Abraveses

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
 Portugal Abraveses  
—  Freguesia  —
Brasão de armas de Abraveses
Brasão de armas
Abraveses está localizado em: Portugal Continental
Abraveses
Localização de Abraveses em Portugal
40° 41' N 7° 55' O
País  Portugal
Concelho VIS.png Viseu
 - Tipo Junta de freguesia
Área
 - Total 11,95 km²
População (2011)
 - Total 8 539
    • Densidade 714,6/km2 

Abraveses é uma freguesia portuguesa do concelho de Viseu, com 11,95 km² de área, 8539 habitantes (2011) e uma densidade de 714,6 hab/km².

Os seus habitantes reconhecem esta bela localidade como "O Centro do Mundo".

História e origem do nome[editar | editar código-fonte]

Viseu era uma localidade muito importante no tempo da Roma antiga, pois afluíam a esta localidade algumas das mais importantes vias provenientes de outras localidades e da capital do império.

Os Romanos mandaram construir, para defesa da localidade, uma muralha em forma de octógono, muralha essa que ocupava uma extensa área entre o Rio Pavía e a Ribeira de Santiago, que atualmente tem o nome de Cava do Viriato. Esta praça foi refúgio para legiões romanas quando eram atacadas por bandos, pelos Lusitanos liderados por Viriato.

Da bravura e furor com que os povos locais combatiam, julga-se ter nascido o nome de À Braveses, que mais tarde deu origem a Abraveses.

Outra versão ou lenda que poderá ter dado nome a esta terra, terá origem na localização de uma das portas da muralha que dava saída para o caminho romano, a qual só abria às vezes Abras Vezes.

Uma outra versão, talvez mais recente, afirma que a evolução do nome teve como base a existência de um povo, os Bravalenses ou Barbarenses', que haviam habitado o "local de vegetação bárbara". Assim, por evolução fonética, Abralveses e mais tarde Abraveses.

Divisão Administrativa[editar | editar código-fonte]

Antiga Divisão[editar | editar código-fonte]

Em Novembro de 1890, surgia a Freguesia de Abraveses, com independência administrativa. Contudo continuava a ser um "curato da Sé", estando assim sujeita à orientação e jurisdição do seu pároco. Veio a tornar-se, tempos mais tarde, também independente.

A Freguesia de Abraveses era constituída nesse tempo pelas povoações de Pascoal, Moure de Carvalhal, Póvoa de Abraveses, Esculca, Santiago, Aguieira, Santo Estêvão e Abraveses, ao centro.

Nova Divisão[editar | editar código-fonte]

A atual freguesia viu diminuída a sua acção no campo territorial e em termos demográficos e culturais.

Deixaram de pertencer à freguesia a quase totalidade de Santiago, Esculca, uma parcela importante da Póvoa de Abraveses (Cava do Viriato), Agueira, Azenha, a maior parte da Estrada Velha, Quinta da Bela Vista e toda a Avenida da Bélgica. Contudo, esta amputação territorial trouxe um rápido crescimento demográfico através da construção de novos bairros como: Santo Estêvão, Orgens, Santa Rita, Marinho, Pais da Costa, Santa Luzia, Barroca e fundo da Barroca.

Tradições Culturais[editar | editar código-fonte]

Muitas das tradições Abravesenses perderam-se no tempo ou morreram com os mais velhos.

A Balsa[editar | editar código-fonte]

A Balsa era o nome dado pelos habitantes da região ao esmagamento da uva.

"Os homens e rapazotes já feitos, faziam seus planos. Estavam perto as vindimas e era preciso ajudar os Senhores de algumas quintas nos trabalhos de esmagamento das uvas em grandes balseiros ou nos lagares feitos em granito da região. Lavados os pés e fazendo o sinal da cruz, salta cada um ao seu lugar, em que o sumo cobrirá, no primeiro caso, muitas vezes todo o corpo até aos ombros e os deixa quase sem fôlego. Entre dichotes e anedotas, o saboroso néctar do ano anterior cria mais alegria e desafia cantares à desgarrada. Após o profícuo trabalho de duas a três horas, chegar ao fim é o desejo de todos. Lauta ceia espera o grupo nos bastidores, que ao mosto soube transmitir, no seu rodopio constante ou na cadente marcha em fila, grande parte do seu calor e da sua esfuziante alegria. Depois de bem comidos e "regados" e cigarrilha bem fumada, voltam a casa dormir calmamente um sono reconfortante." [carece de fontes?]

Janeiras[editar | editar código-fonte]

A cultura também está presente na comunidade de Abraveses. Há algumas tradições culturais que têm sobrevivido ao longo dos tempos: Janeiras, Carnaval, o Amentar das Almas. Para tal têm contribuído as diversas associações que existem pela Freguesia de Abraveses.

Hoje em dia, o Rancho Folclórico de Abraveses e os "Pauliteiritos" com o seu Grupo de Cantares de Janeiras, saudosos de outros tempos, cantam as Janeiras. Em 2011, também o Grupo de Escutas de Abraveses se juntaram a esta tradição.

Grupo Coral de Abraveses[editar | editar código-fonte]

O Grupo Coral e Juvenil de Abraveses, fundado em 1 de Outubro do ano de 1978, pelo Professor Armando Costa, e co-fundado por Virgílio de Campos Lourenço, foi desde o seu inicio considerado o centro dinamizador da cultura musical em Abraveses.

Foi este grupo, inicialmente constituído por jovens dos doze aos vinte e quatro anos, ensaiando como e onde podiam, e de cariz essencialmente litúrgico, que deu origem a este agrupamento, que passou a ter a designação actual desde 1994.

Foi muito grande o seu entusiasmo e muito maior a sua preocupação na aquisição de instrumental necessário, inclusive a compra de órgão próprio, lançando a ideia e a prática de subscrição e rifas de objetos amavelmente oferecidos. Esse órgão ainda existe e serve aos atos litúrgicos da Igreja Matriz.

Foi em Novembro de 1996 que o Grupo Coral de Abraveses participou na gravação de um duplo “CD” intitulado "Os melhores coros da Região Centro", com quatro peças do seu reportório.

Actualmente a regência e direcção coral está entregue ao Professor Rodrigo Silva.

A Tuna[editar | editar código-fonte]

As tendências musicais deste povo remontam, certamente, a muitos anos da sua existência como freguesia, mas tornaram-se notórias com o aparecimento da Tuna de Abraveses, que abrilhantou muitos arraiais das redondezas e animava as festas populares locais ou, percorrendo, nas noites quentes, as ruas da aldeia, se quedava, em belíssimas e maviosas serenatas, sob as janelas de moçoilas casadoiras da Terra.

Falar da Tuna, que estendia seus braços de amizade e função a componentes da Póvoa de Abraveses, Moure e Pascoal e não mencionar alguns dos seus elementos, já quase todos na "Terra da Verdade", seria praticar um acto de injustiça e de incompreensível esquecimento.

Desaparecido o Martinho, mestre de muitos instrumentos e albofre de muitas vocações, o Graciano e o Bucha nos violões, esquecido o Santos do violino e o Lage da banjola, dispensados Indio e Bernardino, vindos de fora dar ajuda, viu-se a Tuna quebrada, incapaz de ao povo alento dar e festas animar!…

Desaparecida a força aglutinadora do Grande Mestre, apenas, com muito jeito e "saber de experiência feito", Diamantino, como sempre, soprando lesto a flauta, punha tudo em rodopio e, em troca, nada querer. Tudo acabou pouco a pouco. Todo o grupo foi desfeito, mas outros foram nascendo em moldes diferentes e, no coração da gente, renasce a cada momento muito amor, muita saudade do que o povo foi capaz, tendo em vista um sublime e nobre ideal.

Hoje em dia, não existe qualquer tipo de género na Freguesia de Abraveses.

Os Pauliteiritos de Abraveses[editar | editar código-fonte]

O Grupo Típico Regional e Infantil Os Pauliteiritos de Abraveses foi fundado há muitos anos e continua a ser um dos mensageiros do nome de Abraveses e região de Viseu, por terras de Portugal.

O seu irrequieto e cadenciado bater dos pauzinhos atrai, onde quer que atue, vintenas de olhares e ouvidos que procuram descobrir a magia de certeiros batimentos e pulinhos dados.

Foi o sr. Tenente Coronel António da Silva Simões que fundou este Grupo, com o intuito de ocupar saudavelmente o tempo livre dos meninos da freguesia.

Rancho Folclórico[editar | editar código-fonte]

Bastantes anos mais tarde, outro agrupamento, criado na Casa do Povo, em moldes puramente folclóricos.

Depois de recolhido repertório local e tradicional da região, apresenta-se a público em Novembro de 1990, nas festas comemorativas do 1.º centenário da criação da Freguesia de Abraveses. desde então não deixaram seus elementos "dançantes", "cantantes" e "tocantes" de sentir o estímulo e apoio necessários a muito boas atuações nas deslocações havidas de norte a sul do país.

Entre a Casa do Povo e organismos similares tem-se estabelecido vivo intercâmbio, levando e recebendo, em permuta, o que de bom sentir e recordar em terras de Portugal.

Grupos Cénicos[editar | editar código-fonte]

Na aproximação da época natalícia do Menino Jesus, as famílias procuram recordar e algo do que a tradição, grandes mestres, escultores e pintores fizeram chegar até nós. É também costume e de bom tom algumas associações criadas nesta freguesia levarem a efeito a representação, ao vivo, por elucidativo, de um pequeno auto de natal, contrariando o que se fazia com musgo e figurinhas de barro.

Património[editar | editar código-fonte]