Alcmeão (filho de Anfiarau)

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Alcmeão, na mitologia grega, foi um filho do adivinho Anfiarau e de Erifila, irmã do rei Adrasto.[1]

Polinices estava em Argos procurando guerreiros para lutar contra seu irmão Etéocles e tomar Tebas, mas Anfiarau, que havia previsto a própria morte na campanha, não queria ir.[2] Polinices, então, deu de presente a Erifila o colar dourado que havia sido um presente da deusa Atena a Harmonia, para que Erifila convencesse o marido a participar da guerra.[2]

Anfiarau estava em disputa com Adrasto tanto para saber quem seria o rei de Argos quanto sobre se iriam à guerra com Tebas, e levaram a decisão a ser tomada por Erifila, que deu toda a razão a Adrasto.[1] Anfiarau, sentindo-se traído pela esposa, deu ordens a seu filho Alcmeão para matar Erifila se ele não voltasse da guerra.[1]

Durante a guerra (os Sete Contra Tebas), Anfiarau morreu quando a Terra se abriu, engolindo o carro em que ele estava,[3]

Dez anos depois,[4] quando estava sendo organizada a expedição dos Epigoni,[5] Alcmeão consultou o oráculo de Apolo sobre a campanha e sobre a punição à sua mãe, [6] e o oráculo disse que ele devia fazer as duas coisas.[7] O oráculo também disse que a expedição teria sucesso se Alcmeão fosse o líder.[4] Alcmeão ficou sabendo que Erifile havia recebido uma roupa de Tersandro, filho de Polinices, para que ela o convencesse a participar da expedição dos Epigoni.[7]

Alcmeão foi o líder do ataque contra Tebas, e seus companheiros foram Anfíloco, filho de Anfiarau, Egialeu, filho de Adrasto, Diomedes, filho de Tideu, Prômaco, filho de Partenopeu, Estênelo, filho de Capaneu, Tersando, filho de Polinice e Euríalo, filho de Mecisteu.[4] O ataque começou contra as vilas vizinhas de Tebas, que foram devastadas. Os tebanos, liderados por Laodamante, filho de Etéocles, os enfrentaram, e lutaram bravamente. Laodamante matou Egialeu, mas foi morto por Alcmeão, e após a morte do seu rei os tebanos se retiraram para atrás das muralhas. Tirésias aconselhou-os a negociar com os argivos, e, enquanto seu porta-voz negociava, os tebanos fugiram com suas mulheres e crianças.[8]

Após a captura de Tebas, ao saber que sua mãe também havia sido corrompida para enviá-lo contra Tebas,[9] Alcmeão matou-a, e enlouqueceu em seguida, por causa da consciência culpada.[10] [Nota 1] Alguns dizem que Alcmeão matou a mãe sozinho, mas outros dizem que ele matou junto de seu irmão Anfíloco.[9]

Perseguido pelas Fúrias, Alcmeão se encontrou com Oicles, na Arcádia, e com Fegeu, em Psophis. Fegeu o purificou, e Alcmeão se casou com Arsínoe, filha de Fegeu, dando a ela, de presente, o colar e a roupa.[9]

Depois disso, a terra ficou estéril, e o Oráculo ordenou Alcmeão que fosse ao rio Aquelôo, para ser julgado. No caminho, Alcmeão visitou Eneu, em Calidão, e para os tesprócios, mas foi expulso do país, indo até as fontes do Aquelôo. O deus-rio o purificou, e deu a ele sua filha Calírroe como esposa. Alcmeão colonizou a terra próxima do rio.[9]

Calírroe cobiçou o colar e a roupa, e enviou Alcmeão a Psophis, para ele dizer a Fegeu que só se libertaria da loucura caso entregasse o colar e a roupa ao Oráculo de Delfos. Fegeu acreditou, e os entregou, mas um servo descobriu que Alcmeão estaria levando o colar para Calírroe. Fegeu enviou seus filhos, que mataram Alcmeão. Arsínoe acusou-os de assassinato, e eles a trancaram em um baú e a enviaram como escrava a Agapenor, dizendo que ela havia matado Alcmeão.[9]

Calírroe havia tido dois filhos com Alcmeão, Anfótero e Acarnan, mas eles eram menores. Calírroe pediu a Zeus, e este fez com que eles se tornassem homens, para vingar Alcmeão. Anfótero e Acarnan se encontraram com Pronous e Agenor na casa de Agapenor, quando os últimos estavam levando o colar e a roupa para Delfos. Os filhos de Alcmeão mataram os filhos de Fegeu, em seguida, foram a Psophis e mataram Fegeu e sua esposa. Eles fugiram, sendo perseguidos até Tégea, quando foram salvos pelos tegeanos e alguns argivos.[11]

Segundo Eurípedes, durante a sua loucura Alcmeão teve um filho, Anfíloco, e uma filha, Tisífone, com Manto, filha de Tirésias. Os dois filhos, quando eram bebês, foram levados a Corinto, e criados por seu rei Creonte. Como Tisífone era muito bela, a esposa de Creonte a vendeu como escrava, com medo que ela se tornasse sua esposa. Mas Alcmeão acabou a comprando, para ser sua serva, sem saber que ela era sua filha. Ao passar por Corinto, Alcmeão também recuperou seu filho. Anfíloco fundou a cidade de Argos da Anfilóquia.[12]

Notas e referências

Notas

  1. O texto de Diodoro Sículo não é claro sobre se a morte e a loucura de Alcmeão ocorreram antes ou depois da campanha dos Epigoni

Referências

  1. a b c Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro IV, 65.6 [ael/fr][en][en]
  2. a b Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro IV, 65.5
  3. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro IV, 65.8
  4. a b c Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 3.7.2 [em linha]
  5. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro IV, 66.1
  6. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro IV, 66.2
  7. a b Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro IV, 66.3
  8. Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 3.7.3
  9. a b c d e Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 3.7.5
  10. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro IV, 65.7
  11. Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 3.7.6
  12. Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 3.7.7