Adelina Patti

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Adelina Patti (Madrid, 19 de fevereiro de 1843Craig-y-Nos, 27 de setembro de 1919) foi uma aclamada soprano do século XIX, sendo exaltada nas maiores capitais musicais da Europa e das Américas no auge da sua carreira. Sua primeira apresentação pública aconteceu quando criança, no ano de 1851 e sua última performance pública aconteceu em 1914. Juntamente com seus contemporâneos Jenny Lind e Thérèse Tietjens, Patti tornou-se uma das mais famosas sopranos da história da música erudita, tanto pela pureza e beleza da sua voz lírica, como também pela sua técnica do bel canto.

O compositor Giuseppe Verdi, escreveu em 1877, descrevendo-a como a melhor cantora que ele já viveu e uma "artista estupenda". A admiração de Verdi por Patti pode ser encontrada em numerosas críticas musicais e comentarios sociais da época.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Adelina Patti nasceu Adela Juana Maria Patti[1] , a última criança do tenor Salvatore Patti (1800-1869) e da soprano Caterina Barilli (morta em 1870). Seus pais italianos trabalhavam em Madri, Espanha na época do seu nascimento. Como seu pai veio da Sicília, Parri nasceu com o apelido de Rainha das Duas Sicílias. Ela, mais tarde, retirou o passaporte francês, já que seus dois maridos eram franceses.

Suas irmãs, Amalia e Carlotta Patti, também foram cantoras. Em sua infância, a família mudou-se para a cidade de Nova Iorque. Patti cresceu em Wakefield, parte do Bronx[2] . Desde criança Patti já cantava profissionalmente e desenvolveu a voz soprano de coloratura com registros vocais equalizados perfeitamente e surpreendentemente emotivo. Acredita-se que Patti aprendeu muito do que sabia sobre técnicas de canto com seu meio-irmão Maurice Strakosch, um músico e impresário. Posteriormente, Patti, como outros grandes cantores com egos consideráveis, comentou que tudo o que sabia, havia aprendido por conta própria.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Adelina Patti fez sua estréia operística aos dezesseis anos, no dia 24 de novembro de 1859 no papel título de Lucia di Lammermoor de Gaetano Donizetti, na Academia de Música em Nova Iorque. Nodia 24 de agosto de 1860, ela e Emma Albani foram solistas da première mundial de Cantata de Charles Wugk Sabatier em Montreal, sendo essa performance em honra da visita do Príncipe de Gales. Em 1861, aos dezoito anos, ela foi convidada a apresentar-se no Covent Garden, executando o papel de Amina em La sonnambula[1] de Vincenzo Bellini. Ela foi muito aclamada no Covent Garden nessa temporada e usando Londres como sua base, ela foi conquistar o continente europeu, apresentando Amina em Paris e Viena, nos anos seguintes, com um enorme sucesso.

Então, em 1862, durante uma turnê americana, ela cantou Home, Sweet Home de John Howard Payne na Casa Branca para o Presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln e sua esposa, Mary Lincoln. Os Lincolns estavam de luto pela morte de seu filho Willie, que havia morrido de tifo. Emocionados com a interpretação, os Lincoln pediram bis da música. Esse fato tornou-se característica de Patti e ela, em todos seus recitais e concertos, cantava uma música bonus.

A carreira de Patti foi marcada por sucessos atrás de sucessos. Ela não cantou apenas na Inglaterra e nos Estados Unidos no começo de sua carreira, mas em toda a costa da Europa como na Rússia e na América do Sul, levando o público a loucura.

Adelina Patti

Durante a década de 1860, Patti possuia uma voz doce e com fáceis notas altas de uma flexibilidade e pureza incrível, sendo características perfeitas para Zerlina, Lucia e Amina, mas como Verdi notou em 1878, suas notas baixas ganharam beleza e força quando ela tornou-se mais velha. Patti, entretanto, mudou-se para uma cantora conservativa na fase final de sua carreira de óperas e concertos.

Durante sua fase madura, nas décadas de 1870 e 1880, Patti mostrou-se uma cantora mais empreendedora, provando ser uma boa atriz nos papéis líricos, demonstrando muita emoção, como em Gilda em Rigoletto, Leonora de Il trovatore, o papel título de Semiramide e Violeta em La traviata. Ela nunca interpretou papéis veristas já que essas obras tornaram-se populares apenas no fim de sua carreira, durante o fim do século XIX.

Muitos anos antes, Patti teve uma boa experiência em Paris com o compositor de óperas de bel canto, Gioacchino Rossini, que era um grande defensor dos valores tradicionais do canto italiano.

Patti recebia $5 mil em uma noite, antes da performance. Seus contratos estipulavam que seu nome seria o maior do que qualquer outro nome nos cartazes e diziam que ela era livre de todos os ensaios, não precisando comparecer a nenhum.

Vida Pessoal[editar | editar código-fonte]

A vida pessoal de Patti não teve tanto sucesso quanto sua vida profissional, mas não foi mais desastrosa que a de muitos cantores de óperas. Haviam rumores dela ter um romance com o tenor Mario, já que ele se gabava de ter feito "amor com ela muitas vezes".

Patti foi casada três vezes[3] : primeiro foi em 1868 com Henri de Roger de Cahusac, Marquês de Caux (1826-1889). O casamento foi um colapso, ambos tiveram relacionamentos extra-conjugal e de Caux concedeu a ela a separação em 1877 e o divórcio em 1885. A união foi dissolvida com amargura e custou-lhe a metade da fortuna.

Ela morou com o tenor francês Ernesto Nicolini (1834-1898) por muitos anos, logo após o divórcio com Caux, quando ela casou com ele em 1886. O casamento durou até a morte do tenor em 1898 e foi um casamento aparentemente feliz.

O último casamento de Patti foi em 1899 com o Barão Rolf Cederström (1870-1947), um presunçoso, mas elegante. Aristocrata sueco, o Barão reduziu a vida social de Patti. Ele reduziu as funcionárias domésticas drasticamente: de 40 para 18, mas a deu devoção e apoio, o que ela tanto precisava. Após a sua morte, ele casou-se com uma mulher mais nova. A única filha deles, Brita Yvonne Cederström (1924) acabou sendo a única herdeira de Patti. Patti não teve nenhum filho, mas teve muito contato com sobrinhos e sobrinhas. Patti LuPone, atriz e cantora que venceu o Prêmio Tony da Broadway é a sua sobrinha neta e homônima. O baterista Scott Devous é seu sobrinho-neto em terceiro grau.

Referências

  1. a b Sadie: The New Grove Dictionary of Opera, 918
  2. Bronx County Clerk's Office
  3. George Putnam Upton, "Musical Memories: My Recollections of Celebrities of the Half Century, 1850-1900" (AC McClurg, 1908), page 40