Alauítas

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Alauítas
em árabe: علوية (Alawīyyah)
Dhulfiqar.svg
Dhu al-Fiqar, uma representação estilizada da espada de Ali, um importante símbolo dos alauítas.
População total

3 milhões [1]

Regiões com população significativa
 Síria 2,6 milhões [2]
 Turquia Acima de 700 mil [3]
Líbano Estimado em 100-120 mil [4] [5]
 Austrália Compõem 2% da população libanesa nascida na Austrália. [6]
Línguas
Língua árabe
Religiões
Xiismo
Notas
Quran

Os alauítas (em árabe: علوية) formam um grupo étnico-religioso do Médio Oriente, presente sobretudo na Síria, país em que constituem cerca de 10% da população, ou seja, cerca de 3 milhões [1] e onde dominam as estruturas políticas. Não devem ser confundidos com os Alevitas, minoria religiosa da Turquia, nem com a dinastia alauíta que governa Marrocos.

Os alauítas são também conhecidas como nusairitas, em função de uma figura importante do movimento, Ibn Nusayr. Contudo, este termo tem vindo a cair em desuso, sendo considerado ofensivo pelos alauítas. [7] [8]

Doutrinas[editar | editar código-fonte]

As doutrinas religiosas dos alauítas permaneceram durante muito tempo desconhecidas, até que no século XIX alguns ocidentais conseguiram conhecer alguns dos textos da religião, até então guardados propositadamente em segredo. [7]

O elemento central da doutrina dos alauítas apesar de ser erroneamente divulgada, é a crença em um único Deus, Alá, sendo Maomé o seu último profeta.

Os alauítas tem celebrações principais como o Adha, Intenção de Sacrifício do Profeta Ismael (filho do Profeta Abraão) e o Ramadan (mês de jejum).

Como seguem o calendário islâmico da Hégira, também seguem o calendário Juliano, com 13 dias a menos do que o Gregoriano. Desta maneira consideram o Natal, simbolicamente como o nascimento de Jesus, filho de Maria, comemorado no dia 6 de Janeiro de cada ano, tido como dia dos Reis Magos, ocidental.

Seguem a charia ou lei islâmica e como tal estão sujeitos a determinadas práticas do Islão ortodoxo, como as interdições alimentares. Consideram seis pilares do Islão fazem parte da sua doutrina, são respeitados como as demais seitas dos Islão. Além dos cinco pilares do Islão conceituados pela grande maioria das seitas muçulmanas, os alauítas possuem mais uma o jihad.

Apesar das constantes difamações pelas demais seitas do islamismo contra a doutrina alauíta, dizem não serem vistos como membros do Islão, embora eles se considerem muçulmanos xiitas.

História[editar | editar código-fonte]

As origens dos alauítas são pouco claras. Julga-se que surgiram na Península Arábica do século IX, em resultado dos ensinamentos de Muhammad ibn Nusayr an-Namiri. Fixaram-se na Síria no século XII.

Os alauítas foram alvo de perseguições ao longo da história ordenadas pela dinastia aiúbida, pelos Cruzados, pelos Mamelucos e pelos Otomanos. Essa perseguição concretizou-se na imposição de taxas pesadas sobre os membros da comunidade e nas conversões forçadas ao islão sunita. Devido a esta perseguição os alauítas adoptaram a prática xiita da taqiyya, que consiste em dissimular as crenças religiosas como forma de garantir a sobrevivência e evitar a perseguição.

Os alauítas na Síria do século XX[editar | editar código-fonte]

Um falcoeiro fotografado por Frank Hurley em Baniyas, Síria durante a Segunda Guerra Mundial.

Na época do Império Otomano, a maioria dos alauítas era de camponeses subordinados a senhores sunitas os únicos alauítas tolerados nas cidades eram os empregados domésticos. [9]

Após o fim da Primeira Guerra Mundial e o desaparecimento do Império Otomano, que tinha governado a Síria, a França assumiu um mandato sobre o Líbano e a Síria. A política francesa na Síria procurou em larga medida fomentar um espírito independentista entre os alauítas, como forma de criar obstáculos ao movimento árabe sunita pela independência. Os Franceses viriam mesmo a conceder autonomia aos alauítas através da criação de uma região autónoma que existiu entre 1920 e 1936.

Nos anos 70 um alauíta, Hafez al-Assad, tornou-se presidente da Síria. O partido ao qual pertencia, o Baath, atraiu muitos alauítas como militantes devido aos seus ideais igualitaristas. A partir desse momento verificou-se uma certa ascensão social de alguns alauítas que, segundo algumas opiniões, teriam sido favorecidos pelo presidente. [carece de fontes?]

Os alauítas e a Guerra Civil Síria[editar | editar código-fonte]

Em 1971, o alauíta Hafez Assad se tornou presidente, e foi sucedido per seu filho Bashar al-Assad (também alauíta). Tal circunstância favoreceu (papel de relevância nas forças armadas e ocupação postos importantes no estado), além dos próprios alauítas, que, na época da Guerra Civil Síria representavam apenas 12% dos 22 milhões de sírios, também outras minorias, como os cristãos (10% da população) e os drusos (3%), em detrimento da maioria sunita (74%), grupo de onde veio maior parte do apoio para a rebelião.

O temor das consequências que as minorias teriam de enfrentar em decorrência de uma eventual queda do regime e domínio da maioria sunita é um dos fatores que explicava o forte apoio ao regime síria no seio da comunidade alauíta. [9] [10]


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Geografia e demografia[editar | editar código-fonte]

Os alauítas concentram-se numa área compreendida entre a região de Lataquia, na Síria, até a Antioquia, na Turquia. Existem igualmente comunidades alauítas nas cidades sírias de Homs e Hamah. Nas últimas décadas verificou-se um movimento migratório de alauítas na direcção da capital síria, Damasco. Durante a ocupação militar síria de partes do Líbano, ocorreu a fixação de muitos alauítas na cidade libanesa de Trípoli.

Em julho de 2013, estimava-se que a população de alauítas na Síria representaria cerca de doze por cento (12%) do total da população síria, na época estimada em 22 milhões de pessoas[9] . A principal actividade económica dos alauítas é a agricultura.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SAFATLI, Ahmad - "Jihad - Um esforço a caminho da verdade.
  • FARAH, Caesar - Islam: Beliefs and Observances. Barron's Educational Series, 2003. ISBN 0-7641-2226-6

Referências

  1. a b Sunni-Shia strife (12 de maio de 2012). The sword and the word (em inglês). The Economist. Página visitada em 14 de janeiro de 2014.
  2. Andrew Parasiliti (25 de julho de 2012). It's Time to Engage Iran, Russia on Syria (em inglês). Al-Monitor. Página visitada em 14 de janeiro de 2014.
  3. Jonathon Burch (22 de outubro de 2012). On Turkey's Syrian frontier, fears of a sectarian spillover (em inglês). Reuters. Página visitada em 14 de janeiro de 2014.
  4. AFP (7 de novembro de 2011). Standing by Assad, Lebanon's Alawites wait and watch (em inglês). RePost. Página visitada em 14 de janeiro de 2014.
  5. Mohamed Nazzal (8 de novembro de 2011). Lebanon’s Alawi: A Minority Struggles in a ‘Nation’ of Sects (em inglês). al-akhbar. Página visitada em 14 de janeiro de 2014.
  6. Hage, Ghassan. Arab-Australians Today: Citizenship and Belonging. [S.l.]: Melbourne University Publish, 2002. 290 p. ISBN 9780522849790
  7. a b Discovery Islam. The Beliefs of the Alawi Sect of Syria & Lebanon (em inglês). Página visitada em 14 de janeiro de 2014.
  8. Muslim Hope (6 de julho de 2013). 'Alawites in the Muslim World (em inglês). Página visitada em 14 de janeiro de 2014.
  9. a b c Cecília Araújo (16 de julho de 2012). Alauítas: a minoria síria que mata por temer ser aniquilada. Página visitada em 14 de janeiro de 2014.
  10. Steven Sotloff (10 de setembro de 2012). Dissent Among the Alawites: Syria’s Ruling Sect Does Not Speak with One Voice (em inglês). Time Mundo. Página visitada em 14 de janeiro de 2014.