Alcino (filósofo)
| Alcino Ἀλκίνους |
|
|---|---|
| Nascimento | |
| Ocupação | filósofo médio-platônico |
| Principais trabalhos | O Manual do Platonismo |
Alcino (em grego antigo: Ἀλκίνους), ou Alcínoo, foi um filósofo médio-platônico. Provavelmente viveu no século II,1 embora nada se saiba sobre sua vida.2 É autor do Manual do platonismo, um epítome do médio platonismo, com o objetivo de servir de manual para professores. Foi, por vezes, identificado por alguns estudiosos, com o médio-platônico do século II, Albino.
Trabalhos [editar]
Alcino é autor da obra intitulada O Manual do platonismo ( Ἐπιτομὴ τῶν Πλάτωνος δογμάτων), uma das poucas obras sobreviventes do período médio-platônico, ou platonismo intermediário, (cerca de 90 a.C. - 250 d.C.). O livro contém trinta e seis capítulos que seguem a tricotomia helenística clássica da filosofia em lógica, física e ética. Pensa-se ter sido concebido como um manual, não para os alunos do platonismo, mas, para seus professores. O tratado é escrito na forma esotérica típica do Corpus aristotelicum, e que muitas vezes se apropria de conceitos populares de outras escolas filosóficas, em especial da escola peripatética e da estóica, o que poderia ser visto como tendo sido prefigurado nas obras de Platão.
O manual de Alcino foi datado para o meio do século II.1 Em 1879, o estudioso alemão Jacob Freudenthal argumentou que Alcino era realmente o filósofo Albino, o professor de Galeno, o médico. Esta teoria manteve-se praticamente inalterada até 1974, quando John Whittaker fez uma nova afirmação, de forma convincente, reafirmando a autenticidade de Alcino.3 4
Alcino afirma que o mundo e sua alma animadora são eternos.5 Essa alma do universo não foi criada por Deus, mas, para usar a imagem de Alcino, foi despertada por Ele como de um sono profundo e voltado para si mesmo, "que poderia cuidar das coisas intelectuais e receber as formas e ideias da mente divina".6 Foi o primeiro de uma sucessão de seres intermediários entre Deus e o homem.7 As ideias procederam imediatamente da mente de Deus, e eram o maior objeto do nosso intelecto; a "forma" da matéria, os tipos de coisas sensíveis, tendo um ser real em si".8 Ele diferia dos primeiros platônicos em confinar as "ideias" às leis gerais: parecia uma noção indigna a de que Deus pudesse conceber uma "ideia" das coisas artificiais ou anômalas, ou de indivíduos ou elementos, ou de qualquer coisa relativa".9 Parece ter visado harmonizar as visões de Platão e Aristóteles sobre as "ideias", uma vez que as distinguia dos eidos, formas das coisas, que admitiu serem inseparáveis: uma visão que parece necessariamente ligada à doutrina da eternidade e da auto-existência da matéria.10 Deus, a fonte primeira das "ideias", não poderia ser conhecido como Ele é: é apenas uma fraca noção Dele que obtemos das negações e analogias: sua natureza está igualmente além do nosso poder de expressão ou concepção.11 Abaixo Dele estão uma série de seres (daimones)12 que fiscalizam a produção de todas as coisas vivas, e mantêm relações sexuais com homens. A alma humana passa por diversas transmigrações, ligando-se às classes mais baixas do ser, até que finalmente é purificada e se torna aceitável a Deus.13 Seu sistema é entendido como uma síntese de Platão e Aristóteles, com alguns elementos emprestados do Oriente e, talvez, derivado de um estudo do sistema pitagórico, que experimentou um renascimento de espécie concomitante àquele que produziu o médio platonismo.
Notas
- ↑ a b "Alcino se encaixa mais confortavelmente em um período delimitado pelos escritos de Plutarco por um lado, e Galeno e Alexandre de Afrodisias por outro, com Apuleio, Albino, Ático, Numênio, o peripatético Aspásio, ... e Máximo de Tiro como contemporâneos aproximados". John Dillon, 1993, Alcinous, The Handbook of Platonism, página xiii. Oxford.
- ↑ Schmitz, Leonhard (1867). "Alcinous (3)". Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology 1. Ed. William Smith. Boston: Little, Brown and Company. 102–103.
- ↑ John Whittaker, (1974), Parisinus Graecus 1962 and the Writings of Albinus, Phoenix 28, 320-54, 450-56.
- ↑ Bryn Mawr Classical Review 94.10.14
- ↑ Alcino, Manual, 14.3.
- ↑ Alcino, Manual, 14.3.
- ↑ Alcino, Manual, 14.6-7, 15.1.
- ↑ Alcino, Manual, 9.1.
- ↑ Alcino, Manual, 9.2.
- ↑ Alcino, Manual, 9.3.
- ↑ Alcino, Manual, 10.4-6.
- ↑ Alcino, Manual, 15.1.
- ↑ Alcino, Manual, 16.1-2.
Referências
- Este texto foi extraído da Encyclopædia Britannica (11ª edição), uma publicação agora em domínio público.
"Alcinous (philosopher)". Encyclopædia Britannica (11th). (1911). - John M. Dillon, Alcinous, The Handbook of Platonism, 1993, Oxford. ISBN 0-19-823607-7
- Dirk Baltzly, "The Virtues and 'Becoming Like God': Alcinous to Proclus", in Oxford Studies in Ancient Philosophy, Volume XXVI, David Sedley (ed), (Oxford: 2004).
- John Whittaker, "Numenius and Alcinous on the First Principle", Phoenix 32: 144-154 (1978).