Agátias

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Agatias (Mirina, Ásia Menor ca. 536 - Constantinopla, 582 ou 594), chamado de "Escolástico" (Agatias Scholasticus), foi um homem de letras e historiador bizantino, e uma das fontes principais para o período do reinado de Justiniano I.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu por volta de 536 d.C. em Mirina (Μύρίνα), cidade de Mísia (Ásia Menor) na costa ocidental da atual Turquia, cerca de 37 km a sudoeste de Pérgamo, da qual atualmente restam apenas vestígios.

Foi provavelmente educado em Constantinopla, estudou direito em Alexandria e regressou para Constantinopla em 554, onde completou o seu treino e exerceu como advogado (scholasticus).

Porém, a literatura foi a sua atividade preferida. Escreveu poesia erótica, epigramas e sonetos, e editou antologias destes gêneros. Também escreveu notas marginais acerca do Itinerário de Pausânias. Após a morte de Justiniano I em 565, tendo Agatias trinta anos de idade, alguns dos seus amigos convenceram-no para escrever a história do seu próprio tempo. O resultado foram os cinco livros das suas Histórias, que continuam a obra História das guerras de Procópio de Cesareia.

Como continuador de Procópio, imita-o na forma bem como na abundância de episódios atrativos. Porém, o historiador Edward Gibbon contrasta Agatias, "um poeta e retórico" com Procópio, "um estadista e soldado." Agatias obteve a sua informação através de testemunhas, ao contrário de Procópio, que exerceu pessoalmente importantes cargos militares e políticos.

Embora a superioridade de Procópio seja clara, Agatias é um confiável e importante relator para esta fase final da Antiguidade Tardia. Vários dos fatos que descreve não são encontrados em nenhuma outra obra, e sempre foi visto como uma valiosa fonte para o período que trata, correspondente aos anos 552-558/9 do reinado de Justiniano I. É citado com frequência por historiadores eclesiásticos.

Comentadores cristãos notam a superficialidade do cristianismo nominal de Agatias:

Há razões para duvidar de que tenha sido um cristão, embora parece improvável que pudesse ser um pagão genuíno em data tão tardia.
 

Nenhum pagão declarado poderia aspirar a uma carreira pública durante o reinado de Justiniano, mas o historiador Anthony Kaldellis acredita que a ampla cultura de Agatias não era eminentemente cristã.

Agatias faleceu em Constantinopla em 582 d.C. ou 594.

Obras[editar | editar código-fonte]

Agatias é autor de poesia erótica (Daphniaca), o Ciclo de Novos Epigramas ou Ciclo e as Histórias. Também escreveu notas marginais acerca do Itinerário de Pausânias.

Daphniaca[editar | editar código-fonte]

Escreveu nove livros de poesia erótica (Daphniaca), que não se preservaram.

Epigramas[editar | editar código-fonte]

Reuniu uma antologia de epigramas, tanto próprios quanto de autores anteriores e contemporâneos, sob o título de Ciclo de Novos Epigramas ou Ciclo (Κυκλος).

Agatias reeditou a Anthologia Graeca, também conhecida como Antologia Palatina, que contém cerca de cem dos seus epigramas, nos quais amostra considerável gosto e elegância. Alguns destes poemas são anteriores a 565.

Histórias[editar | editar código-fonte]

Após a morte de Justiniano I em 565, escreveu as Histórias (ou Sobre o reinado de Justiniano), que nunca chegou a concluir, cujos cinco livros são uma continuação da História das guerras de Procópio, que terminava com os eventos de 552 d.C.

A obra trata dos fatos acontecidos de 552 d.C. até 558 ou 559. Refere-se nomeadamente às campanhas dos exércitos bizantinos, no comando do general Narses, contra os Vândalos, Godos e Francos, bem como às lutas contra os persas e os hunos.

Posto que refere a morte do rei persa Cosroes I (†579) mas não a subida ao trono do imperador Maurício (582), supõe-se que a obra seria abandonada por volta de 580, quer pelo falecimento do autor ou por causas desconhecidas.

Como continuador de Procópio, imita-o na forma bem como na abundância de episódios atrativos. Porém, o historiador Edward Gibbon contrasta a Agatias como "um poeta e retórico" com Procópio, "um estadista e soldado." Agatias obteve a sua informação através de testemunhas, ao contrário de Procópio, quem exerceu pessoalmente importantes cargos militares e políticos.

É importante o fato de Agatias dizer ter tido acesso constante às fontes persas. Mas os seus muitos erros e equivocações fazem ao menos duvidoso que realmente tivesse accessível uma tradução dos anais reais sassânidas.

Agatias dá rédeas à sua imaginação e as suas páginas abundam em reflexões filosóficas. Deleita-se em descrever os modos, costumes e religião dos povos sobre os quais escreve; presta muita atenção aos grandes distúrbios do seu tempo, terramotos, pragas, fomes; e não falha em inserir "vários pormenores sobre cidades, fortes e rios, filósofos e comandantes subordinados."

Vários dos fatos que descreve não são encontrados em nenhuma outra obra, e sempre foi visto como uma valiosa fonte para o período que descreve, sendo citado com frequência por historiadores eclesiásticos.

Também se ocupa de acontecimentos do Ocidente, que entrava na Idade Média. No seu relato das guerras de Justiniano na Itália dá uma descrição dos merovíngios, baseada nos relatos de gregos residentes em Marselha, e bem diferente da imagem que dá Gregório de Tours na sua História dos francos. Disse Agatias:

Esses francos não são nômades, utilizam a administração e as leis romanas. De fato não se distinguem dos romanos mais que pela sua língua e o seu vestido. O que mais admiro deles é a sua retidão e a sua união. Não existe entre eles nem o direito nem o costume de pôr Estado em dificuldades por causa de uma querela entre reis. Por isso os francos têm um poder sólido e leis estáveis.

Agatias (Histórias 2.31) é a única autoridade que comenta o encerramento por Justiniano da Academia Platônica (na realidade, neoplatônica) de Atenas em 529 d.C., que é frequentemente citada como a data que marca o fim da Antiguidade. Os eruditos dispersados encontraram refúgio temporário na capital persa de Ctesifonte, levando-se consigo tantos livros como pudessem transportar. Depois, recebendo garantias de segurança, regressaram para Edessa, onde um século depois as forças do Islão encontraram a cultura grega clássica da Antiguidade, especialmente a sua ciência e medicina.

Edições das Histórias [editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em espanhol, cujo título é «Agatías».

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]