Acidente do ônibus espacial Challenger

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STS-51-L
Insígnia da missão
Estatísticas da missão
Ônibus espacial OV-099 Challenger
Número de tripulantes 7
Base de lançamento LC-39B
Lançamento 28 de janeiro de 1986 16h:38min:00s (UTC)
KSC, Cabo Canaveral, Flórida
Aterrissagem Ônibus espacial perdido (previsto para 3 de fevereiro de 1986, 17h:12min) (UTC)
Órbitas Não atingiu nenhuma órbita
(planejado para 96 órbitas)
Duração 73 segundos
(planejado para 6 dias e 34 minutos)
Altitude orbital Planejado para
150 milhas náuticas
(277,8 km; 172,62 milhas)
Inclinação orbital 28,5 graus
Distância percorrida 29 km
Imagem da tripulação
Topo: Ellison Onizuka, Christa McAuliffe, Gregory Jarvis, Judith Resnik Abaixo: Michael Smith, Francis Scobee, Ronald McNair
Topo: Ellison Onizuka, Christa McAuliffe, Gregory Jarvis, Judith Resnik
Abaixo: Michael Smith, Francis Scobee, Ronald McNair
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O acidente do ônibus espacial (português brasileiro) ou vaivém (português europeu) Challenger ocorreu no dia 28 de janeiro de 1986, durante a fase de decolagem do ônibus espacial Challenger, em apenas 73 segundos após seu lançamento da missão STS-51-L, causando a explosão da nave e consequentemente, a morte dos sete tripulantes que estavam a bordo. A nave se desintegrou sobre o Oceano Atlântico ao longo da costa da Flórida, às 16:38 UTC. Sua desintegração total começou quando o O-ring de vedação do lado direito do foguete de combustível sólido (SRB) falhou em pleno ar. A falha do O-ring causou uma quebra do selamento do foguete, permitindo que o gás quente sob pressão de dentro do motor do foguete sólido alcançasse a parte externa e invadisse o anexo das ferragens adjacentes do SRB e do tanque de combustível externo, levando à separação do anexo do lado direito do SRB e a falha estrutural do tanque externo. Forças aerodinâmicas rapidamente destruiu a nave por completo.

O desastre resultou na pausa por 32 meses do programa de ônibus espaciais e da criação da Comissão Rogers, uma comissão especial nomeado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, para investigar o acidente. A Comissão Rogers investigou a agência espacial da NASA, descobrindo vários processos decisivos que tinham sido fundamentais para a contribuição do acidente.[1] Os administradores da NASA sabiam que a empresa produtora de motores de foguetes, Morton Thiokol, continha uma possível falha produtiva nos O-rings desde 1977, porém, não conseguiram resolver o problema corretamente. Eles também ignoraram os avisos dos engenheiros sobre os perigos de lançamento devido às baixas temperaturas daquela mesma manhã, não informando estes riscos e preocupações técnicas aos superiores.

O compartimento da tripulação e muitos outros fragmentos foram recuperados no fundo do oceano depois de uma longa busca e operações de recuperação dos destroços. Embora o momento exato da morte da tripulação fosse desconhecida, os descrito que os tripulantes foram sobreviveram à primeira quebra do ônibus espacial. No entanto, a nave não tinha sistema de escape, e o impacto da cabine da tripulação com a superfície do oceano foi muito violento para eles sobreviverem.

O que Rogers não revela foi o fato da nave nunca ter sido certificada para operar em baixas temperaturas. Os O-rings, bem como muitos outros componentes importantes, não tinham dados testados para suportar quaisquer expectativa de um lançamento com sucesso nas tais condições. John Weems, da estação meteorológica da NASA disse: "Tínhamos preparado uma previsão para o dia seguinte. Sabíamos que os ventos estariam diminuindo, mas a real preocupação, era com o frio intenso que estava na área. Montamos uma previsão de 12 horas para apresentar à gestão da missão, apresentando temperaturas de 24ºF (cerca de –4,4ºC) no plataforma para a manhã seguinte".[2]

O 25º voo do programa do ônibus espacial Challanger teria dois marcos para entrar na história das viagens espaciais, ambos devido à presença da professoraastronauta Christa McAuliffe como tripulante, pois ela seria a primeira mulher (1), e como tal a primeira "civil" (não astronauta) (2) a ser enviada ao espaço pela NASA. Muito por conta da presença da professora na tripulação, o lançamento foi assistido ao vivo por cerca de 17% da população Norte americana. A repercussão do acidente na mídia, também foi extensa: um estudo relatou que 85% dos norte-americanos entrevistados ​​tinham tomado conhecimento da notícia dentro de uma hora depois da tragédia. O desastre do Challenger tem sido usado como estudo de casos em muitas discussões de engenharia de segurança e ética no trabalho.

Condições do pré-lançamento[editar | editar código-fonte]

Atrasos[editar | editar código-fonte]

Originalmente, o Challenger estava programado para ser lançado no Centro Espacial John F. Kennedy, na Flórida, às 19:42 (UTC), do dia 22 de janeiro de 1986. No entanto, os atrasos da missão anterior, STS-61-C, fez com que a data de lançamento fosse transferida para o dia 23 de janeiro, e depois para o dia 24. O lançamento então, foi remarcado para o dia 25 de janeiro, devido ao mau tempo do local de Aterrissagem de Abordagem-Transoceânica (TAL) na cidade de Dakar, em Senegal. A NASA decidiu utilizar a cidade de Casablanca, Marrocos, para esta função, porque não estavam equipados para aterrissagens noturnas, tendo de mudar o horário para a manhã (horário da Flórida). Novamente, a previsão de que haveria um péssimo clima no Centro Espacial Kennedy, causou a mudança do lançamento para 14:37 (UTC), em 27 de janeiro.[3]

Então, por problemas com a tampa de acesso exterior, o lançamento foi definitivamente programado para o dia 28 de janeiro. Um dos indicadores do micro-interruptor usado para verificar a escotilha, estava com defeito.[4] Por conseguinte, um parafuso impedia que fechasse um dispositivo da porta da nave.[5] Quando o dispositivo estava finalmente desligado, ventos laterais excederam os limites no local de lançamento (RTLS).[6] A equipe esperava que os ventos fossem para fora da abertura de lançamento.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Outer Space Universe. Remembering the Challenger Shuttle Explosion: A Disaster 25 Years Ago. Página visitada em 29 de dezembro de 2012.
  2. Chris Bergin (28 de janeiro de 2007). Remembering the mistakes of Challenger. nasaspaceflight.com. Página visitada em 30 de dezembro de 2012.
  3. STS-51-L mission archives. NASA. Página visitada em 30 de dezembro de 2012.
  4. McConnell, Malcolm. Challenger: A Major Malfunction, pages 150–153.
  5. McConnell, Malcolm. Challenger: A Major Malfunction, page 154.
  6. Rogers Commission (6 de junho de 1986). Report of the Presidential Commission on the Space Shuttle Challenger Accident, Chapter II: Events Leading Up to the Challenger Mission. Página visitada em 30 de dezembro de 2012.