Ad orientem

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Missa celebrada ad orientem, momento da elevação do cálice para adoração dos fiéis. Fraternidade Sacerdotal São Pedro.

Na liturgia católica e ortodoxa a expressão Ad orientem (para o Oriente), Versus Deum (Virado para Deus) ou Coram Deo (de Frente para Deus) é a orientação em que o padre celebra a missa voltado para o Oriente, seja o oriente real ou litúrgico.

O oriente é, para nós (...) a direção em que se localiza Jerusalém, a cidade que é modelo do paraíso (chamado de Nova Jerusalém) e onde Nosso Salvador foi morto no madeiro da cruz. Também no oriente nasce o Sol e Jesus Cristo é o verdadeiro Sol pois é a luz do mundo.1

O oriente passou a ser antes o oriente litúrgico, que o oriente real. Uma vez que a maior parte das igrejas foi construída tendo o altar e o sacrário, em geral, no fundo dos presbitérios, inseridos a um retábulo, o sacerdote celebrava voltado para o Sacrário, onde segundo a doutrina católica, está Deus Filho (guardado sob as espécies consagradas), motivo pelo qual esta orientacão é também chamada de "versus Deum", ou "Coram Deo", pois o padre fica voltado para Deus Filho. O padre assume, assim, postura de adoração idêntica à do povo, dirigindo as orações da Missa a Deus, voltando-se para a congregação nas admonições e para a homilia.1 A maioria dos ritos ortodoxos adotam até hoje a posição "ad Orientem" durante a Missa.

A orientação ad orientem se opõe a chamada versus populum, em que o sacerdote celebrante encara a assembléia de fiéis.

Instruções oficiais da Igreja latina [editar]

Na Igreja Latina a orientação ad orientem é comumente considerada uma característica peculiar da missa tridentina, em que o sacerdote fica de frente para o sacrário e de costas para o povo, enquanto a versus populum é da missa nova, na realidade, ambas aceitam as duas configurações - versus Deum ou versus populum. O Papa Bento XVI celebrando a missa nova, o fez versus Deum na Capela Sistina, e a última missa de São Pio de Pietrelcina foi celebrada versus populum, mesmo sendo tridentina.1

O Concílio Vaticano II nos anos 60 na constituição apostólica sobre liturgia Sacrosanctum Concilium não pediu para mudar a orientação tradicional do celebrante para o Oriente, no entanto, em seguida ao Concílio, liturgistas inverteram a direção de oração do celebrante na missa.2

Curiosamente as três edições oficiais (editio typica) do Missal Romano após o Vaticano II elaboraram o rito da missa nova, tendo como base a posição ad orientem, tais como várias frases da Instrução Geral do Missal Romano, na segunda edição de 1975 e na de 2000:

. "107 Voltando ao centro do altar voltado para o povo, e estendeu as mãos e convida o povo a orar, dizendo: Orai, irmãos, irmãs [...]".
. "146 Então, voltou ao centro do altar, o sacerdote, de pé, voltado para o povo, estendendo e juntando as mãos, convida o povo a orar, dizendo: Orai, irmãos, irmãs .[...]".
Exemplo de um altar moderno inserido com o sacrário, na parede, organização típica do presbitério antes do Concílio Vaticano II, projetadas para permitir a posição ad orientem.

Em ambas as intruções o missal parece adotar anteriormente a posição "ad orientem", como regra da missa, de maneira que instruí o padre a dirigir-se ao povo quando necessário (também na missa tridentina o sacerdote deve pronunciar o "Orate Fratres" voltado para o povo), pressupondo portanto que ele estava versus Deum anteriormente.3

O Missal no entanto, também recomenda que nas igrejas novas ou renovadas "o altar deve ser construído afastado da parede, de tal forma que é possível caminhar em torno dele facilmente na Missa e que se pode encarar o povo, o que é desejável sempre que possível."4 e também finaliza recomendando como desejável a celebração versus populum: "é altamente desejável, sempre que possível". Ambas as instruções, no entanto, são de caráter recomendativo e não prescritivo ou normativo.3 Mesmo assim, a versus populum tornou-se comum na missa nova, e uma vez que nas igrejas antigas ad orientem, era fisicamente impossível a celebração versus populum, durante a Reforma Litúrgica, na maioria das igrejas os retábulos e altares antigos foram destruídos,1 em outros lugares preservou-se os retábulos antigos, mas acrescentou-se no meio do presbitério um novo altar que permite a celebracão versus populum, sendo que o original ficou em desuso.

A carta de 25 de Setembro de 2000 da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos diz "que é desejável sempre que possível" referindo-se a recomendação de que os altares sejam construídos afastados da parede, para permitir a celebração versus populum, e "reafirma que a posição em direção ao povo parece mais conveniente na medida em que torna a comunicação mais fácil... sem excluir, no entanto, a outra possibilidade."5

O Papa João Paulo II sempre celebrou a missa publicamente de frente para o povo. O Papa Bento XVI, por sua vez, já enquanto Cardeal, havia defendido a centralidade da orientação para o Oriente, incluindo um capítulo inteiro de seu livro O Espírito da Liturgia.2 Assim em 13 de janeiro de 2008, Bento XVI usou esta orientação durante uma celebração litúrgica na Capela Sistina, pela primeira vez em um período de 30 anos, o Escritório de Celebrações Litúrgicas Pontifícias confirmou na celebração ad orientem de Bento XVI, e que esta era "para não alterar a beleza e a harmonia desta jóia arquitetônica, preservando sua estrutura desde o inicio da celebração de acordo com o Missal geralmente introduzido por Paulo VI após o Concílio Vaticano II".6

Referências

  1. a b c d Coram Deo e Versus populum. Salvem a Liturgia. Página visitada em 25 de julho de 2011.
  2. a b L'Esprit de la liturgie, Cardinal Joseph Ratzinger, Ad Solem, 2006, p. 65, 67. Chapitre « L'autel et l'orientation de la prière », p. 63-71.
  3. a b Ad Orientem. Liturgia em Foco. Página visitada em 25 de julho de 2011.
  4. Instrução Geral do Missal Romano, 299
  5. English translation of Letter of protocol number 2036/00/L and date 25 September 2000
  6. Isabelle de Gaulmyn, Benoît XVI a célébré une messe « dos au peuple », in La Croix, 15/01/2008