Akrasia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Portal A Wikipédia possui o:
Portal de Filosofia

Em filosofia prática, akrasia (do grego akrasia, "não ter comando sobre si mesmo", ocasionalmente adaptado à ortografia portuguesa como acrasia[1] ) é a ação de uma pessoa que contraria seu melhor juízo sobre o que fazer em determinada situação. Um exemplo é o cônjuge que trai, embora considere tal ação errada.

Um quebra-cabeça filosófico -- apresentado pelo personagem Sócrates no diálogo Protágoras, de Platão -- é precisamente explicar como a akrasia é possível. Se o sujeito julga que a ação A é a melhor coisa a ser feita, como ele pode fazer outra coisa que não A? O filósofo Donald Davidson vê o problema como a reconciliação da seguinte tríade aparentemente inconsistente:

1. Se um agente acredita que A é melhor do que B, então ele quer fazer A mais do que B.
2. Se um agente quer fazer A mais do que B, então ele fará A ao invés de B, se for fazer uma das duas coisas.
3. Às vezes um agente age contra seu melhor juízo.

Davidson resolve o problema dizendo que, quando uma pessoa age dessa maneira, ela acredita temporariamente que o pior curso de ação é o melhor, porque ela não fez um juízo considerando todas as coisas, mas apenas um juízo baseado em um conjunto menor de considerações possíveis.

Uma resposta menos filosófica e mais óbvia é que há diferentes formas de motivação, e umas podem estar em conflito com as outras. Pode haver conflito entre a razão e a emoção, e isso tornaria possível uma pessoa acreditar que é melhor fazer A do que B, e ainda assim querer fazer mais B do que A.

Fraqueza da vontade[editar | editar código-fonte]

Boa parte da literatura filosófica toma a akrasia pela mesma coisa que a fraqueza da vontade. Assim, por exemplo, um fumante que quer largar o cigarro, mas não consegue, age contra seu melhor juízo (que largar o cigarro é a melhor coisa a fazer) por causa da fraqueza da vontade.

Todavia, alguns poucos filósofos desafiam a relação entre akrasia e fraqueza da vontade. Richard Holton, por exemplo, vê a fraqueza da vontade como uma tendência a revisar muito facilmente o próprio juízo sobre o que é melhor. Assim o fumante pode em um momento acreditar que deve largar o cigarro, mas em outro que o prazer do cigarro supera o risco, oscilando de um a outro juízo. Tal pessoa teria uma vontade fraca mas não seria akrática.

Sobre tal ponto de vista também é possível agir contra o melhor juízo, mas sem fraqueza da vontade. Uma pessoa pode, por exemplo, acreditar que vingar um assassinato é imoral e imprudente, mas decidir levar a vingança adiante assim mesmo, sem nunca relutar em tal decisão. Tal pessoa acreditaria akraticamente mas não teria vontade fraca.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Donald Davidson, 1969: How is Weakness of the Will Possible?, Essays on Actions and Events, Oxford: Clarendon, 1980.
  • Richard Holton, 1999: Intention and Weakness of Will, Journal of Philosophy, 96.
  • Donald Davidson: Paradoxien der Irrationalität. in: Stefan Gosepath (Hrsg.): Motive, Gründe, Zwecke. Theorien praktischer Rationalität. Fischer Taschenbuch, Frankfurt am Main 1999, S.209–231. ISBN 3596132231

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. A regra ortográfica com palavras de origem grega é a adaptação. Assim, por exemplo, "monarquia", e não "monarkhia", ou "aristocracia", e não "aristokratia".