Acordos de Helsínquia
Os Acordos de Hensínquia resultaram da Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa (CSCE), também conhecida como Conferência de Helsínquia, que teve lugar em Helsínquia, capital da Finlândia, ao longo de várias sessões entre 3 de julho de 1973 e a decisiva terceira sessão de 30 de julho a 1 de agosto de 1975. A conferência reuniu os Estados Unidos da América, Canadá, a União Soviética e quase todos os países europeus (incluindo a Turquia e excluindo a Albânia e Andorra). Não se deve confundir com a Declaração de Helsínquia de 1964, de conteúdo científico, sobre princípios relacionados com a experimentação humana.
Culminou com a importante Acta final da Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa conhecida também como Acta final de Helsínquia, Acordos de Helsínquia ou Declaração de Helsínquia. Foi assinada por 35 países. É o ponto de partida da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).
A Conferência teve reuniões posteriores, que decorreram em Belgrado (4 de outubro de 1977 - 8 de março de 1978), Madrid (11 de novembro de 1980 - 9 de setembro de 1983), e Viena (4 de novembro de 1986 - 19 de janeiro de 1989). A Cimeira de Paris de 1990 pode considerar-se como ponto final da Conferência, pelo desaparecimento do Bloco de Leste.
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Conteúdo da Acta de Helsínquia [editar]
Os pontos principais enumerados na Acta foram:
- Igualdade soberana, quanto aos direitos inerentes à soberania
- Abstenção de recorrer à ameaça o ao uso da força
- Inviolabilidade das fronteiras
- Integridade territorial dos estados
- Resolução de controvérsias por meios pacíficos
- Não intervenção nos assuntos internos
- Respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais
- Igualdade de direitos e Direito à autodeterminação dos povos
- Cooperação entre estados
- Comprimento de boa fé das obrigações do direito internacional
Significado da Acta de Helsínquia [editar]
No momento da assinatura, o documento foi visto em simultâneo como um passo significativo para reduzir as tensões da Guerra Fria (a chamada détente), e como um triunfo diplomático da União Soviética, devido às cláusulas de inviolabilidade das fronteiras nacionais e ao respeito pela integridade territorial, que reconheciam pela primeira vez as incorporações territoriais da União Soviética na Europa de Leste depois da Segunda Guerra Mundial.
Não obstante, a parte dedicada aos direitos humanos proporcionou as bases para o funcionamento do Grupo de Helsínquia em Moscovo, uma ONG independente criada para vigiar o cumprimento dos Acordos de Helsínquia. O Grupo de Helsínquia estender-se-ia com a criação de vários comités regionais, que acabaram formando a Federação Internacional de Helsínquia e a Human Rights Watch. Embora se suponha que vigiavam o cumprimento da Acta por todos os signatários, o foco da sua atenção era a aplicação na União Soviética e nos seus aliados do Pacto de Varsóvia, dando apoio internacional aos grupos dissidentes. O resultado final pode considerar-se como o início da derrocada interna do bloco de leste.
Estados signatários [editar]
A lista de Estados segue a ordem original. Os Estados são enumerados por ordem alfabética em língua francesa:
Alemanha Ocidental
Alemanha Oriental
Áustria
Bélgica
Bulgária
Canadá
Chipre
Dinamarca
Espanha
Finlândia
Estados Unidos
Reino Unido
Grécia
Hungria
Irlanda
Islândia
Itália
Liechtenstein
Luxemburgo
Malta
Mónaco
Noruega
Países Baixos
Polónia
Portugal
Roménia
São Marino
Santa Sé
Suécia
Suíça
República Checa
Turquia
União Soviética
Iugoslávia
Chefes de Estado, líderes de governos e dirigentes de partidos de governo presentes [editar]
- Helmut Schmidt - Chanceler da Alemanha Ocidental
- Erich Honecker - Secretário do Conselho de Estado da Alemanha Oriental
- Gerald Ford - Presidente dos Estados Unidos da América
- Bruno Kreisky - Chanceler da Áustria
- Leo Tindemans - Primeiro-ministro da Bélgica
- Todor Zhivkov - Primeiro Secretário do Comité Central do Partido Comunista da Bulgária
- Pierre Trudeau - Primeiro-ministro do Canada
- Makarios III - Presidente da República de Chipre
- Anker Jørgensen - Primeiro-ministro da Dinamarca
- Carlos Arias Navarro - Primeiro-ministro da Espanha
- Urho Kekkonen - Presidente da Finlândia
- Valéry Giscard d’Estaing - Presidente de França
- Harold Wilson - Primeiro-ministro do Reino Unido
- Konstantinos Karamanlis - Primeiro-ministro da Grécia
- János Kádár - Presidente do Conselho de Ministros da República Popular da Hungria
- Liam Cosgrave - Primeiro-ministro da Irlanda
- Geir Hallgrímsson - Primeiro-ministro da Islândia
- Aldo Moro - Primeiro-ministro da Itália
- Walter Kieber - Primeiro-ministro do Liechtenstein
- Gaston Thorn - Primeiro-ministro do Luxemburgo
- Dom Mintoff - Primeiro-ministro de Malta
- André Saint-Mleux - Ministro de Estado do Mónaco
- Trygve Bratteli - Primeiro-ministro da Noruega
- Joop den Uyl - Primeiro-ministro dos Países Baixos
- Edward Gierek - Primeiro-secretário do Partido Operário Unido da Polónia
- Francisco da Costa Gomes - Presidente de Portugal
- Nicolae Ceauşescu - Presidente da Roménia
- Gian Luigi Berti - Capitão-regente de San Marino
- Agostino Casaroli - Cardeal Secretário da Santa Sé
- Olof Palme - Primeiro-ministro da Suécia
- Pierre Graber - Presidente do Conselho Nacional da Suíça
- Gustáv Husák - Presidente da Checoslováquia
- Süleyman Demirel - Primeiro-ministro da Turquia
- Leonid Brezhnev - Secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética
- Josip Broz Tito - Presidente da República Federal Socialista da Jugoslávia
Estiveram ausentes:
- Joan Martí Alanis - Co-Príncipe de Andorra
- Enver Hoxha - Primeiro-secretário do Partido do Trabalho da Albânia