Adrenoleucodistrofia
| Adrenoleucodistrofia | |
|---|---|
| Classificação e recursos externos | |
| CID-10 | E71.3 |
| CID-9 | 330.0 |
A adrenoleucodistrofia, também conhecida pelo acrônimo ALD, é uma doença genética rara, incluída no grupo das leucodistrofias, e que tem duas formas, sendo a mais comum a forma ligada ao cromossomo X, sendo uma herança ligada ao sexo de caráter recessivo transmitida por mulheres portadoras e que afeta fundamentalmente homens.1
O filme Lorenzo's Oil ("O óleo de Lorenzo") trata da manifestação da doença e da busca pela cura por parte dos pais de Lorenzo Odone, menino portador de ALD, sendo baseado em fatos reais.
Índice |
Como ocorre [editar]
Na ALD, a atividade anormal dos peroxissomos leva a um acúmulo excessivo de ácidos graxos de cadeia muito longa (AGCML) constituídos de 24 ou 26 átomos de carbono em tecidos corporais, sobretudo no cérebro e nas glândulas adrenais. A conseqüência desse acúmulo é a destruição da bainha de mielina, o revestimento dos axônios das células nervosas, afetando, assim, a transmissão de impulsos nervosos.
O gene defeituoso que ocasiona a doença está localizado no lócus Xq-28 do cromossomo X. Tal gene é responsável pela codificação de uma enzima denominada ligase acil CoA gordurosa, que é encontrada na membrana dos peroxissomos e está relacionada ao transporte de ácidos graxos para o interior dessa estrutura celular. Como o gene defeituoso ocasiona uma mutação nessa enzima, os AGCML ficam impedidos de penetrar nos peroxissomos e se acumulam no interior celular. Os mecanismos precisos através dos quais os AGCML ocasionam a destruição da bainha de mielina ainda são desconhecidos.
A incidência de ALD é de cerca de 1 para cada 10.000 indivíduos. As possibilidades de descendência a partir de uma mulher portadora da ALD e homem normal são 2 :
- 25% de chances de nascer um filho normal;
- 25% de chances de nascer um filho afetado;
- 25% de chances de nascer uma filha normal;
- 25% de chances de nascer uma filha portadora heterozigota.
As chances de descendência para um homem afetado e mulher homozigota dominante, por sua vez, são:
- Se tiver filhas, serão todas portadoras do gene, porém normais;
- Se tiver filhos, serão todos normais;
Formas básicas da doença [editar]
Neonatal [editar]
Manifesta-se nos primeiros meses de vida. Os genes anormais que causam a forma neonatal da ALD não estão localizados no cromossomo X, o que significa que pode afetar tanto meninos quanto meninas.
- Período de sobrevida: 5 anos.
- Sintomas: Retardo; disfunção adrenal; deterioração neurológica; degeneração retinal; convulsões; hipertrofia do fígado; anomalias faciais; músculos fracos.
Clássica ou infantil [editar]
Forma mais grave da ALD, desenvolvida por cerca de 35% dos portadores da doença. Manifesta-se no período de 4 a 10 anos de idade.
- Período de sobrevida: 10 anos.
- Sintomas: Problemas de percepção; disfunção adrenal; perda da memória, da visão, da audição, da fala; deficiência de movimentos de marcha; demência grave.
Adulta (AMN) [editar]
Forma mais leve que a clássica. Manifesta-se no início da adolescência ou no início da idade adulta.
- Período de sobrevida: Décadas.
- Sintomas: Dificuldade de deambulação; disfunção adrenal; incontinência urinária; deterioração neurológica.
ALD em mulheres [editar]
Embora a doença se manifeste principalmente em homens, mulheres portadoras também podem desenvolver uma forma leve da ALD, com sintomas como ataxia e fraqueza ou paralisação dos membros inferiores.
Tratamento [editar]
Pacientes com ALD devem ser testados periodicamente para a função das glândulas adrenais. Não existe um tratamento plenamente eficaz, mas alguns tipos de terapia vem mostrando bons resultados:
Dieta [editar]
As tentativas iniciais de terapia dietética em ALD envolviam a restrição à ingestão de ácidos graxos de cadeia muito longa (VLCFA). A dieta não é a única fonte para VLCFA no corpo, já que eles também são sintetizados endogenamente. Esta restrição alimentar não teve impacto nos níveis de VLCFA no plasma e outros tecidos do corpo. Os pais de Lorenzo Odone, um menino com ALD, liderou os esforços para desenvolver um tratamento para retardar a progressão da doença. Eles desenvolveram uma mistura de ácidos insaturados (trioleato de glicerol e trierucate glicerilo em uma proporção de 4:1), conhecido como óleo de Lorenzo, que inibe o alongamento das gorduras saturadas no corpo. A suplementação da dieta com o óleo de Lorenzo mostrou normalizar as concentrações de VLCFA no corpo, embora a sua eficácia no tratamento das manifestações cerebrais da doença ainda são controversos e não provada. Ensaios com o óleo de Lorenzo mostraram que ele não para a degradação neurológica em pacientes sintomáticos, nem melhora a função adrenal. A administração oral doácido docosa-hexaenoico (DHA)Nota 1 pode ajudar crianças com a forma de ALD neonatal.1
Transplante [editar]
Enquanto que a terapia dietética tem demonstrado eficácia para normalizar as concentrações de ácidos de gordura de cadeia muito longa no plasma de indivíduos com ALD, os transplantes de células progenitoras hematopoéticas é o único tratamento que pode parar a desmielinização, que é a principal característica das doença cerebrais. Par ser eficaz, o transplante tem de ser feito numa fase precoce da doença. Se a desmielinização tem progredido, o transplante pode piorar o resultado e aumentar a taxa de desmielinização. Embora transplantes tenham mostrados eficácia para travar o processo de desmielinização naqueles pacientes que apresentam a forma cerebral infantil de ALD, o acompanhamento destes pacientes mostrou que ele não melhora a função adrenal.
Terapia genética [editar]
A utilização da terapia genética vem sendo a mais indicada para os doentes que não encontram um doador adequado para um transplante. Vetores adequados são selecionados, modificados e, em seguida, transplantadas para o paciente através de um procedimento similar ao de um transplante de medula óssea ou células estaminais. A terapia genética vem sendo testada num pequeno número de pacientes, principalmente na França. Estes pacientes foram considerados para terapia genética por não terem compatibilidade HLA para um transplante tradicional. Em dois casos a terapia genética foi bem sucedida, com uma resolução do processo de desmielinização até dois anos após o procedimento. Embora ela tenha sido bem sucedida na resolução dos sintomas neurológicos, os níveis plasmáticos VLCFA permaneceram elevados.
Insuficiência adrenal [editar]
O tratamento da insuficiência supra-renal, que pode acompanhar qualquer um dos tipos comuns de ALD em pacientes homens, não resolve nenhum dos sintomas neurológicos. A reposição hormonal é o padrão para pacientes com ALD demonstrando insuficiência adrenal.Mesmo com o transplante bem-sucedido, a maioria dos pacientes ainda necessitam de reposição hormonal.
Pesquisas em andamento [editar]
Recentemente o uso de suberoilanilida de ácido hidroxâmico (SAHA) Nota 2 trouxe resultados para a normalização dos ácidos graxos de cadeia muito longa, bem como o tratamento das inflamações secundárias,3 mas por ser mais atual, ainda é pouco utilizado.
Ligações externas [editar]
- Página sobre ALD no site do Centro Universitário de Volta Redonda
- Página sobre ALD no NINDS, Estados Unidos (em inglês)
- Site do Projeto Mielina, fundação criada e mantida pela família Odone (em inglês)
Notas e referências
Notas
- ↑ A fonte usada como base para este texto tem um erro, escrevendo este ácido como ácido docosa-hexanoico.
- ↑ N-hidroxi-N'-fenil-octanodiamida, de nome comercial Vorinostat.
Referências
- ↑ a b National Institutes of Health, National Institute of Neurological Disorders and Stroke, NINDS Adrenoleukodystrophy Information Page[1]
- ↑ Página sobre a adrenoleucodistrofia no site lookfordiagnosis.com
- ↑ Artigo sobre tratamento promissor através de um ácido (SAHA) que normalizou os acidos graxos de cadeia longa e as inflamações secundarias. (em inglês)