Al-Mu'tamid

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Túmulo de Al-Mu'tamid

Muhammad ibn 'Abbad al-Mu'tamid (em árabe: محمد بن عباد المعت), Abu al-Qasim Muhammad “Al-Mu`tamid” ben Abbad ou Abad III (em árabe: محمد بن عباد بن محمد بن إسماعيل بن عباد المعتمد; transl.: Abū l-Qāsim Muḥammad ibn ʿAbbād ibn Muḥammad ibn Ismāʿīl ibn ʿAbbād al-Muʿtami; 10401095) foi o terceiro e último rei da abádida que governaram a taifa de Sevilha no século XI e um dos poetas mais importantes do al-Andalus.

Nascido em Beja, al-Mu'tamid era filho do rei al-Mutadid, conhecido pelo seu carácter cruel. Aos treze anos comandou uma expedição militar que esmagou uma revolta em Silves e o seu pai nomeou-o governador dessa região.

Em Silves, al-Mu'tamid conheceu ibn Ammar, um poeta nascido em Shannabus, localidade que talvez corresponda à actual Estômbar. Entre os dois estabeleceu-se uma profunda relação, que se especula ter tido uma natureza homossexual.[carece de fontes?] Al-Mu'tamid escreveria mesmo um poema ("Evocação a Silves") sobre a sua juventude com o seu amigo naquela cidade. O pai de al-Mu'tamid sempre viu com maus olhos esta relação e enquanto foi vivo procurou afastar o filho de ibn Ammar.[carece de fontes?]

Em 1069 al-Mu'tamid sucedeu ao pai e uma das primeiras coisas que fez foi nomear o seu antigo amigo vizir do reino. Ibn Ammar ajudou-o na expansão do reino com a conquista de Múrcia e al-Mu'tamid nomeou-o governador daquela região.

Ibn Ammar era profundamente ambicioso e por diversas vezes conspirou contra al-Mu'tamid. Ibn Ammar usaria mesmo as suas habilidades poéticas para escrever uma série de versos que ridicularizavam al-Mu'tamid e a sua amada, I'timad. Al-Mu'tamid acabaria por prender ibn Ammar e durante um ataque de fúria entrou na cela onde aquele se achava e matou-o com um machado.

Na corte de al-Mu'tamid reuniram-se alguns dos maiores estudiosos e homens das artes da época, como o astronómo al-Zarqali (Arzaquel), o geográfo al-Bakri ou os poetas ibn Hamdis, ibn al-Labbana e ibn Zaydun.

Em 1085 o rei Afonso VI de Leão e Castela conquista a cidade de Toledo, o que representou um duro golpe para o Islão peninsular. Al-Mu'tamid pediu então, relutantemente, a Yusuf ibn Tashfin, emir dos Almorávidas do norte de África, ajuda na luta contra os cristãos. O emir aceitou e enviou as suas tropas, que derrotaram os cristãos em 1086 na batalha de Zalaca. Contudo, quatro anos depois os cristãos voltaram a ser uma ameaça e al-Mu'tamid renovou o apelo; desta feita, ibn Tashfin não se limitaria a repelir os cristãos, mas também a conquistar os reinos de taifas que existiam na península. Al-Mu'tamid foi feito prisioneiro e desterrado para Aghmat, perto de Marraquexe, onde passaria o resto da sua vida dedicando-se à actividade poética.

Foi enterrado no cemitério local de Aghmat e a sua campa se tornaria local de peregrinação de poetas, bem como das massas populares que o viam como um marabuto. Em 1967 a família real de Marrocos mandou construir no local onde al-Mu'tamid foi enterrado um mausoléu, que foi visitado pelo Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio em 1998.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALVES, Adalberto - Portugal - Ecos de Um Passado Árabe. Instituto Camões, 1999. ISBN 9725662024. Disponível on-line na página do Instituto Camões [1].
  • ALVES, Adalberto - Al-Mu'tamid: Poeta do Destino. Lisboa: Assirio & Alvim, 2004. ISBN 9723703890.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Abbad II al-Mu'tadid
Dinastia Abádida
10691091
Sucedido por
Deposto por Yusuf ibn Tashfin (Dinastia Almorávida)
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