Alexandre I da Rússia

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Alexandre I
Imperador e Autocrata de Todas as Rússias
Imperador da Rússia
Reinado 24 de março de 1801
a 1 de dezembro de 1825
Coroação 15 de setembro de 1801
Predecessor Paulo
Sucessor Nicolau I
Consorte Luísa de Baden
Descendência
Maria Alexandrovna da Rússia
Isabel Alexandrovna da Rússia
Sofia Marishkine
Nome completo
Alexandre Pavlovich Romanov
Casa Romanov
Pai Paulo I da Rússia
Mãe Maria Feodorovna
Nascimento 23 de dezembro de 1777
São Petesburgo, Império Russo
Morte 1 de dezembro de 1825 (47 anos)
Taganrog, Império Russo
Enterro Catedral de Pedro e Paulo,
São Petesburgo, Rússia
Assinatura

Alexandre I, (em russo: Александр Павлович Романов; transl.: Aleksandr Pavlovich Romanov) São Petersburgo, 23 de dezembro de 1777 em Taganrog, faleceu a 1 de dezembro de 1825, foi tsar do Império Russo, da dinastia Romanov. Sucedeu ao pai Paulo I, subindo ao trono em 1801; seu reinado foi marcado pelas lutas com Napoleão Bonaparte, a quem derrotou três vezes. Está sepultado na catedral da Fortaleza de São Pedro e São Paulo em São Petersburgo. Há uma lenda de que abdicou secretamente e viveu como monge. Alcunhado Bendito por Deus.

Alguns dados cronológicos sobre seu reinado[editar | editar código-fonte]

Em 1801, adquiriu a Geórgia do leste e mandou proibir a venda de servos desligados de terra. Formou os ministérios em 1802. Em 1806, conquistou o Daguestão e Baku. Entre 1806 e 1815, mandou construir o novo almirantado, por Zakharov e de 1807 a 1811 foram realizadas as reformas por Speransky. A Finlândia foi anexada em 1808. Em 24 de junho de 1812, Napoleão invaviu a Rússia; a batalha de Borodino foi lutada em 26 de agosto, e em 14 de setembro Napoleão entrou na cidade de Moscou, da qual partiu em 19 de outubro. Alexandre o perseguiu em 1813 e em 1814 até Paris. A servidão foi abolida entre 1816 e 1819 nas províncias bálticas. Entre 1817 e 1857, Montferrand construiu a catedral de Santo Isaac. Em 1819, a Universidade de São Petersburgo foi fundada. De 1819 a 1829 Rossi, arquiteto italiano, construiu o edifício do estado-maior geral na Praça do Palácio.

Comentários[editar | editar código-fonte]

Imperador e autocrata de todas as Rússias desde 1801, foi muito influenciado por sua avó, a tsarina Catarina II, a Grande, que o tirou do país para educá-lo, e o considerava seu sucessor. Ela fez dele o tsárevich ou herdeiro em 1796. Primeiro filho do grão-duque Paulo Petrovitch, futuro Paulo I, e da grã-duquesa Maria Fiodorovna, nascida princesa de Württemberg-Montbéliard.

Feito tsar quando assassinado o pai, em 12 de março de 1801, foi coroado na catedral da Dormição no Kremlin em 15 de setembro de 1801.

Seguidora, em termos, dos princípio iluministas, Catarina II convidou o filósofo francês Denis Diderot para ser seu tutor particular. Como Diderot não aceitou, a czarina convidou como preceptor o cidadão suíço Frédéric-César La Harpe, que, em termos de pensamento filosófico, seguia as ideias de Jean-Jacques Rousseau, era republicano por convicção e um excelente educador que inspirou afeto em seu aluno e ajudou a moldar permanentemente sua mente mantendo-a flexível e aberta. Alexandre é considerado das mais interesantes figuras de seu século, autocrata e jacobino, místico e homem do mundo, natureza complexa, extremamente popular em todos os níveis da sociedade. Iniciou reformas administrativas, educativas, científicas, no regime da servidão.

Seu reinado foi marcado por uma política externa flutuante. Aliado da Inglaterra e do Império Austríaco na coalizão de 1805 contra a França revolucionária, participou da Terceira Coligação contra Napoleão Bonaparte, mas as forças russo-austríacas foram vencidas em Austerlitz (1805). Fez aliança com o Reino da Prússia mas depois das derrotas de Eylau e de Friedland (1807) se viu obrigado a assinar o Tratado de Tilsit, tornando-se aliado de Napoleão. Declarou guerra à Inglaterra e aderiu ao Bloqueio Continental.

Atacou então a Suécia, para obter a Finlândia (1808). Renovou hostilidades contra o Império Otomano, continuadas até a Paz de Bucareste (1812). O ressentimento russo com o sistema continental dominado pelos franceses provocou a invasão da Rússia (1812). Havia retomado em (1811) a luta contra Napoleão, com isso causou a invasão de seu país, o que fez a Europa levantar-se contra o invasor. Embora retornasse à capital antes da derrota russa em Borodino (setembro de 1812), Alexandre tomou parte ativa na destruição do exército retirante de Napoleão [1813] em Dresden e em Leipzig. Entrou em Paris (1814) com os Aliados, visitou triunfante Londres. Após a campanha da Rússia, desastrosa para os franceses, participou da Sexta Coligação em 1813 e, caindo Napoleão, contribuiu para a restauração da dinastia dos Bourbons. Alexandre comandou o exército russo na campanha contra Napoleão. Após o fracasso da campanha da Rússia (1812), participou da libertação da Europa (Batalha das Nações, 1813; campanha da França, 1814).

Em 1815, inspirou a Santa Aliança da Europa cristã, com os soberanos do Império Austríaco e do Reino da Prússia. Queria resgatar o poder das dinastias absolutistas europeias. No Congresso de Viena (1815) recebeu a Polônia, assumiu o trono, deu-lhe uma nova constituição.

O período final[editar | editar código-fonte]

Alexandre I, Imperador da Rússia.

Desde a invasão da Rússia se tornara profundamente religioso. Lia a Bíblia diariamente e rezava muito. Deixara-se influenciar em Paris pelos pensamentos místicos de uma visionária, Bárbara Juliana Krüdener chamada Madame von Krudener, que se considerava profetisa enviada ao tsar por Deus. Teve influência curta mas profunda pois o tsar nunca mais abandonaria seu fervor religioso.

Voltando à Rússia, a partir de 1818 demonstrou políticas retrógradas e reacionárias que o alienaram do povo. Desde que Napoleão foi derrotado em 1812, surgiram sociedades secretas pela Rússia exigindo a abolição da servidão. Um desses movimentos, um grupo de nobres insatisfeitos chamados dezembristas, pediam também o fim da autocracia. Sua liga idealista se tornara uma aliança dos monarcas contra os povos, depois dos encontros em Aix-la-Chapelle, Troppau, Laibach (Liubliana) e Verona - campeões do despotismo, defensores de uma ordem mantida pela força das armas.

Alexandre mesmo ficou golpeado pelo motim de seu regimento Semenovski e pensou detectar a presença de radicalismo revolucionário. O que marcou o fim de seus sonhos liberais. Todas as rebeliões lhe pareceram então doravante revoltas contra Deus. Chocou o povo russo ao recusar apoio aos gregos, povo da mesma religião católica ortodoxa, ao se levantarem contra o Império Otomano, mantendo que eram rebeldes como outros. O chanceler austríaco o príncipe Metternich, a quem o tsar deixou a direção dos negócios europeus, aproveitou-e de seu estado de espírito. Tinha mesmo abandonado os assuntos do país a seu favorito Arakcheev.

A morte da única filha muito amada, uma enorme inundação em São Petersburgo em 1824 e o descontentamento com os regimentos de seu exercito levaram-no à Crimeia, para tentar recuperar a saúde. Sua coroa passara a pesar muito e não escondia da família e dos amigos o desejo de abdicar. Quando a tsarina adoeceu, Taganrog, aldeia no mar de Azov, parecia um destino ideal. Mas o tsar contraiu malária durante uma viagem de inspeção, e morreu. Sua morte repentina, seu misticismo, a perplexidade da corte e a recusa de permitir a abertura de seu caixão ajudaram a criar a lenda de sua "partida" para um refúgio siberiano.

Está sepultado na Fortaleza de São Pedro e São Paulo, São Petersburgo, Rússia.[1]

Anexou a Transcaucásia da Pérsia (1813) e a Bessarábia após guerra contra o Império Otomano (1812). Aboliu muitos castigos bárbaros, melhorou as condições de vida dos servos e fomentou a educação.

Sucedido por seu irmão Nicolau.

Casamento e posteridade[editar | editar código-fonte]

Tinha sido casado aos 16 anos, em São Petesburgo em 9 de outubro de 1793, com Luísa de Baden, de 14 anos (rebatizada na Rússia como Elisaveta Aleksandrovna) nascida em Karslhue em 24 de janeiro de 1778 - morta em 16 de maio de 1826 em Bjelev). Era filha do marquês Carlos de Bade, irmã de Carlos de Bade, o qual em 1806 casou-se com Stephanie de Beauharnais, filha adotiva de Napoleão. Seu casamento foi muito infeliz. Extremamente popular, ela se converteu à religião ortodoxa. Graciosa e culta, deixou um Diário, documento precioso.

Somente deixou filhas.

  1. Maria Aleksandrovna Romanova, (São Petersburgo, 29 de maio de 1799 - 8 de julho de 1800 São Petersburgo).
  2. Isabel Aleksandrovna Romanova, (São Petersburgo 15 de novembro de 1806- 12 de maio de 1808, São Petersburgo).

E da aristocrata polonesa Maria Marishkine, filha do príncipe Czetwertyński, teve uma filha, Sofia (1806-1824) que casou com o príncipe Dimitri Narishkine.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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