Afrodite

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Afrodite
A obra-prima Afrodite de Milo, original helênico datado de aproximadamente 100 a.C.: Uma das poucas obras da Antiguidade sobreviventes.
Deusa do amor, da beleza e da sexualidade
Morada Monte Olimpo
Cônjuge Hefesto, Ares, Hermes, Dionísio, Adônis e Anquises
Pais Urano e Talassa, ou Zeus e Dione
Irmãos Melíade
Filhos Eros, Fobos, Deimos, Harmonia, Anteros, Rode, Hermafrodito, Erix, Príapo, Béroe e Eneias
Romano equivalente Vênus

Afrodite (em grego antigo: Ἀφροδίτ, transl. Aphrodítē) é a deusa do amor, da beleza e da sexualidade na mitologia grega. Sua equivalente romana é a deusa Vênus. Outros atributos incluem deusa da fertilidade, do prazer e alegria. Historicamente, seu culto na Grécia Antiga foi importado, ou ao menos influenciado, pelo culto de Astarte, na Fenícia. De acordo com a Teogonia, de Hesíodo, ela nasceu quando Cronos cortou os órgãos genitais de Urano e arremessou-os no mar; da espuma (aphros) surgida ergueu-se Afrodite.

Afrodite recebe os nomes de Citere ou Citereia (Cytherea) e Cípria (Cypris) por dois locais onde seu culto era célebre na Antiguidade, Citera e Chipre - ambos os quais alegavam ser o local de nascimento dela. A murta, pardais, pombos, cavalos e cisnes eram considerados sagrados para ela. Os gregos também identificavam-na com a deusa egípcia Hátor.[1] Afrodite ainda recebia muitos outros nomes locais, como Acidália e Cerigo, utilizadas em regiões específicas da Grécia. Em cada cidade ela recebia um culto ligeiramente diferente, porém os gregos reconheciam a semelhança geral entre todas como sendo a única Afrodite.

Afrodite, juntamente com Apolo, representa a obsessão dos gregos pela beleza ideal. Ela foi constantemente reproduzida nas Artes, da Antiguidade a Idade Contemporânea, dada a oportunidade dos artistas reproduzirem a beleza suprema. Nos dias atuais, seu mito continua exercendo influência na cultura, e muitas vertentes do neopaganismo voltaram a lhe prestar culto.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A pronúncia arcaica (homérica) do nome Ἀφροδίτη era aproximadamente [ˌapʰroˈdiːtɛː]. No grego koiné esta pronúncia se tornou [ˌafroˈdiːtɛː], passando posteriormente para [ˌafroˈditi] no grego bizantino, devido ao fenômeno do iotacismo.[2] A etimologia do nome não é conhecida com segurança. Hesíodo o associou a ἀφρός (aphros), "espuma", interpretando-o como "erguida da espuma".[3] Esta origem, no entanto, foi classificada como etimologia popular por diversos autores, e diversas outras etimologias especulativas, muitas derivadas de idiomas não-gregos, foram sugeridas por estes autores. O indo-europeísta Michael Janda (2010) considera genuína a conexão com "espuma", identificando o mito de Afrodite se erguendo das águas após Cronos derrotar urano como um mitema do período proto-indo-europeu.[4] De acordo com esta interpretação, o nome seria derivado de aphrós (espuma), e déatai ([ela] parece ou brilha - no infinitivo) déasthai[5] ), significando "aquela que brilha da espuma [do oceano]", uma alcunha também atribuída à deusa da alvorada (Eos).[6] J.P. Mallory e D.Q. Adams (1997)[7] também propuseram uma etimologia baseada na ligação com a deusa indo-europeia da alvorada, a partir de *abhor- (muito), e *dhei, (brilhar).[2]

Diversas etimologias especulativas não-gregas foram sugeridas por acadêmicos. A ligação com a religião fenícia alegada por Heródoto (I.105, 131) levou a tentativas inconclusivas de se derivar o Afrodite grego com um Aštoret semita, através de uma hipotética transmissão hitita. Outra etimologia semita compara o assírio barīrītu, nome de um demônio feminino encontrado em textos babilônicos médios e tardios.[8] O nome provavelmente significaria "aquela que (vem) no alvorecer", o que identificaria Afrodite em sua personificação como a estrela d'alva, um paralelo importante que ela partilha com a Ishtar mesopotâmica.[2]

Outra etimologia não-grega sugerida por M. Hammarström,[9] aponta para o etrusco, comparando (e)pruni (senhor), uma denominação honorífica etrusca que passou para o grego na forma prítane (em grego: πρύτανις). Isto faria com que a origem do teônimo fosse uma expressão honorífica, "a senhora". O linguista sueco Hjalmar Frisk, no entanto, rejeita esta etimologia, considerando-a "implausível".[10] O Etymologicum Magnum apresenta uma pseudo-etimologia medieval que explicaria o nome Aphrodite como derivado do composto ἁβροδίαιτος, habrodiaitos ("aquela que vive delicadamente"), de ἁβρός, habros + δίαιτα, diaita - explicando a alternância entre b e ph como uma característica "familiar" do grego, "obviamente [derivada] dos macedônios."[11]

História[editar | editar código-fonte]

Origens - Uma deusa importada[editar | editar código-fonte]

Um dos pares de altares dedicados a Afrodite e Adônis, feitos em Taras, sul da Itália, 400-375 a.C.. A cena, que representa a reunião anual de Afrodite e Adônis, mostra o casal se abraçando, e conta com duas mulheres.

Afrodite é uma deusa tão velha quanto o tempo, pertencendo à uma linhagem de deusas femininas que representavam a fertilidade na Antiguidade.[12] O culto de Afrodite foi provavelmente baseado no culto de Astarte da Fenícia, que era venerada em todo Oriente Médio como soberana do mundo. Entretanto, como o sincretismo religioso era muito forte naquela época, não se sabe com exatidão qual a origem das deusas.[13] Por exemplo, no Império Babilônico, Astarte foi relacionada à deusa Ishtar. Ela também seria associada com a deusa síria Atargatis e com a deusa do amor suméria, Inanna. Segundo Pausânias, os assírios foram a primeira civilização a fundar um culto de Afrodite, tese que faz sentido, tendo em vista uma pesquisa que revela a influência mesopotâmica sobre a sociedade e mitologia grega, antes de 700 a.C..[13] O culto de Afrodite na Grécia provavelmente foi introduzido da Síria para as ilhas de Chipre, Citera, Corinto e outras, de onde se espalhou por toda a Grécia.[14] Assim, Afrodite teria "nascido" no Mediterrâneo, local em que as deusas mencionadas foram adoradas. Afrodite também é bastante semelhante à deusa Hator do Egito, que era vista como Afrodite pelos gregos. Vê-se que Astarte, Ishtar, Inanna, Hator e Afrodite eram deusas de atributos comuns, que geralmente eram vistas como uma só deusa, sendo difícil determinar com precisão quem influenciou quem, embora os historiadores concordem que o culto de Afrodite é de origem oriental.[13] No Império Romano, outro sincretismo ocorreria e Afrodite seria transformada em Vênus.[15]

Apesar dos esforços dos mitógrafos, no sentido de “helenizar“ Afrodite, esta sempre traiu sua procedência asiática. Já na Ilíada isso é bem perceptível. Sua proteção e predileção pelos troianos e particularmente por Eneias, fruto de seus amores com Anquises, denotam sua origem não grega.[16] No Hino Homérico a Afrodite, o caráter asiático da deusa ainda é mais claro: apaixonada pelo herói troiano Anquises, avança em direção a Troia, com o nome Ida (que daria nome ao monte Ida), acompanhada de ursos, leões e panteras. Sua hierofania voluptuosa transforma até os animais, que se recolhem à sombra dos vales, para se unirem no amor que transborda de Afrodite.[17] Essa marcha amorosa da grande deusa em direção a Ílion (Troia) mostra nitidamente que ela é uma Grande Mãe semelhante a Astarte.[13]

Seu amante Adônis nos leva igualmente à Ásia, uma vez que Adônis é mera transposição do babilônico Tamuz, o favorito de Istar-Astarté, de que os gregos modelaram sua Afrodite. Como se pode observar, desde de suas características e mitos mais importantes, Afrodite nos aponta para a Ásia.[14] A helenização a transformou de Grande Mãe a um dos onze deuses submetidos a Zeus. Mesmo assim a deusa, bem como suas antepassadas, é um símbolo das forças irrefreáveis da fecundidade, não propriamente em seus frutos, mas em função do desejo ardente que essas mesmas forças irresistíveis ateiam nas entranhas de todas as criaturas. Eis o motivo por que a deusa é frequentemente representada entre animais ferozes, que a escoltam.[18]

Atributos e epítetos[editar | editar código-fonte]

Afrodite de Cápua, cópia romana de 310-200 a.C. no Museu Arqueológico de Nápoles
Afrodite de Cápua, cópia romana de 310-200 a.C. no Museu Arqueológico de Nápoles
Afrodite Inclinada cópia romana do original grego do século II a.C., no Museu Arqueológico de Nápoles
Afrodite Inclinada cópia romana do original grego do século II a.C., no Museu Arqueológico de Nápoles
Cquote1.svg Foi ela que deu o germe das plantas e das árvores, foi ela que reuniu nos laços da sociedade os primeiros homens, espíritos ferozes e bárbaros, foi ela que ensinou a cada ser a unir-se a uma companheira. Foi ela que nos proporcionou as inúmeras espécies de aves e a multiplicação dos rebanhos. O carneiro furioso luta, às chifradas, com o carneiro. Mas teme ferir a ovelha. O touro cujos longos mugidos faziam ecoar os vales e os bosques abandona a ferocidade, quando vê a novilha. O mesmo poder sustenta tudo quanto vive sob os amplos mares e povoa as águas de peixes sem conta. Vênus foi a primeira em despojar os homens do aspecto feroz que lhes era peculiar. Dela foi que nos vieram o atavio e o cuidado do próprio corpo. Cquote2.svg

A citação de Ovídio, mostra que Afrodite era vista como a responsável pela perpetuação da vida, abrangendo toda a Natureza. De acordo com os pontos de vista cosmogênicos da natureza de Afrodite, ela era a personificação dos poderes generativos da natureza e mãe de todos os seres vivos. Um traço dessa noção parece estar contido na tradição no concurso de Tifão com os deuses, onde Afrodite metamorfoseou-se em um peixe, animal que foi considerado possuindo as maiores potências geradoras.[20] Mas de acordo com a crença popular dos gregos e suas descrições poéticas, ela era a deusa do amor, que colocou a paixão nos corações dos deuses e dos homens, e por este poder reinou sobre toda a criação viva.[21]

É de notar que por Afrodite ter sido considerada nascendo do mar, ela foi venerada desde tempos remotos como deusa do mar e da navegação. No entanto, ela não é uma divindade marinha no sentido em que o são Posídon e outros senhores do mar. A mesma majestade com que ela enche toda a natureza fez do mar o local de sua aparição. Seu advento aplaina as ondas e faz a superfície das águas fulgir como uma joia. Ela é o divino encanto do mar calmo e da feliz travessia, assim como é o encanto da natureza florescente.[22] Ela é denominada “deusa do mar sereno”, e faz com que os navios cheguem em boa hora ao porto; por isso ela foi chamada de “deusa da boa viagem”, Euploia, “que assegura a navegação propícia”, Acraia (Akraía), “deusa dos promontórios” (porque lhe dedicavam templos em locais que são bem visíveis do mar), Pôntia (Pontía) e Equórea, isto é, “marítima”, e Nauarca (Nauarkhís), “senhora das naus”.[23]

Como deusa da beleza, ela representava a beleza feminina ideal no imaginário grego, sendo considerada a mais bela das mulheres – não de modo virginal, como Ártemis, tampouco toda decoro, como as deusas casadas e da maternidade, antes plena de uma pura beleza e graça feminina, rodeada pelo úmido brilho do prazer, eternamente moça, livre e feliz, tal como nasceu do mar imenso.[24] Desde Homero, os poetas a chamam de “dourada” e lhe descrevem como a deusa “amiga dos sorrisos” ("filomeida"; philommeidés), ou “de doce sorriso” ("glicimelicos"; glykymeílikhos).[25] Helena a reconhece pela encantadora beleza do colo e dos seios e pelo brilho dos olhos.[16] As cárites, assim como as horas, que representam amáveis e benfazejos espíritos do crescimento, são suas servidoras e companheiras. Dançam com ela, banham-na, ungem-na e tecem-lhe as vestes. O nome das cárites significa “graça e sedução”, que são justamente os dons com que Afrodite brinda Pandora, a primeira mulher.[14]

A beleza de Afrodite, frenquentemente inspirava os talentos e gênio dos antigos artistas, que rivalizavam para produzir a beleza ideal. As obras da Antiguidade que ainda existem são divididas pelos arqueólogos em várias classes, de acordo como a representação da deusa na posição de pé e nua, ou tomando banho, ou semi-nua, ou vestida com uma túnica, como ela foi representada nos templos de Citera, Esparta e Corinto.[14]

A pureza dos sentimentos era muito preservada pelos gregos. O amor tinha que ser honroso, e Afrodite garantia a nobreza dos sentimentos. Esse pensamento parece estar contido em mitos como o de Anaxarete e Narciso: Várias jovens se apaixonaram por Narciso mas ele as menosprezava. As garotas, revoltadas, pediram vingança a Afrodite que o fez se apaixonar pelo próprio reflexo.[26] Porém, com a evolução do mito, ela passou a simbolizar não apenas o amor puro, mais o amor passional, a paixão desenfreada e nociva, a loucura dos sentimentos. Isso fica evidente no mito de seu adultério com Ares. A lenda traz uma grande simbologia, o amor e a guerra juntos em um idílio; a paixão e o ódio; a beleza e a rudeza... Afrodite e Ares se tornaram amantes fervorosos e inseparáveis, fazendo a deusa receber o epíteto de Areia, e ser feita um deusa da guerra em Esparta.[27]

Por outro lado, ela distingue-se muito claramente de Eros, que o mito atribui-lhe como filho. Eros representa o espírito divino do desejo de procriar e do ato amoroso. Mas o mundo de Afrodite, como magistralmente captou Walter Otto, “é de outra ordem, muito mais amplo e rico. Neste mundo, a ideia da essência e do poder divino não emana, como no caso de Eros do sujeito desejante, e sim do amado. Afrodite não é a amante, ela é a beleza e a graça risonha, que fascina. Nesse caso, o que vem primeiro não é o impulso de possuir, mas sim o encanto da aparência que leva de forma irresistível à união. O segredo da completude e unidade do mundo de Afrodite reside em que na atração não atua um poder demoníaco em virtude do qual um ser insensível agarra sua presa. O atraente quer entregar-se, o amável se inclina para aquele que sensibilizou com lânguida franqueza, que o torna ainda mais irresistível”.[22]

Afrodite em cima de uma tartaruga, representação comum de Afrodite Urânia. Mármore do século III d.C., Louvre

Afrodite Urânia e Afrodite Pandemos[editar | editar código-fonte]

No final do século V a.C., os filósofos passaram a considerar Afrodite como duas deusas distintas, não individualizando seu culto: Afrodite Urânia, nascida da espuma do mar após Cronos castrar seu pai Urano, e Afrodite Pandemos (ou Pandemia), a Afrodite comum "de todos os povos", nascida de Zeus e Dione.[28]

Entre os neoplatônicos e, eventualmente, seus intérpretes cristãos, a Afrodite Urânia é vista como uma Afrodite celeste, representando o amor de corpo e alma, enquanto a Afrodite Pandemos está associada com o amor puramente físico. A representação da Afrodite Urânia, com um pé descansando sobre uma tartaruga, mais tarde foi tida como a descrição emblemática do amor conjugal, a imagem é creditada a Fídias, em uma escultura criselefantina feita para Elis, numa única citação de Pausânias.[29]

Assim, de acordo com o personagem Pausânias no Banquete de Platão, Afrodite são duas deusas, uma mais velha a outra mais jovem. A mais velha, Urânia, é a "celeste" filha de Urano, e inspira o amor/Eros homossexual masculino (e, mais especificamente, os efebos), a jovem é chamada Pandemos, é a filha de Zeus e Dione, e dela emana todo o amor às mulheres.[30] Pandemos é a Afrodite comum. O discurso de Pausânias distingue duas manifestações de Afrodite, representadas pelas duas histórias: Afrodite Urânia (Afrodite "celestial"), e Afrodite Pandemos (Afrodite "Comum").[31]

Representando muitas visões do amor, e tendo adoradores tão diversos de moças virgens a prostitutas, muitos cultos diferentes e epítetos foram dados à deusa na Grécia:[23]

Nome em grego Transliteração Nome em latim Transcrição Significado
Ουρανια Ourania Urania Urânia Celestial (Amor), Divino (Amor)
Πανδημος Pandêmos Pandemos Pandemo Amor Comum a Todas as Pessoas
Μαχανιτις Makhanitis Machanitis Maquanita Criadora, Encenadora
Επιστροφια Epistrophia Epistrofia Epistrofia A que faz o Amor Acontecer
Αποστροφια Apostrophia Apostrofia Apostrofia A que Averte (prazeres ilícitos)
Κατασκοπια Kataskopia Catascopia Catascopia Observadora
Ψιθυριστης Psithyristês Psithyristes Psitiristes Soprando
Πράξις Práxis Praxis Práxis Sexo
Μελαινις Melainis Melaenis Melenes Escuridão da Noite
Συμμαχια Symmakhia Symmachia Simaquia No Amor
Απατουρος Apatouros Apaturus Apaturo Enganosa
Νυμφια Nymphia Nymphia Nínfia Noiva
Μιγωντις Migôntis Migontis Migontes União Matrimonial
Δωριτις Dôritis Doritis Dorites Generosa, Abundante
Ἡρη Hêrê Hera Hera de Hera (do Casamento)
Μορφω Morphô Morpho Morfo Formosa
Αμβολογηερα Ambologêra Ambologera Ambológera Herança da Velha Era
Νικηφορος Nikêphoros Nicephorus Nicéforo Portadora da Vitória
Αρεια Areia Area Areia de Ares
Ὡπλισμενη Hôplismenê Hoplismena Hoplismena Armada
Ευπλοια Euploia Euploea Euploia Boa viagem
Ποντια Pontia Pontia Pôntia do Mar
Λιμενια Limenia Limenia Limênia do Porto
Ξενια Xenia Xenia Xênia A Estrangeira
Ακραια Akraia Acraea Acraia Das Alturas, dos Céus
Κηποις Kêpois Cepoïs Cepoes dos Jardins
Αναδυομενη Anadyomenê Anadyomene Anadiômene Erguida do Mar

Epítetos de cultos locais[editar | editar código-fonte]

Nome em grego Transliteração Nome em latim Transcrição Significado
Κυπρια Kypria Cypria Cípria de Chipre
Παφια Paphia Pafia Páfia de Pafos (ilha de Chipre)
Συρια Syria Syria Síria da Síria
Ερυκινη Erykina Ericina Ericina Monte Érix, Sicília
Κυθερεια Cythereia Cytherea Citereia de Citera (Ilhas Jónicas)
Κωλιας Kôlias Colias Cólias Cólias, em Ática
Κνιδια Knidia Cnidia Cnídia Cnido em Cária
Καστινιη Kastiniê Castinia Castínia Mt. Cástio em Panfília
Πυρηναια Pyrênaia Pyrenaea Pireneia Pirineus em Gália

Vênus[editar | editar código-fonte]

Nascimento de Vênus,
de William-Adolphe Bouguereau (1879), no Museu de Orsay

No período helenístico, a cultura grega dominou a Macedônia, a Síria e o Egito. Assim, há uma predominância das artes e ciências gregas no mundo ocidental. Mais tarde, com a expansão de Roma, cada um dos reinos daqueles territórios foi absorvido pela nova potência romana. Antes disso, porém, os próprios romanos adotaram traços da cultura grega, e mais tarde do helenismo, daí a cultura grega ser depois perpetuada pelo Império Romano.[32] Os romanos apropriaram Afrodite para si durante a conquista das cidades gregas do sul da Itália peninsular, como Pesto, e, em seguida, na Sicília, onde a deusa foi venerada em Siracusa. [13] Vênus pode ter sido a deusa sucessora de uma divindade etrusca em um ponto muito cedo na história romana. No entanto, o conceito romano de Vênus é baseado na adaptação de obras literárias da mitologia grega em relação a Afrodite.[13] Vênus é um substantivo latino que significa amor sexual ou desexo sexual.[15]

Foram os romanos que fizeram da divindade também uma deusa militar, além da beleza, do amor, da fertilidade e da sedução. Júlio César adotou Vênus como sua protetora. Na mitologia romana, ela é a mãe divina de Eneias, o ancestral do fundador de Roma, Rômulo.[33] Seu mês sagrado era abril, porque era quando as flores abriam ou floresciam. O Venerália, sua festa, começou no dia primeiro de abril. Murta e rosas eram suas flores sagradas. O monte Érix, na Sicília, foi um local de importante culto a Vênus no período romano.[18]

Pompeia também foi um importante local de culto a Vênus no Império Romano, sendo seu nome oficial Colônia Cornélia Venéria dos Pompeanos (Colonia Cornelia Veneria Pompeianorum), indicado a importância de Vênus como guardiã da cidade.[34]

Um culto romano a Vênus foi estabelecido em Cartago, durante os estágios iniciais da Segunda Guerra Púnica entre Roma e Cartago. [32] Após a derrota terrível dos romanos na Batalha do Lago Trasimeno, o oráculo sibilino sugeriu que a estátua Ericina (Vênus) que estava em Erice, ainda em território cartaginês, poderia ser tomada e persuadir Erice a mudar sua lealdade de Cartago para Roma.[13] Em 217 a.C., os romanos tomaram Erice e com a cidade capturaram uma imagem da bela deusa. Em Roma, ela era venerada em um templo no Capitólio. De acordo com o mito da fundação de Roma, Vênus era uma protetora divina de seu filho Eneias, por isso a chegada da estátua pode ter sido interpretado uma espécie de regresso a casa. Na Eneida, Vênus leva Eneias ao Lácio em sua forma celeste, como a estrela da manhã mais proeminente, brilhando diante dele no céu amanhecer.[13]

O termo italiano venerdì (sexta-feira) nos vem do latim Morre Veneris. Vênus passou a ser identificada com a deusa germânica Freia (Friijo), portanto, sexta-feira (Friday) em inglês.[13]

Mitologia[editar | editar código-fonte]

Nascimento[editar | editar código-fonte]

Afrodite, segundo algumas versões de seu mito, teria nascido perto de Pafos, na ilha de Chipre, motivo pelo qual ela é chamada de "Cípria", especialmente nas obras poéticas de Safo. Seu principal centro de culto era exatamente em Pafos, onde haviam sido cultuadas desde o início da Idade do Ferro as deusas Ishtar e Astarte.[14] Outras versões do mito, no entanto, afirmam que a deusa teria nascido próximo à ilha de Citera.[35] A ilha era um entreposto comercial e cultural entre Creta e o Peloponeso, portanto estas histórias podem ter preservado traços da migração do culto de Afrodite do Levante até a Grécia continental.[14]

Na versão mais famosa do mito, seu nascimento teria sido a consequência de uma castração: Cronos teria cortado os órgãos genitais de Urano e arremessado-os para trás, dentro no mar. A espuma surgida da queda dos genitais na água, que alguns autores identificaram com o esperma do deus morto, teria dado origem a Afrodite, enquanto as Erínias teriam surgido a partir de suas gotas de sangue.[36] Nas palavras de Hesíodo, "o pênis (...) aí muito boiou na planície, ao redor branca espuma da imortal carne ejaculava-se, dela uma virgem criou-se."[37] Esta virgem se tornou Afrodite, flutuando até as margens sobre uma concha de vieira. Esta imagem, de uma "Vênus erguendo-se das águas do mar" (Vênus Anadiômene[38] ), já totalmente madura, foi uma das representações mais icônicas de Afrodite, celebrizada por uma pintura muito admirada de Apeles, já perdida, porém descrita na História Natural de Plínio, o Velho.[39]

Em outra versão de sua origem, ela seria filha de Zeus e Dione, a deusa das ninfas cujo oráculo situava-se em Dodona. A própria Afrodite é por vezes referida como "Dione", que parece ter sido uma forma feminina de "Dios", o genitivo de Zeus em grego, e poderia apenas significar "a deusa", de maneira genérica. A própria Afrodite seria então uma equivalente de Reia, a mãe-terra, e que Homero teria deslocado para o Olimpo. Alguns estudiosos levantaram a hipótese de um panteão proto-indo-europeu, no qual a principal divindade masculina (Di-) representaria o céu e o trovão, e a principal divindade feminina (forma feminina de Di-) representaria a terra, ou o solo fértil.[16] Depois que o culto a Zeus tomou o lugar do oráculo situado no bosque de carvalhos em Dodona, alguns poetas o teriam transformado em pai de Afrodite. Em algumas versões do mito, Afrodite seria filha de Zeus e Tálassa (o mar).[40]

A Petra Tou Romiou (Pedra de Afrodite), na costa de Pafos. Local de importante peregrinação na Grécia Antiga, porque era onde se acreditava que a deusa nasceu.

Personalidade[editar | editar código-fonte]

Afrodite nunca foi criança, sendo constantemente retratada nascendo já adulta, nua e bela.[22] Nos mitos, é normalmente retratada como vaidosa, sedutora, charmosa, uma amante fervorosa que quando amava, amava incondicionalmente. No Hino Homérico de número 6 dedicado a Afrodite, Homero narra que todo lugar que a deusa pisa com seus pés delicados as flores nascem. [25] Homero também relata uma Afrodite bastante maternal, chegando a se sacrificar pelo seu filho Eneias, entrando em combate para protege-lo.[41] Em mitos mais tarde, ela passou a ser retratada como temperamental e facilmente ofendida, se vingando e punindo mortais como Psiquê.[42] Embora ela seja casada, Afrodite é um das poucas deusas do panteão que é freqüentemente infiel ao marido.[17]

Casamento com Hefesto[editar | editar código-fonte]

Afrodite e Ares supreendidos por Hefesto, de Alexandre Charles Guillemot, no Museu de Arte de Indianápolis

De acordo com uma versão da história de Afrodite, por causa de sua imensa beleza, Zeus teme que os outros deuses passaram a brigar um com os outros por causa dela. Para evitar isso, ele a obriga a casar-se com Hefesto, o deus ferreiro, sem senso de humor e feio.[14] Em outra versão da história, Afrodite se casa com Hefesto depois que sua mãe, Hera, lançá-lo do Olimpo, considerando-o muito feio e deformado para habitar com os deuses. Ele se vinga prendendo a mãe num trono mágico que construiu. Em troca de sua libertação, ele pede para ser-lhe dada a mão de Afrodite em casamento.[14]

Hefesto fica feliz por ser casado com a deusa da beleza, e forja para ela belas joias, incluindo o cestus, um cinto de ouro que faz dela ainda mais irresistível para os homens. O descontentamento de Afrodite com seu casamento arranjado faz com que busque outras companhias masculinas, na maioria das vezes Ares.[41]

No conto cantado pelo bardo na sala de Alcino,[43] o deus do sol Hélio uma vez espiou Ares e Afrodite amando um ao outro secretamente na sala de Hefesto, e ele prontamente informou o incidente ao cônjuge olimpíco de Afrodite. Hefesto conseguiu pegar o casal em flagrante e para tanto ele fez uma rede especial, fina e resistente como o diamante para pegar os amantes ilícitos. No momento apropriado, esta rede foi jogada, e encurralou Ares e Afrodite em um abraço apaixonado. Mas Hefesto ainda não estava satisfeito com a sua vingança — ele convidou os deuses e deusas do Olimpo para ver o casal infeliz. Alguns comentaram a beleza de Afrodite, os outros opinavam em trocar de lugar ansiosamente com Ares, mas todos zombam e riem dos dois. Uma vez que o casal foi solto, Ares, embaraçado, fugiu para a sua pátria, Trácia, e Afrodite envergonhada fugiu para Chipre. [nt 1]

Divórcio[editar | editar código-fonte]

A história de Homero na Odisseia sobre o adultério de Afrodite parece ter terminado com seu divórcio de Hefesto. De fato, na época da Guerra de Troia, Homero descreve a deusa como consorte de Ares e a esposa de Hefesto sendo Aglaia.[16] Hefesto não teria aceitado a traição da deusa com Ares pacificamente, e alguns mitos relatam o deus perseguindo a filha de Afrodite e Ares, Harmonia, que teria sido gerada ainda quando Hefesto e Afrodite eram casados. Hefesto amaldiçoou Harmonia e seus descendentes a presenteando com um colar amaldiçoado no dia de seu casamento. Harmonia só conseguiu viver em paz com seu marido, Cadmos, depois que os deuses a levaram para viver numa ilha isolada. Nas histórias que relatam Afrodite como consorte de Ares, Harmonia foi a única filha nascida durante o casamento de Afrodite e Hefesto. Os outros, Eros (ou Anteros), Deimos e Fobos parecem ter nascido depois.[17]

O Julgamento de Páris e a Guerra de Troia[editar | editar código-fonte]

Julgamento de Páris ,
por Enrique Simonet, 1904, Museu de Málaga.
Com Afrodite no centro acompanhada de Eros. Atenas e Hera ao fundo.

Afrodite é um dos poucos deuses cujas ações são a maior causa da Guerra de Troia: ela oferece Helena para Páris, e é responsável por os dois se tornarem tão apaixonados, que Páris acaba raptando Helena.[16] O casamento de Peleu e Tétis, foi um grande evento e todos os deuses foram convidados, menos Éris, deusa da discórdia. Ofendida, lançou um pomo de ouro com a inscrição para a mais bela (kallistei), entre as deusas. Hera, Atena e Afrodite se consideraram as mais belas e disputaram a posse do pomo.[44]

Elas resolveram deixar a decisão com Zeus, que não querendo privilegiar nenhuma, deixou a decisão com Páris, filho de Príamo, príncipe de Troia. As três deusas se exibiram para Páris, mas mesmo assim ele não foi capaz de decidir e elas recorreram a subornos. No fim, Páris escolhe Afrodite, e recebe da deusa ajuda para receber sua recompensa por tê-la escolhido: o amor da mais bela das mulheres, Helena, esposa do rei de Esparta, Menelau.[45] Páris em um ato imaturo rapta Helena, dando início à Guerra de Troia. Na guerra, Afrodite se torna um dos deuses protetores de Troia, juntamente com Ares, Apolo, Ártemis e Leto. Ela também se torna protetora de Helena, Heitor e Páris, salvando a vida deste em um duelo. Na guerra, ela também protege seu filho mortal, Eneias, e por causa disso, acaba sendo ferida em combate. Após muitos anos de guerra entre os aqueus e os troianos, Troia é vencida e destruída.[41]

Guardiã de Roma[editar | editar código-fonte]

Na destruição de Troia, Afrodite fala para seu filho Eneias pegar seu pai, sua esposa e embora de Troia. Eneas faz como sua mãe diz, e viaja, orientado por Afrodite com o nome romano de Vênus, errante pelo Mediterrâneo até chegar à península Itálica, onde seus descendentes constroem Roma. Isto é relatado no poema épico de Virgílio, Eneida, obra máxima da literatura latina.[46] A partir deste épico romano, Vênus passa a ser considerada a deusa guardiã de Roma. Um mito relata que, quando Juno (Hera romana) procurou abrir as portas de Roma para um exército invasor, Vênus procurou frustrar seus planos bloqueando o caminho com as águas.[47]

A corrida de Hipômenes[editar | editar código-fonte]

Atalanta e Hipómenes, por Guido Reni, no Reggia di Capodimonte

A corrida de Hipômenes, foi vencida por este, com ajuda de Afrodite. O mito foi narrado por Pseudo-Apolodoro, Hesíodo e outros. Um príncipe de Onquesto, na Beócia, chamado Hipômenes, se apaixonou por Atalanta. Ela era uma caçadora e não gostava da ideia de se casar e queria ficar virgem para ser consagrada a Ártemis. Aborrecido por homens que admiravam a sua beleza enquanto ela corria pela floresta, disse que quem queria se casar com ela, teria que ganhar uma corrida a pé (sabendo que ela era uma corredora excepcionalmente rápida), mas com a condição de que aqueles perdidos, seriam punidos com a morte.[48]

Atalanta bateu todos os pretendentes, exceto Hipômenes que derrotou-a pela sua astúcia, e não pela velocidade. Hipômenes sabia que ele não poderia ganhar Atalanta numa corrida, e implorou ajuda a Afrodite, que como deusa do amor, não gostava da rejeição de Atalanta ao sentimento. Então Afrodite lhe deu três maçãs de ouro sagradas de Tâmaso, Chipre, e de acordo com Ovídio, do jardim das Hespérides, dizendo para Hipômenes que as deixasse cair na corrida para distrair Atalanta. Depois de largar as duas primeiras maçãs, Atalanta foi capaz de pegá-las e continuar a corrida, mas quando a terceira maça caiu, e Atalanta parou para pegar, ela não conseguiu recuperar rapidamente e Hipômenes venceu a corrida e, com isso, a mão de Atalanta.[48]

A estátua de Pigmalião[editar | editar código-fonte]

Pigmaleão e Galateia, por Ernest Normand (1886), na Galeria de Arte Atkinson

Pigmaleão era um escultor e rei de Chipre que se apaixonou por uma estátua que esculpira ao tentar reproduzir a mulher ideal. Na verdade, ele havia decidido viver em celibato na ilha por não concordar com a atitude libertina das mulheres dali, que haviam dado fama à mesma como lugar de cortesãs.[49]

Afrodite, apiedando-se dele e atendendo a seu pedido, não encontrando na ilha uma mulher que chegasse aos pés da que Pigmaleão esculpira, em beleza e pudor, transformou a estátua numa mulher de carne e osso, com quem Pigmaleão casou-se e, nove meses depois, teve uma filha chamada Pafos, que deu nome à ilha.[49]

Ira da deusa[editar | editar código-fonte]

Embora seja considerada a deusa do amor, Afrodite não foi muito amável com seus adversários, sendo muito vingativa e impiedosa nas suas vinganças. Uma das coisas comuns que irava a deusa, foi quando ela privilegiou mortais e eles não a honraram, como Hipômenes que não teria pagado a Afrodite os devidos tributos por ela tê-lo ajudado na corrida. Afrodite teria se vingado, levando Hipômenes a ter relações sexuais com Atalanta no templo de Reia, fazendo com que essa deusa transformasse a dupla em leões. Outro caso famoso e de Menelau, príncipe de Micenas e mais tarde rei da Lacedemónia, que como uma centena de outros pretendentes pediu a mão de Helena em casamento. Ele prometeu sacrificar a Afrodite cem cabeças de gado se ele ganhasse o concurso, mas após o casamento não honrou sua promessa. A deusa teria se vingado fazendo Helena se apaixonar por Páris e fugir com ele para Troia.[50]

Outra causa para suas vinganças são retaliações pessoais: Para punir o deus Sol, Hélio, por ter advertido Hefesto do seu adultério com Ares, ela o fez se apaixonar por Leucoteia, uma princesa persa, e sem querer provocar sua morte. Castigou da mesma maneira, a musa Clio, que havia criticado o seu amor por Adônis, fazendo-a apaixonar-se pelo mortal Pieros.[51]

Como deusa do amor, foi justiceira dos românticos e odiava quando alguém rejeitava o amor. Um caso famoso é o de Narciso, um belo jovem de Fócida, que era bastante orgulhoso e insensível. Narciso menosprezava todas as jovens que se apaixonavam por ele, incluindo uma ninfa chamada Eco. Afrodite o puniu por sua arrogância, fazendo-o se apaixonar pelo seu próprio reflexo. O rapaz acabou morrendo olhando para o seu reflexo no lago e foi transformado pela deusa em uma flor, narciso.[26]

A morte de Hipólito[editar | editar código-fonte]

Ártemis, estátua do século II, conhecida como Diana de Versalhes no Museu do Louvre

Hipólito, foi um que ganhou a ira de Afrodite por rejeitar o amor. Filho de Teseu e de Hipólita a rainha das amazonas, cultuava Ártemis a quem dedicou sua vida e fez voto de celibato. Hipólito recusou-se a honrar ou fazer ritos a Afrodite, por ela ser a deusa do amor e ele desprezava o sentimento. Afrodite, com raiva, fez Fedra, segunda esposa de Teseu, apaixonar-se por seu enteado. Fedra tentou resistir à paixão, lutou contra seu desejo ilícito e ficou doente. Finalmente, uma criada descobriu a causa de sua miséria, e falou a Hipólito em favor dela. Ele, ficou tão insultado e horrorizado diante da sugestão de ter um romance com sua madrasta que irrompeu num discurso longo e alto, que ela pode ouvi-lo. Rejeitada e humilhada, Fedra suicidou-se deixando uma mensagem a Teseu que acusa falsamente Hipólito de violentá-la. Teseu expulsa o rapaz e invoca a punição de Posídon que provoca um acidente com a carruagem de Hipólito. O jovem conduzia seu carro junto ao mar quando, assustado por um monstro marinho, seus cavalos precipitaram-se pelas rochas causando-lhe a morte. Enquanto Hipólito morre, ouve-se a voz de Ártemis, que revela a verdade a Teseu. Esta tragédia foi escrita por Eurípedes em 428 a.C..[50]

Segundo Pseudo-Apolodoro, Ártemis matou Adônis por vingança. Nos mitos mais tarde, Adônis tinha sido relacionado como um dos favoritos de Afrodite, que foi responsável pela morte de Hipólito, que tinha sido um favorito de Ártemis. Portanto, Ártemis matou Adônis para vingar a morte de Hipólito.[52]

Perseguição a Psiquê[editar | editar código-fonte]

Vênus, Psiquê e Cupido, por Alessandro Varotari, século XVII, Museu Nacional de Belas Artes

Psiquê é a mais famosa de um ciclo de três personagens da mitologia que ganharam o ódio de Afrodite por serem vangloriados como mais bonitos do quer ela. Psiquê foi uma princesa mortal cuja beleza estonteante fez os homens abandonarem a adoração a Afrodite para ficar admirando sua beleza, irritando a deusa, que não aceitava que uma simples mortal merecesse mais adoração do quer ela.[42]

Afrodite ordenou a seu filho Eros que fizesse Psiquê se apaixonar por um monstro, mas o próprio deus se apaixonou por ela e a levou para morar com ele num palácio em segredo. No entanto Eros escondeu sua verdadeira identidade, e ordenou-lhe para nunca mais olhar para o rosto dele. Psiquê acabou sendo enganada por suas irmãs invejosas e viu o rosto do deus enquanto este dormia, e ele a abandonou. Em seu desespero, ela procurou ajuda em todo o mundo por seu amor perdido, e acabou parando no templo de Afrodite. A deusa, vendo que foi enganada pelo filho, ordenou que Psiquê realizasse uma série de trabalhos difíceis, que culminaram em uma viagem ao submundo. No final, Afrodite aceita Psiquê como nora, quando Eros clama ajuda a Zeus que transforma a garota em imortal. Psiquê e Eros se casam em uma cerimônia com a presença dos deuses.[42]

Os outros dois casos de mortais que tiveram sua beleza vangloriada e irritando Afrodite, foi Aquiles, um filho de Zeus e Lâmia, um menino de extraordinária beleza que desafiou Afrodite para um concurso de beleza. A deusa foi ofendida por sua arrogância e transformou-o em um peixe feio.[26] Cencreis, a rainha de Chipre que se gabava que sua filha Mirra era mais bonita que Afrodite, acabou recebendo o ódio da deusa, que deu origem ao mito de Adônis.[51]

Adônis[editar | editar código-fonte]

Afrodite era para Adônis amante e uma mãe de aluguel. Cíniras, o rei de Chipre , teve uma filha muito bela chamada Mirra. A mãe de Mirra, Cencreis, vivia se gabando que sua filha era mais bonita que Afrodite. Então, Mirra é punida por Afrodite que a faz desejar o próprio pai. Mirra passa a rejeitar seus pretendentes por causa da sua paixão incestuosa pelo pai. Ela confessa sua paixão para sua criada, que fala para Cíniras que uma jovem prostituta deseja se deitar com ele, mas secretamente. Mirra se disfarça de prostituta e dorme com o pai durante a noite.[53]

Posteriormente, Mirra fica grávida e é descoberta por Cíniras. Num acesso de raiva, ele persegue-a para fora da casa com uma faca. Mirra foge dele, orando aos deuses por misericórdia enquanto corre. Os deuses ouvem sua súplica, e a transformam em uma árvore de mirra para que seu pai não possa matá-la. Em outra versão do mito, Afrodite se sentido culpada pelo sofrimento de Mirra a transforma na árvore. Posteriormente, Cíniras tira a própria vida na tentativa de restaurar a honra da família.[53]

Vênus e Adônis, por François Lemoyne

Mirra dá à luz a um menino chamado Adônis. Afrodite passa pela árvore de mirra, e vendo-o, tem pena da criança. Ela coloca Adônis em uma caixa, e leva-lo para o mundo inferior, para que Hades e Perséfone cuidem ele. Adônis cresce e se transforma em um jovem extraordinariamente bonito, e Afrodite acaba se apaixonado por ele. Perséfone, no entanto, não está disposta a abrir mão dele, e deseja que Adônis fique com ela no submundo. As duas deusas começar a brigar e Zeus é forçado a interferir. Ele decreta que Adônis vai passar um terço do ano com Afrodite, um terço do ano com Perséfone e um terço do ano com quem ele quiser. Adônis que amava Afrodite, escolhe passar o resto do ano com ela.[53]

Adônis começa seu ano na Terra com Afrodite. Uma de suas maiores paixões é a caça, e apesar de Afrodite não é, naturalmente, uma caçadora, ela pratica o esporte apenas para que possar ficar com ele. Eles passam dia e noite juntos, e Afrodite está encantada com o jovem. No entanto, ela acaba negligenciado seus deveres como deusa, e para reparar-los é obrigada a deixar Adônis por um curto período de tempo. Antes de sair, ela dá a Adônis um aviso: não ataque um animal que não demonstre medo. Adônis concorda com o seu conselho, mas, por duvidar de sua habilidade como caçadora, rapidamente esquece seu aviso.[53]

Não muito tempo depois que Afrodite saiu, Adônis se depara com um enorme javali, muito maior do que qualquer outro que ele já viu. Em alguns mitos este javali é o deus Ares, um dos amantes de Afrodite que estava com ciúmes do amor desta com Adônis. Embora javalis são perigosos quando provocados, Adônis ignora o aviso de Afrodite e persegue a criatura gigante. Logo, porém, Adônis é o que está sendo perseguido; ele não é páreo para o javali gigante.[53]

No ataque, Adônis é castrado pelo javali, e morre de perda de sangue. Afrodite é avisada, em algumas versões, pelo ventos ou pelas ninfas e corre de volta para Adônis, mas é muito tarde para salvá-lo e ela só pode lamentar sobre seu corpo. Onde o sangue de Adônis caiu, Afrodite faz crescer anêmonas em sua memória. Ela jura que no aniversário de sua morte, a cada ano, haverá um festival realizado em sua homenagem.[53]

Em sua morte, Adônis volta ao submundo, e Perséfone tem o prazer de vê-lo novamente. Posteriormente, Afrodite percebe que ele está lá, e corre de volta para recuperá-lo. Mais uma vez, ela e Perséfone discutem sobre quem deve ficar com Adônis e Zeus intervém. Desta vez, ele diz que Adônis deve passar seis meses com Afrodite e seis meses com Perséfone, a forma como ele deveria ter sido em primeiro lugar.[53]

Simbologia[editar | editar código-fonte]

A morte de Adônis, deus oriental da vegetação, do ciclo da semente, que morre e ressuscita, daí sua catábase para junto de Perséfone e a consequente anábase em busca de Afrodite, era solenemente comemorada no Ocidente e no Oriente. Na Grécia da época helenística, deitava-se Adônis morto num leito de prata, coberto de púrpura. As oferendas sagradas eram frutas, rosas, anêmonas, perfumes e folhagens, apresentados em cestas de prata. Gritavam, soluçavam e descabelavam-se as mulheres. No dia seguinte atiravam-no ao mar com todas as oferendas. Ecoavam cantos alegres, uma vez que Adônis, com as chuvas da próxima estação, deveria ressuscitar.[54]

Foi exatamente para perpetuar a memória de seu grande amor oriental, que Afrodite instituiu na Síria uma festa fúnebre, que as mulheres celebravam anualmente, na entrada da primavera. Para simbolizar "o tão pouco" que viveu Adônis, plantavam-se mudas de roseiras em vasos e caixotes e regavam-nas com água morna, para que crescessem mais depressa.[54]

Consortes e filhos[editar | editar código-fonte]

Vênus (Afrodite) e Amor (Eros), por Theodor Heinrich Bäumer, 1886.
Afrodite era constantemente retratada acompanha de Eros, seu filho mais famoso.

Os mitos mais importantes da deusa, como Ares e Adônis, giram em torno do amor que era o atributo principal de Afrodite. O seu primeiro amor teria sido Nerites, um jovem deus do oceano que ela amou ainda quando vivia no mar. Quando Afrodite saiu do oceano e foi viver no Olimpo, ela voltou ao mar para buscar Nerites para ele viver com ela. Entretanto, o deus se recusou a ir com Afrodite. Ela com raiva e traída, transformou Nerites em um feio tubarão. [55]

Zeus, teria tentando seduzir a deusa assim quando ela saiu do mar no Chipre. Porém, está, assustada com os avanços do deus do Olimpo, saiu correndo. Mais tarde, teria se entregado a Zeus de livre e espontânea vontade, ganhando o ódio eterno de Hera, sua esposa;[56] Está, quando soube que Afrodite estava grávida de Zeus, maldosamente colocou a mão em sua barriga, fazendo o seu filho nascer deformado. Essa criança viria ser o deus Priapo. Porém, outros mitos dizem que Priapo é filho de Dionísio ou de Adônis.[57]

Outros amores divinos incluem Hefesto, Dionísio, que ela teve um curto caso por eles "terem tudo em comum" e com ele o filho Iaco,[58] Hermes, com quem teve Hermafrodito, e Posídon, que ela ficou encantada e agradecida com o deus, por ele ter convencido Hefesto a soltar Ares e ela, quando este pegou os dois juntos. Com Posídon teve Rode e Herófile.[59] [60]

Seu principal consorte e romance mais longo foi Ares, sendo desde Ilíada retratada como companheira dele.Tiveram sete filhos: Fobos, Deimos, Harmonia, Os Erotes: Eros, Anteros, Himeros e Fotos.[61] [62] Embora a maioria dos mitos retratem Afrodite gerando Eros sozinha.[63]

Entre seus amores mortais, o mais famoso foi Adônis que era tido como seu grande amor e teve com ele Béroe, que deu nome à capital do Líbano.[64] Anquises, príncipe de Troia, foi outro amor famoso, e algumas versões do mito dizem que Afrodite se apaixonou por Anquises como punição de Zeus por ela ter feito os deuses se apaixonarem por mulheres mortais. Com Anquises teve Eneias e Liros, e logo depois do nascimento dos filhos, sua paixão por Anquises sumiu, embora continuasse a protegê-lo e aos seus filhos.[65]

Outros amores mortais menos famosos está Faetonte, um senhor de Atenas que se tornou guarda de seu templo e ela o amou e teve com ele Astínoo.[66] Butes, um dos Argonautas, foi salvo por Afrodite que o levou para uma ilha isolada onde fizeram amor; ela teve Erix com ele.[67] Há ainda uma daimon, Peito, que personificava o desejo, uma companheira constante de Afrodite, era vista em uns mitos como filha da deusa. Entretanto os autores desse mito não dizem quem seria o pai de Peito com Afrodite.[68]

Culto[editar | editar código-fonte]

Ruínas do Templo de Afrodite, em Afrodisias na Turquia

O centro do culto de Afrodite foi Chipre. Afrodite era adorada na maioria das cidades de Chipre, bem como em Citera, Esparta, Tebas, Delos e Elis, e seu templo mais antigo estava em Pafos.[69] Homero se refere à deusa como o Cípria no século VIII a.C. e ela foi chamada de Páfia no século VI a.C. Inscrições no seu santuário em Palea Pafos, referem-se a ela simplesmente como Wanassa ("a senhora").[70] O templo de Afrodite estava em uma colina a cerca de dois quilômetros para o interior, com vista para o mar. A cidade de Palea logo surgiu ao redor do templo. Seus símbolos incluem a murta, o golfinho, o pombo, o cisne, a rosa, a romã, limeira, pérolas e joias.[14]

Seu festival principal era chamado de Afrodisia e eram celebrado por toda a Grécia. O festival ocorria durante o mês de Hekatombaion, que reconhecemos como a partir da terceira semana de junho a terceira semana de julho no calendário gregoriano. Fontes textuais mencionam explicitamente o festival em Corinto e em Atenas, onde as muitas prostitutas que residiam na cidade comemorou o festival como um meio de adorar a sua deusa padroeira.[69] No templo de Afrodite no cume da Acrópole de Corinto (antes da destruição romana da cidade em 146 a.C.), relações sexuais com suas sacerdotisas foi considerado um método de adoração a Afrodite. Esse ritual é conhecido como prostituição sagrada, e as sacerdotisas usavam o dinheiro arrecadado para manter os templos de Afrodite.[71] O templo na Acrópole de Corinto não foi reconstruído quando a cidade foi restabelecida sob o domínio romano em 44 a.C., mas os rituais de fertilidade provavelmente continuaram na principal cidade perto da ágora.[72] O eufemismo em grego é hieródula (hierodoule), "escravo sagrado". A prática era uma parte inerente dos rituais devidos aos antepassados de Afrodite no Oriente, a sumeriana Inanna e acadiana Ishtar, cujo no templo as sacerdotisas eram as "mulheres de Ishtar", ishtaritum.[54]

A prática tem sido documentada na Babilônia, Síria e Palestina, nas cidades fenícias e nos centros de culto a Afrodite na Grécia, em Chipre, Citera, Corinto e na Sicília;[54] a prática, porém, não é atestada em Atenas. Por causa da prostituição sagrada, Afrodite era vista em toda parte como a deusa padroeira da cortesã. Houve um caso de um nobre que ganhou um jogo nas Olimpíadas, e como formar de agradecer Afrodite por ela tê-lo ajudado, doou para seu templo mais de 100 prostitutas.[19]

A poetisa Safo, uma das mais famosas da Grécia Antiga e lésbica, geralmente se referia a Afrodite como sua deusa protetora, o que fez alguns autores verem que Afrodite também poderia ser vista como padroeira das lésbicas.[73] Mas isso é algo difícil de determinar, porque existem poucos relatos de homossexualidade feminina na sociedade grega, que era relegada à obscuridade, diferentemente da homossexualidade masculina.[74] No caso dos homens homossexuais, Afrodite era provavelmente vista como sua padroeira: seus filhos, Os Erotes, eram símbolos do homoerotismo e protegiam o amor gay;[63] e Platão cita a Afrodite Urânia como sendo a deusa do amor divino e amor homossexual.[30]

Durante os festivais de primavera dedicado para Afrodite e Adônis, procissões separadas de homens e mulheres caminhavam ao longo da Via Sacra de Nova Pafos para o santuário de Afrodite em Velha Pafos, onde havia jogos e concursos de música e poesia. Esta tradição sobrevive (exceto a prostituição) no moderno festival de primavera, Antistíria (Anthistiria), que é especialmente popular em Ctíma Pafos. O santuário de Afrodite em Velha Pafos continuou a florescer na época romana. Vários imperadores romanos honraram-o, sendo visitado por Tito em 69 d.C., quando o futuro imperador estava em seu caminho para o Egito. Ele consultou o oráculo de Afrodite, que afirmou que ele teria um grande futuro. O santuário foi reconstruído pelos romanos após o terremoto de 76 ou 77 d.C., em um projeto que preservou a arquitetura oriental do original. O culto de Afrodite sobreviveu em Velha Pafos até o século IV, quando o imperador Teodósio (r. 378–395) proibiu o paganismo. Não se sabe quando o culto de Afrodite foi suprimido ou se a população local resistiu à proibição.[70]

Afrodísias[editar | editar código-fonte]

O tetrápilo, portal monumental da cidade.

Afrodísias era uma pequena cidade na Cária, agora parte da Turquia. Localizada perto de uma pedreira de mármore, Afrodísias tornou-se um centro de produção de esculturas na época helênica e romana. A escola de esculturas da cidade era popular, e muitas estátuas foram encontrada intactas na região da ágora. O ponto focal da cidade, como o nome sugere, era um enorme Templo de Afrodite, enriquecido com muitas esculturas, sarcófagos e pedras que ilustravam passagens mitológicas. Entre as esculturas notáveis, está uma estátua micênica de uma deusa da fertilidade que foi identificada como sendo uma antecessora de Afrodite, ou a própria Afrodite, adorada na região.[75] Poucos aspectos do edifício original do templo sobrevive, pois posteriormente o templo foi convertido numa basílica pelos bizantinos. A cidade se recusou inicialmente, mas cedeu e foi abandonada no século XIV. Hoje, um sítio arqueológico cheio de edifícios notáveis, incluindo o estádio de atletismo que é dito como sendo provavelmente o mais bem preservado do seu tipo no Mediterrâneo. [75]

Culto moderno a Afrodite[editar | editar código-fonte]

Como uma dos deusas do Olimpo, ela é uma deidade importante, e o culto de Afrodite (ou Aphroditi) como uma deusa viva é uma das devoções mais proeminentes no helenismo moderno.[76] Os helenistas revivem as práticas religiosas da Grécia Antiga nos dias de hoje.[77]

A adoração a Afrodite, hoje, difere das práticas devocionais dos gregos antigos em várias maneiras. Entre os helênicos politeístas, a visão de Afrodite como uma deusa da fertilidade e o desejo, em grande medida deu lugar a uma visão mais suave dela como deusa do amor e da paixão.[78] Coisas como prostituição ritual são pensados como, na melhor das hipóteses, completamente anacrônicas. Em vez disso, os devotos helenistas modernos fazem oferendas para ela e invocam o seu nome e suas bênçãos para relacionamentos amorosos, inclusive sexualmente monógamos. Aqui, as convicções éticas de politeístas helênicos modernos são inspirados por virtudes gregas antigas de auto-controle e moderação.[79]

Politeístas helênicos de hoje celebram a sua devoção religiosa a Afrodite durante três dias principais de festa. Afrodísia, é o seu principal dia de festa e é celebrado com o calendário Ático no dia 4 de Hécatombéon, caindo no calendário gregoriano entre os meses de julho e agosto, dependendo do ano. Adônia, um festival conjunto de Afrodite e seu parceiro Adônis, é comemorado na primeira lua cheia após o equinócio da primavera no hemisfério norte, muitas vezes, mais ou menos com a mesma semana que é celebrado a Páscoa. No quarto dia de cada mês, é considerado um dia sagrado para Afrodite e seu filho Eros.[79]

Oferendas para Afrodite para fins de devocionais pode incluir incenso, frutas; especialmente maçãs e romãs, flores, rosas perfumadas, particularmente vinho doce do deserto, o vinho Commandaria de Chipre, e bolos feitos com mel.[80] Na Wicca, Afrodite também é adorada como deusa do amor e personificação da deusa mãe.[81] [82]

Iconografia[editar | editar código-fonte]

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

Afrodite, em afresco de Pompeia, c. ano 1 d.C.

"[...] Quando a arte, no ciclo de Afrodite, deixou para trás as pedras grosseiras e os ídolos informes do culto primitivo, a ideia de uma deusa cujo poder se estende por toda parte e à qual ninguém pode resistir, animou as suas criações; gostava-se de a representar sentada num trono, segurando nas mãos os sinais simbólicos de uma natureza repleta de mocidade e esplendor, de uma luxuriante abundância; a deusa estava inteiramente envolta nas dobras das suas vestes (a túnica mal lhe deixava à mostra uma parte do seio esquerdo) que se distinguiam pela elegância, pois precisamente nas imagens de Vênus, a graça rebuscada das vestes e dos movimentos parecia pertencer ao caráter da deusa. Nas obras saídas da escola de Fídias, ou produzidas sob a influência dessa escola, a arte representa em Afrodite o princípio feminino e a união dos sexos em toda a sua santidade e grandeza. Vê-se ali, antes, uma união durável formada com o fito do bem geral, e não uma aproximação efêmera que deve terminar com os prazeres sensuais que ele proporciona. A nova arte ática foi a primeira que tratou do tema de Afrodite com um entusiasmo puramente sensual, e que divinizou, nas representações figuradas da deusa, já não mais apenas um poder ao qual o mundo inteiro obedecia, mas antes a individualidade da beleza feminina.

- Ottfried Mueller [83]

Como Vênus ou Afrodite, a deusa do amor foi frequentemente interpretada por artistas diferentes em épocas distintas. Poucas pinturas da Grécia Antiga sobreviveram. Nas existentes atualmente, que retratam a deusa, ela está representada deitada sobre uma simples concha como o retrato acima, de Pompeia.[13] Nas moedas, ela foi retratada normalmente em carruagens puxadas pelos tritões e pelas tritônidas. Enquanto numerosos baixos-relevos de esculturas a apresentam seguida de hipocampos ou centauros marinhos. [83]

A Afrodite de Cnido feita por Praxíteles, que representa a deusa depois do nascimento é uma das esculturas mais famosas da Antiguidade, e sua fama já era grande naquela época, dizia Plínio: "De todas as partes da terra, navega-se em direção a Cnido, para contemplar a estátua de Afrodite."[19] A estátua casou fascínio e assombro. Nos períodos arcaico e clássico da história grega, não se tinha o hábito de representar Afrodite no instante em que sai da espuma do mar, ou seja, inteiramente nua. Assim, foi a obra de Praxíteles considerada novidade, e a própria deusa testemunha, pela boca de um antigo autor, o espanto por se ver assim desprovida de vestes. "Mostrei-me a Páris, Anquises e Adônis é verdade; mas onde foi que Praxíteles me viu?". [19] O rei Nicomedes ofereceu aos cnidianos, em troca da estátua, a totalidade das dívidas deles, que eram importantes. Recusaram a oferta, e com razão, dizia Plínio, pois a obra-prima constitui o esplendor da cidade. Uma multidão de escritores da antiguidade legou sinais da admiração que lhes inspirava a obra-prima para a qual se fizera a seguinte inscrição: "Ao verem a Afrodite de Cnido, Atenas e Hera disseram uma à outra: Não acusemos mais Páris."[84]

Se tão amplamente nos estendemos sobre a Afrodite de Cnido é porque essa obra-prima que tanto assombrou a antiguidade, e que não mais existe, serviu de modelo à maior parte das Afrodites nuas das quais tantas reproduções nos deparamos nos museus.[18] A partir do fim do período clássico, após a Afrodite de Cnido, a deusa passou a ser mostrada com formas voluptuosas, nua ou sumariamente vestida, em poses nitidamente provocantes. Nas pinturas de vasos, no entanto, quase sempre aparecia vestida.[18]

Outra famosa é a Vênus de Médici, uma cópia de mármore do século I, feita de uma estátua de bronze mais antiga no estilo da Afrodite de Cnido, executada por um escultor da tradição praxiteliana.[85] Até o surgimento da Afrodite de Milo, foi a maior representação feminina da Antiguidade.[86]

Uma cidade conhecida pelo retrato da deusa foi Pompeia. Quando Pompeia foi anexada por Sula, ao Império Romano, no ano de 80 a.C., ela passou a chamar-se Colonia Cornelia Veneria Pompeianorum, indicando a importância de Vênus como protetora da cidade. Tal fato explica a enorme quantidade de pinturas, esculturas e grafites espalhados pela região.[34] Um dos mais famosos desses retratos, são da deusa acompanha de Marte (Ares), como Namoro de Marte e Vênus, datada do primeiro quarto do século I d.C.[34]

A Vênus Genetrix mostra Afrodite em seu aspecto mãe: Vestida, trazendo um dos seios descobertos, por ser a nutriz universal.[87] A estatua romana de aproximadamente 48 a.C., foi uma homenagem da dinastia júlio-claudiana para a deusa, uma vez que seu ancestral Júlio César dizia que ser descendente de Vênus.[87]

Mas em termos de fama, nenhuma supera a Vênus/Afrodite de Milo, descoberta no século XIX em Milos e que causou controvérsias e fascínio.[88] A fortuna da estátua entre o grande público e os estudiosos tem sido excepcionalmente favorável, comparável à da Mona Lisa,[88] e a ausência dos seus braços continua sendo apontada como um dos fatores principais do fascínio que exerce.[89] Segundo a Oxford Companion to the Body, é possivelmente a estátua mais celebrada na história do nu artístico,[90] e a estátua mais conhecida da deusa.

Renascimento e Idade Contemporânea[editar | editar código-fonte]

A Primavera, de Sandro Botticelli, 1482, na Galleria degli Uffizi

Com o fim da Idade Média e redescobrimento da mitologia grega no Renascimento, Afrodite voltou a ser comumente representada em pinturas.[19]

Vênus e Adônis, Ticiano (1560)
Vênus e Adônis, Ticiano (1560)
Vênus, Marte e Amor com o cavalo, Paolo Veronese (1575)
Vênus, Marte e Amor com o cavalo, Paolo Veronese (1575)
Vênus Consolando Amor, François Boucher (1751)
Vênus Consolando Amor,
François Boucher (1751)

Sandro Botticelli, um famoso pintor italiano da época do Renascimento, resolveu ressaltar a presença de Afrodite em suas telas. Seus quadros mais famosos são O Nascimento de Vênus, A Primavera e Vênus e Marte, todos eles tendo a deusa como tema central.[19] No Renascimento, o principal foco dos pintores eram temáticas relacionadas à Bíblia. No entanto, Botticelli resolveu quebrar um pouco esse enfoque cristão, pintando quadros cheios de símbolos pagãos. É claro que, como todos os outros artistas renascentistas, Botticelli também pintou telas com alguns temas bíblicos; mas foram os seus quadros de Afrodite que deram a ele a fama de ser considerado um dos melhores pintores do Renascimento.[19] No centro do quadro A Primavera, vemos Afrodite, com a mão direita levemente erguida como se estivesse abençoando a chegada da primavera. Ela está ali para avivar os campos e iniciar uma nova estação do ano ao semear flores e beleza.[19]

No Renascimento, outro pintor famoso que retratou a deusa foi Ticiano, sendo o quadro mais famoso Vênus e Adônis, de 1560 que mostra Afrodite desesperada. Ela suplica. Sujeita-se à humilhação por um beijo de Adônis. O clima de sensualidade criado pela bela vista da Vênus vista da parte traseira (inspirado por uma escultura romana) mal distrai o espectador a partir do fim trágico do conto.[91] Ticiano voltou ao estúdio para a composição, variando-o muitas vezes de meados da década de 1540 até o final de sua vida. Esta versão foi pintada no final de sua carreira e mostra o talento do artista. [92]

Outro pintor da renascença que retratou a deusa foi Paolo Veronese com seus ciclos narrativos elaborados, executados em um estilo dramático e colorido, cheio de majestosos cenários arquitetônicos e brilhante pompa. Como Ticiano, em Vênus, Marte e o Amor com o cavalo, ele representa a deusa com o cabelo majestoso, e como é comum nas pinturas, nua, e acompanhada de Eros (Amor/Cupido).[19]

Nos séculos seguintes, os pintores franceses, e notadamente François Boucher, viram no nascimento de Vênus um tema infinitamente gracioso e útil à decoração. O nascimento de Vênus, na escola francesa, era sempre representado com uma multidão de pequenos cupidos pairando nos ares ou escoltando a deusa. Aliás, os pintores franceses seguiram, nesse ponto, as tradições bebidas da Itália.[19] Boucher retratou Afrodite muitas vezes, sendo seus quadros mais famosos: A Visita de Vênus a Vulcano, Triunfo de Vênus e Vênus Consolando Amor.[19]

Peter Paul Rubens, pintor barroco que também representou Vênus, notadamente, ele pintou uma festa da deusa em Citera. Ninfas, sátiros e faunos dançam em torno da sua estátua, enquanto os Erotes entrelaçam guirlandas de flores e enchem os ares de alegres cadências. Ao fundo, mostrou o pintor o templo da deusa.[19]

Uma representação comum de Afrodite pelos pintores foi com dela olhando ao espelho, já que o espelho é tido como o símbolo à deusa. Diego Velázquez, pintor do barroco, fez um quadro notável desse tipo, intitulado Vênus ao espelho (1647-51), que faz um retrato mundano da deusa. Não a retrata loura, como era comum, e sim morena; e a figura não é tratada como uma deusa, mas simplesmente como uma mulher comum. [93] Peter Paul Rubens, em seu Vênus do espelho (1614-15), mostra a deusa com o seu cabelo tradicionalmente louro. Em contraste com a bela e arredondada forma ideal de Rubens, Velázquez pintou uma figura feminina mais delgada.[94]

Outra notável pintura da deusa ao espelho é a de Ticiano: Vênus com um espelho (1555), uma das mais antigas representações da deusa no banho, acompanhada de seu filho Eros (Cupido).[19] Giorgione foi um pintor renascentista que, séculos antes de Velászquez, fugiu do comum e retratou Vênus morena em Vênus Adormecida (1510), que por sua vez inspirou a Vênus de Urbino (1538) de Ticiano.[19]

No neoclassicismo, acreditava-se em um modelo ideal de beleza, herdado da antiguidade clássica - a Beleza era um dom da Grécia e da humanidade. Nesse contexto, Apolo e Afrodite representavam esta beleza ideal.[95] Dominique Ingres, pintor neoclassicista, inspirado pela Vênus de Médici, pintou um dos seus mais famosos quadros, Vênus Anadiômene de 1848, que retrata o nascimento da deusa.[95] A pintura está na galeria abaixo, juntamente com dois outros quadros famosos do neoclassicismo e do romantismo, que retratam o nascimento de Vênus.[95]

Afrodite foi continuamente retratada por artistas de todo mundo, sendo um dos mitos mais representados. Segundo alguns autores,[96] o motivo das muitas representações de Afrodite/Vênus, é porque nas pinturas de Afrodite sentimos a força de uma deusa fascinante, certamente porque é a senhora do amor, e em nosso imaginário, não há nada mais belo. Mas antes de tudo, ela é a deusa da beleza, e não há nada mais apaixonante do que a imagem do belo.

Legado do mito[editar | editar código-fonte]

Afrodite assim como os outros deuses da mitologia grega, exerceu influência permanente na cultura:

Notas

  1. ..e os dois amantes, livres de suas obrigações que os preocupavam desde então, apareceram e longe ao mesmo tempo, e o deus da guerra apressou-se à Trácia, enquanto a deusa do amor com a sua risada alta apressou-se a Pafos …

Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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