Agrarianismo

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Agrarianismo tem dois significados comuns. O primeiro significado se refere a um filosofia social ou filosofia política que valoriza a sociedade rural como sendo superior a sociedade urbana, o agricultor independente como superior ao trabalhador assalariado, e vê a agricultura como um modo de vida que pode moldar os valores sociais ideais.[1]

O norte-americano Thomas Jefferson foi um representante agrarianista e construiu sua Democracia de Jefferson em torno da noção de que os agricultores são "os cidadãos mais valiosos" e verdadeiros republicanos.[2] O agrarianismo comercial de Jefferson assenta sobre a concepção de que o comércio apenas assumia a sua faceta corruptora caso não fosse contrabalançado pelo cultivo de terras.[3]

As raízes filosóficas do agrarianismo incluem filósofos europeus e chineses. A escola de agrarianismo chinesa era uma filosofia que defendia o camponês utópico comunista e igualitarista.[4] Isso influenciou intelectuais europeus como François Quesnay, um ávido confucianista e defensor das políticas agrárias da China, que formam a filosofia agrária francesa de Fisiocracia.[5]

Em segundo lugar, o termo "agrarianismo" significa ainda as propostas políticas de redistribuição de terras, especificamente a distribuição de terras dos ricos para os pobres e sem-terras. Esta terminologia é comum em muitos países e teve origem a partir da "Lex Sempronia Agraria" ou "Leis agrárias" de Roma, em 133 a.C., imposta por Tibério Graco que se apoderou das terras públicas (ager publicus) usadas pelos ricos e as distribuiu para os pobres.[6]

História[editar | editar código-fonte]

O agrarianismo pode ser uma filosofia social ou filosofia política[1]
Os respigadores, de Jean-François Millet, 1857

Grécia e Roma[editar | editar código-fonte]

Na Grécia, Hesíodo, Aristóteles e Xenofonte promoveram ideias agrárias. Ainda mais influentes, os pensadores romanos como Catão , Cícero, Horácio e Virgílio elogiaram as virtudes de uma vida dedicada ao cultivo do solo.[7] [8]

Agriculturalismo na China[editar | editar código-fonte]

foi uma filosofia de Agrarianismo chinês que defendia uma utopia de comunismo e igualitarismo camponês.[4] A filosofia baseia-se na noção de que a sociedade humana se origina com o desenvolvimento da agricultura e as sociedades são baseadas na "propensão natural das pessoas para o cultivo."[9]

Fisiocratas: França do século 18[editar | editar código-fonte]

A fisiocracia foi uma filosofia agrarianista francesa que se originou no século 18. O movimento foi particularmente dominado por François Quesnay (1694-1774) e Anne-Robert-Jacques Turgot (1727-1781).[10] Os fisiocratas foram parcialmente influenciadas pelo agrarianismo chinês; os principais fisiocratas, como François Quesnay foram confucionistas que defendiam as políticas agrárias da China.[11]

Europeus e americanos nos séculos 18 e 19[editar | editar código-fonte]

O agrarianismo se desenvolveu nos Estados Unidos em meados do século XVIII, a partir da leitura dos filósofos europeus e também do que as pessoas constatavam da experiência americana. Baseava-se na ideia de uma democracia apoiada na virtude de pequenos agricultores independentes, chamados, por seu trabalho e moderação, a se tornarem os benfeitores da coletividade nacional. Grandes apóstolos dessa doutrina foram Jefferson, Andrew Jackson e John Taylor.[12]

Os teóricos do Leste Europeu incluem Pyotr Stolypin (1862-1911) e Alexander Chayanov[13] (1888–1939) na Rússia; Adolph Wagner (1835–1917), Karl Oldenberg na Alemanha,[14] e Bolesław Limanowski (1835–1935) na Polônia. [15]

Na Rússia os intelectuais dos "populistas" (Narodnaya Volia[16] ) e, mai tarde, o Partido Socialista Revolucionário desenvolveu uma base teórica para um movimento camponês, construindo uma ideologia humanista rica e bem desenvolvida que influenciou a Europa Oriental, especialmente nos Bálcãs. Esta nunca alcançou a visibilidade internacional entre os camponeses que o socialismo fez entre os trabalhadores urbanos.[17]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Thompson, Paul. 2010. “Interview Eighteen” in Sustainability Ethics: 5 Questions Ed. Ryne Raffaelle, Wade Robinson e Evan Selinger. United States: Automatic Press (em inglês)
  2. Thomas P. Govan, "Agrarian and Agrarianism: A Study in the Use and Abuse of Words," Journal of Southern History, Vol. 30#1 (Feb., 1964), pp. 35-47 in JSTOR (em inglês)
  3. Filipe Carreira da Silva. Virtude e democracia: um ensaio sobre ideias republicanas. [S.l.]: Filipe Carreira da Silva, 2004. p. 97. ISBN 978-972-671-133-9 Página visitada em 7/6/2013.
  4. a b Deutsch, Eliot; Ronald Bontekoei. A companion to world philosophies. [S.l.]: Wiley Blackwell, 1999. p. 183. (em inglês)
  5. L.A. Maverick, "Chinese Influences upon the Physiocrats," Economic History, 3:54-67 (February 1938) (em inglês)
  6. H. H. Scullard, From the Gracchi to Nero: A History of Rome from 133 B.C. to A.D. 68 (1963) ch 2 (em inglês)
  7. Pitirim A. Sorokin, et al., eds. A systematic source book in rural sociology (1930) vol 1 pp 24-52
  8. Paul H. Johnstone, "Turnips and Romanticism," Agricultural History , Vol. 12, No. 3 (Jul., 1938), pp. 224-255 in JSTOR (em inglês)
  9. Sellmann, James Daryl. Timing and rulership in Master Lü's Spring and Autumn annals. [S.l.]: SUNY Press, 2010. p. 76. (em inglês)
  10. Steiner (2003) p62 (em inglês)
  11. Derk Bodde, Chinese ideas in the west, Universidade de Columbia (em inglês)
  12. Lívia Barbosa. Igualdade e meritocracia: a ética do desempenho nas sociedades modernas. [S.l.]: FGV Editora, 1999. p. 42. ISBN 978-85-225-0294-3 Página visitada em 7/6/2013.
  13. Frank Bourgholtzer, "Aleksandr Chayanov And Russian Berlin," Journal of Peasant Studies, July 1999, Vol. 26 Issue 4, pp 13-53 (em inglês)
  14. Kenneth D. Barkin, "Conflict and Concord in Wilhelmian Social Thought," Central European History March 1972, Vol. 5 Issue 1, pp 55-71
  15. K. J. Cottam, "Boleslaw Limanowski, A Polish Theoretician Of Agrarian Socialism," Slavonic and East European Review, Jan 1973, Vol. 51 Issue 122, pp 58-74 (em inglês)
  16. Isaiah Berlin, "The Populists' Moral Condemnation of Russia Political and Social Systems," in Arthur E. Adams, ed. Problems of European Civilization: Imperial Russia after 1861 (1965) (em inglês)
  17. Hannu Immonen, The Agrarian Program of the Russian Socialist Revolutionary Party, 1900–1911 (1988). (em inglês)