Aborígene australiano

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Aborígenes australianos
Bathurst Island men.jpg
Aborígenes australianos em foto de 1939
População total

c. de 517 000

Regiões com população significativa
Nova Gales do Sul 152 685
Queensland 144 885
Austrália Ocidental 70 966
Território do Norte 64 005
Vitória 33 517
Austrália Meridional 28 055
Tasmânia 18 415
Território da Capital 4 282
Línguas
Aborígene, Inglês australiano, Crioulo australiano
Religiões
Cristianismo, Animismo
Grupos étnicos relacionados
Nativos da Austrália

Os aborígenes australianos são a população nativa original australiana. Têm a pele negra, como os negros africanos, pois são descendentes de populações que imigraram milhares de anos antes desde a África em direção ao leste pelo continente asiático. Atualmente, existem apenas cerca de 40 mil aborígenes não mestiços, puros, dos trezentos mil encontrados no começo da colonização da Austrália. Originalmente praticavam uma religião animista própria, ainda praticada hoje, mas muitos se tornaram cristãos. Sofreram um grande decréscimo populacional com o início da invasão europeia em 1770.

História[editar | editar código-fonte]

Os aborígenes australianos descendem, provavelmente, de emigrantes africanos que, há cerca de 50.000 anos, cruzaram o mar usando canoas e toscas embarcações. Nessa época, a Austrália era ligada à Nova Guiné e era muito mais verde e menos desértica do que hoje, possuindo vários rios caudalosos que se transformaram posteriormente em córregos ou desapareceram. Os ingleses colonizaram o continente no século XVIII. Encontraram 300.000 aborígenes divididos em mais de quinhentos grupos. Uns com apenas cem membros, outros com 1.500, conforme a diversidade e abundância de recursos alimentares. Falavam duzentas línguas - hoje apenas vinte se mantêm fortes.

Os ingleses trataram os aborígenes com racismo e foram violentos com eles. Praticaram massacres enormes, decretaram leis discriminatórias e a sua imposição religiosa quase acabou com seus cultos animistas. Em 1806, o racismo dos colonizadores e soldados os levou a violar locais sagrados aborígenes e a caçar aborígenes por prazer[carece de fontes?]. Em meados dos anos 1900, com a Austrália já independente da Inglaterra, a discriminação racial contra qualquer indivíduo que não fosse de ascendência inglesa continuava. Entre 1910 e 1970, o governo da Austrália retirou 100 000 crianças aborígenes - a maioria de pele clara, ou seja, mestiços - dos pais e internou-as em centros educativos para incutir nelas a cultura ocidental.

Esse tipo de ação foi chamada de "Política de Assimilação". Os australianos chamam de "geração roubada" a essas crianças. Recentemente, em 2008, John Howard, primeiro-ministro da Austrália, lamentou publicamente esse fato, mas não quis pedir desculpas oficiais, pois isto iria acarretar em milhões de dólares de indenizações para as famílias ou seus descendentes. Até 1962, os aborígenes não votavam. Puderam recensear-se pela primeira vez cinco anos depois. Por volta de 1965, a população de aborígenes puros chegava a pouco mais de 40.000, pois foram massacrados pelos colonizadores e expulsos das terras produtivas, migrando para regiões desérticas ou para o norte da Austrália.

Os soldados ingleses,principalmente Lageanos, visitavam localidades aborígenes oferecendo presentes, artefatos e outras coisas do interesse da aldeia. E a festa acontecia, enquanto outros soldados envenenavam com arsênico a comida e toda a água potável que eles tinham. Vilas aborígenes inteiras foram dizimadas pelo uso de arsênico[carece de fontes?]. O rum, primeiramente importado da Inglaterra, era oferecido gratuitamente para aldeias aborígenes, pois os ingleses sabiam que eles tinham o hábito de beber sem parar por uma semana consecutiva, até que o coma alcoólico ocorresse. Os ingleses se aproveitavam também do estado de embriaguez dos aborígenes para incitar guerras entre aldeias e deixar que eles mesmo se aniquilassem[carece de fontes?].

Mais tarde, os aborígenes foram recrutados para trabalhar em fazendas de gado. O pagamento era muito inferior ao dos trabalhadores brancos. As justificativas para tal procedimento eram a de que os aborígenes não tinham intimidade com os cavalos (o que era verdade, pois eles eram nómadas e andavam sempre a pé) e a de que os aborígenes eram vagarosos e insolentes. Porém os aborígenes suportavam tranquilamente o calor, por ter pele negra, ou mestiça, enquanto os trabalhadores brancos ficavam com bolhas e queimaduras de sol[carece de fontes?].

Atualmente, várias leis antidiscriminação foram introduzidas pelo governo para toda a Austrália. A discriminação racial passou a ser um crime grave. Contudo, os aborígenes ainda sofrem muitas discriminações: em comparação com a população branca, os seus salários são três vezes inferiores, a sua taxa de desemprego é cinco vezes superior, a sua taxa de mortalidade infantil é o dobro e, em média, vivem dezoito anos menos. São a maioria dos reclusos nas prisões. Apenas 33 por cento dos aborígenes completam o ensino superior. Apesar de muitos estarem bastante integrados na sociedade actual, o que inclui uma forte actuação na política, nas artes e em todas as áreas de trabalho e direito ao voto, a maioria ainda continua vivendo isoladamente em terras e regiões longe das grandes cidades[carece de fontes?].

Protesto em Brisbane pelos direitos dos aborígenes no Dia da Austrália de 2007

Modo de vida[editar | editar código-fonte]

Os aborígenes australianos são nômades, caçadores e colectores de vegetais e praticam a religião animista. No deserto, as populações concentram-se onde há água em acampamentos temporários. As habitações são simples refúgios. Erguem proteções contra o vento com ramos e moitas e, se o solo for arenoso, escavam covas para ficarem mais protegidos do mesmo. Quando as noites são frias, dormem ao redor do fogo. O cão é o único animal doméstico.

Os homens caçam animais de grande porte como os cangurus e pescam. As mulheres recolhem os vegetais e o mel, caçam animais pequenos e apanham crustáceos.

Os aborígenes não o usam o arco e a flecha para caçar, mas servem-se de lanças, bastões e bumerangues. Para a coleta, utilizam o machado de pedra e o pau de escavar. Fabricam estes utensílios com madeira, ossos e pedra.

Preparam a comida diretamente sobre as brasas, pois não têm recipientes de cozinha resistentes ao fogo.

Os casamentos fazem-se entre segundos primos. Em condições extremas, são possíveis as uniões entre clãs.

Não existe um governo tribal. Quando necessário, os chefes familiares desempenham transitoriamente o papel de chefes locais.

Os aborígenes não são guerreiros. Só recorrem à guerra em ocasiões raras, sobretudo para aplicar a justiça.

A cremação dos cadáveres é uma prática comum na sua cultura. E as pessoas mais importantes podem ser conservadas em troncos de árvore ocos.

Clãs[editar | editar código-fonte]

Os clãs identificam-se com um totem, que é a representação da divindade de que se dizem descendentes. O totem costuma ter a figura de um animal, uma planta ou um objecto, que não podem ser mortos, comidos ou destruídos, porque são sagrados.

Cada clã tem um território próprio, mas não possui direitos exclusivos sobre ele, já que outro clã pode obter autorização ou ser convidado a caçar lá.

Religião e arte[editar | editar código-fonte]

A cultura aborígene caracteriza-se pela forte união de todos os seres da natureza com o ser superior que integra tudo. Nesta concepção, o ser humano não é superior, mas partilha a natureza com os demais seres, sendo todos indispensáveis. Por este motivo, os humanos devem honrar a natureza em tudo o que fazem.

Os aborígenes usam a arte como meio de comunicação. Os instrumentos de trabalho são feitos com maestria e destreza e levam pinturas e inscrições, onde contam as histórias do povo, do clã ou da pessoa e se evoca a relação com as divindades. As pinturas do corpo ou em cascas de eucalipto usam como tema a mitologia ou retratam cenas do cotidiano.

A música é, sobretudo, vocal. O instrumento musical é o yidaki (didgeridoo), que é a representação da mãe serpente, a criadora da terra e que consiste em um tronco oco que amplia sons vocais. Para marcar o ritmo das mímicas e das danças, usam bastões.

Há, no deserto, lugares de grande valor histórico, cultural e sagrado para os aborígenes, como monólitos gigantes e crateras de meteoritos. Dentre eles, destacam-se três formações rochosas: o Chambers Pillars, o Kata Tjuta e a Ayers Rock. Durante o pôr do sol, as rochas reflectem a luz solar e parecem estar em brasa. À medida que o sol se põe, a pedra torna-se acinzentada, até acabar totalmente negra.

Ayers Rock, também chamada The Rock ou Uluru

Etnias[editar | editar código-fonte]

Os aljauara são cerca de quinhentos. São os únicos aborígenes que enterram os mortos.

Os aranda também são poucas centenas; deixaram a caça e dedicam-se à pecuária.

No deserto de Gibson, vive um povo com o mesmo nome, de apenas trezentos membros.

Outro povo pequeno é o gurindji, com duzentos e cinquenta indivíduos. Alguns são cristão e há expressões da Bíblia Cristã na sua língua.

De população igualmente escassa , os mudbara trabalham nas reservas do governo na região ocidental do deserto; também são cristão.

Já os pitjantjara trabalham nas reservas governamentais na região central. São vários milhares de indivíduos, e alguns são cristão.

Os pintubi também são trabalhadores assalariados; vivem em reservas e trabalham para proprietários brancos na criação de gado.

Os ualpari totalizam trezentos membros; vivem no centro do país; trabalham para o governo ou para criadores de gado.

Os uarramunga também abandonaram o nomadismo para fazerem trabalhos remunerados; são várias centenas.

No centro do país, vivem cerca de mil e quinhentos ualpiri; uns mantêm tradições milenares, outros trabalham em granjas.

Como os mardu, que, todavia, são menos numerosos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Revista Audácia - Maio de 2006

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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