Afonso VI de Leão e Castela

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Afonso VI
Rei de Leão, Castela, Toledo e Galiza,
Imperador de toda a Hispânia
Imagem do século XII na
Catedral de Santiago de Compostela
Reinado Leão (1065-1072 e 1072-1109)
Castela (1072-1109)
Galiza (1073-1109)
Títulos Rei de Toledo (1085-1109)
Imperador de toda a Hispânia
Nascimento 1039
Sepultamento Mosteiro de Sahagún, Espanha
Antecessor Fernando I de Leão e Castela
Sucessor Urraca de Leão e Castela
Consorte Inês da Aquitânia
Constança de Borgonha
Berta de Borgonha
Isabel (Zaida de Sevilha?)
Beatriz (da Aquitânia?)
Filhos com Constança de Borgonha
Elvira
Urraca de Leão e Castela
com Isabel
Sancho Afonses
Elvira da Sicília
Sancha de Lara
com Ximena Moniz
Elvira de Toulouse
Teresa de Leão
Dinastia Navarra
Pai Fernando I de Leão e Castela
Mãe Sancha I de Leão

Afonso VI de Leão e Castela, o Bravo (10391 de Julho de 1109) foi, até à sua morte, rei de Leão desde 27 de Dezembro de 1065, rei de Castela desde 6 de Outubro de 1072, rei da Galiza desde 1073, intitulado Imperator totius Hispaniæ (imperador de toda Hispânia) desde 1077 e rei de Toledo desde 1085.

Índice

[editar] Herança de Fernando I

Quando Fernando Magno morreu, repartiu os seus reinos pelos seus três filhos, havidos de Sancha I de Leão:

Desde cedo no seu reinado, Afonso VI teve que lutar contra os desejos expansionistas do seu irmão Sancho. Assim que a rainha mãe morreu em 1067, este disputou o testamento do pai e tentou apoderar-se dos territórios herdados pelos seus irmãos. Garcia foi o primeiro a ceder (1071), devido ao acordo dos dois irmãos mais velhos em repartir o seu reino. Mas pouco depois estes enfrentaram-se e Afonso foi feito prisioneiro de Sancho, que assumiu também a coroa leonesa.

Estátua de El Cid na cidade Burgos
Estátua de El Cid na cidade Burgos

Depois de encarcerado em Burgos, fugiu para se refugiar no reino taifa de Toledo de Al-Mamun. Mas ainda no mesmo ano Sancho II de Castela seria assassinado por um nobre de Zamora, sem deixar herdeiro, o que permitiu Afonso recuperar Castela e assumir a coroa de Leão, e Garcia recuperar a Galiza.

A suspeita de participação de Afonso na conspiração para matar Sancho ficou presente no imaginário da época, melhor representada na lenda das Juras de Santa Gadea e na canção de gesta Cantar de mío Cid. Contam estas que Rodrigo Díaz de Vivar obrigou Afonso a jurar a sua inocência no assassinato, na igreja de Santa Gadea em Burgos. Em represália a esta afronta, o futuro imperador desterraria El Cid dos seus reinos.

Em 1073, Garcia foi novamente deposto por Afonso e encarcerado no castelo de Luna, onde morreria em 1090. Afonso VI apoderava-se assim de toda a herança do pai.

[editar] Reinado

Em 1076, depois da morte do monarca Sancho Garcés IV de Navarra, anexou Álava, Biscaia, Guipúzcoa e La Bureba. E a partir de 1077 intitulou-se Imperator totius Hispaniæ (Imperador de toda a Hispânia), recuperado da tradição visigótica.

Mas os esforços de expansão territorial do rei estavam agora centrados na reconquista de terras aos mouros, combinando a pressão militar e a extorsão económica. Usando o sistema de parias (imposto de não-agressão pago pelos pequenos reinos muçulmanos aos mais poderosos reinos cristãos), conseguiu que a maior parte dos reinos de taifas de Al-Andaluz se tornassem seus tributários.

Estátua de D. Urraca de Leão e Castela no passeio das estátuas do Retiro de Madrid
Estátua de D. Urraca de Leão e Castela no passeio das estátuas do Retiro de Madrid

Em 1085, aproveitando o pedido de ajuda do rei taifa de Toledo contra um usurpador, sitiou esta cidade e aceitou a sua rendição a 25 de Maio. Depois desta vitória, passou a intitular-se imperador das duas religiões. A ocupação do reino de Toledo significou a inclusão do território entre o Sistema montanhoso central da Península Ibérica e o rio Tejo no seu reino. Desta forma, pôde iniciar uma grande actividade militar contra as taifas de Córdoba, Sevilha, Badajoz e Granada.

Nestas circunstâncias, os reis das taifas decidiram pedir ajuda ao novo poder berber dos almorávidas. O emir Yusuf ibn Tashfìn atravessou o Estreito de Gibraltar e venceu Alfonso VI na batalha de Zalaca, perto de Badajoz. Os mouros ainda cercaram Toledo, mas não lhes foi possível tomar a cidade. Nos últimos anos do seu reinado, Afonso tentou sem sucesso impedir a consolidação da dinastia almorávida em Andaluzia. Ocuparam as taifas do sul da Espanha e a região da Dénia e impuseram-lhe uma nova derrota na batalha de Uclés (1108), onde morreria Sancho Alfónsez, o seu único filho varão. A coroa passaria assim para as mãos da sua filha Urraca enquanto que Teresa, herdaria o Condado Portucalense.

Quando morreu, em 1 de Julho de 1109 na cidade de Toledo, foi enterrado no Mosteiro beneditino de Sahagún, vila muito apreciada pelo monarca, à qual concedera certos privilégios pelo Foral de Sahagún, conseguindo mais tarde fundar a sua própria universidade.

Mapa da reconquista, mostrando a Al-Andaluz dos Almorávidas, os reinos de Portugal (P), Leão (L) Castela (C), Navarra (N), Aragão (A) e o condado de Barcelona
Mapa da reconquista, mostrando a Al-Andaluz dos Almorávidas, os reinos de Portugal (P), Leão (L) Castela (C), Navarra (N), Aragão (A) e o condado de Barcelona

Afonso VI, o conquistador de Toledo e grande monarca europeizador, viu nos últimos anos do seu reinado como a grande obra política realizada podia ser arruinada frente ao impulso almorávida e às debilidades internas. Tinha assumido plenamente a ideia imperial leonesa e a sua abertura à influência europeia permitiu-lhe conhecer as práticas políticas feudais que, na França desse tempo, alcaçaram estavam no auge.

Na conjunção destes elementos, está segundo o historiador Claudio Sánchez-Albornoz a explicação da concessão iure hereditario - anómala na tradição histórica castelhano-leonesa - dos governos da Galiza e de Portugal aos seus dois genros borgonheses, Raimundo e Henrique. Dessa decisão resultaria alguns anos depois a independência de Portugal e a perspectiva de uma Galiza independente sob Afonso Raimundes, que não chegou a realizar-se devido a este ter sido coroado Afonso VII de Castela e Leão.

[editar] Cultura, religião e lenda

Afonso VI foi uma figura emblemática da renomada convivência (de culturas e religiões) de Toledo. Assegurava protecção a muçulmanos, judeus e moçárabes, mas também não se inibia de os taxar ou oprimir se tal servisse um propósito político. Por outro lado era permeável a influências árabes. Cunhou moeda com inscrições em letras árabes e acolheu na sua corte e na sua cama a princesa muçulmana Zaida, refugiada de Sevilha.

Página da canção de gesta Cantar de mío Cid
Página da canção de gesta Cantar de mío Cid

Na canção de gesta Cantar de mío Cid, ele tem o papel atribuído aos poetas medievais aos grandes reis, e ao próprio Carlos Magno. É alternadamente opressor e vítima de nobres heróicos e determinados — os tipos idealizados dos patronos para quem os trovadores compunham as suas obras. É o herói de uma canção de gesta que, como quase todas as deste período da Espanha, só sobreviveu nos fragmentos incorporados na crónica de Afonso o Sábio ou em forma de balada.

A sua fuga do mosteiro de Sahagún, onde o seu irmão o encarcerara, a sua amizade cavaleiresca para com o seu anfitrião Al-Mamun de Toledo, cavaleiro ainda que mouro, a lealdade apaixonada do seu vassalo Pedro Ansúrez, e o seu amor fraternal pela irmã Urraca de Zamora, poderão ser criações do poeta que o fez herói do seu canto. O reverso da medalha fôra o canto que representava o rei submetido ao juramento degradante sob Rodrigo Díaz de Vivar para negar a sua intervenção na morte do irmão, e depois perseguido o homem corajoso que o desafiara.

Descontando o lirismo, Afonso VI fica com uma imagem de homem forte, um rei dedicado à lei e ordem, e o líder de uma nação na reconquista. Foi visto pelos mouros como um inimigo aguerrido e astuto, mas fiel à sua palavra. Uma história de origem muçulmana, com provavelmente tanta validade como a do juramento na igreja de Santa Gadea, conta como deixou "enganar" por Ibn Ammar, o favorito de Al-Mutamid, o rei taifa de Sevilha. A jogar xadrez, fizeram uma aposta: se o rei ganhasse, ficaria com o belo tabuleiro e as ricas peças, que pertenciam a Ibn Ammar. Mas se este vencesse, nomearia o seu prémio. Venceu e pediu que o rei cristão poupasse Sevilha. Afonso manteve a sua palavra.

Independentemente do que possa ser verdade nas histórias românticas de cristãos e muçulmanos, é sabido que Afonso representou, de uma forma marcante, essas duas grandes influências no carácter e na civilização da Espanha.

No plano cristão, fomentou a segurança do Caminho de Santiago, impulsionou a introdução da reforma cluniacense nos mosteiros de Leão e Castela. Conta-se que, por influência da sua segunda esposa, Constança de Borgonha, trouxe a Ordem de Cister para a Espanha, estabelecendo-a em Sahagún, e escolheu Bernard, um cistircense francês, como primeiro arcebispo de Toledo depois da reconquista desta em 25 de Maio de 1085. Casou as suas filhas, Urraca, Teresa e Elvira com nobres franceses, e fomentou a influência desta que era a maior força civilacional na Europa. Também com isto aproximou a Espanha do papado. Foi por sua decisão que foi estabelecido o ritual romano em lugar do anterior missal de Santo Isidoro, o rito moçárabe ou visigótico.

[editar] Casamentos e descendência

Afonso VI terá casado cinco vezes e ficado noivo uma outra vez, para além de ter tido diversas ligações extra-matrimoniais:

Em 1069 com Inês da Aquitânia, matrimónio do qual não gerou descendência e anulou em 1077 devido à esterilidade da esposa.

Negociou o noivado com Águeda da Normandia, filha de Guilherme I da Inglaterra, mas com o falecimento desta em 1080 - segundo algumas versões por desgosto com a perspectiva de casar com Afonso - o projecto foi frustrado.

Em 8 de Maio de 1081 casou-se com Constança de Borgonha, bisneta de Hugo Capeto. Até à sua morte em 1093, terá tido seis filhos, dos quais se conhecem:

Em 1093 realizou o seu terceiro matrimónio com Berta de Borgonha-Macon, filha do conde Guilherme I da Borgonha, que morreria no mesmo ano sem gerar descendência.

Depois casou-se em 1098 com Isabel. Alguns historiadores defendem que seria uma nobre cristã, outros que seria a moura Zaida, viúva do rei Al-Mutamid da taifa de Sevilha, baptizada Isabel. Uma ou a outra, até à sua morte em 1107 dar-lhe-ia três filhos:

O seu último casamento terá sido com Beatriz, possivelmente da Casa de Este ou da Aquitânia, em 1108. Durante o ano de casados até à morte do monarca, não tiveram descendência.

De uma ligação ilegítima com Ximena Moniz, uma senhora galega, teve duas filhas bastardas:

[editar] Referências

Precedido por
Fernando I
e Sancha I
Armas do reino de Leão
Rei de Leão

1.º reinado: 1065 - 1072
Sucedido por
Sancho II
Precedido por:
Sancho II
Armas do reino de Leão
Rei de Leão

2.º reinado: 1072 - 1109
Seguido por:
Urraca
Precedido por:
Sancho II
Armas do reino de Castela
Rei de Castela

1072 - 1109
Precedido por:
Garcia II
Armas do reino da Galiza
Rei da Galiza

1073 - 1109
Precedido por:
Al-Qadir
Armas do reino de Toldo
Rei de Toledo

1085 - 1109
Precedido por
---
Armas Hispânia
Imperador de toda a Hispania
(Imperator totius Hispaniæ)

1077 - 1109
Sucedido por
Afonso VII
(1135)


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