Alexandra Kollontai

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Alexandra Kollontai
Alexandra Kollontai, 1888
Nascimento 19 de março de 1872
São Petersburgo
Morte 9 de março de 1952 (79 anos)
Moscou
Nacionalidade Rússia Russa

Alexandra Mikhaylovna Kollontai, em russo: Алекса́ндра Миха́йловна Коллонта́й; nascida Domontovich, Домонто́вич) (São Petersburgo, greg. 31 de março/ jul. 19 de março de 1872Moscovo, 9 de março de 1952) foi uma líder revolucionária russa e teórica do marxismo, membro da facção bolchevique e militante activa durante a Revolução Russa de 1917.[1]

Nascida e criada no seio de uma família da nobreza latifundiária, o pai, Mikhail Domontovich, era um general de origem ucraniana e a mãe finlandesa de origem camponesa. Passou a infância entre Petrogrado e a Finlândia. A família limitou-lhe o acesso aos estudos e assim, aos 16 anos, após concluir seu bacharelato, foi autodidacta. Aos 20 anos, casa-se com Vladimir Mikhaylovich Kollontai, um jovem oficial do exército, com quem teve um filho, Misha.

Em 1898 abandona sua situação privilegiada, deixa o marido e o filho e junta-se ao Partido Social-Democrata dos Trabalhadores Russos, atuando principalmente entre as mulheres trabalhadoras.[2]

Aproximação das ideias marxistas[editar | editar código-fonte]

Inicialmente simpatiza com o socialismo agrário e o populismo - que na altura praticava atentados contra membros da aristocracia dirigente russa. A partir de 1896, começa a estudar o marxismo e economia,[1] acedendo à leitura das duas primeiras revistas marxistas legais na Rússia: Nachalo e Nóvoe slovo. Integra-se a um grupo de apoio aos grevistas do sector têxtil de Petrogrado, numa luta em que participavam 36.000 operários.

Em 1898, publica o seu primeiro estudo sobre a psicologia da educação, antes de começar os estudos universitários de economia em Zurique.

Torna-se progressivamente mais favorável ao marxismo, admirando Kautsky e Rosa Luxemburgo, face às tendências revisionistas promovidas por Bernstein.

Em 1899, viaja a Inglaterra para estudar o movimento operário desse país, deparando-se com todas as contradições de uma sociedade em que o capitalismo está numa fase avançada, voltando à Rússia ainda mais afirmada no seu marxismo.

Em pleno conflito entre a aristocracia russa e o povo finlandês, Alexandra põe-se do lado dos revolucionários finlandeses. Publica artigos sobre a questão, em 1900, sobretudo de teor económico-estatístico, envolvendo-se em simultâneo nas actividades clandestinas dos círculos marxistas russos.

Em 1901 partiu para o estrangeiro, coincidindo com Kautsky, Luxemburgo e Lafargue em Paris e com Plekhanov, em Genebra.

Acção política revolucionária[editar | editar código-fonte]

Ao voltar à Rússia, em 1903, consumada já a divisão entre bolcheviques e mencheviques, não adere a nenhuma das tendências, apesar de simpatizar com os primeiros, já que mantém a sua admiração por Plekhanov, líder menchevique.[1]

No chamado "domingo sangrento" de 1905, participa na manifestação que se dirige ao Palácio de Inverno, assistindo à carnificina de operários desarmados, protagonizada pelas tropas czaristas - uma imagem que ficará para sempre gravada na memória da jovem revolucionária.

Incorpora-se ao grupo bolchevique de Petrogrado, trabalhando na imprensa clandestina, contribuindo ainda para a unidade de acção entre os partidos social-democrata russo e finlandês, na luta comum contra o czarismo. Converte-se numa das primeiras revolucionárias a assentar as bases da organização de mulheres operárias, convocando-as para comícios específicos dirigidos a elas.[1]

Em 1906, afasta-se da tendência bolchevique por discordar da participação institucional na Duma, e por divergências quanto ao papel dos sindicatos. Assim, entre 1906 e 1915 participa da fracção menchevique.

Exílio e definitiva adesão à fracção bolchevique[editar | editar código-fonte]

Entre 1908 e 1917, vive exilada na Alemanha, na Bélgica, França, Inglaterra, Suíça, Itália, Dinamarca, Noruega e nos Estados Unidos. Em 1915, adere novamente ao grupo bolchevique, liderado por Lenin. É detida em duas ocasiões, na Alemanha e na Suécia, por fazer propaganda contra a guerra imperialista.

Após a Revolução de Fevereiro de 1917, regressa à Rússia e converte-se na primeira mulher eleita para o comité executivo do Soviete de Petrogrado, e depois do mesmo organismo em nível pan-russo. Oposta à linha majoritária entre os bolcheviques, de apoio crítico ao Governo provisório de Kerensky, está do lado de Lenin quando este aposta, quase solitário, na insurreição de Outubro. Eleita membro do Comité Central no VI Congresso, enquanto se acha numa prisão de Kerensky, fica livre pouco antes do definitivo levante revolucionário e ocupa o terceiro lugar na candidatura bolchevique para a Assembleia Constituinte. Torna-se Comissária do Povo para Assuntos do Bem-estar Social.[1]

Ainda em 1917, pouco depois da Revolução, casa-se com Pavel Dybenko, um jovem marinheiro de origem camponesa. O novo casamento dura até 1922.

Do governo revolucionário à oposição operária[editar | editar código-fonte]

Após a vitória bolchevique, ocupa o posto de comissária do povo (ministra) para a Assistência Pública no primeiro Governo revolucionário. Trabalhou para que fossem reconhecidos os direitos e liberdades às mulheres, modificando aspectos das leis que as subordinavam aos homens, como a negação do direito ao voto e a imposição de piores condições salariais. As relações familiares e sexuais foram liberalizadas, aprovando-se o divórcio e o direito ao aborto, além de numerosos benefícios sociais para a maternidade e a habilitação de creches.

Em 1918, Kollontai organiza o Primeiro Congresso de Mulheres Trabalhadoras de toda a Rússia, donde nasce o Genotdel, organismo dedicado a promover a participação das mulheres na vida pública e nos projectos sociais, nomeadamente a luta contra o analfabetismo. Alexandra integra-se no Conselho Editorial da revista Kommunistka (Mulher Comunista). Nesse mesmo ano, no VII Congresso do Partido Bolchevique, opõe-se à assinatura da Paz de Brest-Litovsk, perdendo o lugar que ocupava no Comité Central.

Em 1920, fica responsabilizada pela organização de mulheres do partido. Ocupa ainda o posto de comissária do povo para a Segurança Social, promulgando decretos para a protecção e a segurança da maternidade e a infância. Desde o ano anterior, tinha aderido à chamada Oposição Operária, com Shlyapnikov, Kiselev e Medvedev. Em 1921, coindindo com o X Congresso do Partido, escreve um opúsculo com esse mesmo título, em que expõe as posições dessa tendência no interior do Partido Bolchevique, alertando contra os "perigos de degeneração burocrática que ameaçam", e propondo o controlo operário das instituições. A Oposição Operária é derrotada.

Carreira diplomática[editar | editar código-fonte]

Em 1922, ela foi nomeada como assessora da embaixada soviética na Noruega. A partir de então Kollontai esteve efetivamente no exílio como uma diplomata.[1] , sendo transferida posteriormente para o México (1925 a 1927), Noruega novamente entre 1927 e 1930 (ano em que apoia publicamente a liderança de Estaline), e Suécia desde esse ano até o da sua reforma, em 1945. Faleceu em Moscovo em 9 de março de 1952.

A sua obra teórica[editar | editar código-fonte]

Além de numerosos artigos de temática política, económica e feminista, destacamos as seguintes obras:

  • A situação da classe operária na Finlândia (1903)
  • A luta de classes (1906)
  • Primeiro almanaque operário (1906)
  • Base social da questão feminina (1908)
  • A Finlândia e o socialismo (1907)
  • Sociedade e maternidade (?)
  • Quem precisa da guerra? (?)
  • A classe operária e a nova moral (?)
  • A nova mulher (1918)
  • A moral sexual (1921)
  • A oposição Operária (1921)

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f Tom Condit. "Alexandea Kollontai" (em en). marxists.org. Página visitada em 4 de de agosto de 2013.
  2. RITTER, Leonora. Alexandra Kollontai 1873-1952. Charles Sturt University

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Artigos de Alexandra Kollontaihttp://www.marxists.org/archive/kollonta/into.htm

("O dia da mulher", 1913 e "O comunismo e a família", 1920)


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