Alepo

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Alepo
حلب Ḥalab'
Aleppo-collage-2011.JPG
Alepo está localizado em: Síria
Alepo
Localização de Alepo ( Síria)
Coordenadas 36° 11' 58" N 37° 09' 45" E
País  Síria
Distrito Alepo
Área  
  Total 190 km²
População  
  Cidade (2004) 2 132 100
  Metro 2 181 061

Alepo (em árabe: حلب, transl. ˈħalab; em turco Halep) é uma cidade no norte da Síria, a segunda maior cidade do país, capital da província homônima. A província se estende em torno da cidade, cobrindo uma área de 18 482 quilômetros quadrados, e abrangendo uma população de mais de 5 315 000 habitantes (estimativa de 2008),[1] o que faz dele a maior província da Síria em termos de população. Alepo é uma das cidades mais antigas do mundo, tendo sido habitada desde o século XI a.C., o que é evidenciado pelos edifícios residenciais descobertos em Tell Qaramel.[2] Ocupa uma posição comercial estratégica entre o mar Mediterrâneo e o rio Eufrates, e foi construída inicialmente sobre um pequeno grupo de morros que cerca um monte onde o castelo da cidade foi construído.[3] O pequeno rio Quwēq (قويق) cruza a cidade.

Por séculos Alepo foi a maior cidade da Grande Síria, e a terceira do Império Otomano, depois apenas de Constantinopla e do Cairo. Embora esteja relativamente perto de Damasco em termos de distância, Alepo é diferente em sua identidade, arquitetura e cultura, todas marcadas por um contexto histórico-geográfico distinto.

A importância da cidade na história consistiu de sua localização, no fim da Rota da Seda asiática que cruzava a Ásia Central e a Mesopotâmia. Quando o canal de Suez foi inaugurado em 1869, o comércio passou a ser realizado pelo mar e Alepo começou seu declínio gradual. Com a queda do Império Otomano, após a Primeira Guerra Mundial, Alepo perdeu a área rural ao norte da cidade para a atual Turquia, bem como a importante linha férrea que a ligava a Mossul. Na década de 1940 perdeu seu principal acesso ao mar, Antioquia e Alexandreta (Iskenderun), também para a Turquia. Finalmente, o isolamento da Síria nas últimas décadas contribuiu para exacerbar a situação. Paradoxalmente, este declínio pode ter ajudado a preservar a antiga cidade de Alepo, sua arquitetura medieval e seu patrimônio tradicional. Alepo tem passado por um renascimento e vem voltando lentamente a uma posição de destaque, tendo conquistado recentemente o título de "Capital Islâmica da Cultura" em 2006 e testemunhado uma onda de restaurações bem-sucedidas de seus monumentos.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Moeda do Califado Omíada, baseado em protótipo sassânida, falus de cobre, encontrado em Alepo, datado de cerca de 695 a.C.

Alepo foi conhecida na Antiguidade como Khalpe, Khalibon, e, para os antigos gregos, como Beroea. Durante as Cruzadas, e novamente durante o mandato francês, o nome Alep foi utilizado: "Aleppo" seria a versão italianizada do nome. O antigo nome, Halab, no entanto, tem origem obscura. Já se foi proposto que significaria "ferro" ou "cobre" na língua amorita, já que a região foi uma importante fonte destes metais em tempos antigos. Halaba significa "branco" em aramaico, e poderia referir-se à cor do solo e do mármore abundante no local. Outra etimologia proposta é a de que o nome Halab significa "dar leite", e viria da antiga tradição na qual Abraão teria dado leite aos viajantes que passavam pela região.[4] A cor de suas vacas era acinzentada (em árabe shaheb), e portanto a cidade também é chamada de "Halab ash-Shahba'" ("ele tirou leite da acinzentada").

História[editar | editar código-fonte]

O fato da cidade moderna ocupar o local da antiga fez com que Alepo tenha permanecido praticamente intocada pelos arqueólogos até os dias de hoje. O sítio foi ocupado desde por volta do ano 5000 a.C., como mostram escavações em Tallet Alsauda, e cresceu como capital do reino de Yamkhad até que a dinastia amorita no poder fosse derrubada, por volta de 1600 a.C.. A cidade permaneceu então sob controle hitita até por volta de 800 a.C., quando passou para as mãos dos assírios e, em seguida, para o Império Aquemênida. Alexandre, o Grande conquistou a cidade em 333 a.C., quando Seleuco Nicator mudou o seu nome para Beroea, em homenagem à cidade homônima na Macedônia. Alepo permaneceu sob controle grego por 300 anos antes de passar a ser governada pelo Império Romano, quando os romanos conquistaram a Síria em 64 a.C..

A cidade permaneceu parte do Império Romano Oriental antes de ser conquistada pelos árabes, liderados por Khalid ibn al-Walid, em 637 d.C.. Em 944 tornou-se o centro de um emirado (o Emirado de Alepo) independente, sob a liderança do príncipe hamdanida Sayf al-Daula, e viveu um período de grande prosperidade, e foi o lar do grande poeta al-Mutanabbi e do filósofo e polímata al-Farabi. Em 962 foi saqueada por um Império Bizantino que ressurgia; forças bizantinas a ocuparam brevemente, de 974 a 987. A cidade e o emirado tornaram-se vassalos imperiais de 969 até as Guerras Bizantino-Seljúcidas. Foi sitiada duas vezes pelos cruzados - em 1098 e em 1124 - porém nunca chegou a ser conquistada.

Em 11 de outubro de 1138[5] [6] [7] um terremoto catastrófico devastou a cidade e a área ao seu redor. Embora as estimativas da época sejam pouco confiáveis, acredita-se que cerca de 230.000 pessoas tenham morrido, fazendo dele o quinto terremoto mais grave, em termos de números de vítimas, que se tem registro.

A cidade passou para o controle de Saladino e, posteriormente, da dinastia Aiúbida, a partir de 1183.

Em 24 de janeiro de 1260[8] a cidade foi conquistada pelos mongóis, comandados por Hulagu, e aliados a seus vassalos, os cavaleiros "francos" do príncipe de Antioquia, Boemundo VI e seu sogro, o soberano armênio Hetoum I.[9] A cidade foi defendida com bravura por Turanshah, porém suas muralhas cederam após seis dias de bombardeio intenso, e a cidadela foi conquistada quatro semanas mais tarde. A população islâmica foi massacrada, enquanto os cristãos foram poupados. Turanshah recebeu um tratamento respeitoso pouco comum da parte dos mongóis, e pôde continuar a viver na cidade devido à sua idade e coragem durante o combate. Alepo retornou então às mãos do antigo Emir de Homs, al-Ashraf, e um forte mongol foi erguido na cidade. Alguns dos espólios da conquista foram dados a Hetoum I, por seu auxílio no ataque; o exército mongol, no entanto, prosseguiu para Damasco, que se rendeu e foi invadida em 1 de março do mesmo ano.

Em setembro, os mamelucos egípcios negociaram um tratado com os "francos" de Acre, permitindo que passassem por território cruzado sem serem molestados, e enfrentaram os mongóis na Batalha de Ain Jalut. Os mamelucos conquistaram uma vitória decisiva, matando o general mongol Kitbuqa, um cristão nestoriano, e cinco dias mais tarde tinham reconquistado Damasco. Alepo foi recuperada pelos muçulmanos em pouco menos de um mês, e um governador mameluco passou a administrar a cidade. Hulagu enviou tropas para tentar recuperá-la em dezembro do mesmo ano; estas tropas chegaram a massacrar um grande número da população islâmica local, em retaliação à morte de Kitbuqa, porém como não haviam feito grandes progressos depois de duas semanas acabaram por recuar.[10]

Quando o governador mameluco insubordinou-se à autoridade central mameluca, no Cairo, no outono de 1261, o líder mameluco Baibars despachou tropas para reconquistar a cidade. Em outubro de 1271 os mongóis reconquistaram a cidade, após atacá-la com 10.000 cavaleiros da Anatólia, derrotando as tropas turcomanas que a defendiam. Os ocupantes dos fortes mamelucos fugiram para Hama, até que Baibars novamente veio para o norte com seu exército principal, e os mongóis recuaram mais uma vez.[11]

Governantes[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Escritório Central de Estatísticas (2008). Damasco, Síria.
  2. Polish Centre of Mediterranean Archeology. Pre- and Protohistory in the Near East: Tell Qaramel (Syria). Página visitada em 23-3-2008.
  3. In: Alexander Russell. The Natural History of Aleppo. Londres: Unknown, 1856. p. 266.
  4. [1] (p.53).
  5. Terremoto em Aleppo - 1138, Síria - Mortes: 230.000 Portal UOL - Vírgula
  6. 6 - Terremoto de Aleppo Portal UOL - Ciência - Como tudo funciona
  7. 10 – Terremoto em Aleppo, na Síria Site HypeScience
  8. Jackson, Peter. (Julho de 1980). "The Crisis in the Holy Land in 1260". The English Historical Review 95: 481–513 pp..
  9. Grousset, René. Histoire des Croisades, p. 581, ISBN 2-262-02569-X.
  10. Runciman, p. 314.
  11. Runciman, pp. 336–337.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Runciman, Steven. A History of the Crusades: Volume 3, The Kingdom of Acre and the Later Crusades (Cambridge University Press 1954)
Imagem: Cidade Antiga de Alepo A Cidade de Alepo inclui o sítio Cidade Antiga de Alepo, Património Mundial da UNESCO. Welterbe.svg
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