Alexander Kellner

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Alexander Wilhelm Armin Kellner (Vaduz, 26 de setembro de 1961) é um paleontólogo brasileiro, especialista líder no campo de estudo dos pterossauros. Alexander Kellner nasceu em Liechtenstein, em sua tenra infância se mudou com seus pais para o Brasil, onde foi naturalizado. No Rio de Janeiro recebeu educação primária e secundária na bilíngue Escola Corcovado. Em 1981 começou a estudar geologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Como estudante logo se envolveu na pesquisa de vertebrados fósseis, especialmente exemplares de pterossauros da Formação Santana, a partir da qual publicou muitos artigos no final dos anos 80. Obteve o grau de Mestre em Ciências em geologia na UFRJ em 1991 e Mestre em Filosofia em 1994 e o Doutorado em 1996 da Universidade da Columbia (Nova Iorque) em um programa conjunto com o Museu Americano de História Natural. Em 1997 tornou-se professor no Museu Nacional, o Museu Nacional brasileiro que é parte da UFRJ, a maior universidade do Brasil e curador do departamento geológico e paleontológico daquela instituição. De 1998 a 2001, atuou como chefe do departamento e de 2008 é o chefe do programa de graduação em zoologia. Kellner é também o editor-chefe da Anais da Academia Brasileira de Ciências, a publicação oficial da Academia Brasileira de Ciências.

Parte de seu trabalho com répteis fósseis, particularmente pterossauros, vinculou a organização da "Pterosaur Workshop" em Pittsburgh (1995) e o primeiro "Pterosaur Symposium" já realizado no Museu Americano de História Natural (1996).Além disso, se envolveu na organização de vários encontros científicos no Brasil tais como o 31o Congreso Geológico Internacional (Rio de Janeiro, 2000) e o 2o Congresso Latino-Americano de Paleontologia de Vertebrados (Rio de Janeiro, 2005).

Kellner organizou, ou tomou parte, em várias expedições paleontológicas conduzidas em muitos locais pelo globo, incluindo Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Ceará (estados situados no Brasil), os desertos de Atacama, no Chile e Kerman, noIrã, os famosos depósitos de Liaoning, na China e até mesmo na Ilha James Ross, na Antártica.

Kellner tem acima de cinco centenas de publicações levando seu nome (incluindo resumos e artigos científicos populares), tem publicado mais do que 130 estudos primários e dois livros científicos populares: Pterossauros - os senhores do céu do Brasil e o romance Na terra dos titãs. Também tomou parte nos documentários sobre fósseis (e.g., Antártica - um verão de 70 milhões de anos ("Antarctica - a summer of 70 million years"); Caçadores de Dinossauros ("Dinosaur Hunters").

Devido à sua atividade científica recebeu várias honras, sendo indicado como membro da Academia Brasileira de Ciências, em 1996. Também é membro honroso da New York Paleontological Society e da Sociedad Paleontológica de Chile. É pesquisador associado do Museu Americano de História Natural e do Chinês Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia (IVPP).

Além de sua atividade de ensino, ter orientado mais de quinze estudantes de mestrado e doutorado, Kellner tem sido ativo na propagação do conhecimento científico para a população em geral. Organizou em 1999 a exposição No Tempo dos Dinossauros ("In the Time of the Dinosaurs"), que tem sido lembrada como uma referência para o estabelecimento da paleontologia no Brasil, atraindo a atenção da sociedade brasileira para o estudo dos fósseis. Também em 2006 organizou a montagem do primeiro esqueleto de dinossauros em grande escalano Brasil, o do saurópode Maxakalisaurus topai, pelo qual recebeu o reconhecimento do Congresso Brasileiro. Desde 2004 escreve mensalmente na coluna Caçadores de Fósseis ("Fossil Hunters"), do site da Ciência Hoje On Line, um projeto da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

Afora o estudo de seus fósseis, Kellner executou importante trabalho teórico sobre pterossauros, incluindo estudos cladísticos sobre sua filogenia. Sobre este tópico é o fundador de uma escola brasileira distinta sobre o estudo de pterossauros, com seu próprio modelo filogenético favorecido, terminologia e nomenclatura do clado. Modelos rivalizantes e escolhas de nomenclatura tem sido fornecidas pelo influente pesquisador britãnico de pterossauros David Unwin.

Pelo seu trabalho científico, Kellner recebeu diversos prêmios e honrarias, incluindo o prêmio em Ciências da Terra da Academy of Sciences for the Developing World (TWAS) e a admissão na classe de Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico (um dos principais prêmios científicos do Brasil), ambos em 2010.

Lista de espécies nomeadas por Kellner[editar | editar código-fonte]

As conquistas científicas de Kellner incluem a descrição de mais de trinta espécies, entre as quais o Santanaraptor (1996, 1999) que mostra o melhor tecido mole (vasos sanguíneos e fibras musculares) já relatado em qualquer dinossauro e o Thalassodromeus (2002, um estudo feito com Diogenes de Almeida Campos), que permitiu o estabelecimento de uma nova hipótese sobre o uso da crista da cabeça na regulação de temperatura corporal dos pterossauros.

Uma lista completa de novas espécies descritas e nomeadas por Kellner, às vezes em cooperação com outros pesquisadores, inclui:

  • Brasileodactylus araripensis Kellner, 1984 (Reptilia, Pterosauria);
  • Anhanguera blittersdorffi Campos & Kellner, 1985 (Reptilia, Pterosauria);
  • Oshunia brevis Wenz & Kellner, 1986 (Pisces, Halecomorphi);
  • Caririsuchus camposi Kellner, 1987 (Reptilia, Crocodylia);
  • Tupuxuara longicristatus Kellner & Campos, 1988 (Reptilia, Pterosauria);
  • Tapejara wellnhoferi Kellner, 1989 (Reptilia, Pterosauria);
  • Tupuxuara leonardii Kellner & Campos, 1994 (Reptilia, Pterosauria);
  • Angaturama limai Kellner & Campos, 1996 (Reptilia, Dinosauria);
  • Ongghonia dashzevegi Kellner & McKenna, 1996 (Mammalia, Leptictidae);
  • Tupandactylus imperator (Campos & Kellner, 1997) (Reptilia, Pterosauria);
  • Siroccopteryx moroccensis Mader & Kellner, 1999 (Reptilia, Pterosauria);
  • Gondwanatitan faustoi Kellner & Azevedo, 1999 (Reptilia, Dinosauria);
  • Santanaraptor placidus Kellner, 1999 (Reptilia, Dinosauria);
  • Anhanguera piscator Kellner & Tomida, 2000 (Reptilia, Pterosauria);
  • Stratiotosuchus maxhechti Campos, Suarez, Riff & Kellner, 2001 (Reptilia, Crocodylia);
  • Thalassodromeus sethi Kellner & Campos, 2002 (Reptilia, Pterosauria);
  • Pycnonemosaurus nevesi Kellner & Campos, 2002 (Reptilia, Dinosauria);
  • Kaikaifilusaurus calvoi Simón & Kellner, 2003. (Reptilia, Sphenodontia);
  • Unaysaurus tolentinoi Leal, L.A., Azevedo, S.A., Kellner, A.W.A. & Rosa, Á.A.S., 2004 (Reptilia, Dinosauria);
  • Unenlagia paynemili Calvo, J.O., Porfiri, J. & Kellner, A.W.A., 2004 (Reptilia, Dinosauria);
  • Feilongus youngi Wang, Kellner, Zhou & Campos, 2005 (Reptilia, Pterosauria);
  • Nurhachius ignaciobritoi Wang, Kellner, Zhou & Campos, 2005 (Reptilia, Pterosauria);
  • Baurutitan britoi Kellner, A.W.A., Campos, D. A., Trotta, M. N. F. 2005 (Reptilia, Dinosauria);
  • Trigonosaurus pricei Campos, D.A., Kellner, A.W.A., Bertini, R.J., Santucci, R.M. 2005 (Reptilia, Dinosauria);
  • Caririemys violetae Oliveira, G.R. & Kellner, A.W.A. 2007 (Reptilia, Testudines);
  • Gegepterus changi Wang, Kellner, Zhou & Campos, 2007 (Reptilia, Pterosauria);
  • Futalognkosaurus dukei Calvo, J.O., Porfiri, J., González-Riga, B.J. & Kellner, A.W.A., 2007 (Reptilia, Dinosauria);
  • Nemicolopterus crypticus Wang, Kellner, Zhou & Campos, 2008 (Reptilia, Pterosauria);
  • Guarinisuchus munizi Barbosa, Kellner & Viana, 2008 (Reptilia, Crocodylia);
  • Hongshanopterus lacustris Wang, Zhou, Campos & Kellner, 2008 (Reptilia, Pterosauria);
  • Coringasuchus anisodontis Kellner, A.W.A., Pinheiro, A.E.P., Azevedo, S.A.K., Henriques, D.D.R., Carvalho, L.B. & Oliveira, G. 2009 (Reptilia, Crocodylia);
  • Wukongopterus lii Wang, Kellner, Jiang, Meng 2009 (Reptilia, Pterosauria).

Referências[editar | editar código-fonte]

http://lattes.cnpq.br/0424535851535945

Ligações externas[editar | editar código-fonte]