Abstração

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Abstração é o processo ou resultado de generalização por redução do conteúdo da informação de um conceito ou fenômeno observável, normalmente para reter apenas a informação que é relevante para um propósito particular. Por exemplo, abstraindo uma bola de futebol de couro, por uma bola de futebol, retemos apenas a informação enxuta das propriedades e comportamentos da palavra. Cientistas da computação usam a abstração para entender, resolver problemas e comunicar suas soluções para o computador usando alguma linguagem computacional em particular.

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Processo de pensamento [editar]

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Na filosofia|teminologia filosófica, abstração é o processo de pensamento em que idéias são distanciadas dos objeto (filosofia) objetos, operação intelectual onde existe o método que isola os generalismos teóricos dos problemas concretos por forma a resolver os últimos.

A abstração usa a estratégia de simplificação, em que detalhes concretos são deixados ambíguos, vagos ou indefinidos; assim uma comunicação efetiva sobre as coisas abstraídas requerem uma intuição ou experiência comum entre o comunicador e o recipiente da comunicação. Isso é verdade para todas as formas de comunicação verbal/abstrata.

Através da abstração podemos imaginar os resultados de determinada decisão ou ação, sem recorrer a mecanismos físicos ou mecânicos de resolução.

Segundo alguns, quando se está em processo de criação mental, ou abstração, não são dispensados os elementos concretos que constituem a formação do raciocínio. Este, por sua vez supõe e visualiza os resultados através de figuras de imagens mentais ou abstrações.

O planejamento de uma ação extrai dos dados concretos os traços julgados essenciais. Pois o critério subjetivo do processo criativo necessita de figuras de comparação que resultam no planejamento para a ação futura.

Embora nem sempre a abstração esteja ligada à criação, a criação está sempre ligada à abstração, portanto, sem a segunda, não há a primeira. Com isso pode-se afirmar que a expressão "arte abstrata" (também chamada de "abstracionismo") se consagrou numa forma de criação de figuras que não representam fielmente objetos do mundo exterior. As "figuras abstratas" são interpretadas de acordo com aquele que as observa.

Diferentes abordagens sobre abstração [editar]

Filosofia [editar]

Na filosofia, abstração é um processo (ou, para alguns, um alegado processo) na formação de conceitos reconhecendo um grupo de características comuns nos indivíduos, e tendo isso como base formando um conceito desta característica. A noção de abstração é importante para o entendimento de algumas controvérsias filosóficas em relação a empiricismo e o problema dos universais.Também se tornou recentemente popular na lógica formal como abstração predicada. Outra ferramenta filosófica para a discussão sobre abstração é espaço do pensamento.

A Lógica de Port-Royal, resumiu a estreita relação do processo de abstração com a natureza do homem, dizendo: “a limitação da nossa mente leva-nos a só compreender as coisas compostas quando as consideramos em suas partes e contemplamos as faces diversas com que elas se nos apresentam: isto é o que se costuma chamar conhecer por abstração”.

A abstração é a operação mediante a qual alguma coisa é escolhida como objeto de percepção, atenção, observação, consideração, pesquisa, estudo, etc. e isolada de outras coisas com que está numa relação maior. Ela é inerente a qualquer procedimento cognitivo. Segundo Aristóteles, o processo todo do conhecimento pode ser descrito com ela; sendo que Tomás de Aquino reduz todo o conhecimento intelectual à operação de abstrações. O homem cria por abstração. (cf.: ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. 5. ed. rev. e ampl. São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora, 2007. p. 4-6.)

É o ato de separar mentalmente um ou mais elementos de uma totalidade complexa (coisa, representação, fato), os quais só mentalmente podem subsistir fora dessa totalidade. (cf.: Aurélio)

Neurologia [editar]

Algumas pesquisas sobre o cérebro humano sugerem que os hemisférios esquerdo e direito diferem no modo que lidam com a abstração. Por exemplo, uma meta-análise de um cérebro humano lesionado mostrou que o hemisfério esquerdo tende a ser usado durante o uso de ferramentas.1

Direito [editar]

Na ciência do direito, a abstração é característica frequente na estrutura da norma jurídica, notadamente das leis e regulamentos. Diz-se, no direito, que a estrutura da norma é abstrata pois a concretização da hipótese normativa não esgota sua eficácia. "Ex.: matar alguém: pena Y anos de reclusão." Se José mata João, a norma continua válida e eficaz, isto porque é abstrata. Não fosse a abstração, o sistema jurídico deveria prever todas as condutas humanas indesejadas de modo específico. O que seria logicamente impossível.

Mas, por outro lado, nem toda norma jurídica é abstrata. Neste caso dizemos que se trata de uma norma concreta. "Ex.: Fica denominada Consolação Carneiro a rua nº 13 do Bairro dos Professores." A norma, no caso, não possui abstração pois existe apenas uma rua nº 13 no Bairro dos Professores. Assim, uma vez alterado o nome desta rua em particular, a norma não produzirá eficácia em outras situações hipoteticamente idênticas.

De todo modo, as principais normas jurídicas, como as que constam de leis, códigos e regulamentos são fundamentalmente normas abstratas. É a atividade de interpretação da norma e do fato sobre o qual ela deve incidir que tornará efetivo seu propósito de regular, concretamente, a conduta humana.

Arte [editar]

A abstração é usada nas artes mais tipicamente como um sinônimo para arte abstrata em geral. Estritamente falando, se refer a arte que não está preocupada com a representação literal das coisas do mundo visível,2 e pode, também, se referir a um objeto ou imagem que foi destilada do mundo real, ou mesmo, de um outro trabalho artístico. Trabalhos artísticos que modificam o mundo natural para propósitos expressivos são chamados abstratos; aqueles que derivam de objetos recohecíveis mas não o imitam são chamados abstração não-objetiva. No século XX a tendência em direção a abstração coincidiu com o avanço da ciência, tecnologia, e mudanças na vida urbana, eventualmente refletindo um interesse na teoria da psicanálise.3 Posteriormente, a abstração foi manifestada em termos de formais mais puras, como cor, livre de contexto objetivo, e a redução da forma para deisgns geométricos básicos.4

Na música, abstração se refere ao abandono da tonalidade. A música atonal não possui uma assinatura chave nem um padrão imposto externamente sendo caracterizada pelos seus relacionamentos internos.5

Psicologia [editar]

A definição de Carl Jung de abstração expandiu seu escopo para além do processo de pensamento para incluir quatro funções psicológicas complementares mutualmente exclusivas: sensação, intuição, percepção, e pensamento. Juntas elas formam a totalidade estrutural de diferenciação do processo de abstração. A abstração opera em uma dessas funções quando exclui a influência simultânea das outras funções e outros irrelevâncias, como as emoções. A abstração requer um uso seletivo dessa separação estrutural de habilidades na psiquê. O oposto da abstração é o concretismo. Segundo a definição de Jung :

There is an abstract thinking, just as there is abstract feeling, sensation and intuition. Abstract thinking singles out the rational, logical qualities ... Abstract feeling does the same with ... its feeling-values. ... I put abstract feelings on the same level as abstract thoughts. ... Abstract sensation would be aesthetic as opposed to sensuous sensation and abstract intuition would be symbolic as opposed to fantastic intuition. (Jung, [1921] (1971):par. 678).6

Computação [editar]

O uso da abstração na computação pode ser exemplificada da seguinte forma: Imagine que um determinado processamento é realizado em vários pontos de um sistema, da mesma forma ou de forma idêntica. Ao invés de repetirmos o trecho de código responsável por este processamento, o abstraímos na forma de um procedimento ou função, e apenas fazemos uma chamada à tal procedimento, onde quer que necessitemos e por quantas vezes se fizer necessário.7

Origens [editar]

Os primeiros símbolos do pensamento abstrato em humanos pode ser traçado entre 50.000 e 100.000 anos atrás na África.8 9

Referências

  1. James W. Lewis "Cortical Networks Related to Human Use of Tools" 12 (3): 211-231 The Neuroscientist (June 1, 2006).
  2. Encyclopaedia Britannica
  3. Catherine de Zegher and Hendel Teicher (eds.), 3 X Abstraction. NY/New Haven: The Drawing Center/Yale University Press. 2005. ISBN 0-300-10826-5
  4. National Gallery of Art: Abstraction.
  5. Washington State University: Glossary of Abstraction.
  6. Livro Psychological Types, capítulo XI.
  7. Conceitos de Linguagens de Programacao
  8. Abstract Engravings Show Modern Behavior Emerged Earlier Than Previously Thought
  9. Ancient Engravings Push Back Origin of Abstract Thought

Ver também [editar]

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Ligações externas [editar]


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