Ad orientem

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Missa celebrada ad orientem, momento da elevação do cálice para adoração dos fiéis. Fraternidade Sacerdotal São Pedro.

Na liturgia católica as expressões ad orientem (para o Oriente), versus Deum (virado para Deus) e coram Deo (de frente para Deus) são geralmente usadas hoje para indicar a orientação em que o padre e o povo são voltados todos na mesma direção na celebração da missa.

Esta orientação se opõe a chamada versus populum, em que o sacerdote celebrante encara a assembléia de fiéis.

No Missal Romano do período da missa tridentina o termo ad orientem era sinónimo de versus populum, como se ve no Ritus servandus in celebratione Missae, V, 3 (também na edição do ano de 1962).[1] [2] As primeiras igrejas construídas em Roma tinham a entrada no leste, de modo que para o padre celebrar ad orientem e versus populum era a mesma coisa

Fora de Roma, especialmente no leste, foi escolhida a orientação oposta das igrejas, e o padre ao celebrar olhando para o oriente tinha a assembléia e a entrada atrás de si. A maioria dos ritos ortodoxos adotam até hoje a posição "ad orientem" (para o oriente geográfico) durante a Missa.

O oriente passou a ser antes o oriente litúrgico, que o oriente real. Uma vez que a maior parte das igrejas foi construída tendo o altar e o sacrário, em geral, no fundo dos presbitérios, inseridos a um retábulo, o sacerdote celebrava voltado para o Sacrário, onde segundo a doutrina católica, está Deus Filho (guardado sob as espécies consagradas), motivo pelo qual esta orientacão é também chamada de "versus Deum", ou "Coram Deo", pois o padre fica voltado para Deus Filho. O padre assume, assim, postura de adoração idêntica à do povo, dirigindo as orações da Missa a Deus, voltando-se para a congregação nas admonições e para a homilia.[3]

Instruções oficiais da Igreja latina[editar | editar código-fonte]

Na Igreja Latina a orientação ad orientem é comumente considerada uma característica peculiar da missa tridentina, em que o sacerdote fica de frente para o sacrário e de costas para o povo, enquanto a versus populum é da missa nova, na realidade, ambas aceitam as duas configurações - versus Deum ou versus populum. O Papa Bento XVI celebrando a missa nova, o fez versus Deum na Capela Sistina, e a última missa de São Pio de Pietrelcina foi celebrada versus populum, mesmo sendo tridentina.[3]

O Concílio Vaticano II nos anos 60 na constituição apostólica sobre liturgia Sacrosanctum Concilium não pediu para mudar a orientação tradicional do celebrante para o Oriente, no entanto, em seguida ao Concílio, liturgistas inverteram a direção de oração do celebrante na missa.[4]

Curiosamente as três edições oficiais (editio typica) do Missal Romano após o Vaticano II elaboraram o rito da missa nova, tendo como base a posição ad orientem, tais como várias frases da Instrução Geral do Missal Romano, na segunda edição de 1975 e na de 2000:

. "107 Voltando ao centro do altar voltado para o povo, e estendeu as mãos e convida o povo a orar, dizendo: Orai, irmãos, irmãs [...]".
. "146 Então, voltou ao centro do altar, o sacerdote, de pé, voltado para o povo, estendendo e juntando as mãos, convida o povo a orar, dizendo: Orai, irmãos, irmãs .[...]".
Exemplo de um altar moderno inserido com o sacrário, na parede, organização típica do presbitério antes do Concílio Vaticano II, projetadas para permitir a posição ad orientem.

Em ambas as intruções o missal parece adotar anteriormente a posição "ad orientem", como regra da missa, de maneira que instruí o padre a dirigir-se ao povo quando necessário (também na missa tridentina o sacerdote deve pronunciar o "Orate Fratres" voltado para o povo), pressupondo portanto que ele estava versus Deum anteriormente.[5]

O Missal no entanto, também recomenda que nas igrejas novas ou renovadas "o altar deve ser construído afastado da parede, de tal forma que é possível caminhar em torno dele facilmente na Missa e que se pode encarar o povo, o que é desejável sempre que possível."[6] e também finaliza recomendando como desejável a celebração versus populum: "é altamente desejável, sempre que possível". Ambas as instruções, no entanto, são de caráter recomendativo e não prescritivo ou normativo.[5] Mesmo assim, a versus populum tornou-se comum na missa nova, e uma vez que nas igrejas antigas ad orientem, era fisicamente impossível a celebração versus populum, durante a Reforma Litúrgica, na maioria das igrejas os retábulos e altares antigos foram destruídos,[3] em outros lugares preservou-se os retábulos antigos, mas acrescentou-se no meio do presbitério um novo altar que permite a celebracão versus populum, sendo que o original ficou em desuso.

A carta de 25 de Setembro de 2000 da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos diz "que é desejável sempre que possível" referindo-se a recomendação de que os altares sejam construídos afastados da parede, para permitir a celebração versus populum, e "reafirma que a posição em direção ao povo parece mais conveniente na medida em que torna a comunicação mais fácil... sem excluir, no entanto, a outra possibilidade."[7]

O Papa João Paulo II sempre celebrou a missa publicamente de frente para o povo. O Papa Bento XVI, por sua vez, já enquanto Cardeal, havia defendido a centralidade da orientação para o Oriente, incluindo um capítulo inteiro de seu livro O Espírito da Liturgia.[4] Assim em 13 de janeiro de 2008, Bento XVI usou esta orientação durante uma celebração litúrgica na Capela Sistina, pela primeira vez em um período de 30 anos, o Escritório de Celebrações Litúrgicas Pontifícias confirmou na celebração ad orientem de Bento XVI, e que esta era "para não alterar a beleza e a harmonia desta jóia arquitetônica, preservando sua estrutura desde o inicio da celebração de acordo com o Missal geralmente introduzido por Paulo VI após o Concílio Vaticano II".[8]

Referências

  1. Rubricas del Misal Romano, 1674
  2. Rubricae missalis Romani commentariis illustratae, 1674
  3. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas Salvem_a_Liturgia
  4. a b L'Esprit de la liturgie, Cardinal Joseph Ratzinger, Ad Solem, 2006, p. 65, 67. Chapitre « L'autel et l'orientation de la prière », p. 63-71.
  5. a b Ad Orientem Liturgia em Foco. Visitado em 25 de julho de 2011.
  6. Instrução Geral do Missal Romano, 299
  7. English translation of Letter of protocol number 2036/00/L and date 25 September 2000
  8. Isabelle de Gaulmyn, Benoît XVI a célébré une messe « dos au peuple », in La Croix, 15/01/2008