Afonso Celso Garcia Reis

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Afonso Celso Garcia Reis, mais conhecido como Afonsinho (Marília, 3 de setembro de 1947), é um médico e ex-jogador de futebol brasileiro. Jogava como meia. Foi revelado pelo XV de Jaú em 1962, tendo sido transferido para o Botafogo em 1965, onde foi campeão várias vezes, chegando inclusive a ser o capitão da equipe campeã da Taça Brasil em 1968. Em 1970 foi para o Olaria, mas no mesmo ano voltou para o Botafogo.

A luta pelo passe livre[editar | editar código-fonte]

Também atuou pelo Vasco da Gama, Santos, Flamengo, América-MG, Madureira e Fluminense.

Enquanto jogava futebol, estudava medicina. Participava do movimento estudantil, era politizado, combativo e ficou famoso por ser um dos primeiros jogadores de futebol a se rebelar contra a situação do atleta na época em que atuava, considerado um "escravo dos dirigentes e empresários", por não ser dono do próprio passe (vínculo negociável que liga o atleta profissional à agremiação que o contrata). Portanto, reivindicava o passe livre para os atletas, sendo um pioneiro na conquista desse direito.

Por sua atividade política dentro e fora do mundo do futebol, em pleno governo Médici, Afonsinho foi monitorado pelos órgãos de segurança do governo.[1]

Afonsinho encerrou sua carreira no futebol em 1982, aos 35 anos, no Fluminense.

Formou-se em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da UERJ e trabalhou como psiquiatra no Instituto Pinel durante cerca de trinta anos, até se aposentar. No Pinel, utilizou o esporte como complemento do tratamento psiquiátrico.

Organizou, com alguns amigos, também ex-jogadores, uma escolinha de futebol para crianças carentes, no Rio. Casou-se três vezes e tem cinco filhos.[2] [3] Recentemente, após a morte do ex-jogador e também médico Sócrates, ídolo do Corinthians, Afonsinho substituiu-o como colunista na revista Carta Capital.[1]

Passe livre, o filme[editar | editar código-fonte]

Em 1974, foi realizado Passe livre (documentário)[4] , um filme de longa-metragem dirigido por Oswaldo Caldeira, baseado na vida de Afonsinho, que, por usar cabelos compridos e cultivar uma longa barba ruiva, foi proibido de jogar futebol (e mesmo de treinar) no Botafogo, embora seu nível técnico fosse considerado bom o suficiente para integrar a seleção brasileira. Os dirigentes do Botafogo nem mesmo aceitavam negociar o passe do jogador, apesar do interesse de outros grandes clubes, como o São Paulo. Diante da proibição de trabalhar, Afonsinho iniciou uma batalha jurídica e política, acabando por obter, em 1971, em plena ditadura militar, a propriedade de seu próprio passe, ou seja, conseguiu o passe livre, tornando-se o primeiro jogador de futebol "alforriado" do Brasil.[2] A partir deste incidente, o filme examina as relações de trabalho no futebol brasileiro, com a participação de vários jogadores, técnicos e comentaristas de renome, como João Saldanha, Jairzinho, Amarildo e outros.

Também foi escrito um livro-biografia sobre o jogador. Escrito por Kleber Mazziero, o livro - cujo título, Prezado Amigo Afonsinho, se remete ao primeiro verso da canção Meio de campo, que Gilberto Gil dedicou ao atleta - conta com declarações de grandes nomes ligados ao futebol: de Pelé a Zizinho, de José Trajano a Juca Kfouri.

Referências

  1. a b Ícone da esquerda na ditadura, Afonsinho diz ver gestão Marin comprometida, por Bruno Freitas. UOL, 16 de abril de 2013.
  2. a b Prezado amigo Afonsinho, por Plínio Sgarbi.
  3. Ex-astro do futebol sempre um bom brasileiro, por Wilson de Carvalho. A Nova Democracia Nº 4, 2002.
  4. Afonsinho, ex-Botafogo: "Falta democracia no esporte e no futebol". Entrevista por Ciro Barros, 13 de julho de 2012.