Afrodite

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Afrodite
A obra-prima Afrodite de Milo, original helênico datado de aproximadamente 100 A.C; Uma das poucas obras da Antiguidade sobreviventes.
Deusa do amor, da beleza e da sexualidade
Morada Monte Olimpo
Cônjuge Hefesto, Ares, Hermes, Dionísio, Adônis e Anquises
Pais Urano e Talassa, ou Zeus e Dione
Irmãos Melíade
Filhos Eros, Fobos, Deimos, Harmonia, Anteros, Graças , Hermafrodito, Eryx, Tyche, Príapo e Eneias
Romano equivalente Vênus

Afrodite (em grego antigo: Ἀφροδίτ, transl. Aphrodítē) é a deusa do amor, da beleza e da sexualidade na mitologia grega. Sua equivalente romana é a deusa Vênus. Outros atributos incluem deusa da fertilidade, e do prazer. Historicamente, seu culto na Grécia Antiga foi importado, ou ao menos influenciado, pelo culto de Astarte, na Fenícia.

De acordo com a Teogonia, de Hesíodo, ela nasceu quando Cronos cortou os órgãos genitais de Urano e arremessou-os no mar; da espuma (aphros) surgida ergueu-se Afrodite.

Por sua beleza, os outros deuses temiam que o ciúme pusesse um fim à paz que reinava entre eles, dando início a uma guerra; por este motivo Zeus a casou com Hefesto, que não era visto como uma ameaça. Afrodite teve diversos amantes, tanto deuses como Ares quanto mortais como Anquises. A deusa também foi de importância crucial para a lenda de Eros e Psiquê, e foi descrita, em relatos posteriores de sua lenda, tanto como amante de Adônis quanto sua mãe adotiva. Diversos outros personagens da mitologia grega foram descritos como seus filhos.

Afrodite recebe os nomes de Citere ou Citereia (Cytherea) e Cípria (Cypris) por dois locais onde seu culto era célebre na Antiguidade, Citera e Chipre - ambos os quais alegavam ser o local de nascimento dela. A murta, pardais, pombos, cavalos e cisnes eram considerados sagrados para ela. Os gregos também identificavam-na com a deusa egípcia Hátor.[1] Afrodite ainda recebia muitos outros nomes locais, como Acidália e Cerigo, utilizadas em regiões específicas da Grécia. Em cada cidade ela recebia um culto ligeiramente diferente, porém os gregos reconheciam a semelhança geral entre todas como sendo a única Afrodite.

Afrodite, juntamente com Apolo, representa a obsessão dos gregos pela beleza ideal. Ela foi constantemente reproduzida nas Artes, da Antiguidade a Idade Contemporânea, dada a oportunidade dos artistas reproduzirem a beleza suprema.

Nos dias atuais, seu mito continua exercendo influência na cultura, e inúmeras vertentes do neopaganismo voltaram a lhe prestar culto.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A pronúncia arcaica (homérica) do nome Ἀφροδίτη era aproximadamente [ˌapʰroˈdiːtɛː]. No grego koiné esta pronúncia se tornou [ˌafroˈdiːtɛː], passando posteriormente para [ˌafroˈditi] no grego bizantino, devido ao fenômeno do iotacismo.

A etimologia do nome não é conhecida com segurança. Hesíodo o associou a ἀφρός (aphros), "espuma", interpretando-o como "erguida da espuma".[2] Esta origem, no entanto, foi classificada como etimologia popular por diversos autores, e diversas outras etimologias especulativas, muitas derivadas de idiomas não-gregos, foram sugeridas por estes autores. O indo-europeísta Michael Janda (2010) considera genuína a conexão com "espuma", identificando o mito de Afrodite se erguendo das águas após Crono derrotar Urano como um mitema do período proto-indo-europeu. De acordo com esta interpretação, o nome seria derivado de aphrós, "espuma", e déatai, "[ela] parece" ou "brilha" (infinitivo *déasthai[3] ), significando "aquela que brilha da espuma [do oceano]", uma alcunha também atribuída à deusa da alvorada (Eos).[4] J.P. Mallory e D.Q. Adams (1997)[5] também propuseram uma etimologia baseada na ligação com a deusa indo-europeia da alvorada, a partir de *abhor-, "muito", e *dhei, "brilhar".

Diversas etimologias especulativas não-gregas foram sugeridas por acadêmicos. A ligação com a religião fenícia alegada por Heródoto (I.105, 131) levou a tentativas inconclusivas de se derivar o Aphrodite grego com um Aštoret semita, através de uma hipotética transmissão hitita. Outra etimologia semita compara o assírio barīrītu, nome de um demônio feminino encontrado em textos babilônicos médios e tardios.[6] O nome provavelmente significaria "aquela que (vem) no alvorecer", o que identificaria Afrodite em sua personificação como a estrela d'alva, um paralelo importante que ela partilha com a Ishtar mesopotâmica.

Outra etimologia não-grega sugerida por M. Hammarström,[7] aponta para o etrusco, comparando (e)pruni, "senhor', uma denominação honorífica etrusca que passou para o grego na forma πρύτανις (prytanis). Isto faria com que a origem do teônimo fosse uma expressão honorífica, "a senhora". O linguista sueco Hjalmar Frisk, no entanto, rejeita esta etimologia, considerando-a "implausível".

O Etymologicum Magnum apresenta uma pseudo-etimologia medieval que explicaria o nome Aphrodite como derivado do composto ἁβροδίαιτος, habrodiaitos ("aquela que vive delicadamente"), de ἁβρός, habros + δίαιτα, diaita - explicando a alternância entre b e ph como uma característica "familiar" do grego, "obviamente [derivada] dos macedônios."[8]

O Mito[editar | editar código-fonte]

Origem[editar | editar código-fonte]

Um dos pares de altares dedicados a Afrodite e Adônis, feitos em Taras, sul da Itália, 400-375 aC. A cena que representa a reunião anual de Afrodite e Adônis, mostra o casal se abraçando, e conta com duas mulheres.

O culto de Afrodite foi, sem dúvida, de origem oriental, e provavelmente introduzido na Síria para as ilhas de Chipre, Citera, e outros, de onde se espalhou por toda a Grécia. [9] Afrodite parece ter sido originalmente idêntica a Astarte, chamada pelos hebreus de Ashtoreth, e sua relação com Adônis aponta claramente para a Síria. Mas, com exceção de Corinto, onde o culto a Afrodite teve um caráter eminentemente asiático, todo o culto desta deusa e todas as idéias a respeito de sua natureza e caráter são inteiramente gregas, sendo a sua introdução na Grécia em períodos mais antigos. Os elementos foram obtidos a partir do Oriente, mas o desenvolvimento peculiar pertence à Grécia.[9] A deusa romana Vênus foi identificada com a grega Afrodite.

Atributos[editar | editar código-fonte]

Cquote1.svg Foi ela que deu o germe das plantas e das árvores, foi ela que reuniu nos laços da sociedade os primeiros homens, espíritos ferozes e bárbaros, foi ela que ensinou a cada ser a unir-se a uma companheira. Foi ela que nos proporcionou as inúmeras espécies de aves e a multiplicação dos rebanhos. O carneiro furioso luta, às chifradas, com o carneiro. Mas teme ferir a ovelha. O touro cujos longos mugidos faziam ecoar os vales e os bosques abandona a ferocidade, quando vê a novilha. O mesmo poder sustenta tudo quanto vive sob os amplos mares e povoa as águas de peixes sem conta. Vênus foi a primeira em despojar os homens do aspecto feroz que lhes era peculiar. Dela foi que nos vieram o atavio e o cuidado do próprio corpo. Cquote2.svg

A citação de Ovídio, mostra que Afrodite era vista como a responsável pela perpetuação da vida, abrangendo toda a Natureza. De acordo com os pontos de vista cosmogênicos da natureza de Afrodite, ela era a personificação dos poderes generativos da natureza, e mãe de todos os seres vivos. Um traço dessa noção parece estar contido na tradição no concurso de Tifão com os deuses, onde Afrodite metamorfoseou-se em um peixe, animal que foi considerado possuindo as maiores potências geradoras. [11] Mas de acordo com a crença popular dos gregos e suas descrições poéticas, ela era a deusa do amor, que colocou a paixão nos corações dos deuses e dos homens, e por este poder reinou sobre toda a criação viva. [12]

Como Deusa da Beleza, ela representava a beleza feminina ideal no imaginário grego, e frenquentemente inspirava os talentos e gênio dos antigos artistas. Uma de suas representações mais célebres foi a Afrodite de Cnido. Aquelas que ainda existem são divididas pelos arqueólogos em várias classes, de acordo como a representação da deusa na posição de pé e nua, ou tomando banho, ou semi-nua, ou vestida com uma túnica, como ela foi representada nos templos de Citera, Esparta e Corinto. [9]

Deusa do Amor e Epítetos[editar | editar código-fonte]

A pureza dos sentimentos era muito preservada pelos gregos. O amor tinha que ser honroso, e Afrodite garantia a nobreza dos sentimentos. Porém, com a evolução do mito, ela passou a simbolizar não apenas o amor puro, mais o amor passional, a paixão desenfreada e nociva, a loucura dos sentimentos. Isso fica evidente no mito de seu adultério com Ares. A lenda traz uma grande simbologia, o amor e a guerra juntos em um idílio; a paixão e o ódio; a beleza e a rudeza... Afrodite e Ares se tornaram amantes fervorosos e inseparáveis, fazendo a deusa receber o epíteto de Area, e ser feita um deusa da guerra em Esparta. [13]

Com seus inúmeros amantes, a deusa perdeu um pouco de espaço entre as donzelas gregas, e passou ser a deusa mais cultuada pelas cortesãs.[14] Muitas foram as meretrizes profissionais que se tornaram sacerdotisas da deusa, erigindo-lhe santuários. Com o passar do tempo, ela se tornou padroeira e protetora das cortesãs, que lhe prestavam tributos no festival Aphrodisia.[15] Representando inúmeras visões do amor, e tendo adoradores tão diversos de moças virgens a prostitutas, inúmeros cultos diferentes e epítetos foram dados a deusa na Grécia:[16]


Nome em Grego Tradução Nome em Latim Significado
Ουρανια Ourania Urânia Celestial (Amor), Divino (Amor)
Πανδημος Pandêmos Pandemos Amor Comum a Todas as Pessoas
Μαχανιτις Makhanitis Machanitis Criadora, Encenadora
Επιστροφια Epistrofia Epistrophia A que faz o Amor Acontecer
Αποστροφια Apostropfia Apostrophia A que Averte (prazeres ilícitos)
Κατασκοπια Kataskopia Catascopia Observadora
Ψιθυριστης Psithyristês Psithyristes Soprando
Πραξις Praxis Praxis Sexo
Μελαινις Melainis Melaenis Escuridão da Noite
Συμμαχια Symmakhia Symmachia No Amor
Απατουρος Apatouros Apaturus Enganosa
Νυμφια Nymphia Nymphia Noiva
Μιγωντις Migôntis Migontis União Matrimonial
Δωριτις Dôritis Doritis Generosa, Abundante
Ἡρη Hêrê Hera de Hera (do Casamento)
Μορφω Morphô Morpho Formosa
Αμβολογηερα Ambologêra Ambologera Herança da Velha Era
Νικηφορος Nikêphoros Nicephorus Portadora da Vitória
Αρεια Areia Area de Ares
Ὡπλισμενη Hôplismenê Hoplismena Armada
Ευπλοια Euploia Euploea Boa Voyage (viagem)
Ποντια Pontia Pontia do Mar
Λιμενια Limenia Limenia do Porto
Ξενια Xenia Xenia A Estrangeira
Ακραια Akraia Acraea Das Alturas, dos Céus
Κηποις Kêpois Cepoïs dos Jardins
Αναδυομενη Anadyomenê Anadyomene Erguida do Mar

Epítetos de Cultos Locais[editar | editar código-fonte]

Nome em Grego Tradução Nome em Latim Significado
Κυπρια Cípria Cypria de Chipre
Παφια Pafia Paphia de Pafos (ilha de Chipre)
Συρια Síria Syria da Síria
Ερυκινη Ericina Erykina Monte Érix, Sicília
Κυθερεια Citereia Cytherea de Citera (Ilhas Jónicas)
Κωλιας Kôlias Colias Kolias, em Ática
Κνιδια Knidia Cnidia Cnido em Cária
Καστινιη Kastiniê Castinia MT Kastion em Panfília
Πυρηναια Pyrênaia Pyrenaea Pirineus em Gália

Afrodite Urânia e Afrodite Pandemos[editar | editar código-fonte]

Nascimento de Vênus

No final do século V a.C., os filósofos passaram a considerar Afrodite como duas deusas distintas, não individualizando seu culto: Afrodite Urânia, nascida da espuma do mar após Cronos castrar seu pai Urano, e Afrodite Pandemos (ou Pandemia), a Afrodite comum "de todos os povos", nascida de Zeus e Dione.[17] Entre os neo-platónicos e, eventualmente, seus intérpretes cristãos, a Afrodite Urânia é vista como uma Afrodite celeste, representando o amor de corpo e alma, enquanto a Afrodite Pandemos está associada com o amor puramente físico. A representação da Afrodite Urânia, com um pé descansando sobre uma tartaruga, mais tarde foi tida como a descrição emblemática do amor conjugal, a imagem é creditada a Fídias, em uma escultura criselefantina feita para Elis, numa única citação de Pausânias.[18]

Assim, de acordo com o personagem Pausânias no Banquete de Platão, Afrodite são duas deusas, uma mais velha a outra mais jovem. A mais velha, Urânia, é a "celeste" filha de Urano, e inspira o amor/Eros homossexual masculino (e, mais especificamente, os efebos), a jovem é chamada Pandemos, é a filha de Zeus e Dione, e dela emana todo o amor às mulheres. Pandemos é a Afrodite comum. O discurso de Pausânias distingue duas manifestações de Afrodite, representadas pelas duas histórias: Afrodite Urânia (Afrodite "celestial"), e Afrodite Pandemos (Afrodite "Comum").[19]


Mitologia[editar | editar código-fonte]

Nascimento[editar | editar código-fonte]

Afrodite, segundo algumas versões de seu mito, teria nascido perto de Pafos, na ilha de Chipre, motivo pelo qual ela é chamada de "Cípria", especialmente nas obras poéticas de Safo. Seu principal centro de culto era exatamente em Pafos, onde haviam sido cultuadas desde o início da Idade do Ferro as deusas Ishtar e Astarte.[9] Outras versões do mito, no entanto, afirmam que a deusa teria nascido próximo à ilha de Citera.[20] A ilha era um entreposto comercial e cultural entre Creta e o Peloponeso, portanto estas histórias podem ter preservado traços da migração do culto de Afrodite do Levante até a Grécia continental.

Na versão mais famosa do mito, seu nascimento teria sido a consequência de uma castração: Cronos teria cortado os órgãos genitais de Urano e arremessado-os para trás, dentro no mar. A espuma surgida da queda dos genitais na água, que alguns autores identificaram com o esperma do deus morto, teria dado origem a Afrodite, enquanto as Erínias teriam surgido a partir de suas gotas de sangue. Nas palavras de Hesíodo, "o pênis (...) aí muito boiou na planície, ao redor branca espuma da imortal carne ejaculava-se, dela uma virgem criou-se."[21] Esta virgem se tornou Afrodite, flutuando até as margens sobre uma concha de vieira. Esta imagem, de uma "Vênus erguendo-se das águas do mar" (Vênus Anadiômene[22] ), já totalmente madura, foi uma das representações mais icônicas de Afrodite, celebrizada por uma pintura muito admirada de Apeles, já perdida, porém descrita na História Natural de Plínio, o Velho.[23]

Em outra versão de sua origem,[24] ela seria filha de Zeus e Dione, a deusa-mãe cujo oráculo situava-se em Dodona. A própria Afrodite é por vezes referida como "Dione", que parece ter sido uma forma feminina de "Dios", o genitivo de Zeus em grego, e poderia apenas significar "a deusa", de maneira genérica. A própria Afrodite seria então uma equivalente de Reia, a mãe-terra, e que Homero teria deslocado para o Olimpo. Alguns estudiosos levantaram a hipótese de um panteão proto-indo-europeu, no qual a principal divindade masculina (Di-) representaria o céu e o trovão, e a principal divindade feminina (forma feminina de Di-) representaria a terra, ou o solo fértil. Depois que o culto a Zeus tomou o lugar do oráculo situado no bosque de carvalhos em Dodona, alguns poetas o teriam transformado em pai de Afrodite. Em algumas versões do mito, Afrodite seria filha de Zeus e Talassa (o mar).[25]

A Petra Tou Romiou (Pedra de Afrodite), nas costa de Pafos; Local de importante peregrinação na Grécia Antiga, porque era onde se acreditava que a deusa nasceu.

Personalidade[editar | editar código-fonte]

Afrodite nunca foi criança, sendo constantemente retratada nascendo já adulta, nua e bela. Nos mitos, é normalmente retratada como vaidosa, sedutora, charmosa, uma amante fervorosa que quando amava, amava incondicionalmente. Ela e bastante maternal chegando á se sacrificar, segundo Homero, pelo seu filho Enéas entrando em combate para protege-lo.[26] Em mitos mais tarde, ela passou á ser retratada como temperamental e facilmente ofendida, punindo mulheres mortais que fossem considerada mais bela do quer ela, como Psiquê. Embora ela seja casada, Afrodite é um das poucas deusas do panteão que é freqüentemente infiel ao marido.

Casamento com Hefesto[editar | editar código-fonte]

De acordo com uma versão da história de Afrodite, por causa de sua imensa beleza, Zeus teme que os outros deuses passaram a brigar um com os outros por causa dela. Para evitar isso, ele a obriga a casar-se com Hefesto, o deus ferreiro, sem senso de humor e feio. Em outra versão da história, Afrodite se casa com Hefesto depois que sua mãe, Hera, lança-lo do Olimpo, considerando-o muito feio e deformado para habitar com os deuses. Ele se vinga prendendo a mãe num trono mágico que construiu. Em troca de sua libertação, ele pede para ser dado a mão de Afrodite em casamento.

Hefesto fica feliz por ser casado com a deusa da beleza, e forja para ela belas jóias, incluindo o cestus, um cinto de ouro que faz dela ainda mais irresistível para os homens. O descontentamento de Afrodite com seu casamento faz com que busque outras companhias masculinas, na maioria das vezes Ares.[26]

Afrodite e Ares são supreendidos por Hefesto, de Alexandre Charles Guillemot

No conto cantado pelo bardo na sala de Alcíno,[27] o Deus do sol Hélio uma vez espiou Ares e Afrodite amando um ao outro secretamente na sala de Hefesto, e ele prontamente informou o incidente ao cônjuge olimpíco de Afrodite. Hefesto conseguiu pegar o casal em flagrante, e para tanto, ele fez uma rede especial, fina e resistente como o diamante para pegar os amantes ilícitos. No momento apropriado, esta rede foi jogada, e encurralou Ares e Afrodite em um abraço apaixonado. Mas Hefesto ainda não estava satisfeito com a sua vingança — ele convidou os deuses Olimpos e deusas para ver o casal infeliz. Alguns comentaram a beleza de Afrodite, os outros opinavam em trocar de lugar ansiosamente com Ares, mas todos zombaram dos dois. Uma vez que o casal foi solto, Ares, embaraçado, fugiu para à sua pátria, Trácia.[28]

Adônis[editar | editar código-fonte]

Afrodite era para Adônis amante e uma mãe de aluguel. Cíniras, o Rei de Chipre , teve uma filha muito bela chamada Mirra. A mãe de Mirra em um ato de arrogância "blasfema" contra Afrodite, alegando que sua filha é mais bonita do que a deusa;[29] Então, Mirra é punida por Afrodite que á faz desejar o próprio pai. Cíniras rejeita Mirra, mas está se disfarça de prostituta, e secretamente dorme com o pai durante a noite.

Eventualmente, Mirra fica grávida e é descoberta por Cíniras. Num acesso de raiva, ele persegue-a para fora da casa com uma faca. Mirra foge dele, orando aos deuses por misericórdia enquanto corre. Os deuses ouvem sua súplica, e transformá-la em uma árvore de mirra para que seu pai não possa matá-la (Em outra versão do mito, Afrodite se sentido culpada pelo sofrimento de Mirra a transforma na árvore). Eventualmente, Cíniras tira a própria vida na tentativa de restaurar a honra da família.

Mirra dá luz á um menino chamado Adônis. Afrodite passa pela árvore de mirra, e vendo-o, tem pena da criança. Ela coloca Adônis em uma caixa, e leva-lo para o mundo inferior, para que Hades e Perséfone cuidem ele. Adônis cresce e se transforma em um jovem extraordinariamente bonito, e Afrodite acaba se apaixonado por ele. Perséfone, no entanto, não está disposta a abrir mão dele, e deseja que Adônis fique com ela no submundo. As duas deusas começar a brigar e Zeus é forçado a interferir. Ele decreta que Adônis vai passar um terço do ano com Afrodite, um terço do ano com Perséfone e um terço do ano com quem ele quiser. Adônis então, escolhe passar o resto do ano com Afrodite.[29]

Vênus e Adonis, por François Lemoyne

Adônis começa seu ano na Terra com Afrodite. Uma de suas maiores paixões é a caça, e apesar de Afrodite não é, naturalmente, uma caçadora, ela pratica o esporte apenas para que possar ficar com ele. Eles passam dia e noite juntos, e Afrodite está encantada com o jovem. No entanto, ela acaba negligenciado seus deveres como Deusa, e para reparar-los é obrigada a deixar Adônis por um curto período de tempo. Antes de sair, ela dá a Adônis um aviso: não ataque um animal que não demonstre medo. Adônis concorda com o seu conselho, mas, por duvidar de sua habilidade como caçadora, rapidamente esquece seu aviso.

Não muito tempo depois que Afrodite saiu, Adônis se depara com um enorme javali, muito maior do que qualquer outro que ele já viu. Em alguns mitos este javali é o deus Ares,[29] um dos amantes de Afrodite que estava com ciúmes do amor desta com Adônis. Embora javalis são perigosos quando provocados, Adônis ignora o aviso de Afrodite e persegue a criatura gigante. Logo, porém, Adônis é o que está sendo perseguido; ele não é páreo para o javali gigante.

No ataque, Adônis é castrado pelo javali, e morre de perda de sangue. Afrodite é avisada, em algumas versões, pelo Ventos ou pelas ninfas e corre de volta para Adônis, mas é muito tarde para salvá-lo e ela só pode lamentar sobre seu corpo. Onde o sangue de Adônis caiu, Afrodite faz crescer anêmonas em sua memória. Ela jura que no aniversário de sua morte, a cada ano, haverá um festival realizado em sua homenagem.[29]

Em sua morte, Adônis volta ao submundo, e Perséfone tem o prazer de vê-lo novamente. Eventualmente, Afrodite percebe que ele está lá, e corre de volta para recuperá-lo. Mais uma vez, ela e Perséfone discutem sobre quem deve ficar com Adônis e Zeus intervém. Desta vez, ele diz que Adônis deve passar seis meses com Afrodite e seis meses com Perséfone, a forma como ele deveria ter sido em primeiro lugar.

O Julgamento de Páris e a Guerra de Troia[editar | editar código-fonte]

Julgamento de Páris (1904) Enrique Simonet. Com Afrodite no centro acompanhada de Eros. Atenas e Hera ao fundo.

Afrodite é um dos poucos deuses cujas ações são a maior causa da Guerra de Troia: ela oferece Helena para Páris, e como a deusa do desejo, ela é responsável por Paris tornar-se tão inflamado de desejo por Helena que ele acaba a raptando.

O casamento de Peleu e Tétis, foi um grande evento e todos os deuses foram convidados, menos Éris, deusa da discórdia. Ofendida, ela lançou um pomo de ouro com a inscrição para a mais bela (kallistei), entre as deusas. Hera, Atena e Afrodite se consideraram as mais belas e disputaram a posse do pomo.[30]

Elas resolveram deixar a decisão com Zeus, que não querendo privilegiar nenhuma, deixou a decisão com Páris, filho de Príamo, príncipe de Troia. As três deusas se exibiram para Páris, mas mesmo assim ele não foi capaz de decidir e elas recorreram a subornos. No fim, Páris escolhe Afrodite, e recebe da deusa ajuda para receber sua recompensa por tê-la escolhido: o amor da mais bela das mulheres, Helena, esposa do rei de Esparta, Menelau. Páris em um ato imaturo rapta Helena, dando inicio á Guerra de Troia. Na guerra, Afrodite se torna um dos deuses protetores de Troia, juntamente com Ares, Apolo, Ártemis e Leto. Ela também se torna protetora de Helena e Páris, salvando a vida deste em um duelo; Na guerra, ela também protege seu filho mortal, Enéas, e por causa disso, acaba sendo ferida em combate. Após muitos anos de guerra entre os aqueus e os troianos, Troia é vencida e destruída.[26]

Na destruição da cidade, Afrodite fala para seu filho Enéas pegar seu pai, sua esposa e embora de Troia. Enéas faz como sua mãe diz, e viaja, orientado por Afrodite com o nome romano de Vênus, errante pelo Mediterrâneo até chegar à península Itálica, onde constrói Roma. Isto é relatado no poema épico de Virgílio, Eneida, obra máxima da literatura latina. A partir deste épico romano, Vênus passa a ser considerada a deusa guardiã de Roma. Um mito relata que, quando Juno (Hera romana) procurou abrir as portas de Roma para um exército invasor, Vênus procurou frustrar seus planos bloqueando o caminho com as águas, uma fonte termal de fogo.[31]

A corrida de Hipômenes[editar | editar código-fonte]

Atalanta e Hipómenes, por Guido Reni

A corrida de Hipômenes, foi vencida por este, com ajuda de Afrodite. O mito foi narrado por Pseudo-Apolodoro, Hesíodo e outros.[32]

Um dos discípulos de Chiron, Hipômenes, se apaixonou por Atalanta. Ela era uma caçadora e não gostava da idéia de se casar e queria ficar virgem para ser consagrada a Artemis. Aborrecido por homens que admiravam a sua beleza enquanto ela corria pela floresta, disse que quem queria se casar com ela, teria que ganhar uma corrida a pé (sabendo que ela era um corredor excepcionalmente rápido), mas com a condição de que aqueles perdidos, seriam punidos com a morte.

Atalanta bateu todos os pretendentes, exceto Hipômenes que derrotou-a pela sua astúcia, e não pela velocidade. Hipômenes sabia que ele não poderia ganhar Atalanta numa corrida, e implorou ajuda á Afrodite, que como Deusa do Amor, não gostava da rejeição de Atalanta ao sentimento. Então Afrodite lhe deu três maçãs de ouro sagradas de Tamaso, Chipre, e de acordo com Ovídio,[32] do jardim das Hespérides, dizendo para Hipômenes que as deixasse cair na corrida para distrair Atalanta. Depois de largar as duas primeiras maçãs, Atalanta foi capaz de pegá-las e continuar a corrida, mas quando a terceira maça caiu, e Atalanta parou para pegar, ela não conseguiu recuperar rapidamente e Hipômenes venceu a corrida e, com isso, a mão de Atalanta.

A Morte de Hipólito[editar | editar código-fonte]

Hipólito foi filho de Teseu e de Hipólita a Rainha das Amazonas, que herdou da mãe o gosto pela caça e pelos exercícios violentos. Cultuava Ártemis que passou a considera-lo um de seus favoritos, enquanto zombava e menosprezava Afrodite. Ela, enciumada, vingou-se fazendo Fedra, segunda esposa de Teseu, apaixonar-se por seu enteado, jovem e casto. Ao ser informado por uma serva do amor que lhe dedica a madrasta, Hipólito repele-a com veemência. Rejeitada, Fedra suicidou-se deixando uma mensagem a Teseu que acusa falsamente Hipólito de violentá-la. Teseu expulsa o rapaz e invoca a punição de Poseidon que provoca um acidente com a carruagem de Hipólito. O jovem conduzia seu carro junto ao mar quando, assustado por um monstro marinho, seus cavalos precipitaram-se pelas rochas causando-lhe a morte. Enquanto Hipólito morre, ouve-se a voz de Ártemis, que revela a verdade a Teseu. Esta tragédia foi escrita por Eurípedes em 428 a.C. [33]

Em algumas versões da história de Adônis, Ártemis matou Adônis por vingança. Nos mitos mais tarde, Adônis tinha sido relacionado como um dos favoritos de Afrodite, que foi responsável pela morte de Hipólito, que tinha sido um favorito de Ártemis. Portanto, Ártemis matou Adônis para vingar a morte de Hipólito.

A Estatuá de Pigmalião[editar | editar código-fonte]

Pigmaleão e Galateia, por Ernest Normand (1886)

Pigmaleão era um escultor e rei de Chipre que se apaixonou por uma estátua que esculpira ao tentar reproduzir a mulher ideal. Na verdade ele havia decidido viver em celibato na Ilha por não concordar com a atitude libertina das mulheres dali, que haviam dado fama à mesma como lugar de cortesãs.[34]

Afrodite, apiedando-se dele e atendendo a seu pedido, não encontrando na ilha uma mulher que chegasse aos pés da que Pigmaleão esculpira, em beleza e pudor, transformou a estátua numa mulher de carne e osso, com quem Pigmaleão casou-se e, nove meses depois, teve uma filha chamada Pafos, que deu nome à ilha.

Perseguição á Psiquê[editar | editar código-fonte]

Vênus, Psiquê e Cupido por Alessandro Varotari

Psiquê era uma jovem muito bonita e por isso teria despertado á fúria de Afrodite. Psiquê era uma princesa mortal cuja beleza estonteante fez os homens abandonarem á adoração a Afrodite para ficar admirando sua beleza, irritando á deusa que não aceitava que uma simples mortal merecesse mais adoração do quer ela. [35]

Afrodite ordenou á seu filho Eros que fizesse Psiquê se apaixonar por um monstro, mas o próprio deus se apaixonou por ela e á levou para morar com ele num palácio em segredo. No entanto Eros escondeu sua verdadeira identidade, e ordenou-lhe para nunca mais olhar para o rosto dele. Psiquê acabou sendo enganada por suas irmãs invejosas e viu o rosto do deus enquanto este dormia, e ele a abandonou. Em seu desespero, ela procurou ajuda em todo o mundo por seu amor perdido, e acabou parando no Templo de Afrodite. A deusa, vendo que foi enganada pelo filho, ordenou que Psiquê realizasse uma série de trabalhos difíceis, que culminaram em uma viagem ao submundo. No final, Afrodite aceita Psiquê como nora, quando Eros clama ajuda á Zeus que transforma a garota em imortal. Psiquê e Eros se casam em uma cerimônia com a presença dos deuses.

Consortes e Filhos[editar | editar código-fonte]

  1. Hefesto
  2. Ares
    1. Phobos
    2. Deimos
    3. Harmonia
    4. Adrasteia (ou a ninfa ou a deusa)
    5. Os Erotes
      1. Eros
      2. Anteros
      3. Himeros [36]
      4. Pothos [37]
  3. Poseidon
    1. Rhode (possivelmente) [38]
    2. Erix (possivelmente)
  4. Hermes
    1. Tique (possivelmente)
    2. Hermafrodito
  5. Dionísio
    1. Graças
      1. Tália
      2. Eufrosina
      3. Aglaia
    2. Priapo (N.B. Alguns dizem que Adonis, não Dionísio é o pai de Priapo)[39]
  6. Zeus
    1. Tique (possivelmente)
  7. Adonis
    1. Beroe [40]
    2. Golgos[41]
  8. Faetonte
    1. Astynoos
  9. Anquises
    1. Enéias
    2. Lyros
  10. Butes [42]
    1. Erix (possivelmente) [42]
  11. Pai desconhecido
    1. Meligounis + várias filhas sem nome [43]
    2. Peitho

Culto[editar | editar código-fonte]

Ruínas do Templo de Afrodite na Turquia

O epíteto de Afrodite Acidalia foi ocasionalmente adicionado ao seu nome, após a primavera que ela usou para tomar banho, localizado na Beócia [44] . Ela também foi chamado Cípria ou Citera por causa do seu nascimento que era considerado tem acontecido em Chipre ou Citera, respectivamente, ambos os centros de seu culto. Ela foi associada com as Hespérides e freqüentemente acompanhada pelas ninfas das montanhas.

Suas festas eram chamadas de afrodisíacas e eram celebradas por toda a Grécia, especialmente em Atenas e Corinto. No templo de Afrodite no cume da Acrópole de Corinto (antes da destruição romana da cidade em 146 AC), relações sexuais com suas sacerdotisas foi considerado um método de adoração a Afrodite.[45] Este templo não foi reconstruído quando a cidade foi restabelecida sob o domínio romano em 44 aC, mas os rituais de fertilidade provavelmente continuaram na principal cidade perto da ágora.

Seus símbolos incluem a murta, o golfinho, o pombo, o cisne, a rosa, a romã, limeira, pérolas e joias.

Um aspecto do culto de Afrodite e seus precedentes relatado em The Age of Fable; or Stories of Gods and Heroes (1855 etc.) foi a prática de prostituição ritual em seus santuários e templos. O eufemismo em grego é hierodoule, "escravo sagrado". A prática era uma parte inerente dos rituais devidos aos antepassados de Afrodite no Oriente, a sumeriana Inanna e acadiana Ishtar, cujo no templo as sacerdotisas eram as "mulheres de Ishtar", ishtaritum. [46]

A prática tem sido documentada na Babilônia, Síria e Palestina, nas cidades fenícias e nos centros de culto á Afrodite na Grécia, em Chipre, Citera, Corinto e na Sicília;[46] a prática, porém, não é atestada em Atenas. Afrodite era vista em toda parte como padroeira da cortesã.

Culto Moderno á Afrodite[editar | editar código-fonte]

Como um dos Deuses do Olimpo, ela é uma deidade principal, e o culto de Afrodite, (ou Aphroditi), como uma deusa viva é uma das devocionais mais proeminentes no Helenismo moderno[47] . Os helenistas revivem as práticas religiosas da Grécia Antiga para os dias de hoje. [48]

A adoração á Afrodite hoje, difere das práticas devocionais dos gregos antigos em várias maneiras. Entre os helênicos politeístas, a visão de Afrodite como uma deusa da fertilidade e o desejo, em grande medida deu lugar a uma visão mais suave dela como deusa do amor e da paixão.[49] Coisas como prostituição ritual são pensados ​​como, na melhor das hipóteses, completamente anacrônicas. Em vez disso, os devotos helenistas modernos fazem oferendas para ela e invocar o seu nome e suas bênçãos para relacionamentos amorosos, inclusive sexualmente monógamos.[50] Aqui, as convicções éticas de politeístas helênicos modernos são inspirados por virtudes gregas antigas de auto-controle e moderação. Politeístas helênicos de hoje celebram a sua devoção religiosa á Afrodite durante três dias principais de festa. Aphrodisia, é o seu principal dia de festa e é celebrado com o calendário Ático no dia 4 de Hekatombaion, caindo no calendário gregoriano entre os meses de julho e agosto, dependendo do ano. Adonia, um festival conjunto de Afrodite e seu parceiro Adônis, é comemorado na primeira lua cheia após o equinócio da primavera do Norte, muitas vezes, mais ou menos com a mesma semana que é celebrado á Páscoa. No quarto dia de cada mês, é considerado um dia sagrado para Afrodite e seu filho Eros. [50]

Oferendas para Afrodite para fins de devocionais pode incluir incenso, frutas; especialmente maçãs e romãs, flores; rosas perfumadas, particularmente doce vinho do deserto, o vinho Commandaria de Chipre, e bolos feitos com mel. [51]

Representações nas Artes[editar | editar código-fonte]

Afresco de Pompeia que retrata Afrodite, de aproximadamente 1 D.C
Cquote1.svg [...] Quando a arte, no ciclo de Afrodite, deixou para trás as pedras grosseiras e os ídolos informes do culto primitivo, a ideia de uma deusa cujo poder se estende por toda parte e à qual ninguém pode resistir, animou as suas criações; gostava-se de a representar sentada num trono, segurando nas mãos os sinais simbólicos de uma natureza repleta de mocidade e esplendor, de uma luxuriante abundância; a deusa estava inteiramente envolta nas dobras das suas vestes (a túnica mal lhe deixava à mostra uma parte do seio esquerdo) que se distinguiam pela elegância, pois precisamente nas imagens de Vênus, a graça rebuscada das vestes e dos movimentos parecia pertencer ao caráter da deusa. Nas obras saídas da escola de Fídias, ou produzidas sob a influência dessa escola, a arte representa em Afrodite o princípio feminino e a união dos sexos em toda a sua santidade e grandeza. Vê-se ali, antes, uma união durável formada com o fito do bem geral, e não uma aproximação efêmera que deve terminar com os prazeres sensuais que ele proporciona. A nova arte ática foi a primeira que tratou do tema de Afrodite com um entusiasmo puramente sensual, e que divinizou, nas representações figuradas da deusa, já não mais apenas um poder ao qual o mundo inteiro obedecia, mas antes a individualidade da beleza feminina. Cquote2.svg
Ottfried Mueller[52]
Moeda de Corinto com o rosto de Afrodite, 338-300 AC

Como Vênus ou Afrodite, a Deusa do Amor foi constantemente interpretada por artistas diferentes em épocas distintas. Poucas pinturas da Grécia Antiga sobreviveram, as existentes atualmente que retratam a deusa, ela está representada deitada sobre uma simples concha; nas moedas, a vemos num carro puxado pelos Tritões e pelas Tritônidas. Finalmente, numerosos baixos-relevos a apresentam seguida de hipocampos ou centauros marinhos. [52]

Esculturas[editar | editar código-fonte]

Afrodite de Cnido,de Praxíteles, datado do século IV A.C

A Afrodite de Cnido feita por Praxíteles, que representa a deusa depois do nascimento é uma das mais famosas, e sua fama já era grande na Antiguidade, dizia Plínio: "De todas as partes da terra, navega-se em direção a Cnido, para contemplar a estátua de Afrodite."[10] O rei Nicomedes ofereceu aos cnidianos, em troca da estátua, a totalidade das dívidas deles, que eram importantes. Recusaram a oferta, e com razão, acrescenta Plínio, pois a obra-prima constitui o esplendor da cidade. Uma multidão de escritores da antiguidade legou sinais da admiração que lhes inspirava a obra-prima para a qual se fizera a seguinte inscrição: "Ao verem a Afrodite de Cnido, Atenas e Hera disseram uma à outra: Não acusemos mais Páris."[53]

Vênus de Medici (cópia de Moscou) datada do século I D.C

Outra famosa é a Vênus de Médici, uma cópia de mármore do século I, feita de uma estátua de bronze mais antiga no estilo da Afrodite de Cnido, executada por um escultor da tradição Praxiteliana.[54] Até o surgimento da Afrodite de Milo, foi a maior representação feminina da Antiguidade. [55]

Vênus Genetrix, no Museu Capitolini, Itália

A Vênus Genetrix mostra Afrodite em seu aspecto mãe: Vestida, trazendo um dos seios descobertos, por ser a nutriz universal. A estatua romana de aproximadamente 48 A.C, foi uma homenagem para deusa de Julio-Claudiana, que como seu precedente o Júlio César, dizia que era ancestral da deusa.[56]

Mas em termos de fama, nenhuma supera a Vênus/Afrodite de Milo, descoberta no século XIX em Milo, casou controversas e fascínio. A fortuna da estátua entre o grande público e os estudiosos tem sido excepcionalmente favorável, só se comparando à da Mona Lisa,[57] e a ausência dos seus braços continua sendo apontada como um dos fatores principais do fascínio que exerce.[58] Segundo a Oxford Companion to the Body, é possivelmente a estátua mais celebrada na história do nu artístico,[59] e a estátua mais conhecida da deusa.

Pinturas de Afrodite depois da Idade Média[editar | editar código-fonte]

A Primavera de Sandro Botticelli (1482)

Com o fim da Idade Média e redescobrimento da mitologia grega no Renascimento, Afrodite voltou á ser comumente representada em pinturas.

Sandro Botticelli, um famoso pintor italiano da época do Renascimento, resolveu ressaltar a presença de Afrodite em suas telas. Seus quadros mais famosos são O Nascimento de Vênus, A Primavera e Vênus e Marte, todos eles tendo a deusa como tema central. No Renascimento, o principal foco dos pintores eram temáticas relacionadas à Bíblia. No entanto, Botticelli resolveu quebrar um pouco esse enfoque cristão, pintando quadros cheios de símbolos pagãos. É claro que, como todos os outros artistas renascentistas, Botticelli também pintou telas com alguns temas bíblicos; mas foram os seus quadros de Afrodite que deram a ele a fama de ser considerado hoje um dos melhores pintores do Renascimento.[10] No centro do quadro A Primavera, vemos Afrodite, com a mão direita levemente erguida como se estivesse abençoando a chegada da primavera. Ela está ali para avivar os campos e iniciar uma nova estação do ano ao semear flores e beleza.

Vênus e Adônis, Ticiano (1560)

No Renascimento, outro pintor famoso que retratou a deusa foi Ticiano, sendo o quadro mais famoso Vênus e Adônis, de 1560 que mostra Afrodite desesperada. Ela suplica. Sujeita-se à humilhação por um beijo de Adônis. Até Eros chora de pena. Segundo Beckett, “são os tons trêmulos que tornam tão maravilhoso o Ticiano tardio, a beleza tenra e bruxuleante da carne. Vênus mostra-nos as magníficas costas e nádegas, sedutoramente arredondadas, que prometem muito. Adônis é uma contraparte rija e viril à maciez de Vênus. O cabelo arrumado da deusa denota deliberação – não se trata de nenhuma dama desgrenhada em sua alcova. Aliás, os dois dormiram ao ar livre, debaixo de um céu inquietante. Os grandes sabujos, mais sensatos que o dono, percebem algo errado, e mesmo Cupido chora de pena.” [60]

Vênus, Marte e Amor com o cavalo, Paolo Veronese (1575)

Outro pintor da renascença que retratou a deusa foi Paolo Veronese com seus ciclos narrativos elaborados, executados em um estilo dramático e colorido, cheio de majestosos cenários arquitetônicos e brilhante pompa. Como Ticiano, em Vênus, Marte e o Amor com o cavalo, ele representa a deusa nua, com o cabelo majestoso, acompanhada de Eros.

Vênus Consolando Amor, François Boucher (1751)

Nos séculos seguintes, os pintores franceses, e notadamente Boucher, viram no nascimento de Vênus um tema infinitamente gracioso e útil à decoração. Uma multidão de pequenos cupidos paira nos ares ou escolta a deusa. Aliás, os pintores franceses seguiram, nesse ponto, as tradições bebidas da Itália.[10] Boucher retratou Afrodite inúmeras vezes, sendo seus quadros mais famosos: A Visita de Vênus a Vulcano, Triunfo de Vênus e Vênus Consolando Amor. Quando Boucher faleceu, ele tinha sobre o cavalete um quadro inacabado de Vênus.[10]

Peter Paul Rubens pintor barroco que também representou Vênus, notadamente, ele pintou uma festa da deusa em Citera. Ninfas, sátiros e faunos dançam em torno da sua estátua, enquanto os Erotes entrelaçam guirlandas de flores e enchem os ares de alegres cadências. Ao fundo, mostrou o pintor o templo da deusa.

Afrodite até a atualidade, continua sendo explorada por artistas de todo mundo, sendo um dos mitos mais representados, e segundo alguns autores,[61] o motivo das inúmeras representações de Afrodite/Vênus, é porque nas pinturas de Afrodite sentimos a força de uma deusa fascinante, certamente porque é a senhora do amor, e em nosso imaginário, não há nada mais belo. Mas antes de tudo, ela é a deusa da beleza, e não há nada mais apaixonante do que a imagem do belo.

A Festa de Vênus, Peter Paul Rubens (1635-36)

Legado[editar | editar código-fonte]

Afrodite assim como os outros deuses da mitologia grega, exerceu influência permanente na cultura, e até hoje seu mito e sua figura icônica é revistado na cultura popular.


Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Afrodite

Referências

  1. Reginald Eldred Witt, Isis in the ancient world (Johns Hopkins University Press) 1997:125. ISBN 0-8018-5642-6
  2. Hesíodo, Teogonia, 176ff.
  3. Pocket Oxford Classical Greek Dictionary (2002)
    Oxford Grammar Of Classical Greek (2001)
  4. Janda, Michael, Die Musik nach dem Chaos, Innsbruck, 2010, p. 65
  5. Mallory, J.P. e D.Q. Adams. Encyclopedia of Indo-European Culture. Londres: Fitzroy Dearborn Publishing, 1997.
  6. Ver Chicago Assyrian Dictionary, vol. 2, p. 111
  7. In Glotta: Zeitschrift für griechische und lateinische Sprache 11, 21 5f.
  8. Etymologicum Magnum, Ἀφροδίτη
  9. a b c d Inicio do Culto a Afrodite.
  10. a b c d e Atributos a Vênus.
  11. Ovídio. Metamorfoses. [S.l.: s.n.]. 318 pp.
  12. Homero. Hinos Homéricos: Afrodite. [S.l.: s.n.]. 5 pp.
  13. T.T. Kroon, art. Areia (1), in T.T. Kroon, Mythologisch Woordenboek, ’s Gravenshage, 1875.
  14. A Deusa do Amor.
  15. Bulfinch,Thomas. The Age of Fable; or Stories of Gods and Heroes (em inglês). [S.l.: s.n.].
  16. Titulos de Afrodite. Visitado em 17/10/2014.
  17. E.g. Platão, Symposium 181a-d.
  18. Andrea Alciato, Emblemata /Les emblemes (1584).
  19. Richard L. Hunter, Platão Symposium, Oxford University Press: 2004, p. 44
  20. Homero, Odisseia, viii. 288; Heródoto, i. 105; Pausânias, iii. 23. § 1; Anacreonte, v. 9; Horácio, Carmina i. 4. 5.
  21. Hesíodo, Teogonia, p. 113, trad. Jaa Torrano. 6ª edição, Editora Iluminuras Ltda, 2003. ISBN 8585219319, 9788585219314.
  22. Αναδυόμενη (Anadyómenē), "erguendo[-se]".
  23. [ Bulfinch, Thomas, História da Mitologia: Histórias de Deuses e Heróis.]
  24. <Homero, Iliada, adaptação de Bruno Berlendis de Carvalho, 1ª edição, 2007, Berlendis Editores Ltda.]
  25. [ Schwab, Gustav, As Mais Belas Histórias da Antiguidade Clássica - Os Mitos da Grécia e de Roma Volume 1: Metamorfoses e Mitos Menores, pg. 322, 1996, Editora Paz e Terra.]
  26. a b c Homero, Iliada, adaptação de Bruno Berlendis de Carvalho, 1º edição, 2007, Berlendis Editores Ltda.]
  27. Odisseia 8.300
  28. Odyssey, 8.295. "Em Robert Fagles' tradução""…e os dois amantes, livres de suas obrigações que os preocupavam desde então, apareceram e longe ao mesmo tempo, e o Deus da guerra apressou-se à Trácia, enquanto a Deusa do amor com a sua risada alta apressou-se a Paphos … '."
  29. a b c d Adônis.
  30. Pseudo-Apolodoro, Biblioteca
  31. Afrodite protege Roma (em inglês). Visitado em 17/10/2014.
  32. a b Afrodite apoia Hipomenes.
  33. A Morte de Hipolito.
  34. Ovídio, Metamorfoses
  35. Psique Teogenia.
  36. Himeros Teogenia.
  37. Claude Calame, The Poetics of Eros in Ancient Greece (Princeton University Press, 1999, originally published 1992 in Italian), pp. 30–32.
  38. Rhode-Ninfa.
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  40. Beroe-Ninfa.}
  41. Filhos de Afrodite.
  42. a b Butes.
  43. Hesychius of Alexandria s. v. Μελιγουνίς: "Meligounis: isto é o que a ilha Lipara foi chamada. Também uma das filhas de Afrodite."
  44. Virgílio I, 720
  45. Rituais dos Culto a Afrodite. Visitado em 17/10/2014.
  46. a b Miroslav Marcovich, "From Ishtar to Aphrodite" Journal of Aesthetic Education 30 .2, Special Issue: Distinguished Humanities Lectures II (Summer 1996) p 49.
  47. Gregos que adoram os deuses olímpicos.
  48. Hellenismo Politeísta, seguindo o caminho dos gregos antigos.
  49. Deuses helênicos - Afrodite.
  50. a b Afrodite - O Templo Keepers.
  51. Oferendas aos Deuses.
  52. a b Handbuch der Archäologie der Kunst. Max, Breslau 1830
  53. BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega. Petrópolis: Vozes, 7.ª edição, Vol. I, 1991.
  54. Guido Mansuelli, Galleria degli Uffizi: Le Sculture (Rome) 2 vols. 1958–61, vol. I, pp. 71–73.
  55. Prettejohn, Elizabeth (2005). Beauty and Art, 1750-2000. Oxford University Press, 2005, p. 135
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  58. Walsh, Timothy. The Dark Matter of Words: Absence, Unknowing, and Emptiness in Literature. Southern Illinois University Press, 1998, p. 15
  59. Blakemore, Colin & Jenett, Sheila. "Venus". In: The Oxford Companion to the Body, 2001.
  60. Obras de Arte sobre Afrodite.
  61. COMMELIN, P. Mitologia Grega e Romana.