Aleixo Melisseno Estrategopulo

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Mapa da região por volta de 1230.

Aleixo Melisseno Estrategopulo (em grego: Ἀλέξιος Στρατηγόπουλος; transl.: Alexios Strategopoulos) foi um general bizantino que se notabilizou durante o reinado de Miguel VIII Paleólogo, ascendendo ao cargo de grande doméstico e césar. Destacou-se como líder da reconquista de Constantinopla ao Império Latino em 1261.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nada se sabe sobre os primeiros anos da vida de Aleixo. Um selo datado de ca. 1255 foi encontrado com a inscrição "Aleixo Estrategopulo da família Comneno", mas a conexão exata aos Comnenos permanece incerta. Ele aparece pela primeira vez nas crônicas em 1252-1253, durante o reinado de João III Ducas Vatatzes no Império de Niceia, quando ele liderou um destacamento do exército para saquear o território do Despotado de Épiro à volta do lago Ostrovo. Em 1254, ele estava baseado em Serres e, no ano seguinte, participou, juntamente com o pinkernes Constantino Tornice, de uma fracassada campanha contra a fortaleza de Tzepaina na parte ocidental dos montes Ródope. Como resultado, e por conta de sua ligação estreita com a facção aristocrática que apoiava Miguel Paleólogo, ele foi despedido de suas funções. Em algum momento posterior, seu filho Constantino foi cegado como traidor e, em 1258, o próprio Aleixo foi preso.[1]

Ele não permaneceu na cadeia por muito tempo, sendo solto logo após a morte de Teodoro II Láscaris e foi um dos mais importantes aliados no vitorioso golpe de Miguel Paleólogo contra Jorge Muzalon para assumir a regência do pequeno João IV Láscaris. No mesmo ano ele foi alçado por Miguel à posição de grande doméstico do Império de Niceia[2] e acompanhou o exército sob o sebastocrator João Paleólogo à Macedônia. Aleixo participou da campanha contra o Despotado de Épiro, que levou à decisiva Batalha de Pelagônia.[3] Após a vitória bizantina, João invadiu a Tessália, enquanto que Aleixo e João Raoul foram encarregados de tomar Épiro. Aleixo conseguiu conquistar a capital do Despotado, Arta, libertando uma grande quantidade de prisioneiros nicenos e forçando o déspota Miguel II a fugir para a ilha de Cefalônia. Por este sucesso, ele foi elevado à posição de césar. No ano seguinte, porém os sucessos nicenos foram praticamente desfeitos: o déspota Miguel, seus filhos e um exército mercenário italiano desembarcaram em Arta e a população se juntou aos invasores.[4] O exército de Miguel travou combate com as forças de Aleixo no passo de Trikorfon perto de Nafpaktos e derrotou-as, capturando Aleixo.[1]

Reconquista de Constantinopla[editar | editar código-fonte]

O Portão da Fonte (Pege) ou Portão de Selímbria, por onde o exército bizantino sob Estrategopulo entrou em Constantinopla em 25 de julho de 1261.

Apesar destes revezes, em 1260, o imperador Miguel VIII enviou suas tropas para capturar a joia da coroa: Constantinopla, que era o centro do Império Latino desde 1204. Ele firmou uma aliança com Gênova e, em julho de 1261, Estrategopulo, recentemente libertado da custódia em Épiro, foi enviado com uma pequena força de vanguarda de 800 soldados, quase todos cumanos,[5] para vigiar os búlgaros e para espionar as defesas latinas.[6] Quando as forças bizantinas alcançaram a vila de Selímbria (Silivri), eles, informados pelos fazendeiros locais, descobriram que toda a guarnição latina e a frota veneziana estavam foram num raide contra a ilha nicena de Daphnousia.[7] Embora inicialmente hesitantes por conta do reduzido tamanho de suas forças, que seria destroçada se o exército latino retornasse, e por que ele estaria excedendo seu mandato, Aleixo eventualmente decidiu não perder essa oportunidade de ouro de retomar a cidade.[8]

Na noite de 25 de julho de 1261, Aleixo e seus homens se aproximaram da muralha da cidade e se esconderam no Mosteiro de Pege perto do Portão da Fonte (Pege).[8] O general então enviou um destacamento, que, guiados pelos fazendeiros, conseguiram entrar na cidade através de uma passagem secreta. Eles atacaram a muralha por dentro, surpreendendo os guardas e abriram o portão, permitindo que a força nicena entrasse na cidade. Os latinos foram pegos completamente de surpresa e, após alguma resistência, dominaram completamente a muralha terrestre. Temendo a vingança que os bizantinos poderiam infligir-lhes, os habitantes latinos, do imperador Balduíno II pra baixo, correram para o porto na esperança de embarcarem para algum lugar seguro. Graças à oportuna volta da frota veneziana, eles conseguiram ser evacuados, mas a cidade foi perdida em definitivo.[6] A recaptura de Constantinopla significou a restauração do Império Bizantino pelos nicenos e, no dia 15 de agosto, o dia da Dormição da Theotokos, o imperador Miguel entrou na cidade em triunfo e foi coroado na Basílica de Santa Sofia.

Anos finais[editar | editar código-fonte]

Após o seu feito ter-lhe rendido fama e glória, em 1262 Aleixo foi nomeado novamente para liderar um exército contra Épiro. Desta vez, porém, ele foi derrotado por Nicéforo Ducas e capturado.[9] Ele foi resgatado em 1265 em troca de Constança II de Hohenstaufen e morreu em algum momento entre 1271 e 1275.[1]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bartusis, Mark C.. The Late Byzantine Army: Arms and Society, 1204-1453. [S.l.]: Pennsylvania University Press, 1997. ISBN 0812216202