contraterrorismo; e
d) Departamento de Integração do Sistema Brasileiro de Inteligência; e
III - unidades estaduais.5
[editar] Comando
A Abin é chefiada por um diretor-geral, sediado em Brasília, ao qual se subordinam vinte e seis superintendências regionais, localizadas nos diversos estados da federação. O diretor-geral, por sua vez, está subordinado ao Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), órgão que sucedeu à antiga Casa Militar.
Quando de sua criação, em dezembro de 1999, no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, o primeiro diretor-geral da Abin foi o coronel Ariel Rocha de Cunto. O ministro-chefe do GSI era, à época, o general Alberto Mendes Cardoso.
De dezembro de 2000 a julho de 2004 a diretora-geral da Abin foi a psicóloga Marisa Almeida Del'Isola Diniz (ex-professora da Escola de Inteligência, na época do SNI).
De 13 de julho de 2004 a 13 de julho de 2005 o diretor da Abin foi Mauro Marcelo de Lima e Silva, delegado da Polícia Civil de São Paulo, que ganhou destaque junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por sua atuação naquele estado na área de crimes cibernéticos.
A partir de setembro de 2005, o cargo de diretor-geral passou a ser exercido por Márcio Paulo Buzanelli profissional na atividade de inteligência desde 1978.
Em outubro de 2007, o cargo passou a ser ocupado por Paulo Fernando da Costa Lacerda, ex-diretor da Polícia Federal. No entanto, em meio a denúncias relativas a irregularidades supostamente cometidas em ações conjuntas da Abin e da Polícia Federal na chamada Operação Satiagraha, Lacerda acabou sendo exonerado em setembro de 2008, após ter feito declarações falsas em audiência perante Comissão Parlamentar de Inquérito. Sucedeu-no interinamente no cargo Wilson Roberto Trezza, integrante dos quadros da agência.6
[editar] Histórico
| República Federativa do Brasil |
Este artigo é parte da série: |
|
|
|
Outras instituições
Ordem política
|
[editar] Atividade de Inteligência no Brasil
As atividades de inteligência no Brasil têm início no governo do presidente Washington Luís, que instituiu, em 1927, o Conselho de Defesa Nacional. O objetivo era suprir o executivo de informações estratégicas.
Desde então vários órgãos se sucederam, acompanhando a conjuntura nacional e internacional. Em 1946, após a Segunda Guerra Mundial, foi criado o Serviço Federal de Informações e Contrainformações - SFICI, vinculado à estrutura do Conselho de Segurança Nacional. No final da década de 1950, o SFICI consolidou-se como principal instrumento de informação do Estado brasileiro. Seria sucedido pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), com o advento da ditadura militar.
[editar] Serviço Nacional de Informações
A Agência Brasileira de Inteligência é um órgão criado em 1999 durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso. Entre o período de extinção do SNI (Serviço Nacional de Informações), em 1990, e sua criação, em 1999, a atividade de Inteligência do Governo Federal ficou a cargo de secretarias e subsecretarias da antiga Casa Militar, tudo sob a Coordenação Geral do Agente da Interpol cedido ao Governo Brasileiro -Dr. William Magalhães -. As ligações entre a Abin e o SNI, portanto, resumem-se à ocupação das mesmas instalações e a parte do quadro de funcionários que se manteve na atividade de Inteligência depois da extinção do SNI, quando a maioria dos servidores foi demitida do serviço público. Durante o regime militar, o SNI teria sido encarregado pelos governos de então por tarefas como censura, investigação de cidadãos considerados dissidentes políticos ou subversivos e de movimentos sociais diversos, tarefas que não se coadunam com a ideia de um serviço de Inteligência democrático. Há indícios, inclusive, de que o SNI teria sido uma agência-membro da chamada Operação Condor, que visava manter e disseminar ditaduras de caráter anti-comunista na América Latina.
Originalmente, o SNI era uma agência civil sob o comando do general reformado Golbery do Couto e Silva. Diz-se que o SNI era a espinha dorsal do controle totalitário do regime. Embora houvesse uma polícia secreta no Brasil desde a era Vargas, a participação militar aumentou sua importância com a criação do SNI. Ele se desenvolveu a partir do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, que Golbery tinha estabelecido para minar o governo anterior de João Goulart.
Na teoria, o SNI supervisionou e coordenou as agências de inteligência das três Forças Armadas, mas na prática as agências do serviço mantiveram sua autonomia.
A influência do SNI pode ser medida pelo fato de que importantes presidentes do período, como Médici e Figueiredo, foram diretores do órgão.
[editar] Lema
A Inteligência em defesa da sociedade, do Estado Democrático de Direito e dos interesses nacionais
[editar] Ver também
Referências
- ↑ Interino da Abin diz que orçamento para serviços de inteligência é pífio (em português). Folha de S. Paulo (14 de outubro de 2009). Página visitada em 24 de maio de 2012.
- ↑ Lei nº 9.883/99, Art. 3º
- ↑ Lei nº 9.883/99, Art. 4º, incisos I a IV
- ↑ Lei nº 10.683/2003, Art. 6º, §4º, Inciso I
- ↑ Decreto nº 6.408/2008, Anexo I, Art. 2º, incisos I a III
- ↑ O Globo Online (14 de outubro de 2009). Comissão do Senado aprova indicação de Wilson Trezza para a Abin (em português). Página visitada em 17 de outubro de 2009.
[editar] Ligações externas
- Página oficial (em português)
- Lei de criação da ABIN e do SISBIN
- Decreto regulamentador da estrutura regimental da ABIN (em português)
- Lei de Organização da Presidência da República e dos Ministérios
