Alexandra de Oldemburgo

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Alexandra Petrovna
Grã-duquesa da Rússia
Duquesa de Oldemburgo
Grand Duchess Anastasia Petrovna of Russia.JPG
Alexandra Petrovna
Governo
Consorte Nicolau Nikolaevich da Rússia
Vida
Nascimento 2 de Junho de 1838
São Petersburgo, Império Russo
Morte 25 de Abril de 1900 (61 anos)
Kiev, Império Russo
Filhos Nicolau Nikolaevich da Rússia
Pedro Nikolaevich da Rússia
Pai Pedro de Oldemburgo
Mãe Teresa de Nassau-Weilburg

Alexandra Petrovna da Rússia (em russo: Александра Петровна), (2 de junho de 1838 - 25 de abril de 1900) foi uma filha do duque Pedro Georgievich de Oldemburgo e bisneta do czar Paulo I da Rússia. Casou-se com o grão-duque Nicolau Nikolaevich da Rússia e foi mãe do grão-duque Nicolau Nikolaevich Júnior. Depois do colapso do casamento, Alexandra retirou-se da vida na corte e acabou por se tornar freira.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Alexandra Petrovna nasceu no dia 2 de junho de 1838 em São Petersburgo como duquesa Alexandra Frederica Guilhermina de Oldemburgo, a filha mais velha dos oito nascidos no casamento entre o duque Pedro Georgievich de Oldemburgo e da princesa Teresa de Nassau-Weilburg, meia-irmã da princesa Sofia de Nassau, consorte do rei Óscar II da Suécia. Alexandra pertencia a uma família alemã, mas cresceu na Rússia,[1] onde a sua família tinha laços familiares fortes com a dinastia Romanov.

O duque Pedro Georgievich de Oldemburgo, pai de Alexandra, era o único filho que chegou à idade adulta da grã-duquesa Catarina Pavlovna, quarta filha do czar Paulo I da Rússia. Pedro prestou serviço militar no exército imperial russo e foi também um intelectual e filantropo. Alexandra cresceu no ambiente feliz da família Oldemburgo. Pedro Georgievich e a sua esposa tinham uma vida familiar exemplar e foram muito atenciosos com a educação dos seus filhos. A família passava os meses de inverno em Peterhof e mudava-se para a sua residência em Kamenoi-Ostroff no verão.[2] A educação de Alexandra despertou nela um grande interesse por medicina e um desejo de resolver os problemas sociais dos pobres.

Casamento[editar | editar código-fonte]

Alexandra com o marido e os dois filhos.

Os pais de Alexandra arranjaram-lhe um casamento com uma figura de grande estatuto. No dia 25 de outubro de 1855 a duquesa ficou noiva do grão-duque Nicolau Nikolaevich, terceiro filho do czar Nicolau I da Rússia e seu primo em segundo-grau. Alexandra, que tinha sido educada como luterana, converteu-se à igreja ortodoxa no dia 7 de janeiro de 1856 e passou a ser tratada por Sua Alteza Imperial, a grã-duquesa Alexandra Petrovna da Rússia. O casamento realizou-se no dia 6 de fevereiro de 1856 em Peterhof. O primeiro filho do casal nasceu nove meses depois no primeiro andar dos seus aposentos no Palácio de Inverno.[3] Em dezembro de 1861, o casal mudou-se para o recém-construído Palácio de Nicolau, na Praça da Anunciação onde, em 1864, Alexandra deu à luz o seu segundo e último filho, o grão-duque Pedro Nikolaevich. Nesta altura o casamento já tinha começado a desmoronar-se.

Alexandra era pouco interessante e pouco sofisticada. Gostava de simplicidade e preferia vestir-se modestamente e evitar a vida pública. Dedicava grande parte do seu tempo à religião e ao seu interesse crescente pela medicina. Era também uma pintora de talento.[4] Alexandra não era bonita, mas a sua sinceridade e boas maneiras faziam com que ganhasse amizades facilmente. Dava-se muito bem com ambas as suas cunhadas, a czarina Maria Alexandrovna e a grã-duquesa Alexandra Iosifovna. Nos primeiros tempos de casamento, o seu marido respeitava as suas ideias e chegou a financiar um hospital em São Petersburgo onde as teorias de Alexandra se desenvolveram e foram postas em prática e onde os doentes pobres eram tratados gratuitamente. Muitas vezes era a própria grã-duquesa que cuidava deles. Mais tarde criou também um instituto para a formação de enfermeiras em São Petersburgo.

No final da década de 1860, o casamento estava destruído. O casal tinha descoberto que não tinha nada em comum. Como Alexandra tinha consciência de que tinha poucos atractivos físicos e sociais, preferia ficar em casa, algo que irritava o seu marido que se queixava da sua simplicidade e da sua forma de vestir. Quando se converteu à Igreja Ortodoxa depois do casamento, Alexandra tornou-se extremamente devota.

O palácio do casal em São Petersburgo eram tão grande que os dois podiam não se ver e apenas apareciam juntos em cerimónias oficiais. Com o tempo, Nicolau passou a ter uma relação permanente com a sua amante, Catarina Chislova, uma dançarina do Teatro de Krasnoye Selo. O grão-duque não fazia nada para esconder este caso amoroso e, em 1868, Catarina deu à luz o primeiro filho do casal.

Em 1870 já não havia nada no casamento senão amargura.[3] A única coisa que Alexandra podia fazer em relação à infidelidade do marido era ressenti-la. A grã-duquesa começou a passar cada vez mais tempo em Kiev enquanto o seu marido dividia o seu tempo entre os seus filhos legítimos e a sua segunda família. Quando o grão-duque conseguiu um título para a sua amante e filhos ilegítimos, Alexandra Petrovna implorou ao czar Alexandre II que o impedisse, mas este não se mostrou interessado em defender a sua cunhada. "Penso que entende," disse-lhe o czar abertamente, "que o seu marido se encontra no ponto mais alto da sua vida e precisa de ter uma mulher por quem esteja apaixonado. E olhe bem para si! Veja como se veste! Não conseguiria atrair nenhum homem!" [5] Contudo, depois desta reunião, Alexandre aconselhou mesmo o seu irmão a ser mais discreto e exilou a sua amante na Lituânia.

Algumas fontes afirmam que Alexandra teve um amante para se vingar da infidelidade do marido e que teve um filho deste em 1868, contudo a história parecesse improvável e não existem provas credíveis de que fosse verdade.[4]

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Alexandra como freira.

Em 1880, Alexandra saiu de São Petersburgo de vez para começar uma nova vida em Kiev. Primeiro viveu no Palácio Mariyinsky, a residência oficial do czar em Kiev, mas depois mudou-se para um convento. Contudo, recusou-se a dar o divórcio que o marido tanto queria. O grão-duque Nicolau Nikolaevich tinha esperanças de vir a viver mais tempo do que a esposa, como foi o caso do seu irmão Alexandre II que, assim que ficou viúvo, se casou com a sua amante. Mas Alexandra, apesar de não estar de boa saúde, viveu mais tempo do que o seu marido e a amante dele.[6] Catarina Chislova morreu em 1889 e o grão-duque sofreu o mesmo destino dois anos depois. Quando Nicolau morreu na Crimeia em 1891, Alexandra recusou-se a estar presente no funeral. Mesmo depois de morto, não o perdoou. Também se recusou a prestar homenagem ao seu marido quando o comboio que o transportou até São Petersburgo fez uma paragem em Kiev.

Alexandra tornou-se freira com o nome de "Irmã Anastásia", jurando os seus votos no dia 3 de novembro de 1889 em Kiev, quando o seu marido ainda estava vivo. Criou um convento com freiras enfermeiras que tinha os seus próprios hospitais, asilos e salas para tratar os pobres. Dedicou o resto da sua vida ao trabalho, algo que sempre tinha sido a sua prioridade. Continuou muito chegada aos seus dois filhos que tinham ficado do seu lado quando a família se desmoronou. Estava na Crimeia, em 1898, quando a sua nora, a grã-duquesa Milica, deu à luz duas filhas gémeas, uma das quais morreu pouco depois de nascer. Alexandra levou os restos mortais da sua neta consigo e enterrou-os no cemitério do seu convento em Kiev.[7] Alexandra morreu no Mosteiro Kievo Pechersky, em Kiev, no dia 25 de abril de 1900 de cancro no estômago aos 61 anos de idade. A sua sepultura encontra-se no jardim do convento e é cuidada pelas freiras que ainda hoje continuam o seu trabalho.

Referências

  1. The Camera and the Tsars”, Charlotte Zeepvat, pg. 43
  2. The Russian Oldenburgs”: David McIntosh, p. 372
  3. a b “Patriots and Just Men”: Charlotte Zeepvat, p. 66
  4. a b “ Djulber”, Charlotte Zeepvat, pg. 66
  5. “Gilded Prism”: Greg King & Penny Wilson, p 40
  6. “The Romanov Legacy : The Palaces of St. Petersburg”: Zoia Belyakova, p.153
  7. “ Djulber”, Charlotte Zeepvat, pg. 68
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