Afonso Henriques, conde de Gijón e Noronha

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Afonso Henriques
Conde de Gijón e de Noronha
Armas do conde Afonso Henriques
Cônjuge Isabel de Portugal
Descendência
Ver descendência
Pai Henrique II de Castela
Mãe Elvira Íñiguez de la Vega
Nascimento 1355
Gijón
Morte 27 de Agosto de 1395 (40 anos)
Marans, França

Afonso Henriques, conde de Noronha, nasceu em Gijón, em 1355 e morreu exilado em Marans, França 27 de Agosto de 1395).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho primogénito, embora natural, do rei de Castela Henrique II e de Elvira Íñiguez de la Vega, havido antes de seu casamento,[1] [2] [3] [a] Dom Afonso foi o mais poderoso senhor feudal das Astúrias que intentou tornar independente do reino de seu irmão João I de Castela e depois de seu sobrinho o rei Henrique III.

Um ano antes de chegar ao trono de Castela, deu-lhe seu pai o senhorio de Noreña e como senhor deste lugar, Afonso confirmou um documento em novembro de 1368.[4] Na primavera de 1372, Afonso foi nomeado cavaleiro pelo seu pai em Santiago de Compostela e provavelmente foi então quando recebeu os títulos de conde de Noreña e de Gijón.[4] [b] Também herdou os bens que seu pai havia herdado antes de ser rei de seu aio, o rico-homem Rodrigo Álvares,[c] em Astúrias e outros lugares como as vilas de Paredes de Nava, Sahagún, Valencia de Don Juan e o senhorio de Cabrera e Ribera no Bierzo.[5]

O seu casamento com Isabel de Portugal fez parte da aliança estabelecida num dos artigos da paz que celebraram os reis Henrique II e Fernando I de Portugal na cidade de Santarem, a 19 de Março de 1373. O conde Afonso não concordou de boa vontade com o casamento, nem quando foi tratado, nem mais tarde quando se cuidou de o efectuar, porque a condessa Isabel tinha somente oito anos de idade à data em que este casamento se tratou, e ele tinha dezoito. Fugiu para Avinhão no Reino de França para melhor se furtar ao casamento que lhe queriam impor e só de lá voltou forçado pelas ameaças do pai.[6] Assim, depois da sua chegada o casamento realizou-se em Novembro de 1378, mas o conde Afonso não consumou o matrimónio, conseguindo iludir seu pai e a Corte a esse respeito, durante os dois meses que estiveram em Burgos e Palência.

Morto o rei Henrique II, seu pai, obteve a anulação do matrimónio, por sentença de Guterre de Toledo, Bispo de Oviedo, chanceler-mor da rainha Joana, em Medina del Campo, em 12 de Dezembro de 1379, em que foram testemunhas Pedro Tenorio,arcebispo de Toledo, Afonso, bispo da Guarda, Gil Doçem, natural de Portugal, e Rodrigo Arias Maldonado. Este divórcio não surtiu efeito no entanto, dado que veio a consumar o matrimónio.

Na primavera de 1381, João I, seu meio-irmão estava preparando a guerra com Portugal e, sabendo que todas as "gente da guerra" das Astúrias estavam fora da região, Afonso ofereceu a Inglaterra, aliado de Portugal, o porto da cidade de Gijón e prometeu ajudá-lhes a conquistar todo o território. O rei de Castela, quando soube dos planos de seu irmão lhe encurralou em Gijón. O bispo de Oviedo, Guterre de Toledo intercedeu em seu favor e em 26 de julho desse ano o conde Afonso fez "juramento et pleitos et omenajes" na Catedral de Oviedo e obteve o perdão real.[7] No entanto, o conde persistiu em seus planos e preparou uma nova sublevação. O rei João  lhe encomendou a missão para a negociação com Portugal e no início de 1382 foi a Bragança com a permissão de seu irmão, mas, em vez de defender a causa de Castela, Afonso ocultou suas intenções e tentou obter o apoio de Inglaterra a Portugal para as suas próprias reivindicações.[8]

Em Zamora, a 23 de junho de 1382, o rei de Castela confiscou todas as terras e bens que Afonso tinha nas Astúrias e nas montanhas de Leão e, um ano mais tarde, depois das Cortes de Segóvia, em setembro de 1383, o rei douou todos os bens nas Astúrias ao bispo Guterre e à Catedral de Oviedo, incluindo o condado de Noreña.[9] [10] [d] Depois daquelas Cortes em Segóvia, foram descobertos novos tratados de Afonso com o rei de Portugal e o conde foi feito prisioneiro na Puebla de Montalbán por ordem do rei João I, guardado pelo arcebispo de Toledo Pedro Tenorio.[11]

Depois da morte de Dom Fernando I de Portugal, Afonso assim como a condessa Isabel, sua esposa, foram feitos prisioneiros dado que eram possíveis pretendentes ao Trono de Portugal visto que Isabel era filha bastarda deste rei e João I recear que os direitos de seu meio-irmão e cunhado lhe diminuíssem os seus, de pretendente ao Trono de Portugal, por ser casado com Beatriz, filha legítima de El-Rei Fernando I.

Todos seus bens no reino de Castela foram confiscados em julho de 1386, [9] e o conde de Gijon veio a morrer, andando com a condessa Isabel, em França. Por sua morte esta princesa voltou a Portugal, a procurar a protecção de seu tio, o rei João I de Portugal  “o de boa Memória”, o qual lhe fez novas mercês de bens.

Matrimónio e descendência[editar | editar código-fonte]

Castelo de Noreña no século XIX. Desenho da época.

Casou em Burgos em 1378 com Isabel de Portugal, senhora de Viseu, filha natural do rei Fernando I de Portugal,[12] havida antes do seu casamento, e foram o tronco da família portuguesa Noronha. Os filhos dos condes que passaram a Portugal com sua mãe foram:[13]

Fora o casamento teve:

Com Inês Soto de los Infantes, provavelmente da linhagen dos Miranda em Astúrias, teve a:[17]

  • Juana de Lodeña, abadessa no Mosteiro de Santa Clara la Real em Toledo.[e]

Também teve a:

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ Segundo Francisco de Rades y Andrada, historiador Espanhol do século XVI em sua Crónica das ordens de Santiago, Alcántara e Calatrava. p. 31, Elvira (a chama Inês Dias de la Vega), era a filha de Diego Lasso de la Vega e de Elvira de Salcedo. O rei Henrique a chama Elvira Íñiguez no seu testamento outorgado em 29 de maio de 1374.Testamento de Henrique II nas Crónicas de los reyes de Castilla D. Pedro I, D. Enrique II, D. Juan I, D. Enrique III, Tomo II, pp. 106-121 de Pedro López de Ayala. Também aparece como Elvira em 22 de fevereiro de 1375: "Traslado autorizado de uma sentença dada pelos Ouvidores do Rei Enrique II a favor de Ruy Díaz de Terrazas e outros vizinhos de Belorado, numa demanda apresentada por dona Elvira Íñiguez de Vega, mãe de Alfonso, conde de Gijón, filho bastardo do rei, para que lhe restituíssem os bens que estes haviam adquirido por compra já que, segundo ela, lhe tinham sido vendidos por Pedro Fernández de Terrazas em troca de outros bens recebidos do rei."[19]
[b] ^ António Caetano de Sousa em Provas da história da Casa Real Portuguesa (Lisboa, 1739), T.I, p. 427 diz que Afonso foi nomeado conde em 1373. No entanto, Afonso já era conde em 1372 conforme é registrado em vários documentos. Num documento de 1372 no Mosteiro de San Vicente em Oviedo, confirmou como "conde de Noreña y señor de Cabrera y de Ribera".[20]
[c] ^ Como é referido na Crónica de El-Rei Afonso XI, ao capítulo 140. Rodrigo Álvares adoptou ao infante Henrique por filho no ano de 1334.
[d] ^ "Preuilegio de commo el my noble rey don Iohan dio la casa e sennorío de Norenna con todos sus cotos e aldeas e iuguerías e yantares e comiendas e pertenencias e con todos los otros sus derechos a don Gutierre, obispo de Ouiedo, e a su Iglesia", Segóvia 20 de setembro da era 1421 (ano 1383). Entre os que assinaram o privilégio: "El infante don Enrrique, fijo primero heredero (...) don Alfonso (Henriques, conde de Gijón e Noronha), hermano del rey, conde de Valencia (de Don Juan) (...) don Enrrique, hermano del rey (...) infante don Iohan, fijo del rey de Portugal, uasallo del rey (...)"[21]
[e] ^ Em 16 de maio de 1489, o mosteiro transferiu a Diego de Miranda os bens que Juana de Lodeña, filha do conde Afonso e de Inês Soto de los Infantes, herdou do seu pai e levou ao convento em Soto de los Infantes, Salas, Miranda, Grado, Navia, Cangas, Tineo, Allande e Babia. Fonte: Archivo de Valdecarzana, I.D.E.A. citado pela autora.

Referências

  1. Uría Maqua 1975, p. 179.
  2. Sousa 1946, p. 181, Tomo I.
  3. Abranches de Soveral 1998, p. 16.
  4. a b Uría Maqua 1975, p. 182.
  5. Uría Maqua 1975, p. 178-179.
  6. Braamcamp Freire 1921, p. 47.
  7. Fernández Conde 1978, p. 114–115.
  8. Fernández Conde 1978, p. 115.
  9. a b Fernández Conde 1978, p. 124.
  10. Lopes 1897, p. 155-156, Vol. I, Cap. LIII.
  11. Fernández Conde 1978, p. 122, n. 103.
  12. a b Sousa 1755, p. 84.
  13. Braamcamp Freire 1921, p. 47-48.
  14. a b c d e f Braamcamp Freire 1921, p. 48.
  15. Sousa 1755, p. 98.
  16. Sousa 1755, p. 656.
  17. Cuartas Rivero 1983, p. 25.
  18. Sousa 1755, p. 586.
  19. Blanco García 1971, p. 743.
  20. Uría Maqua 1975, p. 182-183.
  21. Rodríguez Díaz 1995, p. 540-545, documento 103.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]