Agricultura Natural Johrei

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Agricultura Natural é um metódo de agricultura desenvolvido por Mokichi Okada (18821955), que propõe um cultivo natural onde existe a harmonia do meio-ambiente, com a alimentação, com a saúde do homem, e também com a espiritualidade. Esse sistema agrícola consiste em cultivar os vegetais da maneira mais natural possível, rejeitando qualquer forma de cultivo, que desrespeite o modo de "comportamento" natural do solo, e do crescimento vegetal. Ou seja sem utilizar agrotóxicos (venenos), e nem mesmo adubo de origem animal (esterco, etc), pois todos esses elementos que são predominantemente utilizados atualmente, segundo essa diretriz, retiram o verdadeiro e natural sabor dos alimentos, bem como prejudicam a saúde do homem.

A origem deste método agrícola é da década de 1930. Ele preconiza a busca da harmonia, da saúde e da prosperidade entre os seres vivos como fruto da conservação do ambiente natural e respeito às suas leis. Mokiti Okada propõe reciclar os recursos naturais para enriquecer o solo e fazê-lo emanar sua força e proteger os mananciais de água, criando uma corrente sadia que vai do solo e da água às plantas, aos animais e aos seres humanos.

No Brasil é impulsionada pela Fundação Mokiti Okada,[1] desde 1979. A fundação também certifica os alimentos, e divulga a tecnologia da produção de alimentos saudáveis capacitando os agricultores.

Tais idéias vieram, posteriormente a influenciar os pensadores australianos Bill Mollison e David Holmgren a criarem seu movimento de permacultura[2]

Vivificando o Solo[editar | editar código-fonte]

A principal meta da agricultura natural é vivificar o solo. Para Meishu Sama vivificar o solo significa conservalo sempre puro, livre de matérias impuras como os adubos. A maneira de colaborar com o solo é lançar mão dos compostos naturais. Para isso utiliza-se folhas e capins bem picados e parcialmente decompostos (até que se amoleçam as nervuras). A matéria orgânica é incorporada em camadas com objetivo de estabilizar a temperatura, manter a umidade, bem como afofar a terra. O resultado esperado é literalmente o aumento da vida do solo que pode ser verificado pela baixa ocorrencia de pragas e doenças nos cultivares e finalmente pelas boas colheitas.[3]

Pecuária Natural[editar | editar código-fonte]

Os conceitos de produção natural estendem-se muito além de produção de vegetais apenas, podendo também ser aplicados à criação de gado, dando-se preferência aos frangos em detrimento ao gado das demais espécies, tendo em vista que o volume necessário para alimentar esses animais, é muito maior do que os primeiros.

Dependência de Agrotóxicos[editar | editar código-fonte]

Muitos produtores preferem os métodos convencionais, segundo Meishu Sama, mais custosos, poluentes e insalubres devido a utilização de produtos químicos intoxicantes [4] . Os consumidores muitas vezes ingerem resíduos desses produtos. Os próprios agricultores são expostos ao efeito cumulativo dos venenos, porém desenvolveram uma dependência do uso dessas substâncias, não acreditando que seja possível o cultivo sem elas.

Transgênicos[editar | editar código-fonte]

Atualmente os agricultores de transgênicos têm um sério problema quanto às sementes: muitas nascidas dessas plantas são híbridas, portanto inférteis, como no caso da soja. Considerando também que alguns transgênicos apresentam falhas ao serem cultivados exigindo o uso de agroquímicos, como os convencionais. Alguns transgênicos apresentam a característica de serem resistentes a herbicidas. Com os cultivares resistentes a herbicidas, pode-se pulverizar o produto sobre a lavoura, ocasinando a morte das plantas invasoras e preservando a cultura. A engenhosidade racional deste tipo de avanço científico é deslumbrante, mas pode esconder ilusões. Meishu Sama alertou, baseado na lei do "espirito precede a matéria", que caso aja desreipeito às leis naturais pode-se haver necessidade de processos purificadores, nem sempre agradáveis.

Microorganismos eficientes[editar | editar código-fonte]

A Agricultura Natural tentava confiar apenas na força do solo em si isso até uns 20 anos atrás quando no começo das pesquisas, sem o uso de qualquer adubo. No entanto, houve um sério problema constatado: existiam solos que de tão desgastados pelo mal-uso tornaram-se sobremaneira inférteis que era quase impossível cultivá-los. Sem mencionar também o fato de que outros solos estavam tão fragilizados pelo o uso mais que centenário de adubos químicos,[5] que as pragas se tornavam constantes. Para contornar tal problema, verificou-se que o uso de microorganismos eficientes (Efficient Microorganism EM, na sigla em inglês, os artigos também se encontram na língua inglesa) não era contrário às leis da Natureza propostas por Okada - muito pelo contrário - esses microorganismos conseguiram -como ainda conseguem- purificar o solo e a água de suas toxinas, possibilitando, aliados a um manejo mais adequado do mesmo, que esse solo consiga otimizar a sua produção e assim atender as necessidades humanas e ecológicas.

Desta maneira, afigura-se como uma das principais alternativas para o manejo sustentável de áreas destinadas à agricultura.

Referências

  1. FUNDAÇÃO MOKITI OKADA
  2. As Principais Correntes Do Movimento Orgânico E Suas Particularidades. Visitado em 29 de Dezembro de 2010.
  3. Força do Solo
  4. OLIVEIRA, Sandra Mara de and GOMES, Tereza Cristina Cabral. Contaminação por agrotóxico em população de área urbana: Petrópolis, RJ. Cad. Saúde Pública [online]. 1990, vol.6, n.1 [cited 2011-10-14], pp. 18-26 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1990000100003&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0102-311X. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X1990000100003.
  5. Há registros de tal uso até na literatura de entretenimento de Lima Barreto, em O Triste Fim de Policarpo Quaresma, quando ele se utiliza de fosfatos para adubar a terra e tentar melhorar a produção na parte segunda do livro. Isso em aproximadamente 1895.