Aermacchi MB-326

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Aermacchi MB-326
Embraer AT-26 Xavante da Força Aérea Brasileira
Descrição
Fabricante Aermacchi
Entrada em serviço 1962
Missão Treinamento e ataque
Tripulação de 1 ou 2
Dimensões
Comprimento 10,65 m
Envergadura 10,84 m
Altura 3,72 m
Área (asas) 20,35 m²
Peso
Tara 2.474 kg
Peso bruto máximo 5.220 kg
Propulsão
Motores 1 x Viper 20 Mk 540
Performance
Velocidade máxima 870 km/h
Alcance bélico 650 km
Alcance 1.850 km
Teto máximo 14.325 m
Armamento
Metralhadoras bombas leves, metralhadoras .50 em casulos (Xavante) ou na fuselagem (Impala II), lança-foguetes e disposição para câmeras de reconhecimento fotográfico
Mísseis/Bombas Impala II – sulafricano V-3A baseado no Magic I (não está operacional)

O Aermacchi MB-326 é uma aeronave monomotora a jato para o treinamento militar desenvolvida pela companhia italiana Aermacchi, tendo seu primeiro voo ocorrido em 10 de dezembro de 1957. Nesta época, vários modelos de caças supersônicos entravam em operação em todo mundo e a Aermacchi percebeu o potencial de mercado para uma aeronave de treinamento a jato para fazer a conversão operacional dos pilotos para os novos caças. Concorreu neste mercado com o Cessna T-37 e o BAC Jet Provost. Foram construídas no total 778 unidades do MB-326 para treze países.

Fabricado sob licença na Austrália, Brasil e África do Sul, o MB-326 alcançou sucesso por seu baixo custo de produção e operação, sendo uma aeronave versátil, ágil e manobrável. Por estas qualidades, foram também desenvolvidas versões para ataque ao solo.

Foi utilizado pela Força Aérea Italiana até 1981, quando foi substituído pelo Aermacchi MB-339.

Projeto[editar | editar código-fonte]

O primeiro protótipo do MB-326 era equipado com um turbojato Piaggio Rolls-Royce Bristol Siddeley Viper 8 com apenas 785 kgf de potência. Era uma aeronave de asa baixa e desenho convencional. O segundo protótipo já recebeu uma turbina Viper 11 de 1.134 kgf, igual ao primeiro modelo de produção.

Muitas modificações foram aplicadas ao projeto inicial de acordo com as necessidades dos operadores.

Variantes[editar | editar código-fonte]

  • MB-326 – aeronave de treinamento avançado com dois assentos em tandem.
  • MB-326A – versão com alterações nos aviônicos. 12 aeronaves foram produzidas para a Itália.
  • MB-326B – aeronave de treinamento e caça de ataque leve, seis pontos de fixação de armamentos. Produzido para a Tunisia.
  • MB-326C – versão especialmente construída para a transição operacional para o Lockheed 104 Starfighter. Não foi construído.
  • MB-326D – versão de treinamento para a aviação civil. Quatro aeronaves construídas para a Aeritalia.
  • MB-326E – aeronave de treinamento e caça de ataque leve semelhante a MB-326-B. Seis construídas para a Itália.
  • MB-326F – aeronave de treinamento e caça de ataque leve semelhante a MB-326-B para exportação. Nove construídas para Gana.
  • MB-326G – aeronave de treinamento e caça de ataque ao solo com maiores alterações. Maior ênfase nas capacidades de ataque. Possui uma turbina Viper 20 Mk 540 e célula modificada. Serviu de base para diversas outras versões.
    • MB-326GB – versão de produção do MB-326G. Oito vendidas para a Marinha Argentina, 17 para o Zaire e 22 para a Zâmbia.
    • MB-326GC – variante do MB-326GB produzida pela Embraer no Brasil. 182 aeronaves produzidas.
  • MB-326H – aeronave de treinamento para a Austrália. Utiliza a turbina Viper 11. Construída sob licença na Austrália pela Commonwealth Aircraft. Designado pela empresa como CA-30.
  • MB-326K – aeronave monoposta de ataque ao solo baseada na estrutura do MB-326GB, mas com a turbina Viper Mk 642-43. Foram feitos apenas dois protótipos.
    • MB-326KC – aeronave monoposta de ataque ao solo fabricado sob licença pela Atlas Aircraft na África do Sul como Impala II. Ao contrário do MB-326K, usa a turbina Viper 20 Mk 540, também usado no Impala I.
    • MB-326KB – aeronave monoposta de ataque ao solo para o Zaire. Seis construídas.
    • MB-326KD – aeronave monoposta de ataque ao solo para os Emirados Árabes. Três construídas.
    • MB-326 kg – aeronave monoposta de ataque ao solo para Gana. Quatro construídas.
    • MB-326KT – aeronave monoposta de ataque ao solo para Tunisia. Sete construídas.
  • MB-326L – Aeronave biposta de treinamento desenvolvida a partir do MB-326K.
    • MB-326LD – aeronave de treinamento para os Emirados Árabes. Dois construídas.
    • MB-326LT – aeronave de treinamento para a Tunisia. Quatro construídas.
  • MB-326M – aeronave biposta de treinamento desenvolvida a partir do MB-326B, mas com a turbina Viper 20 Mk 540. Construída sob licença pela Atlas na África do Sul com a designação Impala I.
  • MB-326RM – cinco aeronaves italianas convertidas para aeronaves de contra-medidas eletrônicas.

Experiência em combate[editar | editar código-fonte]

Na África do Sul, o Impala operou em missões de penetração ao território angolano na Guerra da Namíbia, atuando contra aeronaves de origem soviética.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Xavantes[editar | editar código-fonte]

Junto com a compra de uma nova aeronave supersônica, que viria a ser o Mirage III, havia a necessidade de selecionar uma aeronave de treinamento para a conversão operacional. Com recursos disponíveis e a vontade de desenvolver uma indústria aeronáutica no Brasil, a FAB procurou uma aeronave adequada e que oferecesse condições contratuais vantajosas que permitissem a sua construção no país. A escolha recaiu sobre o Aermacchi MB-326. Essa encomenda e a fabricação do Bandeirante possibilitaram o início da Embraer. A versão brasileira do MB-326GB foi denominada EMB-326 Xavante pela Embraer e AT-26 pela FAB, indicando sua dupla função de ataque e treinamento.

Os Xavantes entraram em operação em 1971 e continuaram em produção até 1981, sendo o primeiro avião a reação construído em série no Brasil. A Embraer construiu 166 aeronaves para a Força Aérea Brasileira, sendo as demais exportadas para o Togo (6 unidades) e o Paraguai (10 unidades). Onze aeronaves usadas foram doadas para a Marinha da Argentina depois da Guerra das Malvinas para repor as perdas desta força no conflito.

O número de aeronaves adquiridas permitiu equipar vários esquadrões de ataque da FAB, além de sua função na formação de pilotos. Com o tempo, o número de aeronaves disponíveis diminuiu, estando todas as restantes integradas ao 1º/4º Gav cuja função é ministrar o curso de líder de esquadrilha. Aproximadamente 27 aeronaves ainda estão operacionais.

Impalas[editar | editar código-fonte]

Diante do alto custo dos treinadores avançados modernos, a FAB optou por estender a vida operacional de sua frota de Xavantes. Para tanto, adquiriu peças de reposição, motores e até aeronaves (para servirem como fonte de peças) da África do Sul, cuja força aérea substituiu o MB-326 pelo BAe Hawk em 2005. O biposto Xavante e o monoposto Impala II utilizam a mesma turbina.

As aeronaves recebidas estavam em excelente estado, e a FAB resolveu colocar em operação 11 das 14 adquiridas. Estas aeronaves foram designadas pela FAB como AT-26A.

Ao contrário da versão brasileira, o Impala II está equipado com metralhadoras fixas (os Xavantes precisam usar casulos de metralhadoras) e equipamentos de auto-defesa (chafts, flares e detecção de iluminação por radar). O Impala II tinha a capacidade de lançar alguns tipos de mísseis sul-africanos, como o V3-B, mas estes já foram retirados de operação.

Desativação[editar | editar código-fonte]

No dia 2 de dezembro de 2010 houve a desativação de dez aviões Xavantes pela FAB durante cerimônia presidida pelo Comandante da Aeronáutica (FAB), Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito.[1]

Em abril de 2013 os últimos quatro Xavantes restantes no estoque da FAB serão retirados dos cursos de formação e trenamento conduzidos pelo Grupo Especial de Ensaios em Voo. Em setembro de 2013, a aeronave deve ser aposentada definitivamente pela FAB.

Após a aposentadoria do Xavante, o treinamento de pilotos será feito em aeronaves Northrop F-5.[2]

Operadores[editar | editar código-fonte]

Três vistas do Aermacchi MB-326

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências