Alegrete (Rio Grande do Sul)

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Município de Alegrete
"Baita Chão"
Chafariz do lago artificial do Parque dos Patinhos

Chafariz do lago artificial do Parque dos Patinhos
Bandeira desconhecida
Brasão de Alegrete
Bandeira desconhecida Brasão
Hino
Aniversário 25 de outubro
Fundação 1831 (183 anos)
Gentílico alegretense
Prefeito(a) Erasmo Guterres da Silva[1] (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Alegrete
Localização de Alegrete no Rio Grande do Sul
Alegrete está localizado em: Brasil
Alegrete
Localização de Alegrete no Brasil
29° 47' 02" S 55° 47' 28" O29° 47' 02" S 55° 47' 28" O
Unidade federativa  Rio Grande do Sul
Mesorregião Sudoeste Rio-grandense IBGE/2008 [2]
Microrregião Campanha Ocidental IBGE/2008 [2]
Municípios limítrofes Itaqui, Manoel Viana, São Francisco de Assis, São Vicente do Sul, Cacequi, Rosário do Sul, Quaraí e Uruguaiana
Distância até a capital 506 km
Características geográficas
Área 7 803,967 km² (BR: 186º)[3]
População 77 673 hab. Censo IBGE/2010[4]
Densidade 9,95 hab./km²
Altitude 102 m
Clima subtropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,793 alto PNUD/2000 [5]
PIB R$ 1 022 330,821 mil IBGE/2008[6]
PIB per capita R$ 12 851,75 IBGE/2008[6]
Página oficial

Alegrete se localiza no oeste do estado, a 506 quilômetros de distância da capital Porto Alegre. Possui uma população de aproximadamente 77.673 habitantes. É o maior município do Rio Grande do Sul e o 186º maior município do Brasil em área territorial, com mais de 7.800 quilômetros quadrados.

Dados gerais[editar | editar código-fonte]

A cidade localiza-se a uma latitude de 29º47'01,63" sul e a uma longitude de 55º47'27,54" oeste - coordenadas do centro da praça Getúlio Vargas, estando a uma altitude média de 102 metros.

O clima da região é subtropical, temperado quente, com chuvas bem distribuídas e estações bem definidas (Cfa na classificação de Köppen). A média de precipitação pluviométrica é de 1525 mm anuais. A menor média de precipitação acontece em agosto e a maior em outubro. As precipitações intensas, dentro de um período de 24 horas, são de até 115 mm.

A temperatura média anual é de 18,6°C, variando entre 13,1°C em julho e 35,8°C em janeiro. A menor temperatura mínima observada desde 1931 foi de - 4,1°C e a máxima de 40,4°C. A formação de geadas ocorrem eventualmente entre maio e setembro. A umidade relativa média do ar é de aproximadamente 75% em todos os meses do ano.

A paisagem caracteriza-se como estepe gramíneo-lenhosa (campo nativo) e floresta estacional decidual aluvial (mata ciliar). A fisionomia é de extensas planícies de campo limpo com algumas ondulações e raros morros residuais de arenito silicificado.

O município está totalmente sobre o Aquífero Guarani e seu lençol freático apresenta água levemente alcalina, utilizável sem restrições para o uso humano e para a irrigação, apresentando poços com profundidade média de 120 metros e vazão média de 110m³/h.

Sendo uma área de delicado ecossistema, a superexploração agrícola e a pecuária extensiva fazem crescer o já chamado "deserto dos pampas" ou "Deserto do São João": uma área de mais de 200 ha na região do mesmo nome.


História[editar | editar código-fonte]

As origens do município de Alegrete datam do início do século XIX quando, na Guerra de 1801, os aventureiros José Francisco Borges do Canto e Manuel dos Santos Pedroso, ambos riograndenses, conquistaram para a coroa portuguesa o território das missões jesuíticas ao norte do Rio Ibicuí.

Para assegurar essa conquista o governo português lançou, ao sul do mesmo rio, a Guarda Portuguesa do Rio Inhanduí em torno da qual forma-se a povoação ("Povoado dos Aparecidos"). A religiosidade ergueu uma capela sob o orago de Nossa Senhora Aparecida, em 1814.

As contínuas lutas de fronteira, agora entre o Reino de Portugal e os dissidentes ao recém constituído governo das Províncias Unidas do Rio da Prata, provocou o ataque dos uruguaios de D. José Artigas e a queima da povoação e da capela (hoje "Capela Queimada") em 16 de junho de 1816.

Isso causou a transferência dos seus povoadores para a margem esquerda do Rio Ibirapuitã, que ali foram chegando até 22 de dezembro de 1816. Eles abrigaram-se junto ao acampamento do Quartel General do Marquês de Alegrete, que ao lado do general Joaquim Xavier Curado, do tenente-coronel José de Abreu (futuro Barão de Cerro Largo) e do general Tomás da Costa Rabelo e Silva, ali estava com suas fete (em homenagem ao Marquês)

Em 26 de dezembro de 1816 foi realizado o primeiro batismo católico romano no local, da menina Zeferina pelo capelão da Legião do Exército, o Padre José de Freitas.

Em 27 de janeiro de 1817, o Comandante do Distrito de Entre Rios, o Tenente Coronel José de Abreu manda iniciar a construção das moradias para os fugitivos do Inhanduí. Quando José de Abreu recebeu as ordens do Marquês para erguimento da povoação, ele já havia determinado o local e iniciado realmente o povoamento, com a construção das primeiras habitações, ali, na retaguarda das tropas, nos fundos do acampamento do Ibirapuitã.

Antônio José Vargas, senhor da sesmaria, foi o doador das terras onde está a cidade. Mas D. Luís Teles da Silva Caminha e Meneses - quinto Marquês de Alegrete - na qualidade de comandante militar, foi o fundador legal de Alegrete, que dele tomou o nome, porque, por sua autoridade, foi estabelecida e legalmente reconhecida, já que era o representante de D. João VI, Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

Em 1820, é elevada à Capela Curada, com poderes eclesiásticos nos territórios que abrangem os atuais municípios de Uruguaiana, Quaraí, Livramento, Rosário do Sul e o atual Departamento de Artigas, na República Oriental do Uruguay , até o rio Arapey, vinculada a São Borja e por sua vez a Rio Pardo.[7]

Mais tarde, pelo ponto estratégico do novo local, por onde escoavam os produtos primários em direção aos portos de Buenos Aires e Montevidéu, o lugarejo prosperou rapidamente e elevou-se a categoria de vila através do decreto provincial de 25 de outubro de 1831, demarcando assim seus limites e ganhando autonomia política.

Durante a Revolução Farroupilha, iniciada em 1835, Alegrete tornou-se a terceira capital da República Rio-Grandense (1842-1845). Nela, em 1843, foi concluída e aprovada a Constituição da República Rio-Grandense.

Entre batalhas e campanhas, por bravura, determinação e desenvolvimento, a vila de Alegrete foi elevada à categoria de cidade em 22 de janeiro de 1857.[7]

No processo de criação dos municípios do Rio Grande do Sul, Alegrete ocupa o oitavo lugar, desmembrado do município de Cachoeira do Sul que, por sua vez, originou-se do município de Rio Pardo, em 1819. Do grande município de Alegrete surgiram os municípios de Uruguaiana, Livramento, Departamento de Artigas (no Uruguai), Quaraí, parte de Rosário do Sul, parte de Bagé e parte de Manuel Viana.

Todos os anos, dia 20 de setembro, comemora-se a Revolução Farroupilha ou o Dia do Gaúcho, e cerca de oito mil "cavalarianos" - de todas as idades, classes sociais e sexo - desfilam pelas principais ruas da cidade, com suas roupas típicas e suas montarias.

A padroeira da cidade festeja-se a 8 de dezembro (Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida).

Geografia[editar | editar código-fonte]

Ponte Borges de Medeiros e Rio Ibirapuitã.
Rio Inhandui

Sua população estimada em 2009 era de 78.984 habitantes, sendo 50,29% feminina e 49,71% masculina. Sua etnia foi originada por grupo nômades indígenas e posteriormente os elementos colonizadores foram os espanhóis, portugueses e africanos. As correntes migratórias modernas são representadas por italianos, alemães, espanhóis, franceses, árabes e poloneses.

Possui uma área de 7.804 km², sendo o maior município do Rio Grande do Sul em extensão territorial.

Seus distritos administrativos são:

  • 1º Distrito Alegrete 108 Km²
  • 2º Sub-distrito Itapororó 948 Km²
  • 3º Sub-distrito Durasnal 796 Km²
  • 4º Sub-distrito Vasco Alves 826 Km²
  • 5º Sub-distrito Inhanduí 1.541 Km²
  • 6º Sub-distrito Catimbau 733 Km²
  • 7º Sub-distrito Guassu Boi 958 Km²
  • 8º Sub-distrito São Miguel 1.010 Km²
  • 2º Distrito Passo Novo 1.016 Km²


O rio Ibirapuitã divide o município em duas partes do ponto de vista econômico: a leste, estendem-se as terras mais próprias para agricultura e, a oeste, as terras melhores para a pecuária.

Educação[editar | editar código-fonte]

Para o ensino de 1° e 2° graus a cidade conta com 32 escolas municipais, 47 escolas estaduais, duas federais, e seis privadas. A maior é o Instituto Estadual de Educação de 1° e 2° Graus Oswaldo Aranha (IEEOA), a segunda é o Colégio Estadual de 1º e 2º Graus Emilio Zuñeda e a terceira é Escola Estadual de Ensino Médio Demétrio Ribeiro.

Na rede de ensino, em 2003, havia um total de 23.395 alunos, sendo 2.000 no infantil, 13.913 no fundamental, 4.070 no médio, 213 na educação especial e 3.199 na educação de jovens e adultos (EJA).

O corpo docente (também em 2003) era composto de 1.149 professores, sendo de 877 no ensino fundamental e 262 no ensino médio.

A taxa de analfabetos (2003) era de 7,7 %, num total de 4.721 habitantes.

Há 3 museus: do Gaúcho e Arquivo Municipal "Miguel Jacques Trindade"; o Arqueológico e Artes "Dr. José Pinto de Medeiros" (MAARA) e o Histórico "Oswaldo Aranha"; e o CEPAL - Centro de Pesquisas e Documentação de Alegrete.

Tem várias bibliotecas, sendo as maiores a do IEEOA (Instituto Estadual de Educação de 1° e 2° Graus "Oswaldo Aranha"), a do Centro Cultural "Adão Ortiz Houayek" e a da URCAMP.

Há várias extensões ou "campi" de várias universidades gaúchas: UERGS (Universidade Estadual do Rio Grande do Sul), URCAMP (Universidade da Região da Campanha) e UNIPAMPA (Universidade Federal do Pampa), além do IFF (Instituto Federal Farroupilha que agregou a EAFA (Escola Agrotécnica Federal de Alegrete) e ainda a UNOPAR (Universidade Norte do Paraná) como um dos pólos de educação à distância na fronteira oeste.

Economia[editar | editar código-fonte]

Gaúchos cuidando de equinos no interior de Alegrete.

Sua economia é baseada principalmente na agricultura (arroz - 45.000 ha; soja - 16.000 ha; milho - 11.000 ha; sorgo - 3.000 ha e trigo - 1.500 ha) e na pecuária bovina (536.536 cabeças - o maior rebanho do Estado); ovina (423.446 cabeças); equina (± 20.000 cabeças); suína (± 9.000 cabeças) e bubalina (± 2.000 cabeças). A produção de é de cerca de 900 toneladas anuais e de leite é de 15.269 litros.

Há também cerca de 90.000 galináceos (sendo ± 40.000 galinhas) com uma produção anual de ± 450.000 dúzias de ovos.

A apicultura produz anualmente cerca de oitenta mil litros de mel.

  • Energia elétrica:
    • Consumidores: 23.248
    • Consumo: 16 MW
    • Pontos de iluminação pública: 95% da Cidade
  • Água e esgoto:
    • Total de economias: 18.053
    • Total de ligações de água: 15.339

Jornais[editar | editar código-fonte]

Emissoras de Rádio[editar | editar código-fonte]

  • Rádio Sentinela - FM 104,9 Mhz (Comunitária)
  • Rádio Minuano FM - FM 97,5 Mhz
  • Rádio Nativa FM - FM 105,9 Mhz
  • Rádio Alegrete - AM 590 Khz
  • Rádio Gazeta - AM 1400 Khz

Web Tv[editar | editar código-fonte]

  • Pop Tv

Carnaval[editar | editar código-fonte]

No Carnaval de Alegrete há atualmente o desfile cinco escolas de samba.

  • Unidos dos Canudos
  • Mocidade Independente da Cidade Alta (MICA)
  • Acadêmicos do Por do Sol
  • Nós os Ritmistas
  • Imperatriz da Praça Nova

Usina Termoelétrica Osvaldo Aranha[editar | editar código-fonte]

Inaugurada em 17 de setembro de 1968 pelo então Presidente Militar, o General Artur da Costa e Silva, noticiada com grande notoriedade pelo Jornal Tribuna da Imprensa que relatou a época da vital importância da fundação dessa usina que resolveria o problema energético de 14 cidades do interior gaúcho.

Atualmente a Usina está sob a responsabilidade da Tractebel Energia e funciona ocasionalmente com modernas instalações junto ao Rio Ibirapuitã.

Prefeitos[editar | editar código-fonte]

  • 1968 - Arnaldo da Costa Paz (MDB)
  • 1973 - Adão Ortiz Houayek (MDB)
  • 1977 - José Rubens Pillar (ARENA)
  • 1983 - Adão Conceição Dornelles Faraco (PMDB)
  • 1989 - José Rubens Pillar (PDS)
  • 1993 - Nilo Soares Gonçalves (PMDB) com 22.621 votos
  • 1997 - José Carlos de Moura Jardim Filho (PPB) com 17.907 votos
  • 2001 - José Rubens Pillar (PPB) eleito com 16.255 votos
  • 2005 - José Rubens Pillar (PP) eleito com 16.574 votos
  • 2008 - Erasmo Guterres Silva (PMDB) com 16.176 votos
  • 2012 - Erasmo Guterres Silva (PMDB) com 23.075 votos[1]

Filhos ilustres[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b G1 RS (7 de outubro de 2012). Com 52% dos votos, Erasmo Silva é eleito prefeito em Alegrete, RS. Página visitada em 31 de janeiro de 2013.
  2. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  3. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  4. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  6. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  7. a b ARAÚJO FILHO, Luiz. O Município de Alegrete. Alegrete: O Coqueiro, 1908.p.17.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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