Absurdismo
Em filosofia, "O Absurdo" se refere ao conflito entre a tendência humana de buscar significado inerente à vida e a inabilidade humana para encontrar algum significado. Nesse contexto "absurdo" não significa "logicamente impossível", mas sim "humanamente impossível". O universo e a mente humana não causam separadamente o Absurdo, Absurdo surge pela natureza contraditória de ambos existindo simultaneamente.
Esta filosofia está relacionada ao existencialismo e ao niilismo, ainda que não deva ser confundido com estes. Absurdismo como conceito tem suas raízes no século XIX com o filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard. Já como sistema de crença ela nasceu do movimento existencialista quando o filósofo e escritor francês Albert Camus rompe essa linha filosófica e publica seu manuscrito O mito de Sísifo. As consequências da Segunda Guerra Mundial proporcionaram um ambiente social propício para as visões absurdistas, especialmente na devastada França, como as de Emil Cioran.
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Relacionamento com o Existencialismo e com o Niilismo[editar]
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O sentido da vida[editar]
De acordo com o absurdismo, por toda a história os humanos tentam encontrar sentido para suas vidas. Tradicionalmente, essa busca resulta em uma das duas conclusões: ou que a vida não tem sentido, ou que a vida contém nela um propósito definido por uma força maior - uma crença em Deus, ou a aderência a alguma religião ou outro conceito abstrato.
Ilusão[editar]
Camus percebe que preencher a lacuna com alguma crença ou sentido inventado é um mero "ato de ilusão"; isto é, evitar ou evitar ao invés de descobrir e abrangir o Absurdo. Para Camus, a ilusão é uma falha fundamental na religião, no existencialismo (existencialismo ateísta entretanto não inclui "ilusão") e em várias outras escolhas do pensamento. Se o indivíduo ilude-se ao Absurdo, então ele não poderá confronta-lo.
Deus[editar]
Mesmo com uma força espiritual para dar significado, outra questão surge: Qual o propósito de Deus? Kierkegaard acreditava que não há propósito de Deus compreensível aos humanos, fazendo da crença em Deus um absurdo por si mesma. Camus, por outro lado, sugere que acreditar em Deus é "negar um dos termos da contradição" entre a humanidade e o universo (sendo assim não-absurdo), é o que ele chama de "suicídio filosófico". Camus (como também Kierkegaard), ainda assim, sugere que enquanto o absurdo não leva à crença em Deus, também não leva à negação da existência d'Ele. Camus nota, "Eu não disse 'exclui Deus', o que ainda deixaria muito a se acertar".2
Suicídio[editar]
Para alguns, suicídio é uma solução quando confrontados com a futilidade de viver a vida destituída de qualquer significado, sendo o suicídio apenas um meio de adiantar o resultado final do destino de cada um. Para Albert Camus em O Mito de Sísifo, não é uma solução vantajosa, porque se a vida é verdadeiramente absurda, combate-la é ainda mais absurdo; ao invés disso, nós deveríamos viver, e conciliar o fato de que vivemos numa realidade sem sentido. Suicídio, de acordo com Camus, é simplesmente um ato de evitar o Absurdo, ao invés de viver apesar dele.
Sentido pessoal[editar]
Para Camus, é a beleza que as pessoas encontram na vida que a faz valer a pena. As pessoas podem criar sentido para suas vidas, que pode não ser um sentido filosoficamente objetivo (se é que há um), mas ainda assim por prover algo pelo que lutar. Entretanto, ele insistiu que devesse-se manter uma distância irônica entre esse significado inventado e o conhecimento do Absurdo, de forma que o significado inventado não iluda, sobrepondo-se ao Absurdo.
Liberdade[editar]
A liberdade não pode ser alcançada além do que a absurdidade da existência permite; entretanto, o mais perto de que alguém pode chegar de ser absolutamente livre é pela aceitação do Absurdo. Camus introduziu a ideia da "aceitação sem resignação" como um meio de lidar com o reconhecimento do absurdo, questionando se um homem pode ou não "viver sem apelo", enquanto definindo uma "revolta consciente" contra a evasão da absurdidade do mundo. Em um mundo destituído de significado superior ou justiça após a morte, o ser humano se torna tão absolutamente livre quanto é humanamente possível. É através dessa liberdade que o homem pode atuar ou como místico (através do apelo a alguma força sobrenatural) ou como um herói do absurdo (através da revolta contra tal esperança).
Esperança[editar]
A rejeição da esperança, no absurdismo, demonstra a recusa de acreditar em qualquer coisa além do que essa vida absurda pode prover. Doravante, a recusa do herói do absurdo à esperança se torna sua habilidade de viver o presente com paixão. A esperança, como Camus enfatiza, não tem entretanto nada a ver com desespero (significando que os dois termos não são antônimos). O indivíduo pode viver rejeitando completamente a esperança, e, de fato, só pode faze-lo sem esperança. A esperança é vista pelo absurdista como outro método fraudulento de evadir o Absurdo, e não tendo esperança, o indivíduo estará motivado a viver cada momento ao máximo.
Integridade[editar]
O absurdista não é guiado por moralidade, mas ao invés disso, pela sua própria integridade. O absurdista é, de fato, amoral (porém não necessariamente imoral). Moralidade implica um firme senso definitivo de certo e errado, enquanto a integridade implica honestidade com si mesmo e consistência nas motivações subjacentes das ações e decisões do indivíduo.
Ver também[editar]
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Referências
- ↑ Albert Camus. Stanford Encyclopedia of Philosophy. "(inglês) Qual a alternativa camusiana ao suicídio ou esperança? A resposta é viver sem saída, mas com integridade, em “revolta” e desafiando o Absurdo, mantendo a tensão intrínseca à vida humana"
- ↑ Myth of Sisyphus, p. 40, note 7