Alair Gomes

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Alair de Oliveira Gomes (Valença, RJ, 1921 - Rio de Janeiro, RJ, 1992) foi um engenheiro (civil e eletrônico), fotógrafo, professor, e crítico de arte e cultura brasileiro. Apesar de sua atuação intelectual em várias áreas, hoje em dia seu nome é mais conhecido pelo trabalho como fotógrafo, especialmente devido às fotos de corpos masculinos seminus, tiradas nos anos 70 e 80, com carga homoerótica. Hervé Chandès, diretor da Fundação Cartier para a Arte Contemporânea, afirmou, em 1991: “Em nus masculinos, não há nada hoje comparável no mundo da fotografia ao trabalho deste brasileiro”. [1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Alair Gomes nasceu numa família de classe média em Valença (RJ), mudando-se ainda criança para a capital do estado. Formou-se em engenharia civil e eletrônica em 1944, mas em 1948 abandonou essa carreira para se dedicar à pesquisa autônoma de filosofia da ciência, estética e história da arte. Ensinou filosofia da ciência na Universidade de Yale (Estados Unidos) e foi autodidata também em física, matemática, biologia e neuropsicologia. A partir de 1962, foi Professor Assistente 20 horas do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Realizou longas viagens para a Europa, Oriente e Estados Unidos, onde foi bolsista da Guggenheim Foundation por um ano. No campo da crítica literária, fundou a revista Magog, em 1946, junto com o poeta Marcos Konder Reis e outros. Irmão de Aïla de Oliveira Gomes, que foi durante muitos anos Professora Titular de Inglês da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tradutora e ensaista literária.

Desde a juventude, desejou se tornar um escritor, espelhando-se em nomes como Arthur Rimbaud e D. H. Lawrence, cujas obras admirava pela ousadia no tratamento da intimidade. A partir disso, criou os Journals, diários íntimos escritos à mão e em inglês, nos quais relata as suas experiências erótico-amorosas, o que viria, mais tarde, e ser uma das principais matrizes do seu trabalho fotográfico.

Seus primeiros contatos com uma câmera fotográfica ocorreram em 1965, durante uma viagem à Europa, quando um amigo lhe emprestou uma Leica. Entretanto, com intenções mais amplas, a primeira incursão na fotografia ocorreu com a compra, no ano seguinte, de sua primeira câmera. Foi em 1966 que o artista começou a aventurar-se na fotografia de rapazes na rua, produzindo longas sequências que o tornariam um dos precursores do homoerotismo fotográfico no Brasil. [2]

Essas fotos de rapazes nas praias do Rio, especialmente as produzidas entre os anos 70 e 80, são hoje o trabalho mais conhecido de Gomes. A maioria dessas imagens foram obtidas secretamente, a partir de seu apartamento, situado no sexto andar de um prédio da Rua Prudente de Moraes, em Ipanema, e cujos fundos propiciavam uma vista para a praia. Apenas uma minoria das fotos eram posadas, a pedido do artista. Apesar de as fotos com o tema do corpo masculino serem hoje sua faceta mais conhecida, seu trabalho fotográfico abrangia também muitas paisagens, vegetais, celebridades e cenas do carnaval. Suas fotos também retratam aspectos da época, do bairro de Ipanema, em tempos bem menos massificados do que hoje em dia.

Realizou sua primeira mostra individual na Galeria Cândido Mendes, em Ipanema (1984). Produziu cerca de cento e setenta mil (170.000) negativos e dezesseis mil (16.000) ampliações da década de 1960 até o fim de sua vida.

Em 1968 foi contratado por Burle Marx para o registro de espécies botânicas de seu sítio no interior do estado do Rio de Janeiro.

Em 1977 criou e foi coordenador da Área de Fotografia da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV-RJ), escreveu e deu cursos sobre filosofia da ciência e história da arte contemporânea.

Morreu em 1992, assassinado pelo namorado, um segurança de uma loja de discos em Ipanema.[3]

Exposições e divulgação[editar | editar código-fonte]

Em 2003 foi lançado um documentário sobre Alair Gomes intitulado “A morte de Narciso”. Dirigido por Luiz Carlos Lacerda, contém depoimentos de amigos e pessoas com quem trabalhou.

A maior parte do espólio de fotografias de Alair Gomes está na Biblioteca Nacional (no Rio de Janeiro), mas o artista também faz parte do acervo do MAM/SP, do Itaú Cultural e da Coleção Pirelli/Masp. No Rio de Janeiro, sua obra está nas coleções de Gilberto Chateaubriand e Joaquim Paiva, ambas em comodato no MAM. A fundação Cartier, de Paris, também adquiriu parte das imagens feitas por Gomes.

Entre outubro e novembro de 2009, foi feita uma exposição no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, de 130 fotos de Alair Gomes. A exposição, intitulada "A new sentimental jorney", esteve, no mesmo ano, na Maison Européenne de La Photographie, em Paris.

Referências

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