Aleksandr Dugin

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Aleksandr Gel'yevich Dugin, em russo Алекса́ндр Ге́льевич Ду́гин (Moscou, 7 de janeiro de 1962), é um cientista político, activista e ideólogo político russo pertencente à escola contemporânea de geopolítica russa comummente designada por “neoeurasianismo”.

Dugin foi criado no seio duma família militar. Seu pai era alto oficial dos serviços secretos militares soviéticos; sua mãe, médica. Em 1979 ingressou no Instituto de Aviação de Moscovo, não chegando a formar-se. Seu pai auxiliou-o na obtenção de um emprego nos arquivos do KGB, nos quais eventualmente se deparou com obras cuja leitura estava proibida ao restante da população soviética; focavam o fascismo, o eurasianismo, o misticismo e diversas religiões do mundo.

Percurso político até o PNB[editar | editar código-fonte]

Dugin trabalhou como jornalista antes de se envolver em política pouco antes da queda da União Soviética. Em 1988, juntamente com o seu amigo Geidar Dzhemal, filiou-se à organização nacionalista Pamyat. Auxiliou a redacção do programa político do refundado Partido Comunista da Federação Russa (ex-Partido Comunista da União Soviética) sob a jurisdição de Gennady Zyuganov, sendo o produto final um documento mais inclinado para o nacionalismo que para o marxismo.

Pouco depois, começou a publicar seu próprio jornal, Elementy, que começou por louvar o franco-belga Jean-François Thiriart, defensor duma Europa “de Dublin a Vladivostok”. Também procurou uma aliança com Alain de Benoist, embora o francês se tenha sentido desencorajado pelo seu exacerbado nacionalismo russo. O seu jornal glorificava consistentemente tanto o czarismo quanto o estalinismo, o Elementy também revelou a admiração de Dugin por Heinrich Himmler e por Julius Evola, para nomear apenas algumas das figuras polémicas que promovia. Colaborou também com o semanário Dyen (O Dia, curiosamente), bastião anti-sionista russo dirigido por Alexander Prokhanov. Convencido de que o Nacional-Bolchevismo necessitava de uma encarnação política própria Dugin convenceu o seu aliado Eduard Limonov do mesmo e criaram a Frente Nacional-Bolchevique, em 1994, posteriormente Partido Nacional-Bolchevique. Dugin eventualmente afastou-se do PNB e aproximou-se de Vladimir Putin, do qual foi, até ao fim do seu mandato presidencial, conselheiro geopolítico. Esta relação com Putin, julga-se, mantêm-se com Dmitri Medvedev.

O pós PNB[editar | editar código-fonte]

Em 2002 Dugin fundou o Partido da Eurásia, alterado posteriormente para Movimento da Eurásia, tido por alguns observadores como sendo alvo de financiamento e de apoio organizacional do gabinete presidencial de Vladimir Putin. O ME detém o apoio de alguns círculos militares e ainda de alguns líderes das comunidades muçulmana, cristã ortodoxa, budista e judia da Rússia, o movimento anseia em desempenhar um papel determinante na resolução do conflito com a Chechénia, sendo o seu principal objectivo lançar as fundações para uma aliança estratégica entre a Rússia e os Estados europeus e do Médio Oriente, com destaque para a República Islâmica do Irão. Os ideais de Dugin, nomeadamente o de uma aliança turco-eslava, têm vindo a tornar-se populares em certos círculos nacionalistas turcos.

Uma das ideias basilares do seu pensamento teórico é de que Moscovo, Berlim e Paris constituem um eixo político “natural”, as teorias de Dugin assentam no conflito eterno entre a terra e o mar, entre o atlantismo e o eurasianismo, ou seja, entre os EUA e a Rússia. “Por principio, a Eurásia e o nosso espaço, o coração da Rússia, permanecem como a área na qual se encenará uma nova revolução anti-burguesa e anti-americana”, de acordo com o seu livro “Fundamentos da Geopolítica”, publicado em 1997, “O novo império euroasiático será construído sob o princípio fundamental do inimigo comum: a rejeição do atlanticismo, do controlo estratégico dos EUA, e na recusa de permitir que princípios liberais nos dominem. Este impulso civilizacional comum será a base da uma união política e estratégica.”

Pedras basilares nas suas teorias são as influências de Halford John Mackinder e Carl Schmitt, com os seus ideais acerca da História mundial ser um combate perpétuo entre a terra (sinónimo de tradição, religião e colectivismo) e o mar (progressismo, ateísmo e individualismo). Os académicos crêem que Dugin tomou de empréstimo algumas ideias da Escola Tradicionalista.

Dugin manifesta respeito pelo judaísmo, contudo é fervoroso anti-sionista, considerando o sionismo como uma afronta aos interesses geopolíticos russos. Considera Israel como base estratégica do atlantismo militante promovido pelos EUA e pela Grã-Bretanha. Mantém boas relações com algumas figuras do nacionalismo israelo-russo, nomeadamente Avigdor Eskin e Avraham Shmulevich.

Tem criticado o envolvimento euroatlântico nas eleições presidenciais ucranianas, acusando-o do intuito de criar um “cordão sanitário” à volta da Rússia, ao estilo do que os britânicos tentaram levar a cabo durante a Primeira Guerra Mundial.

Obras da sua autoria[editar | editar código-fonte]

  • Pop-kultura i znaki vremeni, Amphora (2005).
  • Absoliutnaia rodina, Arktogeia-tsentr (1999).
  • Tampliery proletariata: natsional-bol'shevizm i initsiatsiia, Arktogeia (1997).
  • Osnovy geopolitiki: geopoliticheskoe budushchee Rossii, Arktogeia (1997).
  • Metafizika blagoi vesti: Pravoslavnyi ezoterizm, Arktogeia (1996).
  • Misterii Evrazii, Arktogeia (1996).
  • Konservativnaia revoliutsiia, Arktogeia (1994).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]