Ahmad ibn Hanbal

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Ahmad ibn Hanbal
Era de Ouro islâmica
Nome completo Abu `Abdillah Ahmad ibn Muhammad ibn Hanbal al-Shaybani
Escola/Tradição: Sunita
Data de nascimento: 780
Local: Bagdá, Iraque[1]  ou Merv, Coração (atual Turquemenistão)[2]
Data de falecimento 855 (75 anos)
Local: Bagdá[3]
Principais interesses: Fiqh, Hadith, e Aqidah [3]
Influenciado por: Imame Shafi`i [3]
Influências: al-Barbahari,[4] al-Bukhari,[5] ibn al-Hajjaj, ibn Qudamah, ibn Aqil, ibn al-Jawzi, ibn Taymiyyah, ibn Qayyim Al-Jawziyya, ibn Rajab, ibn Ya'qub al-Juzajani[6]

Ahmad ibn Muhammad ibn Hanbal Abu `Abd Allah al-Shaybani (em árabe: احمد بن محمد بن حنبل ابو عبد الله الشيباني) (Bagdá, 780 - Bagdá 855) foi um importante jurisconsulto e teólogo muçulmano. É considerado o fundador da escola Hanbali de fiqh (jurisprudência islâmica). O imame Ahmad é um dos mais célebres teólogos sunitas, muitas vezes chamado de "Sheikh ul-Islam"[7] ou "Imame de Ahl al-Sunnah", a principal autoridade sobre a doutrina ortodoxa. O imame Ahmad personificou a visão teológica dos primeiros estudiosos ortodoxos e, em particular, os fundadores das três escolas jurídicas antes dele, Hanafi, Maliki e al-Shafi`i.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Juventude e família[editar | editar código-fonte]

Ahmad ibn Hanbal nasceu no Iraque.[1] Sua família era de origem árabe.[8] O pai de Ahmad foi um soldado de Bagdá, que morreu quando Ahmad era jovem.[9]

Ahmad teve duas esposas e de acordo com o imame Ahmad e seu filho mais velho, tornou-se mais tarde um cádi em Isfahan.[7] Ahmad tinha uma relação muito próxima com seus filhos, em especial, com seu filho mais velho, Salih. Foi dito que Ahmad recitava frequentemente o capítulo Al-Kahf do Alcorão, e que costumava recitar o capítulo sobre uma tigela de água e de fazer seu filho beber dela, sempre que este ficava doente.[9]

A busca do conhecimento[editar | editar código-fonte]

A lei de Abu Daud al-Sigistani, de ibn Hanbal. Um dos manuscritos literários mais antigos do mundo islâmico, produzido em Rabi I.266 (outubro de 879).

Ahmad mudou-se para o Iraque e estudou extensivamente em Bagdá, e depois usou suas viagens para dar continuidade à sua educação. Estava principalmente interessado em adquirir o conhecimento da hadith e viajou através do Iraque, Síria e Arábia, estudando religião e coletando tradições do profeta Maomé. Suas viagens duraram vários anos. Ao voltar para casa, estudou com o imame Shafi`i sobre a lei islâmica.[10] [11] Isto, e o fato de que era um estudioso da hadith, foram responsáveis por sua profunda devoção à visão textual do Islã e sua oposição a qualquer tipo de inovação.[12] O imame Shafi`i, que era um gigante acadêmico em seu próprio direito, declarou:

"Deixei Bagdá, e não poderia ter deixado em meu lugar um homem melhor, com mais conhecimento, ou mais (compreensão) da fiqh, nem com maior taqwa (piedade), do que Ahmad ibn Hanbal."[9]

Ibn Hanbal passou quarenta anos de sua vida em busca do conhecimento, e só depois foi que assumiu a posição de mufti. Nessa altura, tinha domínio de seis ou sete disciplinas islâmicas, de acordo com al-Shafi`i. Tornou-se uma das maiores autoridades em hadith e deixou uma colossal enciclopédia hadith, al-Musnad, como uma prova viva da sua competência e dedicação a esta ciência. É também lembrado como um líder e o mais equilibrado crítico de hadith do seu tempo. Manteve-se como o imame nas ciências do Alcorão, sendo autor de obras de exegese (Tafsir), de ciência da abrogação (al-Nasikh wal-Mansukh), bem como dos diferentes modos de recitações (Qira’at), preferindo alguns modos de recitação ao invés de outros, e até mesmo expressando desagrado para a recitação do Hamza devido ao seu alongamento exagerado das vogais. Ibn Hanbal tornou-se um especialista principal da jurisprudência, já que teve o privilégio de beneficiar-se de alguns dos primeiros juristas famosos e de sua herança, como Abu Hanifah, Malik ibn Anas, al-Shafi`i, e muitos outros. Sua aprendizagem, piedade e fidelidade inabalável às tradições reuniu em torno de si um grande número de discípulos e admiradores. Ele ainda improvisou e desenvolveu a partir de escolas anteriores, tornando-se o fundador de uma nova escola independente de jurisprudência, conhecida como a escola Hanbali. Alguns estudiosos, como Qutaiba b. Sa’id, observou que se ibn Hanbal tinha testemunhado a era de Sufyan al-Thawri, Malik, al-Awza'i e Laith b. Sa’d, teria superado todos eles. Apesar de ser bilíngue, tornou-se um especialista em língua árabe, poesia e gramática.[13] [14]

Morte[editar | editar código-fonte]

Depois que o imame Ahmad completou setenta e cinco anos, foi acometido de doença grave e febre, e ficou muito fraco, mas nunca reclamou de sua enfermidade e dor, até morrer. Apesar de sua debilidade, pedia a seu filho, Salih b. Ahmad, para ajudá-lo a levantar-se para as orações. Quando era incapaz de se levantar, orava sentado, ou às vezes deitado de lado. Depois de ouvir sobre sua doença, as massas afluíam à sua porta. A família real também mostrou o desejo de visitá-lo, e, para isso buscou a sua permissão. No entanto, devido ao seu desejo de permanecer independente da influência de qualquer autoridade, Ahmad negou-lhes o acesso. Na sexta-feira, dia 12 de Rabi' al-Awwal 241 AH, o lendário imam deu seu último suspiro. A notícia de sua morte se espalhou rapidamente por toda parte da cidade e as pessoas inundaram as ruas para assistir ao funeral de Ahmad.[14] Quando ele morreu, foi acompanhado até seu local de repouso por um cortejo fúnebre de oitocentos mil (800.000) a um milhão e trezentos mil homens (1.300.000), ou por cerca de dois milhões de pessoas (2.000.000), conforme foi estimado por alguns estudiosos presentes no funeral[15] e por sessenta mil mulheres (60.000), marcando a despedida do último dos quatro grandes imames mujtahid do Islã.[3] [12] [13] [14]

A mihna[editar | editar código-fonte]

Ibn Hanbal já era famoso antes da inquisição do califa abássida al-Ma'mun (786–833) - conhecida como a mihna. Al-Ma'mun quis afirmar a autoridade religiosa do califa, forçando os principais estudiosos daquele tempo a admitirem que o Alcorão foi criado, em vez de incriado. Ahmad ibn Hanbal foi um dos poucos estudiosos que se recusaram a ceder ao califa, defendendo o poder crescente do ulemá para decidir questões de Direito e Teologia.

Obras[editar | editar código-fonte]

Os seguintes livros são encontrados no Fihrist de ibn al-Nadim:

  • Kitab al-`Ilal wa Ma‘rifat al-Rijal: "O Livro das Narrações Contendo Defeitos Ocultos e de Conhecimento dos Homens (de Hadith)" Riyad: Al-Maktabah al-Islamiyyah
  • Kitab al-Manasik: "O Livro dos Rituais de Hajj"
  • Kitab al-Zuhd: "O Livro de Abstinência", ed. Muhammad Zaghlul, Beirute: Dar al-Kitab al-'Arabi, 1994
  • Kitab al-Iman: "O Livro da Fé"
  • Kitab al-Masa'il: "Questões de Fiqh"
  • Kitab al-Ashribah: "O Livro das Bebidas"
  • Kitab al-Fada'il Sahaba: "Virtudes dos Companheiros"
  • Kitab Tha'ah al-Rasul: "O Livro de Obediência ao Mensageiro"
  • Kitab Mansukh: "O Livro de Abrogação"
  • Kitab al-Fara'id: "O Livro dos Deveres Obrigatórios"
  • Kitab al-Radd `ala al-Zanadiqa wa'l-Jahmiyya: "Refutações dos Hereges e dos Jahmitas "(Cairo: 1973)
  • Tafsir: "Exegese"
  • O Musnad

Notas e referências

  1. a b Roy Jackson, "Fifty key figures in Islam", Taylor & Francis, 2006. p 44: "Abu Abdallah Ahmad ibn Muhammad ibn Hanbal ibn Hilal al-Shaybani nasceu em Bagdá no Iraque em 780"
  2. The History of Persia por John Malcolm – página 245
  3. a b c d A Literary History of Persia from the Earliest Times Until Firdawsh por Edward Granville Browne – página 295
  4. Explanation of the Creed, pg. 8
  5. Classical Books \ Hadeeth \ Saheeh al-Bukhaaree (al-Jaami' as-Saheeh). Fatwa-online.com. Página visitada em 8-2-2011.
  6. ʻAbd al-ʻAlīm ʻAbd al-ʻAẓīm Al-Bastawī. Al-Imām al-Jūzajānī wa-manhajuhu fi al-jarḥ wa-al-taʻdīl. [S.l.]: Maktabat Dār al-Ṭaḥāwī, 1990. p. 9.
  7. a b Foundations of the Sunnah, por Ahmad ibn Hanbal, pg 51-173
  8. "Aḥmad B. Ḥanbal". Encylopaedia of Islam (New) 1. (1986). Brill Academic Publishers. ISBN 90-04-08114-3 “Aḥmad B. Ḥanbal era um árabe, pertencente a Banū Shaybān, de Rabī’a,...” 
  9. a b c The Creed of the Four Imaams, seção 7, por Muhammad Ibn 'Abdur-Rahmaan al-Khumayyis
  10. http://www.islamawareness.net/Madhab/Hanbali/ahmad_ibn_hanbal.html
  11. al-Dhahabi, Siyar A`lam al-Nubala’ 9:434-547 #1876 e Tadhkira al-Huffaz 2:431 #438
  12. a b http://www.turntoislam.com/forum/showthread.php?t=62851
  13. a b http://en.academic.ru/dic.nsf/enwiki/236905
  14. a b c http://www.islamicboard.com/islamic-history-biographies/34070-imaam-ahmad-ibn-hanbal.html
  15. http://www.islamlife.com/religion2/component/content/article/69-later-scholars/567-biography-of-ibn-qayyim-al-jawaziyyah
Fontes primárias
Fontes secundárias
  • Abu-al-Faraj Ibn Al-Jawzi, Manaqib al-Imam Ahmad
  • Nadwi, S. A. H. A., Saviors of Islamic Spirit (Vol. 1), traduzido por Mohiuddin Ahmad, Academy of Islamic Research and Publications, Lucknow, 1971.
  • Melchert, Christopher, Ahmad ibn Hanbal (Makers of the Muslim World), Oneworld, 2006.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]